Posts Tagged ‘história da sexualidade’

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O guia francês de 1830 que apontava “as consequências fatais da masturbação”

janeiro 5, 2017

O deputado federal Marcelo Aguiar (DEM-SP) apresenta o Projeto de Lei 6.449/2016 com o propósito alegado de proteger os brasileiros dos efeitos maléficos da masturbação, do comportamento por ele chamado de “autossexual”, mas a preocupação do parlamentar brasileiro não é nenhuma novidade – embora que, no fundo, a proposta do deputado resulte em um processo de censura ao conteúdo acessado pelo usuário da internet, pois prevê “obrigar as operadoras a criarem um mecanismo que filtra, interrompendo automaticamente na internet todos os conteúdos de sexo virtual, prostituição, sites pornográficos”.

Médicos no passado achavam que a masturbação era não apenas um distúrbio moral, mas também uma moléstia do corpo e da mente. Em 1716, na Inglaterra, o doutor Balthazar Bekker publicou um panfleto condenando a masturbação, qualificada como pecado hediondo e concluiu que sua prática poderia provocar uma longa lista de problemas: perturbações estomacais, má digestão, redução do apetite ou uma fome incessante, vômitos, debilidade respiratória, tosse, rouquidão, anemia, dor nas costas, fadiga crônica, perda de memória, a taques nervosos, amnésia, loucura, epilepsia e, enfim, levar ao suicídio. Ufa!

O alarmado dr. Bekker não estava sozinho em matéria de preocupação sobre o problema. Num dicionário médico de 1745, o doutor Robert James indicava que o onanismo era gravíssimo, responsável por distúrbios incuráveis. Também do século 18, o notável médico suíço Samuel-Auguste Tissot, que era aclamado por iluministas como Voltaire, virou especialista na matéria, escrevendo uma importante obra a respeito – o livro L’Onanisme, publicado pela primeira vez em 1760. Tissot argumentava que o desperdício de sêmen por consequência da masturbação causava uma enorme lista de males, a exemplo do que concluiu o dr. James.

Estes médicos eram respeitáveis e ilustres profissionais nos idos dos tempos iluministas e amparavam suas teses em argumentos repletos de referências nos postulados científicos de então.

Posteriormente, em 1830, na França, foi publicada a obra Le livre sans titre (“O Livro sem título”), um compêndio ilustrado que condenava a prática “autossexual”, reforçando as teses dos doutores Bekker, James e Tissot. A obra tinha uma pretensão didática e visava conscientizar – e aterrorizar – os jovens masturbadores, trazendo a triste e trágica história de um rapaz que se masturbava com frequência.

Vamos a ela:

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“Ele era jovem e bonito… a esperança de sua mãe”

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“Ele se corrompeu! E seu crime o fez envelhecer antes do tempo. Suas costas se curvaram”

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“Um fogo devorador queima suas entranhas e ele sente dores horríveis no estômago”

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“Ele não pode mais andar… suas pernas cederam”

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“Seu peito está queimando… ele tosse com sangue”

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“Ele tem fome e quer comer, mas nenhum alimento fica em seu estômago”

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“Veja seus olhos tão puros, tão brilhantes: O brilho desapareceu! Uma faixa de sangue envolve seus olhos”

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“Sonhos terríveis perturbam seu sono e ele não consegue dormir”

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“Seus dentes apodrecem e caem”

 

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“Seus cabelos, antes tão bonitos caem como os de um velho e tão cedo já está ficando careca”

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“Seu peito está dobrando… ele vomita sangue”

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“Todo seu corpo está coberto por pústulas… é uma visão horrível!”

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“Uma lenta febre o consome, ele emagrece, seu corpo queima”

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“Seu corpo enrijece, seus membros pararam de se mexer” 

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“Ele delira, paralisa diante da morte que se aproxima”

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“Aos 17 anos ele morre, com tormentos horríveis”

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Amuletos romanos em forma de pênis alados utilizados para proteção

dezembro 31, 2016

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O misticismo era um usual meio empregado pelos antigos como forma de combater as moléstias e buscar cura e garantia de saúde. Os romanos utilizavam amuletos fálicos, conhecidos como “fascinum”, com o propósito de aumentar a energia sexual, capacidade reprodutiva e prevenir contra doenças que afetassem o desempenho sexual ou mesmo com interesses mais abrangentes de proteção contra qualquer doença. Outro uso muito comum e popular do fascinum era o de evitar o mau olhado e efeitos da inveja. Ainda na infância e adolescência os meninos já ostentavam esses símbolos com o intuito protetor, mas não era incomum que a precaução fosse empregada pelo pais mesmo quando seus filhos eram bebês.

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Fascinum de Pompéia

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Variações galo-romanos de amuletos fascinum em bronze

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Havia casamento gay no primeiro século da Igreja Cristã?

abril 15, 2014
Os soldados Sergius (São Sérgio) e Bacchus (São Baco), cujas biografias foram interpretadas por John Boswell como exemplo de "casamento" entre dois homens

Os soldados Sergius (São Sérgio) e Bacchus (São Baco), cujas biografias foram interpretadas por John Boswell como exemplo de “casamento” entre dois homens

O casamento entre pessoas do mesmo sexo sugere ser algo ultramoderno, mas indícios podem – ou não – apontar para a existência desse tipo de união já no primeiro século do cristianismo.

O historiador John Boswell, da renomada Yale University (EUA), descobriu registros documentais de que durante o declínio de Roma a nova igreja cristã já celebrava uniões entre pessoas do mesmo sexo. O historiador argumentou que a Igreja Católica tratou de encobrir ou mesmo omitir tais vestígios e que mesmo para os próprios pesquisadores a identificação dos indícios de tais uniões não é vidente, pois os documentos costumavam fazer alusões em termos não explícitos sobre o caráter do vínculo entre os eventuais noivos, pois frequentemente os documentos referem-se a uniões como “irmãos” entre os parceiros de mesmo sexo. Outro complicador é a ideia de que a noção de casamento varia conforme o tempo e que naquele contexto implicava numa união que poderia ser não-sexual, pois não tinha a procriação como um de seus propósitos – o casamento com propósito de procriação foi definido oficialmente pela Igreja Católica no século XIII.

Boswell admitiu que a instituição da união não-sexual que tinha como fundamento a partilha patrimonial não implicaria numa conclusão automática de que havia a regulamentação do casamento gay em Roma, porém ele apostou na ideia de que isso não excluiria essa possibilidade e que em diversos casos os casais homossexuais tenham dado efeito a uma união marital de fato.

John Boswell explorou esta tese e aprofundamentos sobre as eventuais uniões homossexuais nos primórdios do cristianismo em seu livro “Same-Sex Unions in Premodern Europe”, publicado inicialmente no ano de sua morte em 1994 (Boswell morreu de complicações acentuadas pela AIDS).

As metodologias e as conclusões de Boswell foram contestadas por muitos historiadores e várias críticas também apontavam para o viés ideológico contido nas pesquisas do autor, que era um intelectual militante das causas homossexuais.

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Iluminuras medievais esquisitas: Bundas e impotência masculina

abril 14, 2014

Estas estranhas iluminuras nos ajudam a perceber que na Idade Média também havia espaço para o bom humor. No primeiro caso temos uma curiosa e enigmática representação de homens exibindo suas nádegas em posições um tanto sugestivas. Já a segunda imagem indica um situação que hoje em dia costuma vir acompanhada da quase inevitável desculpa: “Isso nunca aconteceu comigo”.

Esquerda: Iluminura de 1350 (Jacques de Longuyon em "Les voeux du paon" - 1345-50) - Direita: Iluminura de 1260 (da obra "The Rutland Psalter", produzida por vários autores, sendo alguns deles identificados).

Esquerda: Iluminura de 1350 (Jacques de Longuyon em “Les voeux du paon” – 1345-50) – Direita: Iluminura de 1260 (da obra “The Rutland Psalter”, produzida por vários autores, sendo só alguns deles identificados).

iluminura francesa do século 15

iluminura francesa do século 15

 

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O escândalo que virou arte: Fotos sensuais das décadas de 1910 e 1920

abril 11, 2014

Alfred Cheney Johnston (1885-1971) tornou-se um dos mais célebres fotógrafos de imagens sensuais de todos os tempos e com seu apurado bom gosto estético realizou registros de grande beleza, principalmente quando atuou a serviço da Ziegfeld Follies, companhia que realizava espetáculos teatrais, musicais e publicava sua revista que continha fotos que eram tidas como muito ousadas entre as décadas de 1910 a 1930.

Cheney também fotografava celebridades do cinema e era contratado por pessoas para realizar seus registros fotográficos mais especiais, como em casamentos e outras festas concorridas, contudo, sua obra mais notável e comentada (até hoje) é mesmo a produção de fotos sensuais.

Estas fotos possuem um caráter artístico de grande valor. Aqui estão algumas delas, mas antes de ir adiante cabe apenas uma advertência: Embora as fotos não tenham nenhum caráter apelativo (o contrário do que se vê todos os dias em pleno horário nobre na TV), recomenda-se prudência porque muitas delas contêm nudez.

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As moedas eróticas romanas

novembro 15, 2013

As moedas romanas com imagens sexuais são conhecidas como spintriae e eram cunhadas em bronze ou latão no primeiro século da Era Cristã. O propósito de tais moedas não é ainda definido com clareza, mas especula-se que elas eram utilizadas nos bordéis em lugar das moedas usuais – que costumavam ter efígies de governantes. As spintriae foram encontradas em diversos locais diferentes que fizeram parte dos domínios romanos, o que sugere que eram amplamente adotadas.

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Sexualidade expressa na arte da cerâmica pré-colombiana

julho 9, 2013

Mesmo antes dos famosos Incas, vários outros povos indígenas habitaram as terras sul-americanas. A Civilização Moche, por exemplo, ocupou vastas extensões do atual Peru durante cerca de 900 anos (entre 100 aC e 800 dC). Apesar de tão longa existência, os povos moche não chegaram a constituir um império ou um Estado tal qual entendemos essas estruturas sócio-políticas e tampouco desenvolveram um sistema de escrita, mas a produção artística que produziram é fabulosa, rica e de apuradas técnicas e qualidade, sobretudo quanto a produção metalúrgica, ourivesaria e ceramista.

Na arte com a cerâmica, retrataram cenas cotidianas ritualísticas, elaboraram peças utilitárias diversas e demonstraram grande capacidade neste tipo de produção. Chama atenção o fato de que a produção artística destes povos pré-colombianos é repleta de alusões explícitas à sexualidade. Esta característica torna a cerâmica moche bastante chamativa, pois eles expressaram práticas, gestos e circunstâncias que hoje deixam muitas pessoas encabuladas ou mesmo chocadas. São cenas naturais de sexo ou ainda situações nas quais humanos e entes sobrenaturais compartilham os atos e se relacionam sexualmente.

Abaixo estão alguns exemplos interessantes.

Escultura representando uma mulher

Escultura cerimonial que representa uma relação sexual

Escultura cerimonial representando um ente do submundo (note as feições de esqueleto) com um enorme pênis

Escultura cerimonial que representa uma relação sexual

Escultura cerimonial que representa a prática de sexo oral

Escultura cerimonial que representa uma cena na qual uma mulher masturba um ente do submundo

Escultura cerimonial que representa um ente do submundo se masturbando

Escultura cerimonial que representa a prática de sexo oral

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Escultura cerimonial que representa um parto