Charles Henry Turner, o desprezado zoológo negro que comprovou que animais possuem inteligência

Charles Henry Turner nasceu em Cincinnati, no estado de Ohio, EUA, em 3 de fevereiro de 1867. Filho de um zelador de igreja e uma enfermeira, Turner logo demonstrou habilidade como estudante, o que possibilitou posteriormente a ingressar no curso de biologia da Universidade de Cincinnati em 1886, onde também começou a a trabalhar como assistente de laboratório até sua saída para cursar o doutorado pela primeira vez em 1893 na Denison University, embora não tenha concluído o curso, que foi fechado antes de sua formatura. Ocupou cargos de professor em algumas universidades e escolas enquanto obteve seu doutorado em Zoologia pela Universidade de Chicago em 1907. Não conseguiu se estabelecer em cargos nas universidades e passou a trabalhar numa escola secundária até sua aposentadoria por problemas de saúde em 1922.

Seu importante trabalho científico investigou a inteligência animal, contrariando a predominante noção de que animais eram desprovidos de inteligência e que eram movidos apenas por instinto, embora o próprio Charles Darwin tenha sugerido que bichos possuíam inteligência, apesar de não ter realizado estudos criteriosos sobre a possibilidade. Turner, por outro lado, não apenas observou os comportamentos animais na natureza como também realizou testes e experimentos controlados utilizando métodos comuns nos dias de hoje, mas inusitados em seu tempo. Entre seus estudos realizados, averiguou como as formigas aprendiam a realizar suas ações, fez comparações anatômicas e funcionais entre os cérebros de répteis e aves, analisou o comportamento de cobras, estudou a visão das abelhas, comprovou a possibilidade de audição de isetos e comportamentos incomuns de espécimes para indicar que nem todas as ações animais ocorrem conforme padrões instintivos, mas por motivação intencional.

Suas teses não encontraram eco nos meios científicos de então, embora tenha sido pioneiras par estudos que surgiram décadas depois. Um dos argumentos para entender a pouca influência de Turner em seu tempo vão além de suas teorias, mas também incluem aspectos sociais. Dificilmente um cientista com sua formação e talento teria tantas dificuldades de se estabelecer na academia, mas o fato de ser negro é apontado por seus biógrafos como causa para alimentar sus descrédito no meio científico. As pesquisas inovadoras de Turner no campo dos estudos da inteligência animal não ocorreram no meio acadêmico e não foram realizadas por um profissional com o status que era esperado pela comunidade científica. Fora da esfera acadêmica, Turner não apenas estava marginalizado como cientista de ponta como não tinha acesso a recursos para realização de pesquisas. Enfim, tem sido considerado que o racismo estrutural acabou atrapalhando a carreira de Turner, que poderia ter sido desdobramentos ainda mais impressionantes no campo dos estudos da cognição animal de tivesse tido a oportunidade de produzir seus estudos nos meios adequados.

Turner morreu em 14 de fevereiros de 1923 aos 56 anos e antes de sua morte estava se dedicando ao movimento de direitos civis, sobretudo reivindicando melhores condições educacionais para a comunidade negra.

Post baseado na seguinte publicação: A Black Biologist Pioneered Animal Intelligence Research, but His Work Was Buried

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