Posts Tagged ‘história das mulheres’

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Cora Pearl: A ex-prostituta de rua que virou celebridade na Corte Francesa

julho 2, 2016

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A inglesa Emma Elizabeth Crouch (1835-1886), mais conhecida como Cora Pearl, foi uma bela mulher de origens nada nobres – foi ex-prostituta de rua em Paris -, mas teve uma incrível ascensão social. Inteligente e determinada, aprendeu logo que para progredir precisaria aprimorar seus modos e estratégias. Aliada a um conhecido cafetão, o Monsieur Roubisse, passou a atuar em ambientes mais refinados, aprendeu a negociar e aprimorou seu repertório profissional. Após a morte de seu “agente”, Cora passou a atuar por conta própria e começou a colecionar amantes das altas esferas sociais francesas, homens de origens nobres e com influências.

Seu caso com jovem Victor Masséna, terceiro Duque du Rivoli e mais tarde quinto Príncipe de Essling, rendeu grandes progressos para Cora, que passou a ser atendida por uma comitiva de serviçais (incluindo um chef particular) e a gozar de luxo, dinheiro e jóias caríssimas. Também passou a colecionar cavalos de raça e diziam que ela era mais gentil com eles do que com seus amantes. a relação com Masséna durou cinco anos, mas ao mesmo tempo ela também tinha outros amantes, incluindo o Príncipe Achille Murat, um homem muito mais velho que ela.

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Na década de 1860 ela era uma das cortesãs mais conhecidas de Paris e tinha em sua coleção de amantes aristocratas importantes entre representantes das nobrezas de variados países da Europa. Os favores que recebia garantiam uma vida requintada com direito a extravagâncias como viver num luxuoso castelo conhecido como Chateau de Beauséjour (“Castelo Bela Jornada”) onde eram realizadas festas concorridas e recepções íntimas para até quinze convidados muito especiais. Nos eventos que promovia não faltavam apelos incomuns com teatralidade e exageros, tendo ela como protagonista e atração principal (outras mulheres também já estavam sob seus serviços para os entretenimentos sexuais dos convidados). Num desses jantares ela resolveu servir um espantoso prato principal disposto sobre a mesa: Ela mesma, nua e polvilhada de temperos numa grande bandeja de prata que foi carregada e “servida” por uma equipe de garçons. Ela também se apresentou como Eva num baile de máscaras com uma “fantasia” equivalente ao que é geralmente atribuído a essa figura bíblica, ou seja, sem roupas. Suas aparições em teatros eram sempre escandalosas, geralmente por causa do exibicionismo das apresentações em trajes mínimos.

Os encantos de Cora foram capazes de levar homens à ruína financeira e até mesmo a morte. Numa ocasião um de seus apaixonados apareceu em sua porta transtornado, ameaçando se matar se não fosse correspondido e como não foi, ele cumpriu a ameaça e deu um tiro na cabeça em frente à casa da encantadora cortesã, embora não tivesse morrido e tenha precisado sobreviver com sequelas e com a desilusão amorosa. A reação de Cora foi fria após o incidente: Foi dormir como se nada tivesse acontecido.

O patrimônio de Cora era riquíssimo, constituído por jóias, obras de arte, móveis, cavalos, roupas caras e imóveis, muitos deles presentados por seus admiradores e amantes, incluindo Napoléon Joseph Charles Bonaparte Paul, rico primo do imperador Napoleão II e seu mais duradouro amante (o relacionamento durou nove anos, também não sendo exclusivo por parte da moça), que lhe deu diversos chalés e um palácio chamado Les Petites Tuileries. Cora sustentava sua mãe e seu pai, que viviam, respectivamente na Inglaterra e nos EUA tinha uma estratégia de valorização de seus pagamentos que colocava seus pretendentes em concorrência, elevando os valores que recebia – uma noite com ela chegava a custar 10 mil francos, uma pequena fortuna nos idos de 1860-1870.

Cora Pearl morreu de câncer intestinal aos 51 anos de idade.

Além de Cora, outras famosas cortesãs da Belle Époque foram Marie Duplessis, Emilienne d’Alençon, La Belle Otero e Liane de Pougy.

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Cixi, a concubina que virou imperatriz da China

julho 1, 2016

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Em 1861 o imperador Xianfeng morreu num contexto de conflitos, quando uma China dividida sofria ataques da França e da Inglaterra durante a Segunda Guerra do Ópio. O herdeiro do trono era Tongzhi, uma criança de 5 anos, filho do monarca com a concubina Yi.

Antes de continuarmos a trama que envolve astúcias e uma série de meticulosas armações em torno do poder, vale conhecer Yi, que nasceu em 1835, era filha de uma família comum e que tinha tudo para ter uma vida sem grandes realizações até ser aceita para fazer parte do harém do imperador aos 16 anos de idade, o que era uma grande honra para uma mulher comum naquela sociedade chinesa. Xianfeng viu-se seduzido pela jovem ao ouvir seu gracioso canto e passou a requisitar sua presença cada vez mais na habitual escala de pernoites românticas e sexuais entre o soberano e suas concubinas, apesar de não ser Yi sua principal concubina, distinção que cabia a Zhen, que era a legítima consorte imperial.

Com a morte de Xianfeng o império passou a ser regido por um conselho de homens nobres, mas Yi não aceitou passivamente esta condição e foi em busca de apoio para sua causa. Ela se aliou a Zhen e a outros nobres dissidentes, constituindo um movimento perigoso pelo poder – sob o risco de serem condenados por conspiração e traição. Yi e Zhen não possuíam formalmente nenhum poder político, mas eram hábeis articuladoras e tramaram uma participação no conselho. Elas alegaram que o imperador era incapaz de assinar de próprio punho nem firmar os selos reais nos documentos dos atos do conselho conforme a tradição e que deveriam elas mesmas realizar tal procedimento em seu nome porque eram, respectivamente, mãe biológica e mãe “oficial” do príncipe herdeiro e com esse artifício tiveram acesso a uma reunião de uma deliberação dos conselheiros levando a criança, mas isso causou fúria entre os regentes, que reagiram aos gritos com a presença das duas mulheres. O menino ficou assustado com a situação e chegou a urinar nas roupas de tão amedrontado, buscando o acolhimento das mães. As viúvas reais aproveitaram o incidente a acusaram os regentes de ameaça e agressão ao pequeno herdeiro do império e isso bastou para realizar um ato oficial de destituição do conselho de regentes através da imposição do selo imperial que elas traziam na condição de representantes da criança. Depois disso as duas mulheres passaram a assumir o comando do Estado tendo assumido novos nomes: Zhen passou a se chamar Ci’an (“serena expressão”) e Yi adotou o nome de Cixi (“gentil e alegre”).

Cixi acabou tendo um papel muito mais destacado como liderança política, pois a imperatriz viúva Ci’an não podia sequer ser vista pelos ministros porque a tradição proibia (ela presidia audiências resguardada atrás de um biombo), nunca pôs os pés na Cidade Proibida e tinha que ser representada por nobres de sua confiança na maioria das ocasiões, além de ser uma personalidade discreta que não tinha propósito de conduzir o império. Cixi, que não sofria as mesmas restrições e por formalmente ter um status inferior ao de Ci’an e por ter um temperamento totalmente diferente, atuava com maior liberdade e muito mais habilidade com os assuntos do Estado e tramas da política. Ela exibia maior simpatia pela quebra de tradições e pela modernização sob a influência ocidental, embora dentro de uma série de limites – Cixi demorou 20 até ser convencida a aprovar a construção de ferrovias porque elas poderia perturbar o repouso dos mortos. A imperatriz concubina enfrentou oposições dos tradicionalistas entre a nobreza, a burocracia estatal e entre o povo, mas sua administração ajudou a sanear as finanças, criou uma poderosa armada naval, pacificou as tensões políticas internas ao derrotar levantes, favoreceu a abertura nos contatos e negócios com Ocidente mas buscando garantir a autonomia nacional.

Em 1873 Tongzhi finalmente ascendeu ao trono, mas não demonstrou outros interesses além de ópera, sexo e diversões, apesar de ter sido obrigado a se submeter a um tradicional ritual de inanição que não o matou, mas o deixou frágil até que morresse em 1875 de varíola sem deixar sucessor, o que levou Cixi mais uma vez ao trono (sem escapar dos rumores de ter sido responsável pela morte do próprio filho). Com a morte de Ci’an, em 1883, sua posição era ainda mais indiscutível, mas para justificar sua nova condição de regente ela nomeou como herdeiro Guangxu, seu sobrinho que tinha então 3 anos de idade, e nesta segunda fase de governo ampliou o processo de transformação na China, introduzindo a luz elétrica e a mineração de carvão.

Apesar de modernização, foi uma fase atribulada com o agravamento das tensões internas entre os tradicionalistas e os modernizadores, levando Cixi a assumir uma condução despótica e autoritária sobre o governo, realizando perseguições e punições a oponentes. As divergências envolveram também seu herdeiro Guangxu, já consagrado imperador e tendo liderado frustradas reformas que renderam fortes oposições e um princípio de guerra civil que levou Cixi de volta à regência do império. Acusado de conspirar contra a sua imperatriz-tutora após sua fracassada experiência como monarca, Guangxu foi mantido  sob a condição de prisioneiro em seu próprio palácio, tendo sua vida poupada por Cixi para evitar uma crise dinástica. Mas os reformadores seguidores de Guangxu impuseram uma árdua campanha difamatória contra a imperatriz, rendendo acusações sobre sua conduta moral e sexual e também criando narrativas de perversidades praticadas por ordem de Cixi.

Enquanto as divergências internas se desenrolavam ameaças externas e as pretensões territoriais europeias cresciam vertiginosamente, mas as tensões se agravaram durante a Guerra dos Boxers (1899-1900), quando rebeldes chineses resolveram reagir contra a presença ocidental por meio do enfrentamento físico, prática de atentados e sabotagem. Os revoltosos foram apoiados pela imperatriz, mas as forças ocidentais se uniram através da Aliança das Oito Nações (EUA, Rússia, Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Império Austro-Húngaro e Japão) e derrotaram o movimento, impondo pesadas condições sobre a China, que teve de realizar indenizações e foi obrigada a conceder ainda mais abertura aos interesses estrangeiros.

Em 1901 uma série de medidas foram decretadas contra antigos hábitos tradicionais, incluindo a prática do pé de lótus, a permissão de casamentos entre pessoas das etnias manchu e ham até possibilitou a liberdade de imprensa – ato que desagradou até os reformistas mais entusiásticos. Cixi também decretou mais atos que modificaram a China em 1906, a exemplo da adoção de uma monarquia constitucional e do direito ao voto.

A imperatriz morreu em 15 de novembro de 1908, um dia após a suspeita morte de Guangxu, que teria sido envenenado por ordem de Cixi.

Um diplomata francês chegou a afirmar que Cixi era “o único homem da China”.

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A criação (e destruição) do Dia das Mães

março 23, 2014
Anna Jarvis, que criou e lutou para acabar com o sentido que foi dado ao Dia das Mães

Anna Jarvis, que criou e lutou para acabar com o sentido que foi dado ao Dia das Mães

O dia das Mães surgiu como uma homenagem às mulheres que perderam seus filhos e maridos durante a Guerra Civil Americana (1861-1865). Pode-se dizer que tudo começou a partir da atuação de Ann Reeves Jarvis, que realizava diversos eventos reunindo a atuação feminina em prol de causas solidárias, associando mães e mulheres de combatentes nortistas na guerra.

Sua morte, em 1905, não encerrou o ativismo dos grupos e sociedades beneficentes que ela estimulou ou fundou diretamente. Anna Jarvis, sua filha, não teve filhos e ainda assim continuou o trabalho da mãe ativista, instituindo o primeiro Dia das Mães em 1908, quando em 10 de maio famílias se reuniram numa igreja em Graffon, cidade natal de Jarvis, e também em Filadélfia. Nos anos seguintes a celebração foi sendo amplamente difundia até que o presidente Woodrow Wilson definiu, em 1914, que oficialmente o segundo domingo de maio haveria de ser feriado para celebração do Dia das Mães.

A proposta inicial do Dia das Mães era a promoção de celebrações íntimas e familiares, contudo virou uma oportunidade lucrativa que desagradou sua idealizadora, que tentou promover boicotes e até ações judiciais para impedir a exploração econômica que imediatamente tomou conta da data. Anna Jarvis insistiu em reformular o sentido que foi dado à data até o início da década de 1940, consumindo seus recursos e saúde.

Anna Jarvis morreu aos 84 anos de idade, em 1948. Na ocasião ela vivia recolhida num asilo em estado de demência. A fundadora do Dia das Mães morreu pobre e sua criação virou um lucrativo evento comercial.

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Bessie Coleman (1892-1926) – A primeira mulher afro-americana a atuar em pilotagem na aviação civil

agosto 3, 2013

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Filha de um índio Cherokee e de uma mulher negra, Bessie nasceu em Atlanta, Texas, e era a 13ª filha do casal. Por incentivo dos pais, ela ingressou numa precária escola para negros e era ótima aluna, apesar de interromper com frequência seus estudos para trabalhar na colheita de algodão. Concluiu sua formação escolar em uma escola mantida pela Igreja Batista, mas não avançou para uma formação universitária.

Em 1915, enquanto trabalhava como manicure em Chicago, passou a se interessar por aviação, embora tivesse consciência das dificuldades que enfrentaria para realizar sue desejo de ser pilota. Tendo aprendido francês, decidiu ir para a França para ingressar num centro de formação para pilotos que admitia e incentivava o treinamento de negros e mulheres.

Em 1921 recebeu licença da Fédération Aéronautique International e estava, oficialmente, habilitada a pilotar. Percebendo as restrições para atuar na aviação civil regular, decidiu aprimorar seu treinamento para trabalhar em exibições aeronáuticas. Com os espetáculos de aviação ela teve grande sucesso e até contou com convites para atuar no cinema, mas seu grande ideal era criar uma escola de aviação para negros.

Em 30 de abril de 1926, em Jacksonville, Flórida, Bessie Coleman realizou seu último voo. Na véspera de sua apresentação, Bessie realizou uma decolagem para testar as condições do avião e enquanto voava o aeroplano apresentou problemas e ficou em posição invertida. Aos 150 metros de altura, Bessie – que não estava usando cinto de segurança na ocasião – acabou caindo e sofrendo um impacto mortal no chão.

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Trotula de Salerno – a primeira médica

agosto 3, 2013

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No século XI, em Salerno (Itália), havia aquilo que poderia ser chamada de verdadeira escola de medicina (precursora de uma faculdade tal qual entendemos hoje) e costuma-se dizer que era a primeira instituição desse tipo no mundo. Havia hospital-escola, consultórios com médicos renomados que atraiam pacientes de lugares distantes e uma importante produção de pesquisas e tratados sobre medicina e procedimentos. Era um universo dominantemente masculino, mas entre os profissionais teria existido a médica Trotula, que também costumava escrever tratados destinados a instruir outros médicos quanto aos métodos de tratamento e atendimento às mulheres num tempo no qual tabus religiosos, morais e legais impediam que os médicos estudassem adequadamente os problemas ginecológicos.

 São atribuídos a Trotula a autoria de pelo menos dois importantes livros a respeito da saúde feminina. Um deles aborda técnicas e procedimentos ginecológicos e obstétricos, além de apresentar uma tese incômoda na época: A ideia de que, por vezes, os homens eram a causa biológica dos problemas de concepção ao invés de apenas as mulheres. Seu segundo livro abordava procedimentos estéticos para preservar ou aprimorar a beleza feminina, incluindo tratamentos para pele e cabelos. Eram conhecimentos bem fundamentados que não eram objeto de grande interesse ou mesmo que eram “impedidos” aos médicos homens.

 No século XVI começou uma verdadeira campanha contra Trotula, que passou a ter a própria existência questionada. Seus críticos (que incluíam médicos e historiadores) argumentavam que uma mulher não estudaria e muito menos ensinaria medicina em seu tempo, surgindo então a suspeita de que, na verdade, um homem usou um pseudônimo feminino para publicar os livros, evitando com essa artimanha enfrentar problemas com as leis e com a Igreja. Havia ainda quem afirmasse que era pouco provável que uma mulher fosse mesmo capaz de produzir aqueles livros tão profundos e repletos de informações com altos rigores de embasamentos científicos.

 Hoje poucos historiadores duvidam da existência de Trotula e até deduzem que pode ter se tratado de uma mulher de origens sociais abastadas, que teve acesso privilegiado a um universo intelectual masculino e elitizado.

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A mulher mais forte do mundo

julho 27, 2013

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A austríaca Kate Brumbach (1884-1952) ficou famosa como Kate Sandwina, The Mighty Sandwina ou ainda Lady Hercules e se apresentava como “a mulher mais forte do mundo”. Seus pais erem proprietários de um circo e já eram praticantes de exercícios físicos e possuíam corpos musculosos e iniciaram seus 14 filhos no treinamento físico. Ainda criança Kate demonstrava aptidão para os exercícios, desenvolveu uma musculatura firme, grande força física e habilidade como lutadora. Kate lutava contra homens e segundo uma lenda a seu respeito jamais perdeu um combate. Ela ganhou bastante dinheiro com apostas relativas às lutas e também ganhou um marido no ringue, pois um de seus desafiantes derrotados, Max Heymann, acabou se apaixonando pela mulher que o espancou numa luta – o o sentimento foi correspondido, pois ambos mantiveram um casamento de 52 anos.

A carreira internacional de Kate teve impulso a partir de suas apresentações em Nova York, onde desafiava (também com apostas) qualquer homem a levantar mais pesos que ela. O próprio Eugen Sandow (Friedrich Wilhelm Müller), prussiano reconhecido como “o pai do fisiculturismo”, desafiou e foi derrotado por Kate (foi a partir dessa ocasião que ela adotou o nome Sandwina, derivação feminina do nome Sandow).

Ela seguiu realizando proezas com sua força física e em meio a tudo isso ainda teve seu filho, Theodore – que herdou habilidades da mãe e virou lutador de boxe, tendo ao longo de sua carreira 46 vitórias, 36 delas por nocaute.

Somente aos 64 anos de idade Sandwina se aposentou das apresentações e abriu um restaurante, no qual divertia os clientes quebrando ferraduras e entortando barras de ferro. A única derrota que sofreu foi para o câncer, que a matou em janeiro de 1952.

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A “Mulher Macaco”

julho 27, 2013

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Julia Pastrana (1834-1860) ficou conhecida no século XIX como a “Mulher Macaco” e virou atração circense que atraiu grande público. Mexicana de origem indígena, Julia Pastrana sofria um avançado estado de hipertricose – doença até então desconhecida -, o que causou uma grande profusão de pelos pelo corpo, além de deformidades em seu rosto, dando-lhe uma feição simiesca (ainda levando-se em conta o fato de que media uma baixa estatura para uma mulher adulta: cerca de 1,30m).

Julia realizava apresentações e chegou a construir uma carreira na Europa. Ela exibiu talento como cantora de óperas, realizava passou de danças e costurava as roupas utilizadas em suas apresentações e números especiais. Teve um filho com seu empresário, contudo a criança (que nasceu com a mesma doença da mãe) sobreviveu poucas horas. Julia morreu dois dias após a morte do filho em decorrência de complicações do parto e os corpos da mãe e do filho foram mumificados para que pudessem ser exibidos como atração, rendendo arrecadação de ingressos e lucros a partir do interesse do público pela contemplação com curiosidade mórbida pelo aspecto “exótico” e “incomum” da mulher e do bebê “macacos”.

Hoje os cadáveres estão sob a guarda de uma instituição norueguesa, mas não são objetos de exibição pública. Grupos e instituições ligadas à Igreja Católica no México reivindicam o envio dos cadáveres ao país de origem de Julia Pastrana, que em vida era seguidora do catolicismo, religião na qual fora batizada. Estas entidades defendem o sepultamento segundo os ritos cristãos.