Posts Tagged ‘pessoas incomuns’

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O “Circo de Horrores”

abril 16, 2014

Condições físicas tidas como grotescas e anormais despertam reações variadas e ao longo dos tempos os aspetos diferentes da normalidade despertaram medo, repulsa e até serviram como atração em espetáculos. No século XIX os “shows de horrores” foram populares a despertaram curiosidade em todas as classes sociais também em cidades “civilizadas” da Europa e dos EUA. Havia público que pagava para ver pessoas com doenças sérias e deformidades físicas graves como se fossem meras atrações circenses. Fetos com anomalias também eram exibidos em vidros para atender a um curioso público de gosto mórbido. Mas não eram somente de humanos que estes shows sobreviviam, pois também expunham animais com deformidades genéticas, fraudes e enganações notórias ou algumas muito bem montadas.

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Um dos diversos “Homens Elástico” que eram vistos em espetáculos.

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Myrtle Corbin possuía quatro pernas e dois conjuntos de órgãos genitais femininos.

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Anne Leek juntou-se a um espetáculo para poder ganhar a vida.

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Príncipe Randian nasceu sem braços e pernas era capaz de se barbear, enrolar cigarros e tinha bastante autonomia considerando sua condição.

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Um bebê com hipertricose era atração em um circo de Nova York.

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Eddie Masher, “O Esqueleto”.

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Jo-Jo – “o menino com cara de cachorro” – também tinha hipertricose.

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Felix Wehrle, o “Homem Elástico”, poderia esticar a pele dele porque tinha Síndrome de Ehlers-Danlos.

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Lionel – “o menino com cara de leão” – padecia de hipertricose.

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A “Mulher Pé Grande”: Fanny Mills provavelmente tinha a doença de Milroy, que causou inchaço nas pernas.

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O italiano Frank Lentini, que nasceu com três pernas, foi para os EUA em busca de trabalho e sucesso como atração de circo.

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A mulher mais baixinha do mundo

abril 13, 2014

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Com apenas 58 centímetros de altura, a holandesa Pauline Musters (1876-1895) ainda é considerada a mulher mais baixa cuja existência já fora comprovada. Seu corpo possuía medidas proporcionais, não tendo sinal de atrofia em nenhum membro.

A pequena Pauline passou a realizar apresentações ainda criança, maravilhando o público com seus números de acrobacia e dança. Com o passar do tempo suas habilidades e encantos foram aprimorados, quando ela se apresentava em trajes impecáveis que por si já eram uma atração pela beleza e elegância. Depois de fazer fama pela Europa, Pauline foi para os EUA para realizar temporadas de muito sucesso num teatro em Nova York, mas sua estada por lá também foi marcada pela tragédia, pois ela acabou contraindo um pneumonia e meningite, morrendo aos 19 anos de idade em 1 de março de 1895.

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Maurice Tillet: O lutador que inspirou o personagem Shrek

abril 11, 2014

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Nascido na Rússia em 23 de outubro de 1903, Maurice Tillet era filho de pai e mãe franceses e levava uma vida tranquila até os 17 anos, quando começou a sofrer os efeitos de uma notável transformação física em função da acromegalia, que é uma síndrome provocada por uma anormal produção do hormônio de crescimento e que, ao ocorrer na fase adulta, provoca um acentuado crescimento craniano, mandibular e também nas mãos e pés – além de outros efeitos cardíacos e da propensão ao desenvolvimento de diabetes.

Sua mudança gerou imediatamente uma série de problemas, sobretudo na vida social, pois Tillet passou a ser objeto de preconceito e chegava até mesmo a ser discriminado em determinados lugares. Contrastando com seu aspecto, sua personalidade era marcada pela polidez e por uma inteligência notável (Tillet chegou a aprender nada menos que 14 idiomas e era um talentoso poeta). Mas ele percebeu que poderia se adaptar à transformação física que sofreu e decidiu ir em busca de oportunidades que sua condição poderiam gerar. Ingressou no ramo teatral e em 1937 mudou-se para os EUA, onde acabou enveredando por um outro caminho, dedicando-se a uma carreira como lutador profissional. Em 1940 sagrou-se campeão dos pesos-pesados em luta livre pela American Wrestling Association, sendo então reconhecido e obtendo fama, apelidado como The French Angel (“O Anjo Francês”).

Tillet começo a apresentar problemas cardíacos e chegou a ser desenganado pelos médicos, cientes de que seria inevitável sua cura. Com o agravamento de sua situação, Tillet foi convencido por um amigo a permitir que fossem feitos moldes em gesso de sua cabeça após sua morte, que ocorreu em 4 de agosto de 1954, aos 51 anos. Originalmente foram produzidas três máscaras, distribuídas para o Museu Barbell (Nova York), para o Museu Internacional da Luta Livre (Iowa) e outra ficando com o seu empresário Patrick Kelly. Posteriormente outras cópias da máscara mortuária de Tillet foram feitas e distribuídas para outras instituições.

Tillet e uma de suas máscaras mortuárias

Tillet e uma de suas máscaras mortuárias

Uma das máscaras em exibição acabou chamando a atenção de produtores do então projeto para a animação cinematográfica “Shrek”, que traria um ogro grotesco fisicamente e sensível pessoalmente (tal qual o próprio Tillet). Parecia ser a inspiração perfeita… e acabou sendo mesmo. Cabeça, feições e o corpo de Tillet acabaram servindo de referência para os animadores. Algumas pessoas até se queixaram do fato de que a aparência de uma pessoa portadora de uma doença séria e grave pudesse ter servido de inspiração para um personagem de comédia infantil, mas o fato é que o próprio Tillet também explorou lucrativamente sua condição com plena consciência do que estava fazendo.

Seria interessante que a história do verdadeiro Shrek também fosse retratada pelo cinema, pois certamente resultaria num enredo cheio de emoções e lições de vida.

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A mulher mais forte do mundo

julho 27, 2013

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A austríaca Kate Brumbach (1884-1952) ficou famosa como Kate Sandwina, The Mighty Sandwina ou ainda Lady Hercules e se apresentava como “a mulher mais forte do mundo”. Seus pais erem proprietários de um circo e já eram praticantes de exercícios físicos e possuíam corpos musculosos e iniciaram seus 14 filhos no treinamento físico. Ainda criança Kate demonstrava aptidão para os exercícios, desenvolveu uma musculatura firme, grande força física e habilidade como lutadora. Kate lutava contra homens e segundo uma lenda a seu respeito jamais perdeu um combate. Ela ganhou bastante dinheiro com apostas relativas às lutas e também ganhou um marido no ringue, pois um de seus desafiantes derrotados, Max Heymann, acabou se apaixonando pela mulher que o espancou numa luta – o o sentimento foi correspondido, pois ambos mantiveram um casamento de 52 anos.

A carreira internacional de Kate teve impulso a partir de suas apresentações em Nova York, onde desafiava (também com apostas) qualquer homem a levantar mais pesos que ela. O próprio Eugen Sandow (Friedrich Wilhelm Müller), prussiano reconhecido como “o pai do fisiculturismo”, desafiou e foi derrotado por Kate (foi a partir dessa ocasião que ela adotou o nome Sandwina, derivação feminina do nome Sandow).

Ela seguiu realizando proezas com sua força física e em meio a tudo isso ainda teve seu filho, Theodore – que herdou habilidades da mãe e virou lutador de boxe, tendo ao longo de sua carreira 46 vitórias, 36 delas por nocaute.

Somente aos 64 anos de idade Sandwina se aposentou das apresentações e abriu um restaurante, no qual divertia os clientes quebrando ferraduras e entortando barras de ferro. A única derrota que sofreu foi para o câncer, que a matou em janeiro de 1952.

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A “Mulher Macaco”

julho 27, 2013

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Julia Pastrana (1834-1860) ficou conhecida no século XIX como a “Mulher Macaco” e virou atração circense que atraiu grande público. Mexicana de origem indígena, Julia Pastrana sofria um avançado estado de hipertricose – doença até então desconhecida -, o que causou uma grande profusão de pelos pelo corpo, além de deformidades em seu rosto, dando-lhe uma feição simiesca (ainda levando-se em conta o fato de que media uma baixa estatura para uma mulher adulta: cerca de 1,30m).

Julia realizava apresentações e chegou a construir uma carreira na Europa. Ela exibiu talento como cantora de óperas, realizava passou de danças e costurava as roupas utilizadas em suas apresentações e números especiais. Teve um filho com seu empresário, contudo a criança (que nasceu com a mesma doença da mãe) sobreviveu poucas horas. Julia morreu dois dias após a morte do filho em decorrência de complicações do parto e os corpos da mãe e do filho foram mumificados para que pudessem ser exibidos como atração, rendendo arrecadação de ingressos e lucros a partir do interesse do público pela contemplação com curiosidade mórbida pelo aspecto “exótico” e “incomum” da mulher e do bebê “macacos”.

Hoje os cadáveres estão sob a guarda de uma instituição norueguesa, mas não são objetos de exibição pública. Grupos e instituições ligadas à Igreja Católica no México reivindicam o envio dos cadáveres ao país de origem de Julia Pastrana, que em vida era seguidora do catolicismo, religião na qual fora batizada. Estas entidades defendem o sepultamento segundo os ritos cristãos.

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Saartjie Baartman – A Vênus Hotentote

julho 27, 2013

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Saartjie Baartman (1789-1815), cujo nome verdadeiro é desconhecido, nasceu numa tribo hotentote (khoisan) na África do Sul e ainda criança ficou órfã. Ela possuía nádegas hipertrofiadas (esteatopigia), o que era uma característica nas mulheres de seu grupo étnico e este aspecto despertou o interesse de seu proprietário holandês de exibi-la como atração na Europa. A partir do 19 anos Saartjie era exibida aos curiosos no Velho Mundo como uma exótica mistura humana e simiesca em apresentações na qual ela era forçada a dançar de modo grotesco e tinha suas nádegas tocadas pelos expectadores.

Quando esteve na Inglaterra suas apresentações foram proibidas e ela acabou envolvida num processo judicial, contudo alegou que realizava as apresentações sem ser forçada e que recebia parte do dinheiro arrecadado através dos espetáculos. Grupos de defesa dos negros acabaram não sendo convencidos sobre a veracidade de seu depoimento. A retenção em Londres acabou motivando seu proprietário inicial a vendê-la a um domador de animais francês, que viu em sua aquisição uma boa oportunidade de realizar lucros.

Na França o grau de exposição foi muito mais intenso e Saartjie era obrigada a se exibir nua, o que contrariava sua vontade, sobretudo porque ela possuía outro traço que era objeto de curiosidades por parte do público: seus lábios genitais eram estendidos ao ponto de ultrapassarem a vagina em cerca de 10cm (a “cortina da vergonha”, segundo os costumes de seu povo). Estas novas condições, além dos maus tratos por parte de seu proprietário e de frequentes reações desagradáveis por parte de seu novo público (ridicularizando ou hostilizando), acabaram influindo sobre o seu comportamento e estado psicológico. Saartjie tornou-se alcoólatra e ainda foi levada a se prostituir.

Em 1815, aos 26 anos morreu de causas ainda indefinidas, mas há suspeitas de que foi vítima de sífilis. Seu corpo (que fora vendido por seu proprietário para não precisar arcar com as despesas funerárias) acabou parando na Escola Real de Medicina, onde foi dissecado e teve partes, como a genitália, exibidas em aulas na instituição. Seu esqueleto e seu cérebro mantido num recipiente com formol eram mantidos em exibição permanente. Somente em 2002 seus restos foram enviados à África do Sul a pedido de Nelson Mandela, que providenciou seu sepultamento.