Archive for setembro \24\UTC 2015

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Mutilação a serviço da arte: Os cantores castrados

setembro 24, 2015

Já imaginou a possibilidade de castração masculina para fins musicais? Pois isso realmente ocorreu e estes artistas mutilados eram conhecidos como castrati. Esta prática de castração teve início no século XVI, quando coros infantis encantavam os ouvidos de admiradores de boa música nas igrejas, mas as vozes dos talentosos cantores mudavam com a chegada da puberdade, então ocorreu que impedir essa mudança seria um meio eficaz de preservar os timbres vocais dos meninos cantores e a castração foi o meio encontrado para tentar amenizar aquilo que a natureza realiza nas transições entre a infância e a fase adulta.

Entre famílias muito pobres passou a ocorrer a oferta de meninos para integração dos corais de vozes finas e agudas e estes jovens cantores eram recrutados pelos organizadores desses grupos musicais. A castração dos meninos ocorria entre os 7 e 8 anos de idade e era empregada porque por meio dela o desenvolvimento do processo que levava ao engrossar das vozes era gravemente afetado (hoje sabe-se que isso se deve a inibição hormonal que resulta num processo através do qual as pregas vocais acabam não engrossando ao ponto de alterar a voz). O que levava famílias a oferecerem seus meninos para este destino era a ânsia de obtenção de melhores condições de via e uma chance de ascensão social que não eram amparadas em nenhuma garantia.

A castração era realizada cirurgicamente e geralmente de forma clandestina ou mesmo diante de alguma justificativa falsa, alegando que a criança sofrera algum acidente que resultou na necessidade de realizar a retirada de canais escrotais (geralmente não ocorria a amputação dos testículos, mas estes sofriam algumas atrofias decorrentes da operação). Claro que era um procedimento arriscado e não eram raros os resultados trágicos das cirurgias, que podiam resultar em complicações e até em mortes. Boa parte do risco envolvia o processo de anestesia, que podia envolver ópio, sangramentos propositais para provocação de desmaios, uso de gelo para provocar dormência na área a ser operada. Entre os efeitos da castração também estavam a possibilidade de moderação do crescimento, eventuais problemas ósseos que resultavam em desproporções nas pernas e braços, crescimento de mamilos, de mandíbula e até de nariz, conforme registravam os observadores do processo.

1445020730586966417O mais famoso castrato foi o italiano Farinelli, que viveu no século XVIII. A exumação de seu esqueleto em 2006 indicou que ele possuiu problemas possivelmente decorrentes da castração, tais como hiperostose frontal interna (que a concentração anormal de massa óssea no crânio), o que poderia causas fortes dores de cabeça, vertigem, depressão, convulsão e outros efeitos. Farinelli fez sucesso porque não apenas possuía uma bela voz infantil e feminina como também por ser virtuoso conhecedor de música. Depois dele os castrati deixaram de ser populares e foram pouco a pouco sumindo das igrejas, dos palcos teatrais e até das espeluncas onde iam parar os mais desafortunados deles.

No século XX teve destaque Alessandro Moreschi, que cantou até 1913 e que fora conhecido como o “Anjo de Roma”, além de ter sido o último dos castrati. Algumas gravações de Moreschi podem até ser conferidas, a exemplo desta aqui abaixo.

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Indícios mais antigos de uma decapitação nas Américas

setembro 24, 2015

1444637561193128335Aqui no Brasil, na Lapa do Santo (MG), foi encontrada aquele que é o mais antigo registro de decapitação das Américas. A ossada de cerca de 9.000 anos é caracterizada por conter um crânio, mandíbula, algumas vértebras e duas mãos decepadas de um homem adulto.

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A condição dos restos mortais indicam que a disposição das partes humanas consistiu em um ritual e os arqueólogos consideram que o indivíduo era membro do grupo. O ritual deveria fazer parte dos tratamentos mortuários empregados pela comunidade primitiva que habitou a região.
1444637561338012047Há indícios de que a cabeça decepada não foi separada do corpo por um corte e sim por meio do ato de torcer e puxar até ocorrer a decapitação. Essa conclusão deve-se ao fato de que entre o grupo não eram utilizados instrumentos cortantes e muito menos produzidos por metais.

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Uma pequena história do sonho de voar

setembro 3, 2015

Santos Dumont realizou um importante sonho ao ajudar com que as pessoas pudessem voar com a ajuda de meios engenhosos. Também é famoso o interesse de Leonardo da Vinci e seus projetos de engenhocas voadoras são realmente incríveis, mas a trajetória do desejo por ganhar os ares remonta a um passado ainda mais distante que o século XVI do gênio italiano.

iccarus-144669912D40BB55A80Mesmo no Ramayana, épico conto hindu que remonta à cerca de 500 aC, os semi-deuses Jatayu e Sampani tentaram voar com asas falsas até chegarem perto do sol, não obtendo sucesso e caindo de tamanha altitude. Essa situação desastrosa também foi vivida por Ícaro, na Mitologia Grega, que tentou sair da ilha de Creta voando graças a um par de asas de cera e penas.

Há referências menos mitológicas – embora não necessariamente comfirmáveis – de que também por volta de 500 aC Bladud, um rei britânico, tentou levantar voo a partir de um templo em Londres (então Trinovantum) e morreu porque a ousadia não funcionou, levando o monarca a sofrer uma queda fatal.

Na Andaluzia, Espanha, nos 800 anos da Era Cristã, Abbas ibn Firnas, inventor e escritor islâmico também tentou experimentar a sensação de voar. O mouro fez uso de um par de asas falsas e cobriu-se de penas para poder voar. Alegadas testemunhas teriam confirmado que o homem voador percorreu pelos ares uma boa distância até voltar ao ponto inicial da decolagem, porém ele reclamou bastante de dores nas costas e alegou que esse efeito decorreu do fato de ter esquecido de se equipar como uma cauda, assim como os pássaros.

Eilmer de Malmesbury, em 1125, teria prendido asas nas mãos e nos pés, conforme Guilherme de Malmesbury, historiador medieval. O inglês voador não teve lá muito sucesso e caiu ao tentar o feito, sofrendo lesões que fizeram com que ele mancasse pelo resto da vida. A falta da cauda também foi alegada pelo destemido monge de Malmesbury como causadora do fracasso de sua aventura aérea.

Na Turquia Hezârfen Ahmed Çelebi teria voado entre as cidades de Karaköy e Üsküdar planando com a ajuda do vento com sua asa montada com uma estrutura. Depois do feito o turco recebeu um pagamento e acabou sendo exilado por ser condiderado um homem perigoso – quem poderia confiar num sujeito que voava?

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Otto Lilienthal

O alemão Otto Lilienthal é reconhecido como o “Pai do vôo planado” e realizou praticamente dois mil passeios e exibições através dos ventos entre 1891 e 1896, chegando a percorrer a distância de 350 metros e a subir além da altitude de seu ponto de decolagem. Também acabou vítima de sua paixão por voar, pois morreu em decorrência de uma queda de 17 metros de altura, tendo fraturado a espinha dorsal em 9 de agosto de 1896. Lilienthal foi também o primeiro homem a ser fotografado enquanto voava.

Os norte-americanos Wilbur e Orville Wright realizaram em 17 de dezembro de 1903 um histórico voo que foi reconhecido como primeiro de um aparelho motorizado controlado, mas esse destaque não é um fato totalmente admitido, pois Santos Dumont, em 19 de julho de 1906, realizou com o seu 14-Bis, em Paris, a primeira decolagem de voo controlado sem necessidade de catapultagem ou plataforma. Tanto o experimento dos Irmãos Wright quanto o de Santos Dumont foram devidamente registrados e testemunhados (requisitos importantes para obter reconhecimento do pioneirismo).