Posts Tagged ‘Medieval’

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A ciência preservada pelos islâmicos na Idade Média

novembro 8, 2014

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Durante a Idade Média da Europa Ocidental muitos dos registros e conhecimentos científicos clássicos eram condenados em decorrência da postura da Igreja Católica, que renegava determinadas informações por conta de um julgamento fundamentalista a respeito do funcionamento de coisas e situações que já foram objetos dos estudos científicos. Por outro lado, os islâmicos passaram a tomar contato com o legado da produção científica clássica e resolveram preservar registros que eram destruídos na Europa. Mas os islâmicos não se interessaram apenas pela produção dos estudiosos europeus e também passaram a traduzir, reproduzir teses, teorias e métodos elaborados em diversas regiões também no Oriente. Obras em grego, em latim e em sânscrito versando sobre os mais variados temas das ciências eram traduzidas para o árabe e assimiladas por um novo público especializado ávido pelo imenso sortimento de conhecimento obtido por meio desse processo de busca, preservação e tradução de textos científicos. Enquanto o racionalismo perdia espaço na Europa, os islâmicos passaram a assimilar os trabalhos de expoentes como Sócrates, Platão, Aristóteles, Arquimedes, Euclides, Ptolomeu e diversos outros pensadores. Um rico acervo de obras aprimorou e enriqueceu a produção islâmica nos campos da matemática, da física, da engenharia, da medicina e de variados campos dos saberes humanos. Também foi notável o avanço tecnológico dos povos árabes em relação a muito do que ocorria na própria Europa que fora origem de muitas dessas bases científicas.

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Detalhe de influente tratado sobre a construção e utilização de astrolábios feito por Abu al-Rayhan Mohammad ibn Ahmad al-Biruni (973-1048), que contém 122 diagramas.

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A tradução de Almagesto, tratado matemático e astronômico de Ptolomeu.

Muitas obras em árabe reproduziram ou avançaram estudos de cientistas clássicos, a exemplo da obra O livro de conhecimento de dispositivos mecânicos engenhosos (de 1206), que traz esquemas de inúmeros inventos inspirados em ideias de Arquimedes. Também é interessante a tradução preservadora feita em 1334 da obra De Materia Medica, do romano Pedanius Dioscorides, que no século I realizou um importante inventário técnico sobre plantas medicinais.

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Versão árabe da obra De Materia Medica.

Obras como essas e diversos outros manuscritos em árabe estão acessíveis no site da Biblioteca Digital do Qatar.

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As múmias mascaradas da Península de Yamal

abril 16, 2014

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Uma curiosa necrópole medieval (século X ou XI) foi localizada na Península de Yamal (Rússia), nas proximidades do Círculo Polar Ártico. Foram descobertos restos de onze pessoas, sendo uns com crânios quebrados ou em falta, além de esqueletos esmagados e quatro múmias. Os pesquisadores ainda desconhecem o rito funerário empregado e os restos ainda aguardam resultados de levantamentos genéticos para apurar mais detalhes.

As múmias (quatro de crianças e uma de um homem adolto) aprensentavam máscaras e proteções no tórax feitas de cobre, além de terem sido encontrados vários outros artefatos decorativos como anéis, fivelas, estatuetas metálicas, mantos de peles e outros objetos como machados e facas. O curioso foi o fato de tigelas de bronze originárias possivelmente da Pérsia (quase 4.000 km de distância do local) terem sido também identificadas no sítio arqueológico russo.

Todos os restos mortais foram encontrados sob o solo arenoso numa região que não sofre congelamentos constantes e desde 2002 as pesquisas estavam em andamento – apesar de diversas interrupções motivadas por pressões de moradores locais, que se incomodaram com a perturbação que os seus antepassados poderiam sofrer (apesar do fato da própria população também desconhecer as origens desses esqueletos e múmias). A expectativa é de que vários outros achados do tipo se repitam nos próximos anos.

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Tortura medieval – A cadeira de ferro

abril 15, 2014

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Eram variados os modelos de cadeiras de espinhos, que cobriam as costas, braços, nádegas, pernas e os pés. O número de espinhos metálicos variava entre 500 a 1.500.

Em algumas versões do instrumento de tortura havia buracos em baixo da cadeira onde o torturador colocado carvão em brasa para causar queimaduras graves. Em outras versões pesos eram colocados nas coxas ou pés da vítima para forçar a penetração dos espinhos. Também existiam modelos com no encosto de cabeça. Determinadas variações possuíam verdadeiros espetos que penetravam em órgãos vitais ou causavam sangramentos mortais.

Utilizar a cadeira de ferro era uma prática comum para extrair uma confissão, inclusive forçando-se uma vítima assistir outra sendo torturada com esse instrumento.

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Iluminuras medievais esquisitas: Bundas e impotência masculina

abril 14, 2014

Estas estranhas iluminuras nos ajudam a perceber que na Idade Média também havia espaço para o bom humor. No primeiro caso temos uma curiosa e enigmática representação de homens exibindo suas nádegas em posições um tanto sugestivas. Já a segunda imagem indica um situação que hoje em dia costuma vir acompanhada da quase inevitável desculpa: “Isso nunca aconteceu comigo”.

Esquerda: Iluminura de 1350 (Jacques de Longuyon em "Les voeux du paon" - 1345-50) - Direita: Iluminura de 1260 (da obra "The Rutland Psalter", produzida por vários autores, sendo alguns deles identificados).

Esquerda: Iluminura de 1350 (Jacques de Longuyon em “Les voeux du paon” – 1345-50) – Direita: Iluminura de 1260 (da obra “The Rutland Psalter”, produzida por vários autores, sendo só alguns deles identificados).

iluminura francesa do século 15

iluminura francesa do século 15

 

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Tratamento de hemorroida na Idade Média

abril 11, 2014

Ao que parece, nada era mesmo fácil na Idade Média. A iluminura do século XII de procedência não definida (pode ser holandesa ou inglesa) demonstra o quanto certos procedimentos médicos poderiam ser aterrorizantes. Aqui está retratado um método cirúrgico para tratar hemorroidas.

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Os Cavaleiros Templários

outubro 2, 2008
Soldados de Deus? 

 

Soldados de Deus?

Muitos são os enigmas que envolvem a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão. Ainda hoje em dia, quase tudo o que se sabe sobre esses guerreiros monásticos se perde em um confuso emaranhado de lendas e suposições.

Mais conhecidos como Cavaleiros Templários, durante muito tempo eles foram vistos como homens de fé e coragem, que arriscavam a vida para proteger os cristãos na Terra Santa. Mas essa não foi a única imagem que deixaram: em sua trajetória, chegaram a ser apontados como negociantes oportunistas que negavam a moral cristã e estavam interessados apenas em consolidar seu poderio na Europa Medieval e, ainda, como sábios do ocultismo, iniciados nos princípios da alquimia e em milenares conhecimentos esotéricos.

Enquanto os estudiosos não encontram respostas definitivas, o acirrado debate sobre o verdadeiro propósito da Ordem do Templo desafia os séculos, ao lado de outras questões intrigantes, como a hipótese de que a reunião dos antigos cavaleiros teria se transformado em uma sociedade secreta e a suspeita de que ela guardaria tesouros de valor incalculável – como o Santo Graal (o cálice que recolheu o sangue de Jesus) ou a Arca Perdida (com, os mandamentos ditados por Deus a Moisés).

Cavaleiro templário

Cavaleiro templário

A Ordem dos Templários, que se tornou uma das mais poderosas e controversas organizações da história, foi fundada em 1119, quando nove cavaleiros franceses, entre eles Hugo de Payns e André de Montbard, anunciaram ao Rei Balduíno l de Jerusalém a intenção de criar uma ordem de monges guerreiros para escoltar e defender os peregrinos cristãos que viajavam a Terra Santa. Estávamos no tempo das Cruzadas, em que os cristãos tinham não apenas conquistado importantes cidades sagradas, como Jerusalém, Trípoli e Antioquia, mas também promovido uma verdadeira carnificina, matando milhares de seguidores de Maomé (chamados também de sarracenos, islâmicos, mouros ou muçulmanos), sem poupar nem mesmo mulheres e crianças. Em busca de vingança, agora era a vez de os sarracenos atacarem os cristãos, assaltando ou matando os peregrinos que se propunham a se aventurar nas estradas que levavam aos lugares santos. Nascia, assim, a justificativa ideal para a criação de uma ordem militar da Igreja Católica, que prometia se entregar de corpo e alma na luta contra os infiéis.

Tão logo a Ordem do Templo foi criada, instaurou-se a polêmica a seu respeito. Sendo a primeira organização militar da história da Igreja Católica, esbarrava em uma complicada contradição: como conciliar o derramamento de sangue com os ensinamentos de amor e não-violêneia de Jesus Cristo? A resposta estava na devoção religiosa. Ao entrar para a ordem, os cavaleiros faziam votos de castidade, obediência e pobreza, jurando abandonar as tentações do mundo em nome de uma verdade espiritual. Movidos pelo idealismo cristão, eles não tinham outro motivo para lutar senão combater as forcas do mal. Em uma época carente de heróis e imersa em conflitos políticos e religiosos, não demorou muito para que esses mordes guerreiros passassem a ser vistos como cavaleiros honrados e destemidos, dispostos a tudo para proteger sua fé.

Ao mesmo tempo em que tornavam suas vitórias e seu idealismo conhecidos, os templários passaram a receber um grande número de doações em dinheiro, terras ou propriedades. Em sua maior parte, as ofertas vinham de nobres e soberanos que, guiados pelo misticismo da época, acreditavam que com esse ato expiariam seus pecados e ganhariam a salvação no Reino dos Céus. Logo, castelos, terrenos, moinhos, aldeias e outros bens faziam parte da Ordem. Com isenção de impostos, os templários sabiam como fazê-los render: as terras e propriedades eram arrendadas e geravam ainda mais dinheiro. Perto do ano 1300, a Ordem dos Templários havia se transformado em uma das maiores redes de influência da Europa, algo como uma multinacional medieval, que envolvia bancos, transportadoras e uma série de outros serviços ligados à administração, finanças e comércio.

Enquanto o sucesso financeiro dos cavaleiros aumentava dia a dia, o mesmo não se podia dizer a respeito das suas ações militares, que cada vez amargavam mais derrotas contra o exército dos muçulmanos. Com a reputação abalada, os templários lutavam para se reerguer quando caíram nas garras do poderoso Rei Felipe, o Belo, da França, que decidiu se apoderar da fortuna da Ordem. Aliado ao papa Clemente V, o soberano tramou uma conspiração para acusar os cavaleiros de hereges, assassinos e adoradores do Diabo. Ao final de um processo cheio de irregularidades, os membros da Ordem foram queimados vivos em praça pública, e seus bens confiscados pelo rei francês. Jacques De Molay, o último grão-mestre dos templários, foi um dos quase 500 guerreiros levados à fogueira em Paris. Acabava, com ele, todo o esplendor e glória da linhagem original dos cavaleiros templários.

Cruz e espada

Cruz e espada

Entre os muitos símbolos dos cavaleiros templários, a cruz vermelha aplicada sobre um esvoaçante manto branco se tornou o mais conhecido. Concedida à Ordem em 1148, pelo papa Eugênio III, a cruz devia ser colocada sempre acima do coração e, segundo alguns historiadores, seus quatro lados iguais representavam o equilíbrio perfeito entre a realidade material e espiritual.

O manto branco, por sua vez, simbolizava pureza e castidade, assim como uma pesada pele de carneiro que os cavaleiros eram obrigados a usar sob as roupas. Se um templário perdesse uma dessas vestes sagradas, imediatamente recebia uma rígida punição, que poderia chegar até a autoflagelação. Além da cruz e do manto, um dos mais famosos símbolos dos monges guerreiros era o emblema da Ordem, que trazia o desenho de um cavalo com dois cavaleiros, representando a irmandade e a humildade.