Archive for dezembro \21\UTC 2010

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O dia em que o Ocidente nasceu

dezembro 21, 2010
Revista Época | 29 de novembro de 2010

 

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Em 31 de outubro, enquanto milhões de brasileiros votavam no segundo turno das eleições, 12.500 atletas corriam os 42.195 metros que separam a planície de Maratona da capital da Grécia, Atenas. A participação recorde da 28a Maratona de Atenas teve uma razão: festejar os 2.500 anos do feito de Filípedes (também conhecido como Fidípides ou Feidípides). Sua corrida inspirou a criação da prova mais tradicional do atletismo, a maratona, disputada pela primeira vez em 1896, em Atenas, na primeira Olimpíada da era moderna.

A festa dos 2.500 anos da batalha de Maratona foi adiantada: a data correta é 11 de agosto de 2011. Em 490 a.C., após cerca de três horas de batalha, 10 mil atenienses armados com longas lanças e grandes escudos de bronze derrotaram de 20 mila 30 mil invasores do até então imbatível império persa. O centro do império era a Pérsia (o atual Ira) e se estendia a oeste até o Egito e a leste até o Paquistão. Quando os persas conquistaram a Ásia Menor (a Turquia), o passo seguinte foi invadir a Europa para tomar a Grécia. A maioria das cidades-Estado do norte da península grega se submeteu sem resistência. Atenas, bem no centro da península, decidiu resistir. Daí o envio de uma força anfíbia pelos persas, que desembarcou em Maratona.

Finda a batalha, o comandante Miltíades enviou Filípedes a Atenas para anunciar a vitória. Chegando a Acrópole, Filípedes só teve fôlego para dizer “Niki!” (“Vencemos!”), e caiu morto de exaustão. Em suas Histórias, Heródoto (c. 484 a.C.-c. 425 a.C.) conta que 6.400 persas e 192 atenienses morreram. Os gregos foram enterrados num túmulo coletivo que existe até hoje.

Há bem mais a celebrar que os 42 quilômetros de Filípedes. Não se sabe se de fato ele morreu ao transmitir sua mensagem. Heródoto não cita o caso. “A lenda surgiu seis séculos após a batalha, no Império Romano, no início da Era Cristã”, diz o historiador americano Richard Billows, da Universidade Colúmbia, em Nova York, autor de Maratona – Como uma batalha mudou a civilização ocidental, recém-lançado nos Estados Unidos.

O que Heródoto cita é outra façanha do mensageiro Filípedes. Quando os atenienses souberam que milhares de persas desembarcavam em Maratona, despacharam Filípedes para pedir ajuda a Esparta, a outra poderosa cidade-Estado grega, rival de Atenas. Filípedes correu 220 quilômetros até Esparta em três dias, avisou da invasão persa, pernoitou e voltou em três dias com a resposta dos espartanos. Eles levariam uma semana para vir socorrer os atenienses. Seria tarde demais.Uma vez em Atenas, Filípedes soube que o exército havia deixado a cidade para enfrentar os persas em Maratona. Ele correu então os 42 quilômetros até o local da batalha. Chegou na manhã do sétimo dia, ainda a tempo de combater.

Em Maratona, os exércitos estavam num impasse. Os atenienses tinham a vantagem do terreno. Ocupavam a parte alta da planície, de costas para a montanha e de frente para o mar. Mas estavam em desvantagem numérica de 3 para l. Com escudos e armadura de bronze, a infantaria grega era mais bem armada que os persas e seus escudos de couro. O temor era a cavalaria persa. Por mais armados que estivessem, os gregos não conseguiriam detê-la. Aos persas, em superioridade numérica, bastava aguardar o avanço grego. Após seis dias de impasse, o general persa embarcou à noite sua cavalaria com a missão de tomar a indefesa Atenas. A travessia por mar levaria 12 horas.

Era madrugada quando Miltíades soube do plano persa. Esperou a cavalaria partir para atacar. O plano era audacioso: derrotar os persas de manhã e correr para defender Atenas, num trajeto de seis horas. Se tudo desse certo, chegariam à cidade antes da frota persa.

Miltíades reforçou os flancos da frente de batalha grega, de l quilômetros de extensão, tirando homens do centro. Este teria de resistir ao ataque persa, permitindo aos flancos reforçados destruir os flancos persas e envelopar o inimigo. Deu certo. Na luta corpo a corpo, o armamento de bronze fez a diferença. Finda a batalha, Filípedes correu a Atenas e anunciou a vitória. No total, correu 540 quilômetros em sete dias. O resto das tropas o seguiu, chegando quando as velas persas surgiam no horizonte. Ao avistar os gregos na praia, os persas fugiram.

A batalha de Maratona mudou o curso da civilização. Segundo Billows, uma derrota grega significaria o fim de Atenas e a deportação dos habitantes ao Golfo Pérsico – o castigo imposto em 494 a.C. aos revoltosos de Mileto, o lar de Tales, o mais antigo filósofo grego.

Uma vitória persa abortaria no nascedouro a democracia ateniense. Ela ficaria para a história como uma experiência interessante e malsucedida. Sem democracia, diz Billows, não haveria o Século de Ouro de Atenas, o espantoso florescimento cultural na cidade no século V a.C. Tome o exemplo do dramaturgo Esquilo, que lutou em Maratona. Em caso de derrota, ele teria morrido antes de compor suas tragédias. Com o exílio dos atenienses, se tivessem nascido, Sófocles, Eurípides e Aristófanes teriam criado o teatro grego? Haveria a filosofia de Platão, Sócrates e Aristóteles? Péricles jamais teria encomendado a Fídias a construção do Parthenon, uma das sete maravilhas do mundo antigo, nem a cultura grega formaria a base do Império Romano e, por tabela, do Ocidente. Assim, os artistas do Renascimento não contariam com o referencial estético grego. Do mesmo modo, teria Shakespeare escrito suas tragédias sem beber da fonte grega? E quanto à filosofia ocidental, sobre a qual já se disse não passar de notas de rodapé sobre a obra de Platão e Aristóteles?

A divisão entre Ocidente e Oriente foi estabelecida há 25 séculos em Maratona, diz Billows. Pode-se argumentar que a derrota em Maratona levou os persas, em 480 a.C., a invadir a Grécia com 100 mil homens. Ainda assim, foram barrados por Leônidas e 300 espartanos em Termópilas, derrotados no mar em Salamina e em terra em Platéia. Sem a confiança da vitória em Maratona, os gregos teriam resistido?

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Vídeo – A Palestina

dezembro 12, 2010

Documentário sobre a história da criação do Estado de Israel e a luta pela criação de um Estado palestino, desde o fim do domínio do Império Otomano até as negociações mais recentes entre árabes e israelenses.

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Vídeo – A Crise de 1929

dezembro 12, 2010

Documentário que retrata o processo de crise internacional iniciado em 1929 com a quebra da Bolsa de Nova Iorque, trazendo sérios efeitos econômicos, sociais e políticos.

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A crise de 1929

dezembro 12, 2010

Do livro “Nova História Crítica”, de Mario Schmidt (Ed. Nova Geração)

John Smith estava tranqüilo. Naquela quinta-feira, 24 de outubro de 1929, levantou cedo, comeu ovos mexidos e cereais, tomou um café forte. Depois, pegou o carro e estacionou no centro da cidade, perto da Quinta Avenida. Leu a manchete dos jornais que anunciavam a vitória seu time de beisebol, os Dodgers de Chicago. Olhou para as vitrines e se conteve para não comprar alguma coisa logo de manhã. Deu um sorriso e começou a assobiar. Não havia nada melhor do que viver naquele país e naquela cidade. Nova York era o centro do mundo. Do mundo que fazia dinheiro. E nada melhor do que ganhar dinheiro na Bolsa de Valores. John tinha muitas ações. Elas valiam cada vez mais.

Talvez o limite fosse o céu. John estava muito contente. Mas naquele dia algo aconteceu. De repente, a cotação (o valor) das ações começou a despencar. Assustados, os especuladores tentaram vender suas partes. Todos queriam vender e ninguém queria comprar. As ações caíram e caíram. Pessoas perderiam milhões de dólares e só lhes restariam uns pedaços de papel. Era a crise. A mais terrível que já tinha acontecido.

Meses depois, o ex-contente John Smith estava na fila dos desempregados. Ele ganhava alguns trocados como camelo, vendendo maçãs a cinco cents nas calçadas de Nova York. Seria o fim do sonho?

A euforia dos anos 1920

Terminada a Primeira Guerra, os EUA tinham se convertido na maior potência econômica do mundo. Apesar de uma pequena crise econômica em 1920-1921, chamada crise de reconversão, causada pela diminuição das exportações para a Europa – que se recuperava e voltava a produzir -, a economia continuava a crescer.

Os anos 1920 foram de euforia econômica. A agricultura norte-americana era a mais mecanizada do planeta, e as indústrias produziam bens em quantidades astronômicas. Parecia que todo mundo, do milionário ao humilde operário,  se tornaria um consumidor voraz. A claasse média, felicíssima por poder comprar tanta coisa, também investia suas economias na Bolsa de Valores. Todo mundo achava que iria ficar cada vez mais rico. Foi quando chegou a crise. Porque existia o outro lado da realidade, que não tinha a cor do ouro, mas da lama e do sangue.

Por trás dessa abundância de mercadorias havia o trabalho de milhões de assalariados que as produziam.A industrialização dos EUA tinha sido tão brutal quanto a européia. Em 1910, por exemplo, havia 2 milhões de crianças trabalhando nas fábricas. A abundante produção agrícola fazia os alimentos ficarem baratos no mercado, permitindo que os patrões pagassem salários baixíssimos. A distribuição de renda era péssima: os ricos ficavam cada vez mais ricos e os pobres mais pobres.As famílias mais ricas, juntas, recebiam mais do que 60% do povo norte-americano. Os subúrbios operários das grandes cidades eram entulhados de cortiços, isto é, apartamentos aos pedaços, sujos, sem iluminação, infestados de ratos, escadas sebentas, janelas quebradas, banheiro único no final do corredor, duas ou três famílias amontoadas num quarto-e-sala. Também havia favelas horrorosas, com criancinhas nuas pegando vermes nos esgotos. Em suma, dezenas de milhões de pessoas estavam muito distantes dos sonhos de consumo. Elas eram operárias e produziam aquelas maravilhosas mercadorias, mas não tinham dinheiro para comprar muita coisa. Apenas sobreviviam.

Nos anos 1920, os empresários norte-americanos introduziram duas novas técnicas científicas que permitiam aumentar espetacularmente a produtividade do trabalho: o taylorismo e o fordismo.

O fordismo foi criado por Henry Ford em sua fábrica de automóveis. Cada operário passava a fazer um único tipo de tarefa dentro de uma seqüência na linha de montagem. A esteira rolante trazia o objeto sobre o qual ele iria trabalhar. Por exemplo, ele encaixava uma peça. Em seguida, a esteira deslizava e trazia outra peça igual. A tarefa era repetida milhares de vezes por dia. A esteira prosseguia e o operário seguinte fazia a sua parte, repetida monotonamente. Outra idéia de Ford era o pagamento de pequenos prêmios para os operários que produzissem além do limite.

O taylorismo era o estudo dos movimentos no trabalho As máquinas passaram a ser projetadas para evitar gestos “supérfluos” e aproveitar ao máximo a energia do corpo de operário. Equipadas com contadores, elas mediam a produtividade do operário.

As duas técnicas possibilitaram aumentar a produção sem precisar aumentar demais o salários. Muitos lucros para o patrão, enquanto os operários se tornavam apêndices da máquina. Afirmava-se a sociedade do trabalho: em viva trabalhar, trabalhar, trabalhar, para sobreviver, pan ganhar um pouco mais e consumir, e então estava pronto para trabalhar, trabalhar, trabalhar, incessantemente.

É claro que, desde o início, os trabalhadores foram à lua por seus direitos. A formação dos sindicatos e as greves eram reprimidas com violência pela polícia. Em Chicago, em maio de 1886, a polícia fuzilou uma multidão em passeata. Por incrível que pareça, os operários que lideravam o movimento foram considerados culpados. Morreram enforcados. A  partir daí, o Primeiro de Maio passou a ser lembrado como o Dia Internacional de Luta da Classe Operária.

Os grandes jornais apoiavam linchamentos de grevistas. O Congresso aprovou a Lei Sherman (1890), proibia associações que perturbassem o livre mercado. Em princípio essa lei serviria para combater os cartéis formados por grandes monopólios. Na prática, era utilizada contra os-sindicatos! O livre mercado não poderia ser perturbado meia dúzia de milhões de trabalhadores que se recusavam morrer de fome…

Anarquistas, socialistas e comunistas faziam agitação i meio operário e sindical, o que preocupava as autoridades. Em 1927, dois operários anarquistas, Sacco e Vanzetti. injustamente acusados de assassinato. O julgamento revelou uma aberração jurídica e provocou protestos mundiais. No final, o governo norte-americano, queria intimidar o movimento operário, executou os dois revolucionários na cadeira elétrica.

O processo de crise

A crise começou em 1929 e foi piorando nos anos seguintes. Por isso se fala dos anos seguidos da Grande Depressão (econômica). Nunca o mundo capitalista tinha sofrido uma crise assim. Mais de cem mil empresas faliram nos EUA. Um milhão de fazendeiros tiveram que vender seus bens. A produção industrial caiu em 50%. Quem mais sofreu com a foram os trabalhadores. Em 1933, um terço dos americanos não tinha emprego fero. Como a economia já vivia um nível alto de globalização, a crise começou nos EUA e se espalhou por todo o mundo.

O crack (quebradeira) da Bolsa de Nova York não foi a causa da crise, mas a conseqüência imediata. Nos anos 1920, a euforia econômica tinha feito subir o valor das ações na Bolsa de Valores. Ações são pedaços da propriedade da empresa. Se você tem 20% das ações de uma empresa, então você é dono de um quinto desta empresa e portanto tem direito a um quinto do lucro (ou dos prejuízos). Se uma empresa começa a dar muitos lucros, sobe o valor das ações dela. É óbvio: se você quiser ser sócio de uma empresa muito bem-sucedida, então vai ter que desembolsar mais para adquirir as ações dela. Nos anos 1920, o valor das ações subiu mais ainda porque as pessoas especulavam que haveria maiores lucros ainda em breve futuro. Portanto, as negociações eram baseadas em apostas, em avaliações exageradas, em vagos indícios. As especulações fizeram o valor das ações ultrapassar a realidade terrestre. E quando o sonho acabou, veio o pesadelo real. Quando veio a notícia que havia algumas empresas em dificuldades, porque não conseguiam vender o que esperavam, porque não tinham o lucro correspondente ao investimento, começou a intranqüilidade. Tinha chegado a hora de vender as ações (o ideal é comprar na baixa e vender na alta dos preços). Veio o alarme. Todos queriam vender, ninguém queria comprar. Os valores das ações despencaram.

O resultado foi a onda de falências de empresas e de bancos, os suicídios de ex-milionários, o desemprego em massa, o desespero. Ninguém entendia direito o que acontecia. O desespero tomava conta de todos.

Estranha crise. Havia as empresas instaladas e havia as pessoas dispostas a trabalhar. Mas as empresas continuavam paradas e as pessoas, desempregadas. O que tinha acontecido? Nas sociedades pré-capitalistas, as crises econômicas são causadas pela escassez. De repente, a sociedade não é capaz de produzir alimentos para todos e daí vem a fome generalizada. No capitalismo, que liberou forças produtivas fantásticas, as crises acontecem por causa do excesso, a abundância é que gera a miséria. Havia milhões de pessoas pobres e outro tanto que recebia apenas o suficiente para repor as energias e continuar trabalhando na linha de montagem. Em certo momento, explodiu a superprodução de mercadorias.

Acompanhemos a lógica do sistema. Os empresários precisam lucrar para não ir à falência. Na selva da competição capitalista, é preciso aumentar a produção sem parar e, se possível, abaixar os salários. O mercado é incontrolável, e cada um age por si, para maximizar seus lucros. Assim, a economia crescia mas a capacidade de consumo da sociedade não se desenvolvia com a mesma velocidade. A renda se concentrara nas mãos de parte da classe média alta e dos ricos, e os trabalhadores pobres não tinham dinheiro para comprar o que eles mesmos produziam. Até que estourou a superprodução: o país tinha produzido muito mais do que o mercado consumidor podia adquirir. Atenção: superprodução não significa que todo mundo já tem tudo. mas que as mercadorias encalham por falta de capacidade de consumo da sociedade. Como ninguém compra, é preciso diminuir ou parar a produção Diminuindo a produção, é necessário mandar gente embora. Vem o aumento do desemprego. Desempregados têm menos poder de compra. O que significa mais crise ainda. Um círculo infernal. A contradição beirava o absurdo: havia fome porque havia comida demais, havia pessoas esfarrapadas porque havia roupas demais, havia desemprego porque havia empresas demais.

Uma busca de saída: o New Deal

Franklin Delano Roosevelt

Franklin Delano Roosevelt

Em 1932, um novo presidente, Franklin D. Roosevelt, assumiu o poder. Ele botou em prática o plano econômico de recuperação chamado New Deal. A principal característica era o fim do liberalismo econômico. O Estado passou a intervir diretamente na economia para evitar as crises. Essas práticas seriam justificadas pelas idéias do economista inglês John M. Keynes (1883-1946) e por isso mesmo chamadas de keynesianas.

John Maynard Keynes

John Maynard Keynes

O Estado passou a lazer obras públicas como hidrelétricas, estradas, reflorestamento, aeroportos. Isso gerava novos empregos e encomendas para a indústria particular, e ao mesmo tempo não estimulava a superprodução (você já ouviu falar de superprodução de praças ou de pontes?) O governo contraiu uma dívida alta para poder financiar o programa de obras públicas. Esperava-se que a economia iria se recuperar e então o volume de dinheiro arrecadado com os impostos cresceria e seria o suficiente para pagar as dívidas do governo.

Além disso, o governo passou a fiscalizar a Bolsa de Valores e os bancos, para tentar diminuir a especulação financeira. O remédio mais amargo contra a superprodução foi aplicado quando o governo dos EUA passou a comprar toneladas de alimentos para incendiá-los. Os agricultores eram pagos para não produzir! Toneladas de leite foram jogadas nos rios. Enquanto isso, milhões de desempregados faziam marchas de fome, engrossavam as filas para receber a caneca de sopa rala doada pelas associações de caridade. E por que não davam comida para os pobres? Porque isso teria reduzido mais ainda o mercado consumidor, e não há capitalismo que resista a uma crise no mercado.

Exatamente para tentar ampliar o mercado consumidor, o governo de Roosevelt adotou medidas de proteção social como a construção de casas populares e a aprovação,pelo Congresso, de leis de proteção social (salário mínimo, seguro-desemprego, previdência, etc.). Para que você tenha uma idéia,a aposentadoria dos idosos existia na Alemanha desde 1891, mas nos EUA a primeira lei a respeito só foi aprovada em 1935! Apesar disso, os empresários e políticos conservadores não queriam as leis sociais. Diziam que elas atrapalhariam a livre empresa, a base da liberdade americana. Chegaram a acusar Roosevelt de ser aliado dos comunistas, quando na verdade Roosevelt se esforçava para tirar o capitalismo do fundo do buraco!

De qualquer modo, o New Deal conseguiu evitar que a crise fosse mais violenta ainda. As receitas econômicas keynesianas (intervenção do Estado para evitar especulação, obras públicas e até criação de empresas estatais, aumento da dívida pública e dos impostos, leis de proteção social) foram seguidas por todos os países do mundo, com exceção da URSS (veja o quadro abaixo), e até hoje são a base da política econômica de muitas nações. No Brasil, especialmente a partir da Ditadura do Estado Novo (1937-1945) de Getulio Vargas, o Estado se tornou motor do desenvolvimento da economia e da indústria.

Entretanto, o que realmente acabou com a crise que começou em 1929 foi um fenômeno especial. Uma indústria única, numa circunstância bem particular que gera uma demanda (procura) quase inesgotável. Que indústria era essa? A de armas. Qual a circunstância? A guerra. A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) pode ter matado muita gente e destruído muita coisa, mas foi maravilhosa para a economia capitalista. A destruição acabou com a superprodução, os milhões de mortes acabaram com o desemprego de maneira direta. Em termos humanos, a guerra seria desastrosa, em números frios da contabilidade das empresas, excelente negócio. A humanidade é que deve decidir miai dos valores é o mais importante.

Leia também: Pior que 1929?

Confira o vídeo:

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Vídeo – A Vida de Maomé

dezembro 12, 2010

Animação que apresenta biografia e influências de Maomé.

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A Guerra Fria na América Latina

dezembro 12, 2010
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VÍDEO – NERO, O PODER E A LOUCURA

dezembro 11, 2010

Episódio da série “Sou César”, que analisa a trajetória de alguns dos maiores imperadores romanos e mostra o importante legado deixado por cada um deles, nos ajudando a entender o contexto histórico da Roma Antiga, nos diferentes períodos do Império, de sua ascensão e glória até sua decadência. Neste episódio, a história de Nero, um imperador faminto por poder, hedonista e mentalmente instável, que teve como tutor o grande filósofo Sêneca e seus primeiros cinco anos de reinado foram considerados os tempos áureos do Império.