As 16 datas que mudaram o mundo: 12- HIROXIMA

 

 

Por Pierre Miquel (1930-2007) - Historiador francês
Por Pierre Miquel (1930-2007) - Historiador francês

A explosão da primeira bomba atômica sobre a cidade de Hiroxima, em 6 de agosto de 1945, abre um novo período na história da humanidade.

 

Antes de Hiroxima, as guerras podem ser tecnológicas, terroristas, atentatórias contra os direitos humanos, mas elas não possuem meios para garantir a destruição instantânea e total de uma população.

Depois de Hiroxima, está provado que essa destruição é possível em uma escala cada vez mais vasta. O mundo entra na era do superarmamento atômico e na era do equilíbrio pelo terror entre as duas grandes potências que dispõem da arma: os Estados Unidos e a URSS.

*****

Antes de Hiroxima, o físico alemão Otto Han consegue, em 1938, desintegrar o urânio pelos nêutrons. Einstein, Rutherford, Chadwick, Bohr conseguiram a reação em cadeia e conseqüentemente a fabricação de uma bomba atômica. A ciência é colocada pelos dirigentes nazistas a serviço da guerra. A fabricação da primeira bomba atômica torna-se uma questão política. Se Hitler a possuir, ele é o dono do mundo.

Tanto os britânicos quanto os franceses e depois os americanos fazem de tudo para impedir que os alemães possuam a obra absoluta, para chegarem a construí-la eles mesmos. Nenhum esforço é poupado para se chegar a um resultado mais rápido que o adversário. As pesquisas são aceleradas pela produção de água pesada e pela fabricação das primeiras pilhas.

Os americanos conseguem um primeiro resultado no mesmo momento em que os alemães desistem.

Hitler desconfia da “física judaica” de Einstein. Graças aos bombardeios, às atividades de sabotagem das redes de espionagem britânicas e à deserção de cientistas alemães que fugiram para o estrangeiro, ele não está em condições de alcançar seu objetivo.

Durante o verão de 1939, os trabalhos continuam na Grã-Bretanha e na França, principalmente a produção de água pesada. G.B. Begram, Albert Einstein e o italiano Fermi chamam, nos Estados Unidos, a atenção do presidente Roosevelt sobre a possibilidade da fabricação da bomba. Um orçamento lhes é atribuído no começo de 1940.

Uma pilha é ativada em Chicago. Um laboratório encarregado das pesquisas sobre a bomba é confiado a Oppenheimer. Ele é aberto no deserto do Novo México, em Los Alamos. A primeira explosão é realizada no terreno da base do exército americano de Alamogordo em 16 de julho de 1945. É um completo sucesso.

Neste momento, o desembarque aliado na Europa foi muito bem-sucedido. Mais um mês, e Paris será libertada. Roosevelt morre em 12 de abril de 1945, ele não havia decidido sobre a utilização militar do átomo. Os cientistas do átomo, assustados com seu poder, desaconselhavam usá-lo.

A decisão de jogar a bomba sobre uma cidade japonesa foi tomada pelo presidente Truman após a Conferência de Potsdam. Para poupar a vida de um milhão de combatentes americanos no Extremo Oriente (segundo os cálculos do Estado-Maior) Truman propõe primeiramente um ultimato ao Japão, a quem ele ameaça com “uma destruição rápida e completa”.

Os militares japoneses não cedem. A superfortaleza voadora Enola Gay, pilotada pelo coronel Paul W. Tibbets, joga então a primeira bomba sobre a cidade de Hiroxima. A explosão é tão poderosa quanto uma carga de 20.000 toneladas de TNT. Ela faz 75.000 mortos e 90.000 feridos em uma população de 340.000 habitantes.

O Vaticano e alguns intelectuais protestam em vão.

Uma população civil foi feita refém e massacrada sem perdão para acelerar o fim da guerra. Muitos queimados de Hiroxima morrerão depois do dia da explosão.

O governo japonês mesmo assim não cede. Uma segunda bomba é então lançada sobre Nagasaki em 9 de agosto de 1945, fazendo 80.000 vítimas, sendo a metade desintegrada na hora. No dia seguinte, o próprio imperador anuncia pelo rádio o fim dos combates.

O pós-Hiroxima é a louca corrida por armamentos durante quase meio século de guerra fria. Quando os Estados Unidos, em 1946, continuam suas experiências e explodem as bombas submarinas em Bikini e Eniwetok, a opinião internacional se conscientiza de que o armamento atômico tornou-se irremediável e que seus efeitos podem ser desastrosos. Os soviéticos, em 23 de setembro de 1949, explodem sua própria bomba.

Uma nova geração de bombas, baseadas no princípio da fusão e não da fissão, as chamadas bombas H termonucleares, de hidrogênio, é desenvolvida pelos americanos no Pacífico. Elas têm uma potência de 7 megatons em vez de 20.000 toneladas de TNT. Em 1960, as explosões atingem 50 megatons. A corrida fica ainda mais espetacular quando os soviéticos, a partir de 1953, fabricam, por sua vez, sua própria bomba H.

A arma se espalha. As duas grandes potências não são as únicas a possuí-la: os britânicos enchem, em 1952, seus arsenais de bombas A e, em 1957, de bombas H. Os franceses, em 1960, conseguem o mesmo sucesso técnico em Regane para a bomba A, e em 1968, em Mururoa no Pacífico, para a bomba H. Nessa época, a República Popular da China já possui sua bomba, bem como a índia em 1974.

O atômico torna-se operacional graças ao desenvolvimento de mísseis intercontinentais, de submarinos atômicos, de frotas de porta-aviões, e da miniaturização da arma, o que a torna mais operacional num campo de batalha terrestre. Uma competição ardente é travada, mas, no contexto de “um equilíbrio pelo terror”, nenhuma nação corre o risco de usar seu arsenal de ogivas e de cargas nucleares.

Inquietos pela disseminação, russos e americanos decidem, pelo Tratado de Moscou, de 1963, colocar um fim nas experiências subterrâneas e submarinas. Em l? de julho de 1968, eles impõem um tratado de não-proliferação das armas nucleares, assinado pela Grã-Bretanha, mas não pela França, nem pela China.

A aceleração da fabricação nas duas grandes potências alcança o número absurdo de 44.000 ogivas nucleares disponíveis em 1980. Os bombardeiros e os mísseis capazes de destruir o mundo representam aproximadamente 25.000 cargas. Os Estados Unidos e a Rússia dispõem do essencial dessa massa de destruição potencial, bem como de esquadras aéreas e submarinas capazes de atacar a qualquer momento. Estima-se a potência reservada em mais de 20.000 megatons, ou seja, um milhão de vezes a de Hiroxima. A guerra torna-se virtual: cada um dos adversários potenciais quer mostrar que pode ter, em caso de conflito, a primeira e a última palavra.

A ameaça aproxima-se, de tempos em tempos, provocando sobressaltos de guerra fria e crises internacionais. A implantação dos mísseis soviéticos em Cuba por Kruchev implica risco de guerra. O armamento da Europa do Oeste e do Leste com projéteis de médio alcance (os Pershing para o Oeste, os euromísseis SS 20 para o Leste) provoca uma nova crise. Os adversários desenvolveram todo um arsenal de rojões, minas, canhões atômicos, mísseis guiados, que tornam a guerra possível em um campo de batalha.

Permanecemos no domínio da virtualidade: a miniaturização das cargas torna crível uma guerra limitada a um único campo de batalha, a Europa, por exemplo. Cresce assim o perigo de destruição, tornando-se possível num espaço limitado.

A negociação deve ser permanente, para evitar o pior. Estima-se em um bilhão de mortos o preço de uma guerra atômica em 1983. Uma guerra nuclear limitada unicamente à Europa teria pelo menos 9 milhões de vítimas. A precisão dos mísseis balísticos intercontinentais é de 300 metros a 5.000 quilômetros, de 30 metros a 1.800 quilômetros.

Os encontros internacionais se sucedem para colocar um fim ao avanço da ameaça. O Tratado Salt I negociado em Helsinque, em 1969, é assinado em Moscou por Nixon e Brejnev em 1972. Muito enganador, ele não impede a pesquisa acelerada de novos mísseis (os MIRV soviéticos, os MARV americanos, lançados pelos submarinos Trident). Somente o material ultrapassado é limitado; a corrida continua mais do que nunca. Um novo acordo é assinado em 1974 em Vladivostock pelos presidentes Ford e Brejnev, sem maiores conseqüências. Em Viena, em 1979, os acordos de Salt II Cárter/ Brejnev freiam o aumento da produção de mísseis de longo alcance. Os acordos de 1987 entre Reagan e Brejnev organizam o desarmamento controlado dos euromísseis. Um acordo assinado em Reiquijavique pelos mesmos dirigentes em 1986 previa a redução, pela metade, dos arsenais nucleares, em dez anos.

A queda do Muro de Berlim devia levar a negociações decisivas: Bush e Yeltsin em 1993 assinaram o Star 2 retornando a um terço o potencial nuclear em dez anos.

O mundo saía do pesadelo? O problema da neutralização do potencial atômico do Leste colocava-se de maneira grave, em razão da deterioração dos engenhos e dos riscos de contaminação. Os Estados agressivos poderiam por sua vez ter acesso ao poder nuclear? O Paquistão, o Iraque eram candidatos.

Israel continua com suas experiências. Como controlar a liquidação efetiva dos estoques russos, a produção de armas clandestinas nos países árabes? Se o desaparecimento da guerra fria colocou um fim à corrida armamentista, o recrudescimento do terrorismo e a possibilidade de guerras químicas e bacteriológicas constituem sempre uma ameaça persistente depois que a explosão de Hiroxima tornou-se o símbolo da guerra desumana.

 

 

Pequena Cronologia

 

 

  • 1834: Descoberta do elétron por Faraday.
  • 1896: Descoberta da radiatividade por Becquerel.
  • 1905: Einstein: a massa e a energia fazem parte de uma mesma realidade. Princípio fundamental da aventura atómica.
  • 1910: Soddy descobre os isótopos.
  • 1911: Rutherford desenvolve seus modelos atômicos na Grã-Bretanha.
  • 1913: Pesquisas de Niels Bohr.
  • 1919: Rutherford realiza o bombardeio de um núcleo atômico por partículas alfa.
  • 1932: Chadwick descobre o nêutron. Estabelecimento dos primeiros aceleradores de partículas: o cíclotron em 1932, o béta-tron de 1936 a 1939.
  • 1934: Descoberta da radiatividade artificial por Frédéric e Irene Joliot-Curie.
  • 1938: Otto Hahn realiza pela primeira vez na Alemanha a desintegração dos átomos de urânio por meio de nêutrons.
  • 1939: Einstein, Fermi, Begram obtêm de Roosevelt um importante orçamento de pesquisa em 1940.
  • 1942: O italiano Fermi, refugiado nos Estados Unidos, constrói em Chicago a primeira pilha atômica na qual se realiza a reação em cadeia.
  • 1943: J.R. Oppenheimer dirige em Los Alamos, no Novo México, um laboratório de pesquisas sobre a bomba atômica.
  • 16 de julho de 1945: Explosão da primeira bomba atômica sobre a base aérea de Alamogordo no Novo México.
  • 6 de agosto de 1945: Hiroxima.
  • 9 de agosto de 1945: Nagasaki.
  • Julho de 1946: Explosão de uma bomba A americana em Bikini.
  • 23 de setembro de 1949: Primeira bomba atômica soviética.
  • 1952: Bomba H americana no atol de Eniwetok. Potência de 7 megatons,
  • 1953: Bomba H soviética.
  • 1952-1957: Bombas A e H britânicas.
  • 1960-1968: Bombas A e H francesas.
  • 1964: Bomba chinesa A, H, em 1967.
  • 1974: Bomba indiana.

O desarmamento

  • 1963: Tratado de Moscou, os dois grandes decidem acabar com as experiências nucleares.
  • 1968: Tratado de não-proliferação de armas nucleares. A França e a China não aderem.
  • 1969-1972: Salt I, Helsinque-Moscou. Limitação dos mísseis intercontinentais ICBM.
  • 1973-1974: Produção, pelos soviéticos, dos MIRV (Multiple Independantly Targetable Reentry Vehicles) de uma velocidade de 7.000km, e dos MARV (Manoeuvrable Reentry Vehicles) americanos, levados pelos submarinos Trident.
  • 1973-1979: Salt II. Em Viena, limitação dos mísseis de longo alcance num período de cinco anos.
  • 1980: Anos Reagan. A Iniciativa de Defesa Estratégica permite a destruição de mísseis de longo alcance.
  • 1985: Gorbatchev no poder. Primeiro acordo com Reagan de 1987, chamado FNI de desarmamento, controle dos mísseis intermediários, tipo euro mísseis.
  • 1990: Tratado de limitação das forças clássicas na Europa.
  • Julho de 1991: Start I. Gorbatchev-Reagan em Reiquijavique. Redução de um terço dos mísseis. Retirada de todas as armas táticas e abandono dos projetos de mísseis estratégicos sobre trilhos e de mísseis de cruzeiro com ogivas atômicas.
  • 3 de janeiro de 1993: Start II. Bush-Yeltsin. Redução prevista em dois terços, em dez anos, do número de armamentos nucleares. Nenhuma experimentação nuclear a partir de 1996.
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2 comments

  1. O homem e o bicho mais idiota que eu já conheci fazer armas para matar eles mesmos séra que ninguém percebeu isso,bombas nucleares deveriam ser usadas contra outros planetas no caso de uma invasão de seres de outros planetas.Pode ser até bobagem mais a vida la fora ate mesmo mais avançados do que nós?

  2. é verdade que os Estados Unidos tem um submarino com capacidade de destruir o planeta? e que o nome dele e world destroyer?
    se for verdade, acho mais provavel o homem saber seu fim do que sua origem….

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