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Os Guerreiros Águia – A “Tropa de Elite” asteca

julho 21, 2016

Portada-Guerreros-AguilaOs Cuauhtli eram os Guerreiros Águia que, ao lado dos Ocelotl (Guerreiros Jaguar), compunham a elite militar asteca. A águia tem um papel importante na mitologia asteca, tendo indicado aos antigos mexicas o local de suas “Terra Prometida” e sendo vinculada ao sol (por isso os guerreiros também eram chamados de Soldados do Sol) e por isso constituir um grupamento de guerreiros em alusão a esta ave sagrada tem importantes significados. Os Guerreiros Águia eram ornamentados com adereços e utensílios ao poderoso animal e para ingressar nessa força militar era exigido um rigoroso preparo de homens que necessariamente já eram guerreiros antes de merecerem o privilégio e a honra de se vestirem de águias.

Ainda quando meninos, futuros integrantes da elite guerreira asteca eram selecionados entre a nobreza ou mesmo entre a população comum se já demonstravam precoces aptidões excepcionais. Apesar do treinamento duro, ingressar oficialmente nas fileiras da Sociedade dos Guerreiros Águia exigia dos jovens aspirantes provas de habilidade e valor em combate e a captura de inimigos era um meio de atender a essa exigência. A quantidade de capturas por guerreiro como requisito varia de acordo com relatos, estando entre quatro a doze ou mais prisioneiros e essas capturas exigiam um mínimo de duas batalhas consecutivas. Os prisioneiros também deveriam atender a requisitos, sendo excluídos aqueles que fossem fisicamente frágeis ou debilitados, exigindo presas em pleno vigor físico. A captura deveria ocorrer sem utilização de armas letais (o que facilitaria a intimidação, reduzindo o efeito da habilidade sobre o resultado).

Uma vez aprovados, os guerreiros manobrariam armamentos como arcos, lanças, punhais, estilingues, propulsores de lanças, “macuahuitl” (arma de madeira incrustada com lâminas de obsidiana) e com utensílio de proteção como armadura de acolchoada de algodão, escudos e o característico capacete em forma de águia. Também passavam a gozar de privilégios e reconhecimento social, podendo ostentar publicamente sinais de distinção, dispor de concubinas, ter terra sem cobrança de impostos com direito de transmissão por herança e também podiam participar da vida política.

Mas ser um Guerreiro Águia não era o limite da ascensão social pela via militar, pois a cerreira exigiria outras demonstrações de valor e bravura com a possibilidade de novas promoções.

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Romanos X Persas: 721 anos de guerra

julho 19, 2016

Os romanos e os persas não tinham boas relações diplomáticas entre si. Na verdade a relação que mantinham era a de oponentes e em virtude disso os conflitos entre as duas civilizações durou incríveis 721 anos. A rivalidade não se restringia à disputa territorial ou conflitos nas fronteiras, envolvia diversos aspectos quem incluíam a religiosidade.

Os persas eram adversários que também impunham preocupações aos romanos. Seja durante o período dos Partos (238 aC – 227 dC) ou no período dos Sassânidas (227 – 651) não havia sossego entre os poderosos impérios vizinhos. Os dois lados se enfrentaram diversas vezes com sucessos e fracassos para ambos. Só a capital da Pártia, Ctesifonte, no atual Iraque, chegou a cair temporariamente sob o domínio romano cinco vezes.

Shapur I, segundo soberano persa na dinastia dos Sassânidas (durante 241 a 272), conseguiu liderar uma forte retomada persa de reconquista territorial, impondo derrotas dolorosas sobre os romanos e chegando a capturar o imperador Valeriano (Publius Licinius Valerianus Augustus). No período Sassânida as tensões Roma X Pérsia tinham cada vez mais influência dos aspectos religiosos que distinguiam os dois oponentes e os cristãos eram alvos dos persas dentro e fora de seus territórios (a perseguição aos cristão era associada à rivalidade com os romanos, sobretudo após a conversão de Teodósio e cristianização do Império Romano).

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Rendição de Valeriano diante de Shapur I

A incessante luta contra os persas ajudou a fragilizar o Império Romano do Ocidente, que acabou ruindo sem conseguir conter outros invasores, mas os conflitos continuaram por parte do Império Bizantino, sucedâneo do Império Romano do Oriente. A continuidade dessa guerra acabou também prejudicando os persas, que também tiveram que lidar com novos adversários e acabaram sendo derrotados pelos árabes muçulmanos.

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Vote contra o patrulhamento ideológico sobre a atividade docente

julho 18, 2016

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O famigerado Programa Escola sem Partido é amparado numa absurda justificativa de combate à ideologização educacional – como se educação fosse uma atividade desprovida de bases ideológicas – que, contraditoriamente, é amparado em uma perspectiva ideológica.Se diz contra a doutrinação mas prevê a doutrina da mordaça e o tolhimento da autonomia da atividade docente.

Claro que fazer apologia partidária, proselitismo religioso ou militância de movimento político no ambiente escolar e no processo formativo dos jovens é uma postura digna de críticas e certamente é uma prática que deve ser coibida pontualmente, quando ocorrer e quando for devidamente configurada a prática. Mas o que surge com esse “movimento” não é isso e sim uma atuação generalizante de enquadrar ideias e posturas ideológicas que não agradam aos promotores dessa perspectiva. Já há efeitos dessa mentalidade em propostas de criminalização de ideias e, óbvio, de enquadramento de professores.

A censura estúpida apregoada como postura a ser implantada e imposta nas escolas virou proposta de alteração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) através de um Projeto de Lei do senador Magno Malta que é lastreado por justificativas insustentáveis fora do aspecto meramente opinativo e – obviamente – ideológico e doutrinário do próprio patrocinador da proposta legal. O projeto contém erros crassos como o emprego da ideia ultrapassada de “opção sexual” (aludindo ao fato de que professores podem induzir “opções sexuais”) e do princípio de que a escola deve promover parâmetros morais religiosos sob a incrível alegação de que não há moralidade fora da religião. Pelo projeto escolas e professores estarão sujeitos a um incessante patrulhamento de suas posturas e não apenas de suas atividades por meio “julgamentos” exatamente fundamentados em parâmetros ideológicos, o que é obviamente uma contradição absurda se a alegada proposta de instituir o Programa Escola sem Partido tem como objetivo o “combate à ideologização”.

Na prática a proposta gera um ambiente anti-democrático e limitado para o processo educacional, mas não cumpre a falsa promessa de lidar com a ideologização, uma vez que é claramente ideológico e obscurantista, mas já houve um tempo em que o obscurantismo ideológico vigiava nossas escolas. Não podemos aceitar o retorno disso.

Não podemos impedir que a escola seja um ambiente para a discussão de ideias, para a valorização e respeito ao amplo espectro de diversidades, para a construção de tolerância e convivência construtiva. Esse projeto é o oposto a tudo isso.

Está aberto no site do Sendo uma consulta pública a respeito do PL que visa implantar o obscuro Programa Escola Sem Partido. Temos posição a respeito: CONTRA A INSTAURAÇÃO DA MORDAÇA EDUCACIONAL!

Clique aqui e participe da consulta pública.

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O bombardeio com vaso sanitário na Guerra do Vietnã

julho 17, 2016

Em outubro de 1965, comemorando uma marca dos 6 milhões de libras (por volta de 2.721.555 kg) de bombas lançadas sobre o Vietnã, a tripulação de um  bombardeiro A-1H Skyraider, lançado do porta-aviões USS Midway VA-25, resolveu lançar um vaso sanitário sobre os inimigos norte-vietnamitas.

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Representação medieval de bruxa voando sobre uma vassoura do século XII

julho 16, 2016
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A misteriosa figura feminina retratada na Catedral de Schleswig: Bruxa ou deusa viking?

É comum a associação entre bruxas e suas vassouras voadoras e isso começou a se popularizar no século XV, mas mesmo antes disso a representação alada das bruxas já existia como referência ao fato de que possuíam alegados poderes enfeitiçados capazes de proezas além do normal. A capacidade de voar também tinha uma conotação assustadora, pois indicava que o terror que elas traziam pairava sobre as pessoas e bruxas eram representadas voando montadas sobre gatos ou sobre toras de madeira.

Uma imagem de bruxa sobre uma vassoura que se tem como referência como a mais antiga que se conhece é uma pintura na Catedral de Schleswig, na Alemanha, que data do ano 1300. Na mesma igreja há outra pintura que está associada à deusa pagã Freya e esse fato cria dúvidas se a imagem da mulher voando sobre uma vassoura não seria também uma figura da mitologia nórdica – e há quem a identifique como a deusa Frigga (madrasta de ninguém menos que Thor) – mas não se sabe de onde viria a vassoura na representação da deusa da fertilidade e do amor na tradição dos vikings, que voava numa espécie de biga puxada por felinos.

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Representação da deusa Freya no mesmo templo alemão

Por esse estranhamento tem-se como mais provável que a figura sobre uma vassoura na Catedral de Schleswig seja mesmo de uma bruxa.

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A incrível história do japonês que permaneceu em combate na Segunda Guerra Mundial até 1974

julho 14, 2016
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Hiroo Onoda em 1944

Duas datas e ocasiões são referências para o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945. A primeira é o dia 8 de maio, fim do conflito na Europa e a segunda é o dia 2 de setembro, quando encerraram os embates na Ásia com a rendição do Japão. Enfim, a guerra havia acabado, mas não para todos os combatentes, pois o japonês Hiroo Onoda, que era descendente de uma tradicional família de samurais, continuou firme em seu posto de combate até 1974, pois não tomou notícia do fim da guerra.

Ele cumpriu por tempo demais sua missão em Lubang, nas Filipinas, onde deveria integrar a chamada Brigada Sugi, que tinha como propósito estratégico causar danos em pelotões norte-americanos que também estavam presentes na ilha e para isso o grupo de Onoda estava preparado para atuar em ações de guerrilha e na realização de atos de sabotagem. Onoda tinha treinamento como integrante da inteligência tática do Exército Imperial e por isso atuar em condições severas era normal para ele e seus homens, mas sua missão não foi exitosa e a brigada acabou sendo derrotada em combate, sendo forçada à rendição em 28 de fevereiro. Mas o tenente Onoda, o cabo Shoichi Shimada e os soldados Kinsshichi Kozuda e Yuichi Akatsu resolveram resistir, seguindo um plano de retirada para as montanhas e permaneceram lá sem tomar conhecimento dos fatos além da ilha do arquipélago filipino.

Os norte-americanos sabiam que ainda havia soldados japoneses em Lubang e em outras localidades nas Filipinas e passaram a tentar alertar aos desavisados a respeito do fim da guerra através de panfletos que eram jogados a partir de aviões, por mensagens de rádio e alto-falantes. O grupo de Onoda se recusou a levar os avisos em consideração, duvidando do teor das mensagens. Nem a divulgação pelos mesmos métodos da ordem do general-comandante Tomoyuki Yamashita convenceu o teimoso grupo, pois eles consideraram que a mensagem era um estratagema dos norte-americanos para frustrar a missão que levaram até o fim.

Até o final de 1949 os quatro resistiram sobrevivendo de frutas, gado roubado e caça, vivendo basicamente acampados, mas o soldado Akatsu achou que aquilo era demais para ele e resolveu se entregar aos filipinos, encerrando sua prolongada participação na guerra. A desistência do companheiro acirrou ainda mais a disposição de resistir dos demais, que recuaram ainda mais para a selva para continuar combatendo, agora contra os oponentes que encontravam pela frente: a polícia e civis que não tinham nada a ver com a missão dos guerreiros sem guerra. A ação dos japoneses contra as vítimas que continuavam fazendo alarmou as autoridades filipinas, que iniciaram uma caçada combatentes que concluíram que a reação era uma prova de que a guerra ainda não havia acabado.

O próprio governo japonês continuou a tentar fazê-los desistir, e em 1952 foram jogados sobre a selva fotos e mensagens dos parentes que imploravam para que desistissem da missão, mas nem isso bastou, pois eles insistiam acreditando que era armação dos inimigos. O cabo Shimada chegou a ser baleado na perna num tiroteio contra pescadores em junho de 1953, mas sobreviveu até se envolver numa briga quase um ano depois. Em outra briga, em outubro de 1972, o soldado Kozuda acabou sendo assassinado, o que deixou Onoda sozinho e ainda acreditando na continuidade da guerra, apesar de várias outras tentativas de convencimento sobre os fatos. Mesmo sem companheiros Onoda seguiu com sua missão de sabotagem por meio da provocação de incêndios, rouba de gado e outras ações que prejudicavam camponeses e causavam constrangimentos ao governo japonês, que recebia reiteradas queixas por parte dos filipinos.

O aventureiros Norio Suzuki acabou adotando o propósito de encontrar e convencer Onoda sobre o fim da guerra e fazer com que ele finalmente se rendesse. Após uma exaustiva busca Suziki finalmente encontrou o compatriota em 20 de fevereiro de 1974, mas sua capacidade de argumentação não foi suficiente e Onoda manteve-se firme em sua disposição de resistir sozinho até receber ordens de um oficial superior. A recusa fez com que Suzuki voltasse para o Japão, encontrasse o major Yoshimi Taniguchi, antigo comandante de Onoda, para levá-lo a Lubang para ordenar a rendição e finalmente em 9 de março – 29 anos após o fim da guerra – o guerreiro teimoso acabou reconhecendo a derrota.

Para o governo filipino isso foi um alívio e considerando a condição mental de Onoda o presidente Ferdinand Marcos o anistiou dos crimes cometidos (que incluíam vários homicídios).

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Rendição: Onoda entregando sua espada ao presidente filipino

Onoda voltou para Japão, onde foi consagrado como herói de guerra, mas depois resolveu se mudar para o Brasil, se estabelecendo numa colônia no interior do Mato Grosso e vivendo como fazendeiro. Voltou posteriormente ao seu país e acabou virando professor de técnicas de sobrevivência.

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Foto de 2010

O herói japonês morreu em Tókio no 16 de janeiro de 2014, aos 91 anos de idade. Familiares do tenente Onoda ainda vivem no Brasil, país que continuou visitando e onde foi condecorado pela Força Aérea com a Medalha do Mérito Santo Dumont.

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A higiene e os maus hábitos dos brasileiros no período colonial

julho 14, 2016

Contribuição do blogueiro histórico Mauro Luiz, do blog A História e seus fatos curiosos

A palavra ‘higiene’ não constava no vocabulário até o século XIX. Plantas perfumadas eram queimadas para disfarçar mau cheiro. Hábito de esvaziar penicos pela janela estava em toda parte, dos pobres aos ricos.

Hoje em dia não comemos mais com as mãos, nem arrotamos publicamente e nem defecamos e urinamos em praça pública, mas até que isso não acontecesse, percorremos um longo caminho.

A palavra higiene não constava no vocabulário até meados do século XIX. Existem diversos relatos de viajantes estrangeiros, já dotados de boas maneiras, que ao passarem pelo Brasil, sobretudo no Rio de Janeiro, ficavam impressionados com a repugnante sujeira das casas. Raramente o interior de uma casa era limpa e quando muito era varrido por uma vassoura de bambu. Água no chão, nem pensar. As paredes que eram apenas caiadas se tornavam amarelas. A fim de se tornarem os quartos toleráveis, queimava-se plantas perfumadas para disfarçar o mau cheiro. Esses odores também mantinham-se afastados, aquilo que os viajantes chamavam de “atacantes invisíveis”, ou seja, mosquitos e baratas e outras imundícies mais.

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Despejo de dejetos no mar

Naquela época as pessoas não se davam conta da falta de higiene total, tanto nas casas de pobres como nas dos ricos. Tinha-se por hábito esvaziar os penicos pela janela dos sobrados gritando “água vai!”, justamente para que as pessoas que estivessem embaixo se protegessem.

Mas, o que mais impressionava, eram as maneiras à mesa. Não havia qualquer preocupação com o uso de talheres. Era hábito durante as refeições, os homens ao chegar da cidade, tirarem toda a vestimenta para que a refeição não se tornasse muito incomodada e acalorada. Ficavam só de calção e uma camisa meio que aberta no peito e de pés descalços.

Segue relato de um viajante inglês: ” …os maus modos à mesa eram visíveis. Comem muito com grande avidez. A altura da mesa faz com que o prato fique no nível do queixo. Cada qual espalha seus cotovelos ao redor, colocando o pulso na beirada do prato, fazendo que, por meio de um movimento hábil, o conteúdo todo seja despejado na boca. Por outros motivos além desse, não há grande limpeza nem boas maneiras durante a refeição. Os dedos são usados tanto quanto o próprio garfo…”

Nota-se que não havia preocupação nenhuma quanto à presença de visitantes à mesa. Os maus hábitos durante as refeições eram comuns em qualquer situação, tanto entre ricos como entre pobres.

Apesar do dito que o brasileiro aprendeu a tomar banho com os indígenas, naquela época, os banhos e a limpeza corporal não eram apreciados pela população em geral. Os pés eram geralmente a parte mais limpa do corpo, simplesmente porque havia bicho-de-pé, e isso incomodava muito. Era uma verdadeira praga. As pessoas limpavam os pés, as mãos, o rosto e os braços e o resto era sujeira.

De acordo com relatos dos médicos do século XIX, doenças de pele eram comuns como sarnas e perebas de todos os tipos. Nas próprias correspondências dos Governadores-Gerais aos seus familiares em Portugal, eles diziam que se conservavam bem livre de perebas, sarnas e bichinhos do pé.

Apesar do acesso a água ser difícil, pois ela vinha no lombo de burros ou carregada por escravos, é notório que não havia aquele entusiasmo por um bom banho, haja vista que D. João VI, só tomava banho de mar obrigado para curar uma pereba que ele tinha na perna.

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D. João VI

Outra praga comum era o piolho, porém, o que mais chamava a atenção era que catar piolhos era um passatempo. Há várias gravuras e narrativas de viajantes em que mostram os homens com a cabeça no joelho das mulheres catando seus piolhos. Os estrangeiros ficavam estarrecidos com essa prática, pois reuniam alegremente as pessoas sempre embaixo de uma sombra, depois do almoço com as senhoras catando vagarosamente o cabelo de seus maridos e ouvindo os estalos do piolhos mortos, como se fosse uma espécie de passatempo agradável.

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Piolho

Mas o que mais impressionava era o ato de urinar e defecar em público. Já se tinha na Europa a ideia do “toalete ou WC”, e que mais tarde os barões do café viriam a exportar as primeiras privadas para o Brasil. Na verdade não se tinha a menor cerimônia e era muito comum as mulheres por exemplo, segundo relato de um viajante inglês, “…urinarem descaradamente nas ruas, levantando as saias e fazendo xixi sem se importar em cobrir as vergonhas…”

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“Mijão” – Debret

O exemplo desses maus hábitos também vinha de cima. Segue abaixo a narrativa de um cadete de cavalaria inglês, contrato como mercenário para trabalhar no quartel da Praia Vermelha (RJ) pelo Imperador D. Pedro I:

“Ao romper o dia, chegaram a cavalo D. Pedro e sua esposa acompanhados de camaristas e generais. Não há talvez no mundo soldando tão entendido como o Imperador no manejo prático do exercício da espingarda. Mas de resto, seus modos são grosseiros, falta de sentimento das conveniências. Pois o vi uma vez trepar ao muro da fortaleza, de cócoras, para satisfazer uma necessidade natural. E nesta atitude altamente indecorosa assistiu o desfile do batalhão em continência. Tal espetáculo deixou atônitos os soldados alemães, mas o imperial ator conservou inalterável a sua calma.”

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