Archive for the ‘Mitologia’ Category

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Hunab Ku, uma falsa divindade maia criada pelos cristãos

fevereiro 19, 2017
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O símbolo de Hunab Ku na interpretação “New Wave”

A teologia maia era tão incompreensível para os colonizadores cristãos quanto também era incompreensível para os maias a teologia cristã, então explicar princípios de uma fé para os praticantes de outra gerava muita confusão na compreensão. Diante desse problema os cristãos foram desenvolvendo um princípio religioso artificial que pouco a pouco passou a ser introduzido na cultura maia desde a colonização hispânica. Parte dessa engenharia teológica foi a criação da divindade Hunab Ku como uma forma de elaboração de características da divindade cristã como subterfúgio para a conversão dos nativos indígenas. Diferentemente das demais divindades maias que possuíam no imaginário nativo uma representação até visual, Hunab Ku era invisível e superior aos deuses que os indígenas veneravam. Em lugar de uma figura reconhecível imediatamente pelos sentidos, os frades franciscanos elaboraram uma divindade de forma abstrata para representar esse ser superior que iria facilitar a difusão da ideia do Deus do Cristianismo.

Num dicionário espanhol do século XVI que circulava nos domínios coloniais Hunab Ku é descrito como “o único deus vivo e verdadeiro, também o maior dos deuses do povo de Yucatán”, mas não há em fontes maias referências a tal divindade anteriormente à chegada dos espanhóis – a divindade criadora pré-colombiana cultuada pelos maias era Itzamna. Hunab Ku (que no idioma nativo significava “Deus Único”) foi uma criação artificial de sincretismo como oposição ao politeísmo maia.

Para completar a confusão até a representação visual divina hoje atribuída a Hunab Ku é forjada e fora de contexto, pois um manto ritualístico asteca foi a fonte de inspiração tardia para o símbolo atribuído à divindade inventada. Autores como José Argüelles (Joseph Anthony Arguelles), ícone da New Age, ajudou a difundir sua interpretação visual de Hunab Ku como se fosse legítima, inspirada na descoberta de uma suposta antiga tapeçaria indígena. Elaborações modernas do “princípio Hunab Ku” acabaram também forjando aproximações forçadas com elementos orientais – o próprio símbolo foi reinterpretado como uma espécie de “Yin Yang indígena”.

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Manto ritualístico asteca que teria influenciado a elaboração do símbolo de Hunab Ku

Enfim, a divindade que não existia para os maias até a presença espanhola na Península de Yucatán e que foi engendrada como artifício para facilitar o trabalho missionário de difundir o cristianismo acabou também influenciando concepções muito distantes da própria ideia original e, por incrível que pareça, aparece também em fontes na internet como uma legítima figura da mitologia maia.

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Representação medieval de bruxa voando sobre uma vassoura do século XII

julho 16, 2016
Bruxa de Schleswig

A misteriosa figura feminina retratada na Catedral de Schleswig: Bruxa ou deusa viking?

É comum a associação entre bruxas e suas vassouras voadoras e isso começou a se popularizar no século XV, mas mesmo antes disso a representação alada das bruxas já existia como referência ao fato de que possuíam alegados poderes enfeitiçados capazes de proezas além do normal. A capacidade de voar também tinha uma conotação assustadora, pois indicava que o terror que elas traziam pairava sobre as pessoas e bruxas eram representadas voando montadas sobre gatos ou sobre toras de madeira.

Uma imagem de bruxa sobre uma vassoura que se tem como referência como a mais antiga que se conhece é uma pintura na Catedral de Schleswig, na Alemanha, que data do ano 1300. Na mesma igreja há outra pintura que está associada à deusa pagã Freya e esse fato cria dúvidas se a imagem da mulher voando sobre uma vassoura não seria também uma figura da mitologia nórdica – e há quem a identifique como a deusa Frigga (madrasta de ninguém menos que Thor) – mas não se sabe de onde viria a vassoura na representação da deusa da fertilidade e do amor na tradição dos vikings, que voava numa espécie de biga puxada por felinos.

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Representação da deusa Freya no mesmo templo alemão

Por esse estranhamento tem-se como mais provável que a figura sobre uma vassoura na Catedral de Schleswig seja mesmo de uma bruxa.

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Divindades do submundo mitológico egípcio

outubro 9, 2015

A mitologia egípcia é fabulosa e cheia de narrativas e divindades interessantes. As mais conhecidas figuras dessa rica mitologia incluem Rá, Osíris, Ísis, Hórus e Anúbis, mas há várias outras divindades interessantes e até mesmo terríveis.

  • Mafdet

Mafdet

Geralmente representada por uma mulher com cabeça de gata ou simplesmente como uma gata de corpo inteiro, ela estava vinculada aos carrascos e matadores, sendo uma espécie de divindade das execuções fatais.

  • Ammit

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Era o “Devorador da Morte”, composto por partes de feras como leão, hipopótamo e crocodilo. Possuía importante papel diante do julgamento dos mortos, atuando depois que Anúbis pesava o coração daquele que deixou o mundo dos vivos. Para o favorecimento do morto seu coração não poderia ser mais pesado que uma pena de Ma’at, divindade da justiça, pois o contrário resultaria num fim trágico, quando Ammit devoraria o coração impuro e a alma impura ficaria vagando.

  • Shesmu

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Dá para vincular mortes violentas e vinho? Shesmu fazia isso, pois a ele era atribuída a curiosa (e bizarra) atribuição de degolar transgressores e preparar uma espécie de vinho com o sangue de suas vítimas, que era também servido em seus crânios. O aperitivo era bebericado pelos que chegavam no Mundo dos Mortos durante um tipo de “recepção” de boas-vindas.

  • Babi

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O babuíno Babi também é uma divindade do submundo da mitologia egípcia. Seu pênis servia de mastro na balsa que transportava almas para o além e invocar seu nome enquanto se vivia era uma forma de garantir uma ativa vida sexual após a morte. Um perigo de Babi era sua travessura de poder parar em entranhas de gente viva, o que causava medo em muita gente.

  • Ahti

Com cabeça de vespa e corpo de hipopótamo, Ahti é tão maldita que sabe-se muito pouco sobre ela além de raras referências em escritos antigos. Sua figura descrita já sinalizava que ela não estava de acordo com nada que pudesse ser bom e a maldade é a única característica que se registrou a seu respeito.

  • Satet

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Os egípcios possuíam várias divindades da guerra e Satet era uma delas. Ela defendia o sul do reino e atirava sobre os inimigos do Faraó suas poderosas flechas. Mas além dessa atribuição hostil ela era também uma deusa da fertilidade (uma entre outras).

  • Menhit

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Era outra deusa felina e outra deusa da guerra, descrita como esposa de Menthu, que também era deus da guerra, constituindo então um casal nada amistoso para os inimigos do Egito. Seu nome pode ser traduzido como “matadouro”, “sacrificar” ou “massacrar”… enfim, nomes que também inspiravam pouca simpatia.

  • Maahes

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Filho de Bast e Rá, era outro deus da guerra e acrescentava também a atribuição de ser divindade do tempo. Tinha aspecto leonino e era muito invocado quando o assunto era vingança.

  • Pakhet

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A deusa felina (com cabeça de leoa) vagava em busca de presas e isso amedrontava viajantes, que eram atormentado por pesadelos motivados pelo pânico de virar caça da divindade.

  • Am-heh

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Com corpo de homem e cabeça de cachorro, vivendo num lago de fogo, era tão bravo que somente Aton, o Pai dos Deuses, poderia controlar essa criatura raivosa cujo nome significava “Devorador de Milhões”.

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Criaturas monstruosas da Mitologia Grega

abril 19, 2015

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Cérbero

O cão de três cabeças que guarda o reino dos mortos, o Hades. A fera é uma mistura de animais ferozes, pois tem garras de leão, juba feita de cobras e calda de serpente. O monstruoso protetor do Hades era filho de Tífon e Quimera, outras duas monstruosidades mitológicas. As narrativas dão conta de que alguns afortunados conseguiram escapar do abominável Cérbero, mas recorrendo a magia ou outros estratagemas, mas somente Hércules encarou o monstro e o derrotou na porrada!

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Empousa

 A filha de Hecate não era nada amistosa. Ela era uma divindade que bebia sangue de homens enquanto eles dormiam e foi rebaixada à condição de monstruosidade que devorava viajantes noturnos. Esta vampira da Mitologia Grega com uma perna de bronze e outra de cabra era um terror!

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Górgonas

 Medusa, Esteno e Euryale eram as três irmãs com serpentes em suas cabeças e presas afiadas, que possuíam o poder de petrificar quem olhasse diretamente para elas. Foram transformadas em monstros por Atena, que se incomodou com a beleza das filhas de Fórcis e Ceto, pois eram tão belas quanto a poderosa deusa da sabedoria – que não gostava nada dessa situação. Medusa, a mais famosa das irmãs, era a única das Górgonas que, também por culpa de Atena, não era dotada da imortalidade.

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Pássaros do Lago Estínfalo

 Estas criatura aladas eram metálicas monstruosidades que podiam até interromper a luz do sol sobre a Terra. Eles comiam pessoas e espantavam o terror por onde passavam, mas Hércules – novamente ele – matou as aves terríveis usando flechas envenenadas com sangre de uma hidra.

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Quimera

 O híbrido monstruoso tinha três cabeças, mas só uma em seu torso, que era de um leão. Uma cabeça de cabra pendia desde suas costa e outra cabeça de dragão que cuspia fogo também compunham a constituição da besta mitológica, que possuía uma cauda de serpente e outra de leão, além de asas. Quando alguém alegava ter visto a criatura isso significava um presságio muito ruim, sobretudo alguma catástrofe natural. Quimera foi derrotada pelo herói Belerofonte, que atirou uma lança com ponta de chumbo na boca que cuspia fogo, sendo tal ponta derretida pelo calor, provocando o sufocamento do monstro.

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Centauros Marinhos

 Havia um par de irmãos híbridos (Bythos e Aphros) que eram parcialmente humanos, equinos e peixes. Eram meios-irmãos do centauro Quíron e filhos de Cronos e da ninfa Philyra. Eles respiravam sob as águas, eram exímios nadadores  e se comunicavam com as criaturas aquáticas e, apesar de monstruosos, eram seres pacíficos e sábios.

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Tifão (Tífon)

 Era o mais temível monstro mitológico, que chegou até a derrotar Zeus, arrancando seus músculos, veias e nervos – depois restituídos por Hermes. Foi gerado por Gaia e o Tártaro e foi ofertado à Hera na forma de uma semente. A deusa, sem saber da armadilha, plantou a tal semente no Olimpo e dela brotou, em pleno reino divino, o monstro que afugentou os deuses – menos Atena – para o Edgito. Zeus retornou armado da mesma foice utilizada por Cronos para castrar Urano, mas levou a pior e foi destroçado – literalmente – pelo monstro. Depois de reconstituído por Hermes, Zeus promoveu sua vingança e prendeu Tifão no vulcão Monte Etna, onde Hefesto o manteve sob o peso de suas maiores bigornas.

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Minotauro

 Sua mãe, a rainha Pasífae, queria ter relações sexuais com um touro implacável e feroz, então mandou ser elaborado um traje especial de vaca dourada no qual ela poderia se esconder para que o bovino feroz conseguisse então realizar o acasalamento como se estivesse com uma fêmea de sua própria espécie. Deste incomum desejo sexual da rainha nasceu um filho monstruoso, meio humano e meio touro que se alimentava de carne de gente. Para evitar que o filho “adotivo” promovesse uma carnificina indiscriminada, o rei Minos mandou construir um labirinto nas proximidades do palácio e prendeu a criatura por lá. O Minotauro recebia jovens sacrificados como alimento e o príncipe ateniense Teseu, filho do rei Egeu, apareceu como voluntário para tentar matar o monstrengo taurino. Com ajuda da princesa Ariadne, filha de Minos, Teseu conseguiu matar Minotauro e sair do labirinto com os demais jovens destacados como sacrifícios a serem devorados pelo monstro.

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As Erínias (As Fúrias)

 Ao castrar o próprio pai, Urano, Cronos fez respingar sobre o solo sangue de sua vítima e dessas gotas surgiram as três Eríneas, implacáveis figuras que se dedicavam à prática da vingança sobre os homens (esse papel cabia à Nêmesis em relação aos deuses). Alecto punia os delitos morais e espalhava maldições e pestes, Megaira punia quem pecasse contra o matrimônio e Tisífone punia os homicidas. Elas não eram exatamente monstros, embora praticantes de dolorosas e cruéis torturas, mas também eram frequentemente descritas como se tivessem aparências amedrontadoras.

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Hidra de Lerna

 Monstro filhos de Tifão e Equidna, era habitante dos pântanos de Lerna e tinha corpo de dragão de sete cabeças de serpente com hálito mortal. Cada cabeça podia se regenerar quando decepada e uma delas eram simplesmente imortal. Fora isso, o sangue da besta era venenoso. Hércules, de novo ele, matou a fera e ainda utilizou seu sangue para envenenar suas flechas.

tn_Sphinx1 A Esfinge

 Com corpo de leão, cabeça humana, asas de águia e uma serpente no lugar do rabo, o monstro proferia enigmas desafiadores e quem não decifrasse acabava virando refeição para a Esfinge. Era filha de Quimera e Ortros (ou de Tifão e Equidna, conforme outras descrições) e ficava de guarda diante da cidade de Tebas (o que deveria ser péssimo para o turismo) ameaçadoramente até que encarou o jovem e esperto Édipo, que respondeu acertadamente o enigma que questionava: “Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três?”. Derrotada, a esfinge se suicidou ao se atirar de um precipício.

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Equidna

A mistura de mulher e víbora gigante era uma criatura monstruosa que também era mãe de diversas outras bestas mitológicas com seu principal parceiro, o terrível Tifão. Por sua capacidade procriadora de seres tenebrosos, talvez seja ela o pior dos monstros da mitologia grega.