Archive for the ‘História da Ciência’ Category

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A incrível cirurgia com taxa de mortalidade de 300%

março 29, 2017
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Robert Liston em 1845

O médico escocês Robert Liston (1794-1849) iniciou a prática cirúrgica em seu país, mas sua carreira na terra natal chegou a uma condição crítica porque o dr. Liston era tão bom cirurgião quanto fazedor de intrigas e colecionou inimizades no meio médico de Edimburgo. Indo embora da Escócia, Liston passou a viver e trabalhar em Londres, onde seus talentos foram melhor acolhidos e se tornou famoso como cirurgião de altíssima habilidade.

Num tempo em que ainda não eram utilizados meios anestésicos eficazes, Liston concluiu que a forma mais prática de aliviar o sofrimento dos pacientes era realizar os procedimentos com rapidez. E ele era muito rápido! Cirurgiões que não conseguiam ser tão rápidos quanto Liston poderiam expor os pacientes a riscos maiores durante as cirurgias e a taxa de mortalidade durante os procedimentos era altíssima, mas Liston conseguia obter um índice de fatalidade muito menor. Diziam que ele conseguia amputar uma perna em menos de dois minutos e detinha uma série de outras proezas cirúrgicas realizadas em curtíssimo tempo de procedimento, o que fazia de suas cirurgias motivo de atração para estudantes de medicina, profissionais formados e também de curiosos, que se amontoavam nas galerias das salas de cirurgia para testemunhar o desempenho do dr. Liston.

Vaidoso e ciente de que chamava a atenção, Liston costumava ordenar antes de iniciar os procedimentos que os expectadores marcassem o tempo de duração das cirurgias e detinha o apelido de “A Faca Mais Rápida de West End”. Para garantir a velocidade, o manuseio dos instrumentos era frenético e frequentemente ele utilizava até os dentes para segurar a faca ainda ensanguentada enquanto utilizava uma serra, que depois era jogada de lado para que imediatamente iniciasse a sutura.

Claro que a velocidade também poderia favorecer a imprudência e algumas das cirurgias realizadas pelo dr. Liston terminaram das piores formas exatamente por isso. Um dos casos catastróficos foi extremo e incomum. Tendo que realizar uma rotineira amputação de perna com sua habitual agilidade, Liston encarou um paciente particularmente difícil de conter, pois o homem se debatia fortemente exigindo ainda mais agilidade do cirurgião, que acabou cometendo erros graves ao cortar acidentalmente – em virtude da velocidade de seus movimentos – um assistente e um espectador. O espectador sofreu uma hemorragia e morreu no local e o paciente e o assistente morreram dias depois, ambos infeccionados. O caso ganhou notoriedade, os críticos e detratores do dr. Liston logo passaram a anunciar o caso como o único exemplo de procedimento cirúrgico registrado com taxa de mortalidade de 300%

Só em 1846 o dr. Robert Liston realizou sua primeira cirurgia com anestesia, inovação introduzida na medicina moderna em 1842, quando o dr. Crawford Long experimentou o uso de éter.

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Uma publicação interativa do século XVII

janeiro 12, 2016

 

 

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Em 1613 foi publicada uma interessante obra de anatomia sob o título de Catoptrum Microcosmicum. O livro recebeu traduções, foi um sucesso editorial por mais de 150 anos e tinha uma característica interessante: Suas páginas possuíam abas dobráveis sobre as ilustrações para possibilitar aos leitores a sensação de visualizar o corpo através de camadas.

A experiência didática do livro traz uma figura masculina e outra feminina representados de frente e de trás, além de um torso de uma mulher grávida.

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Médicos da Peste: A sombria aparência de quem tratava de doenças contagiosas e epidêmicas na Idade Média

outubro 20, 2015

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A sinistra figura do médico da peste era encarregado de lidar com doentes afetados pelas moléstias infecto-contagiosas que atormentavam a Idade Média. Devia ser assustador ver aquela imagem de um ser bizarro caminhando entre doentes graves.

Médicos costumavam usar chapéus característicos e aquele que lidava com pestes não abria mão do acessório na composição da sombria indumentária que vestia. Uma máscara (geralmente preta) com bico era assemelhada a uma cabeça de ave e possuía em seu interior uma composição de perfumes e ervas que ajudariam a lidar com os ares infectos (os miasmas) que acreditavam agir no processo de contaminação. O casacão de couro preto estava integrado à máscara por meio de um capuz para não deixar a pele do médico exposta a riscos contaminantes e o conjunto de couro era também composto por luvas, botas e pela calça que estava sob o longo casaco e tudo era bem encerado para impedir que líquidos viessem a molhar a vestimenta. A composição ficava completa com outros itens, a exemplo de uma vara e uma longa colher para impedir contatos com os doentes.

Aquela visão de um corvo humano não era desvinculada da morte seja pela aparência como também pela própria condição de lidar com pessoas que estavam padecendo de uma moléstia fatal.

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Mapa da produção científica mundial

julho 16, 2015

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Esta imagem estranha acima representa a produção científica mundial, ilustrando bem o grau de diferença e desigualdade na geração de conhecimento no planeta. O hemisfério norte está muito adiante da parte sul e isso tem relação com outros parâmetros diferenciadores entre estas duas partes do mundo.

Investimentos são necessários para produção de pesquisas científicas e no sul faltam capitais disponíveis para muitas necessidades elementares e, obviamente, isso afeta o desenvolvimento de ciência, tecnologia e conhecimento de forma geral. Além das dificuldades meramente financeiras, persistem também obstáculos técnicos que são indicados até pela qualidade e acesso à internet, disponibilidade de laboratórios, equipamentos e integração entre pesquisadores.

Esta situação contribui ainda mais para o quadro de desequilíbrios globais.

Os dados que resultaram no mapa são baseados em publicações em revistas científicas de “alto impacto” e excluem outras plataformas de publicação ou registro de produção científica (como volume de teses, monografias, relatórios) e também aferem adequadamente o ambiente das pesquisas sociais (que possuem parâmetros distintos para a constituição de saberes científicos), mas indicam que a necessidade de financiar pesquisas e infra-estrutura científica é um fato concreto.

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A ciência preservada pelos islâmicos na Idade Média

novembro 8, 2014

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Durante a Idade Média da Europa Ocidental muitos dos registros e conhecimentos científicos clássicos eram condenados em decorrência da postura da Igreja Católica, que renegava determinadas informações por conta de um julgamento fundamentalista a respeito do funcionamento de coisas e situações que já foram objetos dos estudos científicos. Por outro lado, os islâmicos passaram a tomar contato com o legado da produção científica clássica e resolveram preservar registros que eram destruídos na Europa. Mas os islâmicos não se interessaram apenas pela produção dos estudiosos europeus e também passaram a traduzir, reproduzir teses, teorias e métodos elaborados em diversas regiões também no Oriente. Obras em grego, em latim e em sânscrito versando sobre os mais variados temas das ciências eram traduzidas para o árabe e assimiladas por um novo público especializado ávido pelo imenso sortimento de conhecimento obtido por meio desse processo de busca, preservação e tradução de textos científicos. Enquanto o racionalismo perdia espaço na Europa, os islâmicos passaram a assimilar os trabalhos de expoentes como Sócrates, Platão, Aristóteles, Arquimedes, Euclides, Ptolomeu e diversos outros pensadores. Um rico acervo de obras aprimorou e enriqueceu a produção islâmica nos campos da matemática, da física, da engenharia, da medicina e de variados campos dos saberes humanos. Também foi notável o avanço tecnológico dos povos árabes em relação a muito do que ocorria na própria Europa que fora origem de muitas dessas bases científicas.

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Detalhe de influente tratado sobre a construção e utilização de astrolábios feito por Abu al-Rayhan Mohammad ibn Ahmad al-Biruni (973-1048), que contém 122 diagramas.

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A tradução de Almagesto, tratado matemático e astronômico de Ptolomeu.

Muitas obras em árabe reproduziram ou avançaram estudos de cientistas clássicos, a exemplo da obra O livro de conhecimento de dispositivos mecânicos engenhosos (de 1206), que traz esquemas de inúmeros inventos inspirados em ideias de Arquimedes. Também é interessante a tradução preservadora feita em 1334 da obra De Materia Medica, do romano Pedanius Dioscorides, que no século I realizou um importante inventário técnico sobre plantas medicinais.

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Versão árabe da obra De Materia Medica.

Obras como essas e diversos outros manuscritos em árabe estão acessíveis no site da Biblioteca Digital do Qatar.

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A evolução das próteses

março 27, 2014

A preocupação com a adequação de pessoas mutiladas ou que padeciam de deficiências levou alguns inventores, médicos e curiosos a uma produção de artefatos para “substituir” os membros necessários para as vidas daqueles que faziam uso dessas criações. As próteses nem sempre eram confortáveis, muitas vezes incomodavam e até feriam, mas o desenvolvimento desses projetos foi representando uma trajetória para o aprimoramento das próteses.

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Século 16: Projeto do braço direito de Gottfried “Götz” Von Berlichingen

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Século 16: Projeto do braço direito de Gottfried “Götz” Von Berlichingen

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1580: Mão de ferro

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1580: Mão e braço de ferro

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Belas imagens do horror atômico

janeiro 18, 2014

A capacidade destrutiva das bombas atômicas causou terror durante a Guerra Fria. Os mega-artefatos explosivos viraram elementos de uma perigosa competição entre os EUA e a URSS e alguns dos países associados a eles. Cada teste procurava superar o anterior e cada bomba pretendia dar um sinal claro para o lado oposto a respeito do quanto o país que o executava tinha condições de ser um adversário duro e arrasador.

Mas se as bombas aterrorizavam, por outro lado, promoviam espantosos espetáculos visuais. Aqui estão alguns registros:

1- A Experiência Trinity (16 de julho de 1945) foi o teste norte-americano realizado no Novo México e representou o início da Era Atômica. O experimento foi registrado em fotos realizadas por Harold “Doc” Edgerton:

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