Archive for julho \31\UTC 2009

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Simulado oficial do ENEM: Ciências Humanas

julho 31, 2009

Demorou, mas o MEC está apresentando o simulado oficial do ENEM. Clique aqui para baixar.

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Os Vikings

julho 16, 2009

Parece brincadeira, mas não é. Em 1996, o Museu de Navios Vikings, em Roskilde. Dinamarca, a 40 quilômetros de Copenhagen, decidiu ampliar suas instalações. Quando as obras chegaram ao cais, tábuas antigas apareceram. Em setembro de 1997, arqueólogos radiantes anunciaram a descoberta de nove navios vikings, enterrados sob 1,5 metro de areia. Ali mesmo, bem ao lado do museu. “É mesmo incrível”, disse o antropólogo Max VInner. “O antigo cais de Roskilde foi um dos mais importantes do período viking.”

O assombro aumentou quando os historiadores examinaram o casco do navio Rolskilde 6. Com 36 metros de comprimento e espaço para 100 homens (74 dos quais, remadores), é a maior embarcação viking j á encontrada. O Roskilde 6 era um drakkar, um “dragão”, uma nau de guerra de um tamanho bem maior do que se admitia aos navios nórdicos. “Esses barcos longos e estreitos”, diz o arqueólogo americano John Hale, “tornaram os vikings a maior potência naval da Europa entre os anos 800 e 1100.”

Glória de uns e flagelo de outros. Os vikings eram camponeses marinheiros que viviam nos territórios atuais da Dinamarca, Suécia e Noruega. Na virada do primeiro milênio, eles dobraram a Europa de joelhos. Durante 400 anos pilharam o que puderam e abriram novas rotas comerciais. Descobriram a América e construíram uma aldeia no Canadá, quase cinco séculos antes de Colombo chegar à ilha de Cuba. E mais: levaram seu sangue e civilização a outros povos, ajudando a formar a Inglaterra, a França e a Rússia. Esta é a saga viking.

Um bando de piratas em um navio ágil

Navio viking

Navio viking

“Por pouco não erguemos o museu sobre navios enterrados”, afirma o antropólogo Max Vinner. Com exceção de um, os barcos batizados de RoskiMe, de l a 9, eram navios de carga, os knarr, fabricados entre os séculos XI e XIV. A exceção, o Roskilde 6, foi construído durante o reinado de Ganuto I, o Grande, o rei dinamarquês que, de 1028 a 1035, reinou sobre um império viking unificado que incluía a Dinamarca, a Inglaterra, a Noruega e o sul da Suécia.

Havia, barcos próprios para guerra, pesca, comércio e transporte. O Skuldelev 3, que faz parte do acervo do Museu de Navios de Roskilde, tinha 14 metros por 3,4 metros de largura. Os knarr eram menores e mais largos; os drakkar, longos, estreitos e mais rápidos. A velocidade média do Roskilde 6 era de 5 nós (9 quilômetros por hora), sem remos. Mas, com vento a favor e a força dos remadores, alcançava. 20 nós (37 quilômetros por hora). Os remos permitiam manobras rápidas. Navegava-se sem perder a terra de vista e os melhores pilotos eram aqueles que conheciam as costas. A precariedade dos instrumentos de navegação tornava as grandes travessias um grande risco.

Os barcos vikings tinham calado curto (a distância entre a superfície da água. e o fundo do casco). Num drakkar de 30 metros de comprimento e tripulação de 100 homens, o calado não chegava a l metro. Num knarr com 25 toneladas a bordo e oito homens, era de 1,3 metro. Praticamente deslizavam na água.

O calado facilitava a travessia do mar aberto e a navegação em rios rasos. Como eram leves, podiam ser colocados sobre toras e “rolados” por terra, puxados por escravos e cavalos. Durante a Idade Média — quando os rios europeus eram bem mais profundos —, era mais fácil ir do Mar Báltico ao Mar do Norte pelo interior da Dinamarca do que dando a volta pela costa.

Atacar e fugir

A agilidade dos barcos explica o sucesso militar dos vikings. As naus não dependiam de portos. Podiam se aproximar de qualquer ponto da costa inimiga e cair sobre as aldeias como raios. Um “dragão” de guerra como o Roskilde 6 podia despejar 100 guerreiros numa praia, pilhar tudo e fugir, sem dar tempo para qualquer tipo de resistência.

A simbiose do guerreiro1 com o navio ia até a morte. Os barcos serviam de caixão quando seus donos morriam. Nos funerais mais ricos, até escravos eram sacrificados. Os bens depositados no navio atestavam a importância do morto. Quem não possuía um tinha o túmulo coberto por pedras, que descreviam o formato de uma nau. A morte era a última viagem viking rumo ao desconhecido.

Bárbara ousadia: 30 000 vikings saqueiam Paris

Guerreiros vikings

Guerreiros vikings

O grande medo estreou na Europa num dia sinistro, 8 de junho de 793, quando os noruegueses atacaram o desolado mosteiro de Lindisfarne, no norte da Inglaterra. Foi um massacre. Iniciava-se uma era violenta, na qual os bárbaros piratas espalharam o terror pela costa européia. Um século depois de Lindisfarne, os cristãos rezavam: “Da fúria dos nórdicos, livrai-nos, ó Senhor”.

Assaltair igrejas era como roubar doce de criança. Os mosteiros eram desprotegidos e quase sempre estavam repletos de tesouros eclesiásticos e vinho. Monges e freiras podiam ser resgatados em troca de ouro ou prata. E se ninguém os quisesse, podiam ser vendidos como escravos.

Um atrás do outro, bandos de noruegueses, dinamarqueses e suecos caíram sobre as aldeias. Em comum, os saqueadores tinham a mesma língua, o modo de vida, a religião pagã e a maestria na navegação. Ninguém estava a salvo. Até cidades do interior foram atacadas por frotas que desciam os rios, como Tours, na França, em 843, e Sevilha, na Espanha, no 844.

No século X, boa parte da Irlanda e da Inglaterra estava sob domínio viking. Os suecos controlavam áreas no Mar Báltico e rios russos. Em 930, os noruegueses colonizaram a Islândia e, em 986, a Groenlândia. Cidades como Dublin, na Irlanda, York, na Inglaterra, e Kiev, na Ucrânia, foram fundadas por vikings. Até Constantinopla foi atacada, em 907. Em 963, os gregos bizantinos — que chamavam os suecos de rus — aliaram-se aos inimigos e os converteram ao cristianismo ortodoxo. Dessa fusão surgiu a Rússia.

Na França, eles ocuparam a Normandia. Em 885, atacaram Paris com 700 navios e 30 000 homens. O rei Carlos I, o Calvo, pagou 3 000 quilos de prata para levantarem o cerco à cidade — o primeiro de uma série de resgates que entrou para a História como danegeld (dinheiro dinamarquês). Em 911, o domínio viking virou Ducado de Normandia.

Raízes agrárias

Eram mesmo um povo violento. “Quase todos os túmulos de homens que encontramos continham armas”, disse o arqueólogo norueguês Arne Emil Christensen, do Museu de Antiguidades Nacionais de Oslo. Mas também havia comerciantes. Muitos negócios foram feitos com os árabes.

“O crescimento da população nórdica”, explica Christensen, “que bateu 2 milhões de pessoas no início do século IX, determinou a expansão viking. Havia mais gente do que terra para produzir alimentos. Muitos deixaram tudo buscando novas áreas para cultivar.”

Essas sociedades agrárias tinham três classes: escravos, homens livres (artesãos, pescadores, marinheiros) e nobres (bondi), agricultores proprietários que não pagavam impostos a ninguém. No verão, os bondi e seus companheiros livres partiam para saquear.

Os deuses também eram violentos. Odin era o mais poderoso. Thor,seu filho, deus do trovão, dono de um martelo invencível, protegia os guerreiros. Freya era a deusa do amor. O viking morto em combate ia para o Walhala. No paraíso, passava a eternidade fazendo o que mais amava: comer e lutar.

Periodicamente, havia assembleia no Thing, um parlamento primitivo que elaborava leis e julgava crimes. A aliança de nobres ricos, com o apoio dos Things, unificou regiões e evoluiu até a organização de Estados. Em 885, o rei Harald Bela Cabeleira unificou os noruegueses. Svein Barba de Gato virou rei da Dinamarca em 985. Olaf Skautkonung, rei da Suécia em 993. Foi a expansão do cristianismo, a partir do século X, que arrefeceu o ímpeto dos bárbaros loiros.

A verdadeira descoberta da América

Os deslocamentos dos vikings pela Europa e até mesmo na América

Os deslocamentos dos vikings pela Europa e até mesmo na América

Banido em 982 pelo Thing da Islândia, o arruaceiro Eric, o Vermelho, reuniu aventureiros e partiu em busca de uma ilha remota, avistada meio século antes. Descobriu-a, demarcou uma aldeia e voltou para trazer colonos. A ilha foi batizada de Granland, “Terra Verde”, para atrair imigrantes para o investimento. Era a Groenlândia, gélida.

Em 1001, Leif Ericsson, filho de Eric, navegou para oeste e chegou ao nordeste do Canadá. Descobriu a América. Construiu cabanas na Enseada de Meadows, no nordeste da província de Quebec, para passar o inverno, e voltou à Groenlândia. Num outro esforço de marketíng, batizou o local de Vinland, “Terra das Vinhas”. Em 1009, 250 homens fundaram uma colônia no Canadá. Foi abandonada após três anos de lutas com os nativos, chamados de skraelings, “homens feios”. Não ficou ninguém.

Viagem difícil

As grandes travessias eram baseadas apenas em observação astronómica e feitas a bordo dos knarr. Réplicas modernas desses barcos ajudaram a avaliar a audácia da expansão nórdica. O Saga Siglar, réplica do Skuldelev l, demonstrou que as embarcações, apesar dos conveses abertos, eram capazes de navegar em oceano mesmo em condições adversas. O Saga foi o primeiro barco “viking” a completar uma circunavegação do globo, entre 1984 e 1986.

O antropólogo Max Vinner fazia parte da tripulação. “Entre a Groenlândia e o Canadá”, conta, “encaramos tempestades de ventos de 130 km/h. Com a vela recolhida, o barco conseguiu manter-se no rumo durante 8 horas. Desorientou-se, mas depois voltou ao curso e chegamos à colônia viking do Quebec sem problema.”

Pense bem. Mulheres, crianças e animais iam a bordo. Da Noruega à Groenlândia a viagem durava três semanas. “Eles faziam fogueira a bordo, para cozinhar e se aquecer”, diz Vinner. Comiam carne e peixe seco ou defumado e bebiam cerveja e leite azedo. A água era mantida em sacos de pele. Apesar do convés aberto, conservavam-se secos — menos, é claro, durante as tempestades. O Mar do Norte era encapelado e o frio, cortante.

Os knarr balançavam menos do que os drakkar mas, ainda assim, os naufrágios eram frequentes. Os enjôos, diz Vinner, eram tremendos e podem ter contribuído para a colonização das terras árticas. Muitos vikings talvez desejassem voltar para a Escandinávia mas acabavam ficando. “Era preciso muita coragem para repetir a experiência da viagem. Pense nas semanas de enjôo.”

Fonte: Revista Superinteressante

Vídeo:

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Os jogos Olímpicos na Grécia Antiga

julho 16, 2009

Em 776 a.C., após deixar para trás seis adversários, o grego Corobeu venceu a única prova daquela que ficaria conhecida como a primeira edição dos Jogos Olímpicos. Diferentemente do que se imagina, não foi uma corrida de longa distância: o cidadão da cidade de Elis percorreu apenas os 192 metros de extensão do estádio de Olímpia, na península do Peloponeso. A ideia de que a maratona foi o primeiro esporte olímpico, portanto, não passa de um mito.

Segundo esse mito, em 490 a.C., durante o período de guerras entre gregos e persas, um corredor chamado Fidípides teria atravessado quase 100 quilômetros entre Atenas e Esparta para buscar ajuda. Outra versão conta que um homem chamado Eucles percorreu a distância entre Atenas e acidade de Maratona para participar da batalha. Com a vitória dos gregos, ele retornou a Atenas para dar a notícia, um esforço de 40 quilômetros entre ida e volta que teria custado sua vida.

Nigel Spivey, professor de Artes Clássicas e Arqueologia na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e autor de The Ancient Ofympics (“As Olimpíadas antigas”, inédito em português), afirma que o equívoco pode ser esclarecido ao se analisar a formação social da Grécia antiga. “Isso que chamamos de corrida de longa distância nunca tinha sido considerado esporte, tendo em vista que o trabalho de levar mensagens entre as cidades era função de servos e escravos.”

Na democracia grega, apenas homens livres eram considerados cidadãos. Entre seus direitos estavam as decisões políticas e a participação no exército. Essa natureza bélica, enraizada na própria mitologia, também se relaciona com a atenção dada ao corpo. A prática constante de atividades físicas era a responsável por mantê-los preparados para as guerras – e acabou dando origem às Olimpíadas. As cidades-estados só alcançavam esse status se oferecessem para a população um local para a prática de esportes – o estádio. A partir do século 8 a.C., a Grécia estabeleceu um calendário de competições para motivar seus “atletas”.

A primazia de Olímpia sobre as demais cidades gregas na organização dos jogos está fundamentada na mitologia. Filho de Zeus, o herói Hércules teria inaugurado os Jogos Olímpicos como forma de comemorar o sucesso de um de seus 12 trabalhos: a limpeza dos estábulos de Audias, rei de Elis. Concretamente, sabe-se que essa lenda foi representada em Olímpia pelo escultor Fídias, que, em 440 a.C., foi o responsável pela construção do mais importante templo em homenagem a Zeus, que se transformou numa das Sete Maravilhas do mundo antigo. A estátua fez com que a cidade se tornasse o principal ponto de encontro dos festivais religiosos. E a proximidade do estádio fez com que Olímpia se destacasse como palco dos esportes.

Por mais de 40 anos, a participação foi restrita a atletas da região. Mas, entre 732 a.C. e 696 a.C., a lista de vitoriosos passou a incluir cidadãos de Atenas e Esparta. E, a partir do século 6 a.C., os jogos passaram a receber inscrições de qualquer homem que falasse grego, fosse ele da Itália, do Egito ou da Ásia. “Participar de torneios como aqueles não era, de fato, apenas competir”, afirma Nigel Spivey. “Os atletas dirigiam-se para as Olimpíadas antigas com o interesse de ganhar e ser reconhecidos como os melhores.”

Ao longo dos anos, diversas cidades-estados passaram a realizar suas próprias disputas, que também carregavam uni forte viés religioso. Como forma de homenagear a deusa Atena. os chamados Jogos Panatenáicos foram instituídos em Atenas em 566 a.C., mas acabaram ofuscados por outros torneios. Esse novo circuito de competições, conhecido como Jogos Sagrados, era sediado em Olímpia e Delfos – a cada quatro anos – e em Corinto e Nemea – a cada dois anos.

BIGAS E SANGUE

Embora a primeira Olimpíada tenha acolhido apenas uma disputa, novas categorias foram incluídas ao longo dos mais de mil anos do evento como forma de disputa política e militar. As corridas de biga, inicialmente com quatro cavalos, inauguraram um novo espaço de competições, o hipódromo, em 680 a.C., data da 25a edição dos jogos. Diversos personagens históricos protagonizaram embates nessa modalidade. O político Alcibíades, amigo e entusiasta de Sócrates, participou da corrida de 416 a.C. com nada menos que sete bigas. Segundo o historiador Tucídides, conquistou o primeiro, o segundo e o quarto lugares. Em 67 d.C., já sob o domínio romano, os gregos assistiram ao imperador Nero ser coroado vencedor mesmo sem ter cruzado a linha de chegada com sua biga puxada por dez cavalos. Embates corporais também fizeram

parte do calendário olímpico da Antiguidade. Uma das modalidades, conhecida hoje como luta greco-romana, já fazia parte do treinamento físico dos jovens da Grécia desde o século 10 a.C. Os primeiros vestígios da inclusão dessa luta numa Olimpíada datam de 400 anos depois: foram encontrados em fragmentos de uma placa de bronze. Para vencer a luta, não havia contagem de tempo. As categorias eram divididas por idade. Era preciso jogar o oponente ao chão pelo menos três vezes — sem quebrar os dedos do adversário.

O boxe também foi disputado. Um busto representando um lutador de 330 a.C. dá conta da violência da modalidade – há inúmeras cicatrizes na imagem de bronze. Não havia luvas, rounds ou regras claras para aliviar o sofrimento dos competidores. O orador João Crisóstomo registrou em dois discursos que um tal Melancomas, morador de Caria (localizada na costa da Ásia Menor), teria sido o maior pugilista do primeiro século da era cristã.

Aspecto da luta olímpica grega

Aspecto da luta olímpica grega

A luta mais cruel da competição, porém, foi introduzida no calendário cerca de 100 anos depois da primeira Olimpíada. Para que se tenha ideia, os combatentes do chamado pancrácio eram punidos pelos juízes só em caso de mordidas ou quando um deles arrancasse o olho do adversário. O vencedor acabava venerado pela platéia mesmo quando provocava a morte do oponente.

Conjunto de cinco categorias, o pentatlo era disputado em provas de corrida, salto, luta, arremesso de disco e arremesso de dardo. Respectivamente, corridas e lutas abriam e encerravam o conjunto de provas – com algumas regras próprias, ambas categorias também eram disputadas fora do pentatlo. Na corrida, a distância mais curta envolvia um trajeto de cerca de 200 metros, equivalente ao comprimento dos estádios.

Na mais longa, os atletas disputavam a liderança em 24 voltas pelo perímetro do local ou 5 mil metros.

Os jogos da Antiguidade eram violentos. Muitas vezes, serviram para simular batalhas militares. A morte de atletas chegou a ser registrada. A despeito das condições climáticas e mesmo de higiene, sabe-se que os atletas competiam nus. Historiadores antigos registram que essa tradição teria começado em 720 a.C., quando um sujeito chamado Orsipos, de Megara, venceu uma prova de corrida ao notar que sua performance seria melhor se ele abandonasse suas roupas pelo trajeto. A própria palavra “ginástica” tem o termo “nudismo” em seu radical grego gymnos – o que explicaria a proibição de mulheres, fosse como atletas, fosse como espectadoras.

Por mais sangue que tenha sido derramado, os atletas jamais abriram mão de alguma ambição pela vitória. Nem mesmo durante as guerras, ou quando a Grécia esteve sob domínio dos macedônios e dos romanos, as competições esportivas deixaram de ser realizadas. Os jogos, contudo, entraram em declínio na segunda metade do século 4.

Durante o domínio do imperador Teodósio, em 380 o cristianismo foi anunciado como religião oficial do Império Romano, fazendo com que, 13 anos depois, todos os centros esportivos e religiosos que abrigavam festas pagãs fossem fechados. Era o fim dos Jogos Olímpicos da Antiguidade, que só viriam a ganhar uma versão moderna cerca de l 500 anos mais tarde.

Leia também: Os Jogos Olímpicos na Grécia Antiga – Parte 2

 

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A Revolta da Chibata

julho 16, 2009

Por Fernando Granato – Revista Aventuras na História (julho/2004)

A baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, estava repleta de navios estrangeiros na manhã de 16 de novembro de 1910. As embarcações haviam aportado com autoridades para a posse do marechal Hermes da Fonseca na Presidência da República. No encouraçado Minas Gerais — o maior navio de guerra brasileiro, atracado a poucos metros do cais do porto — o clima não era nada festivo. Ao raiar do dia, toda a tripulação fora chamada ao convés para assistir aos castigos corporais a que seria submetido o marinheiro Marcelino Rodrigues Menezes. Ele tinha ferido a navalhadas o cabo Valdemar Rodrigues de Souza, que o havia denunciado por tentar introduzir no navio duas garrafas de cachaça. Sua pena: 250 chibatadas. Esse seria o estopim para a eclosão da chamada Revolta da Chibata, movimento deflagrado pelos marinheiros contra os maus-tratos, que paralisaria a coração do Brasil por quatro dias e custaria a vida de dezenas de pessoas, entre civis e militares. Quase 94 anos depois, os primeiros documentos reservados sobre o conflito vêm à tona e serão revelados nesta reportagem.

Naquela manhã, depois de ser examinado pelo médico de bordo e considerado em perfeitas condições físicas, o marinheiro Marcelino Menezes, conhecido como “Baiano”, foi amarrado pelas mãos e pés e submetido ao castigo. Primeiro soaram os tambores. Em seguida, o comandante do navio, Batista das Neves, ordenou a entrada dos carrascos, que apanharam uma corda de linho e amarraram nas pontas pequenas e resistentes agulhas de aço. A guarda entrou em formação. Tiraram as algemas das mãos do marujo e o suspenderam, nu da cintura para cima, no “pé de carneiro”, uma espécie de ferro que se prendia num corrimão. Os oficiais assistiram à cerimônia em uniforme de gala, com luvas brancas e armados de suas espadas. Alguns viraram o rosto para o lado, para não ver a tortura.

A punição pela chibata foi um hábito herdado pelo Brasil da Marinha portuguesa. Os castigos tinham a função de educar na marra os supostos maus elementos que compunham os quadros inferiores. Como diziam os oficiais, as chicotadas e lambadas tinham o objetivo de “quebrar os maus gênios e fazer os marinheiros compreenderem o que é ser cidadão brasileiro”.

Na noite seguinte aos castigos sofridos por Marcelino, os demais marinheiros do Minas Gerais, recolhidos em seus beliches, decidiram que a situação não podia continuar daquela forma. “Isso vai acabar”, disse o marujo João Cândido, um negro alto, de 30 anos, que despontava como o líder absoluto da revolta que se aproximava.

Depois de muita conversa, decidiram tomar o poder dos navios à força, na noite de 22 de novembro. Na data estabelecida, tudo aconteceu dentro da estratégia programada. O sinal combinado entre os marujos para dar início ao movimento foi a chamada das 10 horas. Naquela noite, o toque do clarim não pediu silêncio e sim combate.

Cada um assumiu o seu posto e a maioria dos oficiais já estava em seus camarotes. Não houve afobação. Cada canhão foi guarnecido por cinco marujos, com ordem de atirar para matar contra quem tentasse impedir o levante.

Logo depois do toque da corneta, o comandante Batista das Neves — que estivera num jantar a bordo do cruza-dor francês DuaguayTrouin — voltou ao seu navio em companhia do ajudante de ordens. Conversou rapidamente com o segundo-tenente Álvaro da Mota Silva – que assistia à faxina no convés – e recolheu-se aos seus aposentos.

No momento em que descia as escadas inferiores do navio e se despedia do comandante, Mota Silva recebeu uma forte pancada no peito, um golpe de baioneta desferido em cheio por um marinheiro que estava de tocaia. O segundo-tenente tropeçou, mas ainda conseguiu apoiar-se com a mão esquerda na arma do marujo e com a direita sacou sua espada. Com a força que ainda lhe restava, atravessou o estômago do marinheiro que, aos gritos, deu alguns passos e caiu.

Atraídos pelo ruído, muitos marujos foram ao convés, para onde subiram também outros oficiais procurando conter os revoltosos. A tribulação, bradando vivas e aclamando “liberdade” e “abaixo a chibata”, avançou contra o pequeno grupo de superiores para massacrá-lo. O comandante Batista das Neves ainda tentou acalmar os ânimos e manter a disciplina. Atacado, reagiu e lutou de espada em punho cerca de 10 minutos, até ser atingido na cabeça, por golpes de machadinha.

O marujo Aristides Pereira, conhecido como “Chaminé”, chegou perto do corpo estendido do comandante, certificou-se de que ele estava morto e urinou sobre seu cadáver. O corpo permaneceu horas no convés e alguns marinheiros ainda fizeram graça com o comandante morto, imitando movimentos de ginástica à sua volta. A ironia referia-se ao fato de que Batista das Neves obrigava os marujos a fazer ginástica pesada todas as manhãs, para compensar a relativa imobilidade física da vida de bordo nos navios.

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Cinquenta minutos depois, quando cessou a luta no convés, João Cândido mandou disparar um tiro de canhão, sinal para dar o alerta aos outros navios aliados: o São Paulo, o Bahia e o Deodoro. O estrondo do primeiro tiro de canhão, vindo da direção do mar, fez tremer a cidade do Rio de Janeiro. Nem cinco minutos depois, novo tiro. Dessa vez, janelas e vidraças foram quebradas em casas do centro da cidade.

O líder do movimento ordenou que todos os holofotes iluminassem o Arsenal da Marinha, as praias e as fortalezas. Expediu também uma mensagem por rádio para o Palácio do Catete, sede do governo federal, informando que a esquadra estava rebelada para acabar com os castigos corporais.

O presidente recém-empossado, marechal Hermes da Fonseca, e todo seu ministério assistiam, no Clube da Tijuca, à apresentação da ópera Tanhauser, de Wagner, numa inesquecível recepção que ainda fazia parte dos festejos pela vitória eleitoral. Depois do primeiro tiro de canhão, ele voltou imediatamente para o Catete.

Em seu gabinete, Hermes da Fonseca foi avisado de que a Marinha estava revoltada e que a estação de rádio do morro da Babilônia captara a primeira mensagem dos rebeldes: “Não queremos a volta da chibata. Isso pedimos ao presidente da República, ao ministro da Marinha. Queremos resposta já e já. Caso não tenhamos, bombardearemos cidade e navios que não se revoltarem. Assinado: guarnições Minas, São Paulo e Bahia”.

De início, o governo resolveu endurecer. Avisou que mandaria torpedear as embarcações caso não houvesse rendição. A repercussão da notícia, no entanto, gerou pânico na cidade. O presidente preferiu então abrandar a reação. Ele dispunha de 2 630 homens para enfrentar os 2 379 rebeldes. O poder de fogo dos amotinados — instalados naqueles que eram alguns dos mais sofisticados navios de guerra do mundo -entretanto, era muito maior. Diante da impossibilidade de combate e com o perigo iminente de um bombardeio, Hermes da Fonseca convenceu-se de que era muito mais prudente negociar com os marinheiros revoltosos.

Enquanto o governo se debatia atrás de uma solução, a esquadra rebelada permanecia atenta, com a rotina de navios em guerra. Cada soldado tinha uma função predeterminada. Foram designados turnos de trabalho para que nunca um serviço ficasse desguarnecido.

Astuto e desconfiado, o Almirante Negro — como passou a ser chamado João Cândido pela imprensa — determinou que uma barca abastecesse os navios de água. Antes que o líquido fosse descarregado, no entanto, ele ordenou que o condutor da embarcação provasse para ver se não havia veneno. Com seu uniforme branco, já bem velho e desgastado, um pé calçado num chinelo e outro numa botina, a única marca que diferenciava o líder dos demais marujos era um lenço vermelho que levava amarrado ao pescoço. Aquele era o seu distintivo.

Em tempo recorde, a anistia foi aprovada a toque de caixa pelo Congresso Nacional e, na manhã de 26 de novembro, com o sol brilhando sobre a Guanabara, os navios iniciaram a aproximação para a rendição. Os morros, o cais e as praias estavam lotados de curiosos, alguns com binóculos, para assistir à chegada dos marinheiros. A bordo o clima era de festa e euforia.

Mas a anistia não durou dois dias. Em 28 de novembro, os marinheiros foram surpreendidos pela publicação do decreto número 8400, que autorizava demissões, por exclusão, dos praças do Corpo de Marinheiros Nacionais “cuja permanência se torne inconveniente à disciplina”. O decreto abriu uma brecha para que a Marinha excluísse de seus quadros quem bem entendesse, sem maiores formalidades. As demissões foram muitas. Vários navios ficaram sem pessoal suficiente para os serviços essenciais.

Instaurou-se um novo clima de tensão nas Forças Armadas – pela publicação do decreto – e as autoridades encontraram justificativa para pensar na convocação de um regime de exceção, com poderes amplos e irrestritos para o presidente da República.

Circulavam boatos de que na ilha das Cobras — sede dos Fuzileiros Navais, localizada em frente ao cais do porto e ao lado da ilha Fiscal – o batalhão de terra organizava outro motim. Os boatos partiram das próprias autoridades, interessadas em incitar uma segunda rebelião para decretar o estado de sítio. Os oficiais esperavam apenas o primeiro tiro para entrarem em ação e deflagrarem o conflito armado.

No dia 9 de dezembro, houve a rebelião esperada na ilha das Cobras. Às 9 horas e 30 minutos, foi dado o toque de recolher e, em vez de se dirigirem para suas camas, parte dos fuzileiros permaneceu no pátio, em grande algazarra, dando vivas à liberdade. Um primeiro tiro foi disparado, não se sabe vindo de onde. As luzes da ilha foram apagadas e os marinheiros começaram a caçar os oficiais. No escuro, disparando tiros de fuzis, eles gritavam: “Viva a liberdade. Morram os oficiais”.

A luta durou toda a madrugada, a manhã do dia seguinte e só parou ao entardecer, com a morte da maioria dos amotinados. Por todos os lados, junto aos canhões e metralhadoras destruídas, havia corpos de marinheiros. As forças fiéis aos oficiais estavam preparadas e esmagaram os rebeldes.

O governo federal decretou o estado de sítio, tendo como justificativa a revolta dos fuzileiros navais na ilha das Cobras. As autoridades determinaram o desembarque imediato da tripulação dos navios Minas Gerais e São Paulo, que haviam tomado parte no primeiro levante. João Cândido foi preso assim que colocou os pés em solo e levado ao quartel-general do Exército. No dia 24 de dezembro, o Almirante Negro e mais 17 companheiros foram transferidos para a ilha das Cobras e colocados numa prisão sem iluminação e com ventilação imprópria, localizada no subterrâneo do Hospital Militar.

Na madrugada de 25 de dezembro, dia de Natal, o guarda da prisão notou movimento estranho na cela e ouviu gritos. O fato foi comunicado ao oficial de serviço e, em seguida, o recado chegou ao comandante Marques da Rocha, responsável pela ilha das Cobras. Nenhuma providência foi tomada.

Na manhã seguinte, o comandante Marques da Rocha, que havia levado as chaves, abriu a prisão. A cena chocaria até mesmo o mais insensível dos militares: jogados num extremo estavam 16 corpos de marujos mortos por asfixia. Num outro canto, em estado de choque, os dois únicos sobreviventes  – João Cândido e o soldado naval João Avelino. Acabava assim uma das mais violentas rebeliões militares no Brasil.

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julho 14, 2009

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