Posts Tagged ‘igreja católica’

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Música medieval: O Canto Visigótico

julho 31, 2016

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O canto visigótico, também conhecido como canto moçárabe ou liturgia hispânica, é um tipo de cântico litúrgico medieval que possui forte influência judaica, pois sua origem data do século IV, quando judeus e cristão na Península Ibérica compartilhavam algumas práticas comum em suas liturgias a exemplo da recitação de trechos do Antigo Testamento. O cântico foi sendo enriquecido a sofreu variações desde o início de sua utilização em missas e em outros momentos da vivência religiosa medieval na Espanha.

O vídeo abaixo traz uma interpretação de um registro de um cântico que foi encontrado em 1495.

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Dica de leitura: A História do Catolicismo

fevereiro 23, 2016

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A editora M.Books apresenta mais um lançamento imperdível para os admiradores da História. Leitura recomendada.

Uma narrativa precisa e vívida dos primórdios da Igreja na Terra Santa, sua evolução desde a Idade Média até a posição atual como uma das mais importantes religiões do mundo. O catolicismo é uma das maiores e mais antigas religiões do mundo. A História do Catolicismo proporciona uma visão fascinante das origens e da história do sistema de crença cristão.

A primeira parte do livro descreve os acontecimentos memoráveis e complexos das origens e da evolução da Igreja, narrando a vida de Jesus Cristo e os eventos cruciais dos primórdios do cristianismo. Relata os períodos de consolidação e transformação da Igreja, como a fundação das ordens monásticas e o desenvolvimento do catolicismo da Idade Média até o século XXI. A segunda parte do livro examina as diversas doutrinas que constituem a fé católica, desde a Santíssima Trindade, a transubstanciação e o significado dos santos.
Com dezenas de ilustrações, este livro oferece um relato detalhado da teologia, dos rituais e das realizações da Igreja Católica, uma leitura essencial para quem tem interesse em conhecer com mais profundidade a história da fé católica.

Uma visão perspicaz e criteriosa da história espiritual e cultural do catolicismo. Este livro descreve a extraordinária vida de Jesus Cristo e os primeiros séculos da propagação da fé por meio de movimentos missionários e a expansão do cristianismo no mundo. Examina os princípios essenciais da fé católica como a vida de Maria, mãe de Cristo, a Santíssima Trindade, a Eucaristia, o céu, o inferno e o purgatório.

SOBRE OS AUTORES:
MICHAEL KERRIGAN é autor de diversos livros, entre eles Greece and the Mediterranean (BBC) e History of Death (Spellmount). Colaborou também na elaboração do livro World Religions: A History of Faith (Times Books). MARY FRANCES BUDZIK é autora e coautora de diversos livros, entre os quais Sacred Places (National Geographic). REVERENDO RONALD CREIGHTON-JOBE, consultor, é um padre da Congregação do Oratório da London Oratory Church da Immaculate Heart of Mary.

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O Massacre dos Valdenses

abril 17, 2014

Na Itália do século XVII ainda era grande a perseguição aos valdenses, adeptos do medieval segmento cristão difundido pelo francês Pedro Valdo (Pierre Vaudès, 1140–1218), que desafiou a Igreja Católica ao pregar diversas concepções e práticas que somente foram retomadas com efeito e força durante a Reforma Protestante. Os valdenses, muito antes de Lutero, já empregavam bíblias traduzidas em seus idiomas e defendiam a abolição do uso de imagens e do poder da hierarquia eclesiástica católica, tendo sido condenados pelo papa Lúcio III em 1184 e oficialmente excomungados em 1215, durante o IV Concílio de Latrão (1215). Eram desde então vistos como seguidores de movimento herético a ser combatido pelos católicos e por Roma e essa postura vigorou ao longo dos anos mesmo com a ocorrência de fases de maior perseguição e outras nas quais eram quase que ignorados. Ainda assim, os valdenses continuaram existindo, persistindo e defendendo suas concepções e práticas.

Desde o surgimento da Reforma Protestante os valdenses passaram a integrar o movimento que se opunha à Igreja Católica – mesmo sendo anteriores e precursores de muitas das teses e princípios do protestantismo mais conhecido. As perseguições que sofriam passaram até a ser reforçadas em função desse fato.

Em abril de 1655, sob as ordens de Carlos Emmanuel II, o Duque de Sabóia, um sangrento massacre ocorreu no Piermonte, Itália, região onde era concentrado um significativo contingente de valdenses, que constituíam comunidades isoladas do convívio com católicos e alheias às autoridades políticas aliadas ao papado. O duque simplesmente decidiu que deveria eliminar os valdenses de seus domínios e reuniu uma poderosa tropa para cumprir este propósito. E não houve limite para a realização deste extermínio, pois nem crianças ou pessoas idosas ou doentes eram poupadas da carnificina. Todos os métodos de torturas e execuções foram empregados para dar efeito à eliminação sangrenta dos valdenses e até persistiram relatos de que os exterminadores (a maioria deles constituída por mercenários de várias procedências) chegaram a praticar canibalismo, comendo partes de corpos que foram cozidos.

A repercussão dos massacre foi péssima e até mesmo o protestante Oliver Cromwell, líder da república revolucionária inglesa, chegou a ameaçar os domínios do agressor e a articular uma retaliação aos aliados do Duque de Sabóia, como era o caso do jovem rei Luís XIV, da França.

As imagens a seguir foram retiradas da obra “The history of the evangelical churches of the valleys of Piemont” (1658), de autoria de Samuel Morland, um inglês protestante que ressaltou o lado dos valdenses.

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Tortura Medieval – O “pônei”

abril 16, 2014
Cavalo de Madeira, Pônei ou Burro Espanhol

Cavalo de Madeira, Pônei ou Burro Espanhol

Variação de dispositivos de tortura que já eram utilizados no Império Romano e que, por meio de “melhorias”, passou a ser empregado com maior intensidade durante a Idade Média, chegando a ser utilizado por colonizadores nas Américas e tendo uso registrado até na Guerra Civil Americana. Sua estrutura básica era formada por um segmento de tronco serrado de maneira que sua extensão tomasse forma triangular e era utilizado principalmente para torturar mulheres, que ficavam sentadas sobre o aparelho e usualmente recebiam pesos nos tornozelos para propiciar desconforto ainda maior.

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Havia casamento gay no primeiro século da Igreja Cristã?

abril 15, 2014
Os soldados Sergius (São Sérgio) e Bacchus (São Baco), cujas biografias foram interpretadas por John Boswell como exemplo de "casamento" entre dois homens

Os soldados Sergius (São Sérgio) e Bacchus (São Baco), cujas biografias foram interpretadas por John Boswell como exemplo de “casamento” entre dois homens

O casamento entre pessoas do mesmo sexo sugere ser algo ultramoderno, mas indícios podem – ou não – apontar para a existência desse tipo de união já no primeiro século do cristianismo.

O historiador John Boswell, da renomada Yale University (EUA), descobriu registros documentais de que durante o declínio de Roma a nova igreja cristã já celebrava uniões entre pessoas do mesmo sexo. O historiador argumentou que a Igreja Católica tratou de encobrir ou mesmo omitir tais vestígios e que mesmo para os próprios pesquisadores a identificação dos indícios de tais uniões não é vidente, pois os documentos costumavam fazer alusões em termos não explícitos sobre o caráter do vínculo entre os eventuais noivos, pois frequentemente os documentos referem-se a uniões como “irmãos” entre os parceiros de mesmo sexo. Outro complicador é a ideia de que a noção de casamento varia conforme o tempo e que naquele contexto implicava numa união que poderia ser não-sexual, pois não tinha a procriação como um de seus propósitos – o casamento com propósito de procriação foi definido oficialmente pela Igreja Católica no século XIII.

Boswell admitiu que a instituição da união não-sexual que tinha como fundamento a partilha patrimonial não implicaria numa conclusão automática de que havia a regulamentação do casamento gay em Roma, porém ele apostou na ideia de que isso não excluiria essa possibilidade e que em diversos casos os casais homossexuais tenham dado efeito a uma união marital de fato.

John Boswell explorou esta tese e aprofundamentos sobre as eventuais uniões homossexuais nos primórdios do cristianismo em seu livro “Same-Sex Unions in Premodern Europe”, publicado inicialmente no ano de sua morte em 1994 (Boswell morreu de complicações acentuadas pela AIDS).

As metodologias e as conclusões de Boswell foram contestadas por muitos historiadores e várias críticas também apontavam para o viés ideológico contido nas pesquisas do autor, que era um intelectual militante das causas homossexuais.

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Henrique VIII – Casando com o Absolutismo

abril 12, 2014

O texto a seguir foi publicado inicialmente em outubro de 2011 no blog da Escola de Referência em Ensino Médio Prof. Trajano de Mendonça (em Recife, na rede estadual de Pernambuco) dando sequência à abordagem feita em sala e após a exibição do filme “A Outra”, que narra – com algumas distorções e liberdade da “licença poética” – fatos em torno da situação da dissolução do casamento do rei inglês Henrique VIII e sua primeira esposa, Catarina de Aragão, em favor de um novo e caótico casamento com Ana Bolena. Valeria a pena a reprodução do texto aqui também.

 

Estamos acompanhando o filme “A Outra”, que retrata o complicado caso envolvendo o rei Henrique VIII da Inglaterra, as irmãs Bolena, o divórcio com a rainha Catarina e a separação promovida entre o rei e a Igreja Católica.

O cinema não retrata os acontecimentos históricos e as personalidades da história com precisão obrigatória, pois filmes são obras de arte com a finalidade de entreter e divertir, logo, os realizadores dos filmes estão livres para contar a narrativa de tal forma que muitos detalhes não ficam realmente de acordo com os fatos descritos nos livros de história e registrados nos documentos do passado.

Henrique VIII

O rei Henrique VIII de verdade, por exemplo, não parecia um galã de cinema. Ele era obeso e tinha vários problemas de saúde, embora fosse mesmo bem mulherengo. Ele casou inicialmente com a princesa espanhola Isabel de Aragão, que era viúva de seu irmão mais velho, Arhur. Com a morte de Arthur, Henrique passou a ser herdeiro do trono e acabou casando em 1509 com a cunhada para manter a aliança política entre a Inglaterra e a Espanha, após uma complicada negociação entre os dois países.

Esperava-se logo que a rainha desse ao rei um herdeiro, porém, mesmo que Catarina tenha engravidado várias vezes (pelo menos sete), a única filha a sobreviver foi a princesa Maria. Henrique teve amantes e até filhos ilegítimos enquanto estava casado com Catarina. Entre as amantes estavam as irmãs Bolena: Maria e Ana. Com esta última, a relação acabou indo além de um caso, pois em 1533 ela foi feita esposa de Henrique e rainha da Inglaterra após a anulação do casamento entre o rei e Catarina, num conjunto de fatos que levou ao rompimento entre a monarquia inglesa e a Igreja Católica, acontecimento importantíssimo para o andamento das reformas religiosas que ocorriam naquela época e que desenvolveram o chamado Movimento Protestante. Além das questões políticas, um dos resultados deste rompimento foi a criação da Igreja Anglicana, chefiada pelo rei.

Mas o casamento de Ana Bolena e Henrique VIII não foi nenhuma história de conto de fadas. Ambos tinham temperamentos complicados e a relação foi tumultuada por vários motivos, tais como o fato de Ana não ter gerado um menino. Ela deu a luz a uma menina, Elizabeth, e sofreu dois abortos. Além disso, o rei já andava tendo mais um caso extraconjugal com a cortesã Jane Seymour, irritando profundamente a rainha Ana. Em 1536, a “casa caiu” para Ana e a situação complicou-se mesmo quando ela passou a ser tratada com profunda desconfiança pelo rei e por seus conselheiros. Ela foi enfim acusada de bruxaria (supostamente para seduzir e casar com o rei), de adultério (supostamente com cinco amantes), de incesto (por ter supostamente tido relações sexuais com o próprio irmão, o Visconde de Rochford), de conspiração contra o rei. Muitas das pessoas associadas a rainha Ana foram condenadas a morte e ela foi executada por decapitação.

Henrique não passou muito tempo viúvo. Ficou noivo de Jane Seymour no dia seguinte à execução de Ana Bolena. O casamento ocorreu pouco tempo depois e a agora rainha Jane acabou realizando no ano seguinte o grande sonho do rei, dando a luz ao príncipe Eduardo. Nesta ocasião, Maria e Elizabeth, filhas de Henrique com as esposas anteriores foram retiradas da sucessão, ou seja, não eram mais herdeiras do trono. Mas se você pensa que tudo ficou bem para Henrique engana-se redondamente, pois Jane morreu após o parto! Isso mesmo: foi o fim do terceiro casamento do rei!

Em 1540 Henrique voltou a se casar. Foi um casamento arranjado e desta vez a “sortuda” foi a nobre alemã Anna von Cleves, irmã de um importante aliado do rei da Inglaterra. Henrique não sentiu muita atração por ela e o casamento durou pouco tempo, sendo anulado depois que o rei e a nova rainha declararam que o matrimônio não foi consumado, ou seja, não tiveram relações sexuais para definir os laços entre o casal. Desta vez a ex-esposa não acabou em uma situação difícil, pois o próprio Henrique decretou que ela seria reconhecida como sua irmã e passaram a ter uma cordial relação de amizade.

Henrique voltou ao altar no mesmo ano com a jovem Catherine Howard. Comentavam que a nova espora do rei teve uma vida bastante agitada fora da corte e que mesmo após ser consagrada rainha, vivia rodeada por alguns de seus antigos amantes e que andava traindo o rei. Os comentários transformaram-se em acusações e o resultado não foi outro senão a execução da rainha! Detalhe: ela era prima de Ana Bolena!!!

Você já deve ter perdido as contas, mas Henrique VIII realmente era chegado a um casamento. E não é que ele casou de novo em 1543… e pela sexta vez! A “felizarda” então foi a riquíssima dama Catherine Parr. Ela era viúva de um importante nobre e diziam até que era mais rica que o próprio rei. A rainha Catherine era também muito culta e articulada, influindo na reconciliação entre o rei e suas filhas Maria e Elizabeth.

Na ordem: Catariana de Aragão, Ana Bolena, Jane Seymour, Anna von Cleves, Catherine Howard e Catherine Parr

Bem, além de casamentos, Henrique também era chegado em outras coisas, como, por exemplo, perseguir inimigos e críticos. A lista de pessoas executadas sob suas ordens é imensa e as razões são muito variadas. Ele executou desde rebeldes a pessoas íntimas e amigas. O negócio era mesmo mostrar que mandava e manter o controle sobre a situação, afinal, estamos aqui nos referindo a um grande expoente do absolutismo monárquico. Nem mesmo o papa mantinha controle sobre o rei, pois isso ficou bem claro quando Henrique VIII definiu o rompimento com a Igreja Católica. O rei envolveu-se em guerras, em tramas bem complexas e atém promoveu atos de verdadeira tirania. Também promoveu desenvolvimento para seu país, pois decidiu investir na fabulosa marinha mercante inglesa, tornando o reino uma potência comercial pronta para futuros avanços.

Com o passar dos anos, Henrique foi ficando cada vez mais obeso e sua saúde foi se agravando mais. O rei tinha muitas dificuldades para se locomover e parecia ir perdendo o ânimo até que acabou morrendo aos 55 anos de idade, em janeiro de 1547.

O que ocorreu com a Inglaterra após a morte do poderoso monarca?

Eduardo IV

Segundo a linha sucessória, o herdeiro do trono era o príncipe Eduardo, mesmo sendo o caçula. Ocorre que o jovem príncipe tinha apenas 9 anos na ocasião, tendo um grupo de notáveis chefiados por um irmão de sua mãe como seus tutores. Coroado muito jovem, Eduardo VI também governou pouco tempo, pois morreu de tuberculose em julho de 1553. Após sua morte, a dinastia teve sequência com a filha mais velha de Henrique VIII, Maria I, que foi apoiada pela população e superou um golpe que tentou impedir sua coroação.

O reinado de Maria foi tenso, pois ela era católica fervorosa e não havia aceitado o rompimento que seu pai realizou com a Igreja. Ela casou com o poderoso rei da Espanha, Filipe II, que era aliado do papa. O casamento com um rei estrangeiro e católico fez com que a popularidade da rainha acabasse e isso ainda foi pouco, pois Maria promoveu perseguições aos protestantes e recebeu um apelido nada simpático: Bloody Mary (“Maria Sanguinária”). Influenciada por Filipe, Maria envolveu a Inglaterra numa guerra contra a França e saiu-se derrotada, agravando ainda mais os ânimos da população.

Maria I

A rainha foi ficando também perturbada e até sentiu gravidez psicológica [clique aqui e saiba o que é isso] – e logo duas vezes – tendo feito um testamento nomeado o marido espanhol herdeiro do trono enquanto seu filho inexistente fosse menor e ela viesse a morrer no parto! Seu estado mental foi ficando cada vez mais grave e a rainha foi se isolando, assumindo um comportamento sombrio, deprimente e – para muito – ficando louca. Ela morreu em novembro de 1558.

Por fim, a segunda filha de Henrique VIII – justamente a filha da polêmica Ana Bolena – acabou sendo coroada rainha. Era Elizabeth I passou a ser a maior representante da dinastia e transformou a Inglaterra na grande potência do mundo a partir daquela fase da Idade Moderna. Elizabeth I é outra grande e ilustrativa figura do absolutismo, mas ela merece mais comentários em outra ocasião.

Elizabeth !