Saartjie Baartman – A Vênus Hotentote

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Saartjie Baartman (1789-1815), cujo nome verdadeiro é desconhecido, nasceu numa tribo hotentote (khoisan) na África do Sul e ainda criança ficou órfã. Ela possuía nádegas hipertrofiadas (esteatopigia), o que era uma característica nas mulheres de seu grupo étnico e este aspecto despertou o interesse de seu proprietário holandês de exibi-la como atração na Europa. A partir do 19 anos Saartjie era exibida aos curiosos no Velho Mundo como uma exótica mistura humana e simiesca em apresentações na qual ela era forçada a dançar de modo grotesco e tinha suas nádegas tocadas pelos expectadores.

Quando esteve na Inglaterra suas apresentações foram proibidas e ela acabou envolvida num processo judicial, contudo alegou que realizava as apresentações sem ser forçada e que recebia parte do dinheiro arrecadado através dos espetáculos. Grupos de defesa dos negros acabaram não sendo convencidos sobre a veracidade de seu depoimento. A retenção em Londres acabou motivando seu proprietário inicial a vendê-la a um domador de animais francês, que viu em sua aquisição uma boa oportunidade de realizar lucros.

Na França o grau de exposição foi muito mais intenso e Saartjie era obrigada a se exibir nua, o que contrariava sua vontade, sobretudo porque ela possuía outro traço que era objeto de curiosidades por parte do público: seus lábios genitais eram estendidos ao ponto de ultrapassarem a vagina em cerca de 10cm (a “cortina da vergonha”, segundo os costumes de seu povo). Estas novas condições, além dos maus tratos por parte de seu proprietário e de frequentes reações desagradáveis por parte de seu novo público (ridicularizando ou hostilizando), acabaram influindo sobre o seu comportamento e estado psicológico. Saartjie tornou-se alcoólatra e ainda foi levada a se prostituir.

Em 1815, aos 26 anos morreu de causas ainda indefinidas, mas há suspeitas de que foi vítima de sífilis. Seu corpo (que fora vendido por seu proprietário para não precisar arcar com as despesas funerárias) acabou parando na Escola Real de Medicina, onde foi dissecado e teve partes, como a genitália, exibidas em aulas na instituição. Seu esqueleto e seu cérebro mantido num recipiente com formol eram mantidos em exibição permanente. Somente em 2002 seus restos foram enviados à África do Sul a pedido de Nelson Mandela, que providenciou seu sepultamento.

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