Archive for the ‘Sem categoria’ Category

h1

Música medieval: O Canto Visigótico

julho 31, 2016

reyes_visigodos_codex_vigilanus

O canto visigótico, também conhecido como canto moçárabe ou liturgia hispânica, é um tipo de cântico litúrgico medieval que possui forte influência judaica, pois sua origem data do século IV, quando judeus e cristão na Península Ibérica compartilhavam algumas práticas comum em suas liturgias a exemplo da recitação de trechos do Antigo Testamento. O cântico foi sendo enriquecido a sofreu variações desde o início de sua utilização em missas e em outros momentos da vivência religiosa medieval na Espanha.

O vídeo abaixo traz uma interpretação de um registro de um cântico que foi encontrado em 1495.

h1

Vote contra o patrulhamento ideológico sobre a atividade docente

julho 18, 2016

Imagem 2

O famigerado Programa Escola sem Partido é amparado numa absurda justificativa de combate à ideologização educacional – como se educação fosse uma atividade desprovida de bases ideológicas – que, contraditoriamente, é amparado em uma perspectiva ideológica.Se diz contra a doutrinação mas prevê a doutrina da mordaça e o tolhimento da autonomia da atividade docente.

Claro que fazer apologia partidária, proselitismo religioso ou militância de movimento político no ambiente escolar e no processo formativo dos jovens é uma postura digna de críticas e certamente é uma prática que deve ser coibida pontualmente, quando ocorrer e quando for devidamente configurada a prática. Mas o que surge com esse “movimento” não é isso e sim uma atuação generalizante de enquadrar ideias e posturas ideológicas que não agradam aos promotores dessa perspectiva. Já há efeitos dessa mentalidade em propostas de criminalização de ideias e, óbvio, de enquadramento de professores.

A censura estúpida apregoada como postura a ser implantada e imposta nas escolas virou proposta de alteração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) através de um Projeto de Lei do senador Magno Malta que é lastreado por justificativas insustentáveis fora do aspecto meramente opinativo e – obviamente – ideológico e doutrinário do próprio patrocinador da proposta legal. O projeto contém erros crassos como o emprego da ideia ultrapassada de “opção sexual” (aludindo ao fato de que professores podem induzir “opções sexuais”) e do princípio de que a escola deve promover parâmetros morais religiosos sob a incrível alegação de que não há moralidade fora da religião. Pelo projeto escolas e professores estarão sujeitos a um incessante patrulhamento de suas posturas e não apenas de suas atividades por meio “julgamentos” exatamente fundamentados em parâmetros ideológicos, o que é obviamente uma contradição absurda se a alegada proposta de instituir o Programa Escola sem Partido tem como objetivo o “combate à ideologização”.

Na prática a proposta gera um ambiente anti-democrático e limitado para o processo educacional, mas não cumpre a falsa promessa de lidar com a ideologização, uma vez que é claramente ideológico e obscurantista, mas já houve um tempo em que o obscurantismo ideológico vigiava nossas escolas. Não podemos aceitar o retorno disso.

Não podemos impedir que a escola seja um ambiente para a discussão de ideias, para a valorização e respeito ao amplo espectro de diversidades, para a construção de tolerância e convivência construtiva. Esse projeto é o oposto a tudo isso.

Está aberto no site do Sendo uma consulta pública a respeito do PL que visa implantar o obscuro Programa Escola Sem Partido. Temos posição a respeito: CONTRA A INSTAURAÇÃO DA MORDAÇA EDUCACIONAL!

Clique aqui e participe da consulta pública.

h1

Caça às bruxas

julho 13, 2016

Bridget-Bishop-Salem-83931673XC

O imaginário sobre as bruxas foi constituído em torno do horror, sendo elas retratadas como símbolos e praticantes do mal. Em torno dessa representação maligna elas foram retratadas como mulheres assustadoras, sinistras e passaram a povoar histórias de terror e narrativas para assustar crianças, estando presentes na elaboração de lendas, na criação literária e em filmes. As imagens de figuras más e perigosas foram sendo passadas de geração em geração.

Feministas e pesquisadores a partir da década de 1970 começaram a rever essas caracterizações e estereótipos, indo em busca de outras perspectivas e outras histórias sobre as bruxas. A Idade Média é um período importante para compreender a história da bruxaria, pois nesse período acusação de bruxaria era grave e frequentemente terminava com condenações a morte por meios cruéis. Mas as origens da bruxaria medieval não tem nada a ver com as acusações de vínculos com o Demônio que a Igreja Católica e o Estado insistiam em abordar através da imposição de regras, expressões de moralidade, condutas e papéis sociais e doutrinas religiosas. Claro que nem todo mundo se enquadrava nesses parâmetros e muita gente não queria se enquadrar, inclusive muitas mulheres se recusavam a seguir os ditames de então e viravam alvos de uma reação violenta e variada.

Em comunidades camponesas ou em grupos isolados eram comuns as atuações de pessoas que realizavam atividades de curandeirismo – inclusive pela ausência de uma atividade médica regular. Para realizar os procedimentos recorria-se ao socorro de insumos naturais e o conhecimento sobre ervas, raízes, misturas e rituais de cura acabou sendo também enriquecido por algo muito presente naquelas sociedades: o misticismo. Mulheres, geralmente submissas, conheciam liberdade quando atuavam como curandeiras e suas atividades lhes davam certa influência sobre as comunidades, pois eram vistas como orientadoras religiosas, referências de sabedoria e, claro, como destacadas lideranças entre essas populações, o que era um problema para quem controlava o poder.

Perseguir mulheres que claramente desempenhavam essas atribuições era uma solução para exercer mais controle sobre as comunidades e fazê-las cumprir penas decorrentes das acusações de bruxaria era um meio eficaz de impor “exemplos” para quem eventualmente fugisses dos parâmetros tidos como aceitáveis e, na verdade, obrigatórios para as pessoas. É verdade que muitas das acusadas realmente renegavam a diretriz instituída pela Igreja, pelo Estado e pelos costumes predominantes, seguindo outros princípios religiosos e morais, sendo certamente estas as mais fáceis de caírem diante das acusações e virarem alvos dos meios repressivos. Não era raro que mulheres vivessem diante da vulnerabilidade da perseguição por causa de outros fatores, como o caso de viúvas ou mulheres solitárias cujos bens eram cobiçados e tomados quando acusadas de bruxaria mesmo sem evidências dignas de cuidado.

O sistema patriarcal favorecia a pressão acusatória sobre mulheres e exercia por meio da qualificação delas como bruxas um meio de intimidação evidente. E associado a todos esses fatores estava, obviamente, estava o forte fanatismo religioso que vinculava muitos comportamentos a efeitos demoníacos intoleráveis e passíveis de uma intervenção severa para livrar o mundo do mal de agentes de Satanás.

Mesmo finda a Idade Média a atuação contra as alegadas bruxas continuou. Estima-se que cerca de nove milhões de mulheres foram vítimas de intolerância na Europa e nas colônias britânicas na América entre os séculos XVI e XVII por acusações de prática de bruxaria.

h1

Aplicativo “Sobre Hoje” indica eventos históricos diariamente

julho 13, 2016

Um aplicativo pode oferecer uma lista de eventos significativos da história que ocorreram na data corrente. É interessante e está disponível aqui no Google Play.

Este slideshow necessita de JavaScript.

h1

A suástica pode ter mais de 11 mil anos e um movimento busca livrá-la da associação ao nazismo

julho 8, 2016
buda1

Buda Gigante de Ngong Ping, na China, construído em 1993

Pesquisadores estão apontando para a possibilidade de que a civilização indiana pode ser ainda mais antiga do que se imaginava. Entre os elementos para enriquecer essa especulação está a possibilidade de que a suástica pode ter mais de onze mil anos segundo historiadores, arqueólogos e antropólogos indianos envolvidos numa pesquisa que indica que o símbolo é anterior aos antigos arianos indo-europeus e até mesmo da Civilização de Harappa, no vale do rio Indo. Os indícios estão sendo investigados em textos antigos do período pré-harapiano que indicam que a suástica já era comum desde muito antes daqueles que produziram esses escritos e que desde então o símbolo já possuía um significado associado a ideia de paz e progresso/continuidade.

sumerian-swastika-photo-sanjin-dumisic

Prato sumério (por volta de 6.000 aC) 

1e84ee784debbef7e7f5d47a6250977e

Moeda coríntia (por volta de 500 aC) com uma figura do mitológico Pegasus e uma suástica

954630_359962764129344_419206834_n

Moeda trácio-macedônica (por volta de 450 aC)

Outras culturas na região indiana assimilaram o antigo símbolo (presente no hinduísmo e no budismo, por exemplo) e ele chegou longe, sendo difundido em áreas tão distantes e diferentes como em tribos no atual Alasca ou na Macedônia por volta de 500 aC.

779f146d50a42434c980fb2d18660237

Criança com uma suástica pintada na cabeça durante uma cerimônia budista no Tibete 

A apropriação nazista da suástica acabou estigmatizando o símbolo, mas já existe hoje um movimento que busca ressaltar seu antigo valor. Sob o lema “aprenda a amar a suástica”, artistas, estudiosos e religiosos orientais estão  voltando a utilizar a suástica em seus antigos contextos para reverter o estrago feito por Hitler contra a reputação do símbolo.

h1

Cora Pearl: A ex-prostituta de rua que virou celebridade na Corte Francesa

julho 2, 2016

Cora-Pearl-518x640

A inglesa Emma Elizabeth Crouch (1835-1886), mais conhecida como Cora Pearl, foi uma bela mulher de origens nada nobres – foi ex-prostituta de rua em Paris -, mas teve uma incrível ascensão social. Inteligente e determinada, aprendeu logo que para progredir precisaria aprimorar seus modos e estratégias. Aliada a um conhecido cafetão, o Monsieur Roubisse, passou a atuar em ambientes mais refinados, aprendeu a negociar e aprimorou seu repertório profissional. Após a morte de seu “agente”, Cora passou a atuar por conta própria e começou a colecionar amantes das altas esferas sociais francesas, homens de origens nobres e com influências.

Seu caso com jovem Victor Masséna, terceiro Duque du Rivoli e mais tarde quinto Príncipe de Essling, rendeu grandes progressos para Cora, que passou a ser atendida por uma comitiva de serviçais (incluindo um chef particular) e a gozar de luxo, dinheiro e jóias caríssimas. Também passou a colecionar cavalos de raça e diziam que ela era mais gentil com eles do que com seus amantes. a relação com Masséna durou cinco anos, mas ao mesmo tempo ela também tinha outros amantes, incluindo o Príncipe Achille Murat, um homem muito mais velho que ela.

Cora_Pearl_et_le_Prince_Achille_Murat_1865-640x463

Na década de 1860 ela era uma das cortesãs mais conhecidas de Paris e tinha em sua coleção de amantes aristocratas importantes entre representantes das nobrezas de variados países da Europa. Os favores que recebia garantiam uma vida requintada com direito a extravagâncias como viver num luxuoso castelo conhecido como Chateau de Beauséjour (“Castelo Bela Jornada”) onde eram realizadas festas concorridas e recepções íntimas para até quinze convidados muito especiais. Nos eventos que promovia não faltavam apelos incomuns com teatralidade e exageros, tendo ela como protagonista e atração principal (outras mulheres também já estavam sob seus serviços para os entretenimentos sexuais dos convidados). Num desses jantares ela resolveu servir um espantoso prato principal disposto sobre a mesa: Ela mesma, nua e polvilhada de temperos numa grande bandeja de prata que foi carregada e “servida” por uma equipe de garçons. Ela também se apresentou como Eva num baile de máscaras com uma “fantasia” equivalente ao que é geralmente atribuído a essa figura bíblica, ou seja, sem roupas. Suas aparições em teatros eram sempre escandalosas, geralmente por causa do exibicionismo das apresentações em trajes mínimos.

Os encantos de Cora foram capazes de levar homens à ruína financeira e até mesmo a morte. Numa ocasião um de seus apaixonados apareceu em sua porta transtornado, ameaçando se matar se não fosse correspondido e como não foi, ele cumpriu a ameaça e deu um tiro na cabeça em frente à casa da encantadora cortesã, embora não tivesse morrido e tenha precisado sobreviver com sequelas e com a desilusão amorosa. A reação de Cora foi fria após o incidente: Foi dormir como se nada tivesse acontecido.

O patrimônio de Cora era riquíssimo, constituído por jóias, obras de arte, móveis, cavalos, roupas caras e imóveis, muitos deles presentados por seus admiradores e amantes, incluindo Napoléon Joseph Charles Bonaparte Paul, rico primo do imperador Napoleão II e seu mais duradouro amante (o relacionamento durou nove anos, também não sendo exclusivo por parte da moça), que lhe deu diversos chalés e um palácio chamado Les Petites Tuileries. Cora sustentava sua mãe e seu pai, que viviam, respectivamente na Inglaterra e nos EUA tinha uma estratégia de valorização de seus pagamentos que colocava seus pretendentes em concorrência, elevando os valores que recebia – uma noite com ela chegava a custar 10 mil francos, uma pequena fortuna nos idos de 1860-1870.

Cora Pearl morreu de câncer intestinal aos 51 anos de idade.

Além de Cora, outras famosas cortesãs da Belle Époque foram Marie Duplessis, Emilienne d’Alençon, La Belle Otero e Liane de Pougy.

h1

Dica de leitura: A História do Catolicismo

fevereiro 23, 2016

A História do Catolicismo_Capa.jpg

A editora M.Books apresenta mais um lançamento imperdível para os admiradores da História. Leitura recomendada.

Uma narrativa precisa e vívida dos primórdios da Igreja na Terra Santa, sua evolução desde a Idade Média até a posição atual como uma das mais importantes religiões do mundo. O catolicismo é uma das maiores e mais antigas religiões do mundo. A História do Catolicismo proporciona uma visão fascinante das origens e da história do sistema de crença cristão.

A primeira parte do livro descreve os acontecimentos memoráveis e complexos das origens e da evolução da Igreja, narrando a vida de Jesus Cristo e os eventos cruciais dos primórdios do cristianismo. Relata os períodos de consolidação e transformação da Igreja, como a fundação das ordens monásticas e o desenvolvimento do catolicismo da Idade Média até o século XXI. A segunda parte do livro examina as diversas doutrinas que constituem a fé católica, desde a Santíssima Trindade, a transubstanciação e o significado dos santos.
Com dezenas de ilustrações, este livro oferece um relato detalhado da teologia, dos rituais e das realizações da Igreja Católica, uma leitura essencial para quem tem interesse em conhecer com mais profundidade a história da fé católica.

Uma visão perspicaz e criteriosa da história espiritual e cultural do catolicismo. Este livro descreve a extraordinária vida de Jesus Cristo e os primeiros séculos da propagação da fé por meio de movimentos missionários e a expansão do cristianismo no mundo. Examina os princípios essenciais da fé católica como a vida de Maria, mãe de Cristo, a Santíssima Trindade, a Eucaristia, o céu, o inferno e o purgatório.

SOBRE OS AUTORES:
MICHAEL KERRIGAN é autor de diversos livros, entre eles Greece and the Mediterranean (BBC) e History of Death (Spellmount). Colaborou também na elaboração do livro World Religions: A History of Faith (Times Books). MARY FRANCES BUDZIK é autora e coautora de diversos livros, entre os quais Sacred Places (National Geographic). REVERENDO RONALD CREIGHTON-JOBE, consultor, é um padre da Congregação do Oratório da London Oratory Church da Immaculate Heart of Mary.