Archive for the ‘História Antiga’ Category

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Amuletos romanos em forma de pênis alados utilizados para proteção

dezembro 31, 2016

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O misticismo era um usual meio empregado pelos antigos como forma de combater as moléstias e buscar cura e garantia de saúde. Os romanos utilizavam amuletos fálicos, conhecidos como “fascinum”, com o propósito de aumentar a energia sexual, capacidade reprodutiva e prevenir contra doenças que afetassem o desempenho sexual ou mesmo com interesses mais abrangentes de proteção contra qualquer doença. Outro uso muito comum e popular do fascinum era o de evitar o mau olhado e efeitos da inveja. Ainda na infância e adolescência os meninos já ostentavam esses símbolos com o intuito protetor, mas não era incomum que a precaução fosse empregada pelo pais mesmo quando seus filhos eram bebês.

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Fascinum de Pompéia

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Variações galo-romanos de amuletos fascinum em bronze

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Romanos X Persas: 721 anos de guerra

julho 19, 2016

Os romanos e os persas não tinham boas relações diplomáticas entre si. Na verdade a relação que mantinham era a de oponentes e em virtude disso os conflitos entre as duas civilizações durou incríveis 721 anos. A rivalidade não se restringia à disputa territorial ou conflitos nas fronteiras, envolvia diversos aspectos quem incluíam a religiosidade.

Os persas eram adversários que também impunham preocupações aos romanos. Seja durante o período dos Partos (238 aC – 227 dC) ou no período dos Sassânidas (227 – 651) não havia sossego entre os poderosos impérios vizinhos. Os dois lados se enfrentaram diversas vezes com sucessos e fracassos para ambos. Só a capital da Pártia, Ctesifonte, no atual Iraque, chegou a cair temporariamente sob o domínio romano cinco vezes.

Shapur I, segundo soberano persa na dinastia dos Sassânidas (durante 241 a 272), conseguiu liderar uma forte retomada persa de reconquista territorial, impondo derrotas dolorosas sobre os romanos e chegando a capturar o imperador Valeriano (Publius Licinius Valerianus Augustus). No período Sassânida as tensões Roma X Pérsia tinham cada vez mais influência dos aspectos religiosos que distinguiam os dois oponentes e os cristãos eram alvos dos persas dentro e fora de seus territórios (a perseguição aos cristão era associada à rivalidade com os romanos, sobretudo após a conversão de Teodósio e cristianização do Império Romano).

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Rendição de Valeriano diante de Shapur I

A incessante luta contra os persas ajudou a fragilizar o Império Romano do Ocidente, que acabou ruindo sem conseguir conter outros invasores, mas os conflitos continuaram por parte do Império Bizantino, sucedâneo do Império Romano do Oriente. A continuidade dessa guerra acabou também prejudicando os persas, que também tiveram que lidar com novos adversários e acabaram sendo derrotados pelos árabes muçulmanos.

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Animação: O último dia em Pompéia

julho 12, 2016

O poderoso Vesúvio ainda é um ameaçador vulcão ativo localizado na costa oeste italiana. O terror associado ao vulcão não se restringe a seu potencial destrutivo, que pode afetar pequenas cidades próximas ou a metrópole Nápoles, mas também a uma história conhecida e trágica que é a famigerada erupção do ano 79 da Era Cristã que devastou Pompéia, que mal se recuperava de outro desastre natural 17 anos antes, quando um terremoto sacudiu a cidade.

Essa interessante reconstituição digital do desastre de Pompéia foi produzida para uma exibição no Museu de Melbourne, na Austrália, e mostra a evolução da destruição a partir de um a perspectiva virtual na própria cidade. Em menos de 10 minutos acompanhe horas da evolução arrasadora da erupção do Vesúvio.

 

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A suástica pode ter mais de 11 mil anos e um movimento busca livrá-la da associação ao nazismo

julho 8, 2016
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Buda Gigante de Ngong Ping, na China, construído em 1993

Pesquisadores estão apontando para a possibilidade de que a civilização indiana pode ser ainda mais antiga do que se imaginava. Entre os elementos para enriquecer essa especulação está a possibilidade de que a suástica pode ter mais de onze mil anos segundo historiadores, arqueólogos e antropólogos indianos envolvidos numa pesquisa que indica que o símbolo é anterior aos antigos arianos indo-europeus e até mesmo da Civilização de Harappa, no vale do rio Indo. Os indícios estão sendo investigados em textos antigos do período pré-harapiano que indicam que a suástica já era comum desde muito antes daqueles que produziram esses escritos e que desde então o símbolo já possuía um significado associado a ideia de paz e progresso/continuidade.

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Prato sumério (por volta de 6.000 aC) 

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Moeda coríntia (por volta de 500 aC) com uma figura do mitológico Pegasus e uma suástica

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Moeda trácio-macedônica (por volta de 450 aC)

Outras culturas na região indiana assimilaram o antigo símbolo (presente no hinduísmo e no budismo, por exemplo) e ele chegou longe, sendo difundido em áreas tão distantes e diferentes como em tribos no atual Alasca ou na Macedônia por volta de 500 aC.

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Criança com uma suástica pintada na cabeça durante uma cerimônia budista no Tibete 

A apropriação nazista da suástica acabou estigmatizando o símbolo, mas já existe hoje um movimento que busca ressaltar seu antigo valor. Sob o lema “aprenda a amar a suástica”, artistas, estudiosos e religiosos orientais estão  voltando a utilizar a suástica em seus antigos contextos para reverter o estrago feito por Hitler contra a reputação do símbolo.

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Imperadores romanos mortos em combates militares

julho 3, 2016

Imperadores romanos (governantes do império unificado ou dividido nas poções do Ocidente e Oriente) não eram figuras raras nos campos de batalha, mas geralmente comandando tropas muito numerosas capazes de facilmente liquidar os oponentes com forças bem inferiores, ficavam em condições seguras na retaguarda e cercados por guarda-costas altamente treinados e prontos para retirar o soberano de situações de risco, então os césares corriam poucos risco geralmente… mas nem sempre, pois alguns chegaram a morrer em combate, como nos casos de Gordiano II, Filipe I, Décio, Herêncio, Constantino II, Juliano e Valente (seriam mais se contássemos os imperadores bizantinos).

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Gordiano II (cujo nome como imperador era CAESAR MARCVS ANTONIVS GORDIANVS SEMPRONIANVS AFRICANVS)

Não são fartas as informações sobre ele, mas Gordiano II teve carreira política favorecida pelo pai, o também césar Gordiano I, que o designou como co-imperador assim que assumiu o comando de Roma. Consta que era um sujeito que apreciava os luxos e prazeres da vida de um nobre, tinha 22 concubinas e vários filhos. Sua desgraça ocorreu quando resolveu enfrentar uma ameaça de invasão na província de Cartago, mas acabou liderando um exército inexperiente e precariamente armado contra as forças lideradas pelo general Capeliano, ainda fiel ao ex-imperador Maximino Trácio – assassinado numa conspiração e que foi o antecessor dos Gordianos – e que comandava uma tropa experiente em combate e muito bem preparada para a ação. No enfrentamento a tropa de Gordiano II acabou entrando em colapso, com várias fugas desesperadas de soldados em pleno combate e na confusão o próprio imperador foi morto e seu corpo jamais foi identificado entre as inúmeras vítimas. Depois da derrota Gordiano I cometeu suicídio, colocando um fim a um curto governo que durou dois meses no ano 238 da Era Cristã.

Filipe I (CAESAR MARCVS IVLIVS PHILLIPVS PIVS FELIX INVICTVS AVGVSTVS), Décio (CAESAR GAIVS MESSIVS QVINTVS TRAIANVS DECIVS PIVS FELIX INVICTVS AVGVSTVS) e Herêncio (CAESAR QVINTVS HERENNIVS ETRVSCVS MESSIVS DECIVS AVGVSTVS)

Um imperador pouco conhecido, Filipe, O Árabe, era mesmo de origem asiática e teria sido efetivamente o primeiro dos imperadores romanos cristãos (batizado pelo Papa Fabiano) e governou entre 244 e 249. Seu governo foi afetado pelas comuns disputas internas de poder entre os chefes militares romanos e sucumbiu porque possuía pouco prestígio entre as tropas, que na época aclamavam o prestigiado e experiente general Décio, líder de uma forte oposição a Filipe que gerou finalmente um confronto. Na tentativa de abafar a rebelião de Décio, Filipe liderou pessoalmente uma missão militar facilmente derrotada e acabou morrendo em combate nas proximidades de Verona, possibilitando que o Senado consagrasse o rival como imperador. Décio governou realizando medidas severas contra o avanço do cristianismo e em favor da tradição pagã romana, tendo determinado inclusive o assassinato do Papa Fabiano. Em 251 designou seu filho Herêncio como co-imperador, no mesmo ano em que o maior de seus problemas despontou e não era o cristianismo, mas os godos, que invadiram o território da atual Bulgária. Na tentativa de impedir o avanço dos invasores bárbaros, os dois imperadores foram pessoalmente comandar tropas e ambos morreram em combate na Batalha de Abrito. A situação não estava fácil para os romanos, pois que perderam três imperadores seguidos mortos em combate militar em apenas dois anos.

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Constantino II (CAESAR FLAVIVS VALERIVS CONSTANTINVS AVGVSTVS)

Tendo sido designado césar pelo pai, Constantino I, aos sete anos de idade em 317 e comandante da Gália aos dez, o precoce Constantino II iniciou cedo sua experiência política e militar, passando a dividir a partir de 337 (após a morte do pai) o governo com seus irmãos Constâncio II e Constante I até que as intrigas familiares acabaram rendendo uma trama de conflitos e assassinatos. A disputa fratricida acabou levando Constantino II a enfrentar seu irmão mais novo, Constante I, que definitivamente colocaram suas respectivas tropas uma contra a outra e na tentativa de Constantino II de invadir territórios sob o comando do irmão acabou sendo morto numa emboscada típica de batalhas em 340 na Itália. O jovem Constante I acabou assumindo a condução do império sozinho.

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Juliano (CAESAR FLAVIVS CLAVDIVS IVLIANVS AVGVSTVS)

O último imperador não-cristão de Roma governou durante dois anos (entre 361 e 363) e por sua crença pagã ficou conhecido como “O Apóstata”. Ele declarava-se sob a proteção de Zeus e Hélio e até foi educado e batizado como cristão, mas resolveu abandonar o cristianismo, adotar a antiga religião romana e restaurar sua prática mesmo sem estabelecer uma política de perseguição aos cristãos. Antes de se tornar imperador teve uma sólida carreira militar com atuação na atual região da Alemanha e ao ser consagrado césar (resultado de uma disputa de poder com o antecessor, Constâncio II, que quase resultou numa guerra civil) estabeleceu uma política de reformas públicas e uma campanha desastrosa contra os persas sassânidas. Na tentativa de derrotar os inimigos encarou uma batalha fadada ao fracasso no território persa e acabou fatalmente ferido em combate – resultado facilitado por sua imprudência, pois resolveu encarar a batalha sem usar armadura. Sua morte significou também a queda de uma potencial ameaça ao avanço do cristianismo no império.

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Valente (CAESAR FLAVIVS IVLIVS VALENS PIVS FELIX AVGVSTVS)

O conturbado reinado de Valente durou de março de 364 até agosto de 378 e foi marcado por instabilidades, enfrentando ataques bárbaros (sobretudo dos godos), rebeliões e ameaças de usurpadores – não faltaram batalhas. Diante de tantos conflitos, o imperador se envolveu diretamente no comando de campanhas militares e em uma delas a situação foi mais grave. Tentando conter os avanços dos godos sobre território romano, Valente liderou pessoalmente uma força para tentar derrotar os inimigos externos para com isso também obter reconhecimento interno inquestionável, mas subestimou o poderio dos bárbaros e acabou diante de uma situação de combate complicada que obrigou o imperador a determinar um movimento de retirada que nem ele conseguiu cumprir, tendo sido cercado por inimigos que atearam fogo à formação de defesa com escudos (mantendo o imperador em seu interior) que grupo de guarda-costas tentou manter.

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Divindades do submundo mitológico egípcio

outubro 9, 2015

A mitologia egípcia é fabulosa e cheia de narrativas e divindades interessantes. As mais conhecidas figuras dessa rica mitologia incluem Rá, Osíris, Ísis, Hórus e Anúbis, mas há várias outras divindades interessantes e até mesmo terríveis.

  • Mafdet

Mafdet

Geralmente representada por uma mulher com cabeça de gata ou simplesmente como uma gata de corpo inteiro, ela estava vinculada aos carrascos e matadores, sendo uma espécie de divindade das execuções fatais.

  • Ammit

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Era o “Devorador da Morte”, composto por partes de feras como leão, hipopótamo e crocodilo. Possuía importante papel diante do julgamento dos mortos, atuando depois que Anúbis pesava o coração daquele que deixou o mundo dos vivos. Para o favorecimento do morto seu coração não poderia ser mais pesado que uma pena de Ma’at, divindade da justiça, pois o contrário resultaria num fim trágico, quando Ammit devoraria o coração impuro e a alma impura ficaria vagando.

  • Shesmu

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Dá para vincular mortes violentas e vinho? Shesmu fazia isso, pois a ele era atribuída a curiosa (e bizarra) atribuição de degolar transgressores e preparar uma espécie de vinho com o sangue de suas vítimas, que era também servido em seus crânios. O aperitivo era bebericado pelos que chegavam no Mundo dos Mortos durante um tipo de “recepção” de boas-vindas.

  • Babi

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O babuíno Babi também é uma divindade do submundo da mitologia egípcia. Seu pênis servia de mastro na balsa que transportava almas para o além e invocar seu nome enquanto se vivia era uma forma de garantir uma ativa vida sexual após a morte. Um perigo de Babi era sua travessura de poder parar em entranhas de gente viva, o que causava medo em muita gente.

  • Ahti

Com cabeça de vespa e corpo de hipopótamo, Ahti é tão maldita que sabe-se muito pouco sobre ela além de raras referências em escritos antigos. Sua figura descrita já sinalizava que ela não estava de acordo com nada que pudesse ser bom e a maldade é a única característica que se registrou a seu respeito.

  • Satet

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Os egípcios possuíam várias divindades da guerra e Satet era uma delas. Ela defendia o sul do reino e atirava sobre os inimigos do Faraó suas poderosas flechas. Mas além dessa atribuição hostil ela era também uma deusa da fertilidade (uma entre outras).

  • Menhit

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Era outra deusa felina e outra deusa da guerra, descrita como esposa de Menthu, que também era deus da guerra, constituindo então um casal nada amistoso para os inimigos do Egito. Seu nome pode ser traduzido como “matadouro”, “sacrificar” ou “massacrar”… enfim, nomes que também inspiravam pouca simpatia.

  • Maahes

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Filho de Bast e Rá, era outro deus da guerra e acrescentava também a atribuição de ser divindade do tempo. Tinha aspecto leonino e era muito invocado quando o assunto era vingança.

  • Pakhet

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A deusa felina (com cabeça de leoa) vagava em busca de presas e isso amedrontava viajantes, que eram atormentado por pesadelos motivados pelo pânico de virar caça da divindade.

  • Am-heh

Am-heh

Com corpo de homem e cabeça de cachorro, vivendo num lago de fogo, era tão bravo que somente Aton, o Pai dos Deuses, poderia controlar essa criatura raivosa cujo nome significava “Devorador de Milhões”.