Posts Tagged ‘Mitologia’

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Divindades do submundo mitológico egípcio

outubro 9, 2015

A mitologia egípcia é fabulosa e cheia de narrativas e divindades interessantes. As mais conhecidas figuras dessa rica mitologia incluem Rá, Osíris, Ísis, Hórus e Anúbis, mas há várias outras divindades interessantes e até mesmo terríveis.

  • Mafdet

Mafdet

Geralmente representada por uma mulher com cabeça de gata ou simplesmente como uma gata de corpo inteiro, ela estava vinculada aos carrascos e matadores, sendo uma espécie de divindade das execuções fatais.

  • Ammit

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Era o “Devorador da Morte”, composto por partes de feras como leão, hipopótamo e crocodilo. Possuía importante papel diante do julgamento dos mortos, atuando depois que Anúbis pesava o coração daquele que deixou o mundo dos vivos. Para o favorecimento do morto seu coração não poderia ser mais pesado que uma pena de Ma’at, divindade da justiça, pois o contrário resultaria num fim trágico, quando Ammit devoraria o coração impuro e a alma impura ficaria vagando.

  • Shesmu

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Dá para vincular mortes violentas e vinho? Shesmu fazia isso, pois a ele era atribuída a curiosa (e bizarra) atribuição de degolar transgressores e preparar uma espécie de vinho com o sangue de suas vítimas, que era também servido em seus crânios. O aperitivo era bebericado pelos que chegavam no Mundo dos Mortos durante um tipo de “recepção” de boas-vindas.

  • Babi

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O babuíno Babi também é uma divindade do submundo da mitologia egípcia. Seu pênis servia de mastro na balsa que transportava almas para o além e invocar seu nome enquanto se vivia era uma forma de garantir uma ativa vida sexual após a morte. Um perigo de Babi era sua travessura de poder parar em entranhas de gente viva, o que causava medo em muita gente.

  • Ahti

Com cabeça de vespa e corpo de hipopótamo, Ahti é tão maldita que sabe-se muito pouco sobre ela além de raras referências em escritos antigos. Sua figura descrita já sinalizava que ela não estava de acordo com nada que pudesse ser bom e a maldade é a única característica que se registrou a seu respeito.

  • Satet

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Os egípcios possuíam várias divindades da guerra e Satet era uma delas. Ela defendia o sul do reino e atirava sobre os inimigos do Faraó suas poderosas flechas. Mas além dessa atribuição hostil ela era também uma deusa da fertilidade (uma entre outras).

  • Menhit

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Era outra deusa felina e outra deusa da guerra, descrita como esposa de Menthu, que também era deus da guerra, constituindo então um casal nada amistoso para os inimigos do Egito. Seu nome pode ser traduzido como “matadouro”, “sacrificar” ou “massacrar”… enfim, nomes que também inspiravam pouca simpatia.

  • Maahes

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Filho de Bast e Rá, era outro deus da guerra e acrescentava também a atribuição de ser divindade do tempo. Tinha aspecto leonino e era muito invocado quando o assunto era vingança.

  • Pakhet

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A deusa felina (com cabeça de leoa) vagava em busca de presas e isso amedrontava viajantes, que eram atormentado por pesadelos motivados pelo pânico de virar caça da divindade.

  • Am-heh

Am-heh

Com corpo de homem e cabeça de cachorro, vivendo num lago de fogo, era tão bravo que somente Aton, o Pai dos Deuses, poderia controlar essa criatura raivosa cujo nome significava “Devorador de Milhões”.

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Criaturas monstruosas da Mitologia Grega

abril 19, 2015

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Cérbero

O cão de três cabeças que guarda o reino dos mortos, o Hades. A fera é uma mistura de animais ferozes, pois tem garras de leão, juba feita de cobras e calda de serpente. O monstruoso protetor do Hades era filho de Tífon e Quimera, outras duas monstruosidades mitológicas. As narrativas dão conta de que alguns afortunados conseguiram escapar do abominável Cérbero, mas recorrendo a magia ou outros estratagemas, mas somente Hércules encarou o monstro e o derrotou na porrada!

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Empousa

 A filha de Hecate não era nada amistosa. Ela era uma divindade que bebia sangue de homens enquanto eles dormiam e foi rebaixada à condição de monstruosidade que devorava viajantes noturnos. Esta vampira da Mitologia Grega com uma perna de bronze e outra de cabra era um terror!

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Górgonas

 Medusa, Esteno e Euryale eram as três irmãs com serpentes em suas cabeças e presas afiadas, que possuíam o poder de petrificar quem olhasse diretamente para elas. Foram transformadas em monstros por Atena, que se incomodou com a beleza das filhas de Fórcis e Ceto, pois eram tão belas quanto a poderosa deusa da sabedoria – que não gostava nada dessa situação. Medusa, a mais famosa das irmãs, era a única das Górgonas que, também por culpa de Atena, não era dotada da imortalidade.

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Pássaros do Lago Estínfalo

 Estas criatura aladas eram metálicas monstruosidades que podiam até interromper a luz do sol sobre a Terra. Eles comiam pessoas e espantavam o terror por onde passavam, mas Hércules – novamente ele – matou as aves terríveis usando flechas envenenadas com sangre de uma hidra.

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Quimera

 O híbrido monstruoso tinha três cabeças, mas só uma em seu torso, que era de um leão. Uma cabeça de cabra pendia desde suas costa e outra cabeça de dragão que cuspia fogo também compunham a constituição da besta mitológica, que possuía uma cauda de serpente e outra de leão, além de asas. Quando alguém alegava ter visto a criatura isso significava um presságio muito ruim, sobretudo alguma catástrofe natural. Quimera foi derrotada pelo herói Belerofonte, que atirou uma lança com ponta de chumbo na boca que cuspia fogo, sendo tal ponta derretida pelo calor, provocando o sufocamento do monstro.

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Centauros Marinhos

 Havia um par de irmãos híbridos (Bythos e Aphros) que eram parcialmente humanos, equinos e peixes. Eram meios-irmãos do centauro Quíron e filhos de Cronos e da ninfa Philyra. Eles respiravam sob as águas, eram exímios nadadores  e se comunicavam com as criaturas aquáticas e, apesar de monstruosos, eram seres pacíficos e sábios.

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Tifão (Tífon)

 Era o mais temível monstro mitológico, que chegou até a derrotar Zeus, arrancando seus músculos, veias e nervos – depois restituídos por Hermes. Foi gerado por Gaia e o Tártaro e foi ofertado à Hera na forma de uma semente. A deusa, sem saber da armadilha, plantou a tal semente no Olimpo e dela brotou, em pleno reino divino, o monstro que afugentou os deuses – menos Atena – para o Edgito. Zeus retornou armado da mesma foice utilizada por Cronos para castrar Urano, mas levou a pior e foi destroçado – literalmente – pelo monstro. Depois de reconstituído por Hermes, Zeus promoveu sua vingança e prendeu Tifão no vulcão Monte Etna, onde Hefesto o manteve sob o peso de suas maiores bigornas.

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Minotauro

 Sua mãe, a rainha Pasífae, queria ter relações sexuais com um touro implacável e feroz, então mandou ser elaborado um traje especial de vaca dourada no qual ela poderia se esconder para que o bovino feroz conseguisse então realizar o acasalamento como se estivesse com uma fêmea de sua própria espécie. Deste incomum desejo sexual da rainha nasceu um filho monstruoso, meio humano e meio touro que se alimentava de carne de gente. Para evitar que o filho “adotivo” promovesse uma carnificina indiscriminada, o rei Minos mandou construir um labirinto nas proximidades do palácio e prendeu a criatura por lá. O Minotauro recebia jovens sacrificados como alimento e o príncipe ateniense Teseu, filho do rei Egeu, apareceu como voluntário para tentar matar o monstrengo taurino. Com ajuda da princesa Ariadne, filha de Minos, Teseu conseguiu matar Minotauro e sair do labirinto com os demais jovens destacados como sacrifícios a serem devorados pelo monstro.

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As Erínias (As Fúrias)

 Ao castrar o próprio pai, Urano, Cronos fez respingar sobre o solo sangue de sua vítima e dessas gotas surgiram as três Eríneas, implacáveis figuras que se dedicavam à prática da vingança sobre os homens (esse papel cabia à Nêmesis em relação aos deuses). Alecto punia os delitos morais e espalhava maldições e pestes, Megaira punia quem pecasse contra o matrimônio e Tisífone punia os homicidas. Elas não eram exatamente monstros, embora praticantes de dolorosas e cruéis torturas, mas também eram frequentemente descritas como se tivessem aparências amedrontadoras.

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Hidra de Lerna

 Monstro filhos de Tifão e Equidna, era habitante dos pântanos de Lerna e tinha corpo de dragão de sete cabeças de serpente com hálito mortal. Cada cabeça podia se regenerar quando decepada e uma delas eram simplesmente imortal. Fora isso, o sangue da besta era venenoso. Hércules, de novo ele, matou a fera e ainda utilizou seu sangue para envenenar suas flechas.

tn_Sphinx1 A Esfinge

 Com corpo de leão, cabeça humana, asas de águia e uma serpente no lugar do rabo, o monstro proferia enigmas desafiadores e quem não decifrasse acabava virando refeição para a Esfinge. Era filha de Quimera e Ortros (ou de Tifão e Equidna, conforme outras descrições) e ficava de guarda diante da cidade de Tebas (o que deveria ser péssimo para o turismo) ameaçadoramente até que encarou o jovem e esperto Édipo, que respondeu acertadamente o enigma que questionava: “Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três?”. Derrotada, a esfinge se suicidou ao se atirar de um precipício.

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Equidna

A mistura de mulher e víbora gigante era uma criatura monstruosa que também era mãe de diversas outras bestas mitológicas com seu principal parceiro, o terrível Tifão. Por sua capacidade procriadora de seres tenebrosos, talvez seja ela o pior dos monstros da mitologia grega.

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O mistério de Atlântida

outubro 30, 2008

 

Atlantis ou Atlântida numa criação artistica

Atlantis ou Atlântida numa criação artística

As histórias sobre a Atlântida se multiplicaram ao longo dos séculos e impulsionaram historiadores e arqueólogos à procura de respostas a um dos mais antigos mistérios da humanidade. Ninguém até hoje, porém, conseguiu uma prova irrefutável para as dezenas de teorias sobre o continente perdido. Revirando as profundezas oceânicas, em busca de uma cidade submersa, exploradores de todo o mundo descobriram apenas pistas ou novas perspectivas desse fascinante enigma ainda não resolvido.

Platão

Platão

“Eu ouvi meu avô contar essa história, a qual ouvira de Sólon, o célebre filósofo”, disse Crítias nos diálogos de Timeu, escritos por Platão. Pois foi exatamente um dos mais influentes filósofos gregos, Platão (427-347 a.C.), que teria obtido, em uma visita ao Egito, o conhecimento sobre a existência e a destruição de Atlântida, ocorrida mais de 9 mil anos antes de seu tempo, e reproduzido a história nos diálogos de Timeu e Crítias. “Há um manuscrito com o relato de uma guerra lavrada entre atenienses e uma poderosa nação que habitava uma ilha de grandes dimensões situada no oceano Atlântico. Nas proximidades dela, existiam outras e, mais além, no extremo do oceano, um grande continente. A ilha chamava-se Posseidonis ou Atlantis e era governada pelos reis aos quais também pertenciam as ilhas próximas, assim como a Líbia e os países que cercam o mar Tirreno”, contam os sacerdotes egípcios ao filósofo Sólon no diálogo de Timeu.

“É questionável o fato de Sólon ter retornado à Grécia e transmitido lá o que ouviu dos sacerdotes. Ele teria ficado no Egito”, afirma o professor de História Antiga e Línguas Clássicas da Universidade Federal Fluminense, (UFF) Marcos Caldas. “Provavelmente, a história de Atlântida foi levada à Grécia por comerciantes de vasos que trabalhavam no porto de Naucratis no delta do Nilo”, diz. Segundo a narrativa de Platão, os atlantes invadiram a Europa pela cidade de Atenas que, por sua grandeza, venceu os inimigos e salvou a Grécia da opressão. Mas, o infortúnio dos atlantes não terminaria com essa derrota. Uma tragédia encomendada pelos deuses extinguiria essa civilização com elevados padrões culturais e artísticos.

O castigo de Atlântida

No início dos tempos, os deuses dividiram a Terra entre eles, conforme o nível hierárquico de cada um. Ao deus Posseidon coube Atlântida. No meio da ilha havia uma montanha, talvez um vulcão, onde moravam os humanos Evenor, sua mulher Leucipa e sua filha Clito. Após a morte de seus pais, Clito uniu-se a Posseidon e tiveram cinco pares de meninos. Atlas, o mais velho, governou os outros nove. “O termo Atlântida, ao contrário do que se pensa, é derivado do nome Atlas e significa ‘que pertence ao Atlas’, e não uma referência ao oceano Atlântico”, explica o professor Marcos Caldas.

Posseidon

Posseidon

Assim, Posseidon dividiu Atlântida em zonas concêntricas de terra e água: – duas de terra e três de água cercando a ilha central, a qual era irrigada por uma fonte de água quente e outra de água fria. Com recursos naturais aparentemente inesgotáveis, os atlantes domesticaram animais selvagens, mineraram metais preciosos e destilaram perfumes. Também ergueram palácios, templos, canais e docas (parte abrigada do porto). A rede de canais unia várias partes do reino. “O continente contava com quatro aquedutos distribuídos igualmente pela ilha de forma que todas as regiões tivessem acesso às duas fontes (de água quente e fria). Era uma sociedade igualitária”, afirma Caldas. Havia lugares públicos para prática de exercícios físicos e banhos e ainda um estádio para corridas. Todas as ilhas eram cercadas por fortificações, em cujas baias aportavam os navios de todo o mundo então conhecido.

Cada rei era soberano, mas deveria respeitar um código central gravado em uma coluna de oricalco (espécie de latão com mistura de ouro e prata) pelos dez primeiros reis. A principal lei de Atlântida proibia os reis de guerrearem entre si e estabelecia o dever de se defenderem mutuamente contra qualquer ataque externo. Em tempos de crise, as decisões finais ficavam com os descendentes diretos de Atlas.

Desenvolvida e igualitária, Atlântida foi destruída em razão do orgulho de seus cidadãos engajados em atacar Atenas e o Egito. Ao constatar que os habitantes da ilha se tornaram perversos e gananciosos e que os reis desobedeceram às leis, Posseidon enviou um maremoto seguido de um terremoto a Atlântida, e o continente foi encoberto por uma enorme onda de lama. “Até hoje, ninguém sabe sobre o destino dos descendentes dos atlantes depois, pois os diálogos de Crítias estão inacabados. Provavelmente se perderam no tempo”, afirma o professor Marcos Caldas.

Relato histórico ou alegoria platônica?

O mito da Atlântida começou com Platão. Posteriormente, filósofos, historiadores e arqueólogos tentaram desvendar seu destino e significado e buscaram provas de sua existência. Cerca de cem referências à Atlântida foram encontradas na literatura clássica pós-platônica,   mas   nenhuma   delas   acrescentou   novos   aspectos   ou facetas à lenda do filósofo grego.

A narrativa de Platão parece historicamente consistente até o ponto da queda do império, em um dia e uma noite que, de acordo com os sacerdotes egípcios, ocorreu por volta de 9600 a.C. Nessa época, Atenas não existia, nem a escrita e a metalurgia ainda tinham sido inventadas. As comunidades agrícolas datam por volta de 7000 a.C., e a arquitetura descrita por Platão, incluindo pirâmides, não existia antes de 4000 a.C.

Segundo Aristóteles, discípulo de Platão, Atlântida era uma alegoria para ilustrar as teorias políticas de seu mestre. “Pode ter sido uma alegoria. No entanto, a história de Atlântida não tem nada a ver com o dualismo platônico: o mundo das idéias, perfeito, e o mundo dos homens, imperfeito, finito”, ressalta Caldas. O professor explica que talvez, por não se encaixar no modelo da alegoria platônica, o mito da Atlântida tenha gerado especulações que perduram até os dias atuais. “Em Atlântida não há dualismo, o que existe é um escapismo – o continente não é perfeito, mas é muito rico e desenvolvido; um local onde tudo poderia dar certo”.

No livro Man, Myth and Magic, Edward Bacon sustenta que a Atlântida descrita por Platão é muito semelhante às descobertas arqueológicas sobre as civilizações da alta Idade do Bronze do Egeu (3300-1200 a.C.) e Oriente Próximo, assim como os minóicos, os micênicos, os hititas, os egípcios e os babilônios. “Havia algo de errado com a data de Platão? Os sacerdotes egípcios, ou Sólon, teriam confundido 900 com 9000? Em caso afirmativo, a data do desastre teria sido 1500 a.C. em vez de 9600 a.C.” constata Bacon.

Essa suposição torna a existência da Atlântida e sua subseqüente destruição mais verossímil. Um cataclismo vulcânico ocorreu durante o império da Creta minóica por volta do século 6° a.C. A civilização minóica caiu por uma série de desastres naturais, como incêndios,     inundações e terremotos. Nessa mesma época, a ilha de Santorini, anteriormente   chamada  Thera,  no Mar  Egeu,  sofreu  uma das explosões vulcânicas mais fortes da História humana.

As evidências históricas, no entanto, não esclarecem o que teria motivado Platão a relatar um desastre natural ou o que o filósofo pretendia com a narrativa sobre uma civilização altamente desenvolvida e superior aos padrões da época. Diversas teorias tentam explicar o recado de Platão com o continente perdido. “Acredito que Platão teria descrito Atlântida como uma realidade, não como um mito. Mas é preciso considerar que seus diálogos não eram dirigidos a um público comum. Ele falava para os acadêmicos, para seus alunos, ou seja, a um público conhecedor de suas teorias”, destaca o professor Marcos Caldas, da UFF.

Também se especula que a história dos atlantes tenha sido criada para enaltecer o povo ateniense. Na época em que Platão escreveu sobre Atlântida, Atenas havia perdido a guerra contra Esparta e estava sendo invadida. “Platão pode ter construído a idéia de que os atenienses teriam derrotado uma nação poderosíssima como um consolo. Ele engrandece os inimigos, pois quanto mais forte e grandioso é o oponente, maior é a vitória sobre ele”, explica Caldas.

Sonhos de um mundo perfeito

A série de erupções em Santorini, a pequena ilha situada cerca de 120 km ao norte de Creta, ocorrida por volta de 1645 a.C., foi relacionada à destruição da avançada civilização. A violência das explosões, que teriam causado danos potenciais a quilômetros de distância de Santorini, reacenderam o debate sobre a destruição de Atlântida. Escavações na ilha, na vila Akrotiri, realizadas na década de 60, sob a direção do professor Spiridion Marinatos, demonstraram que Santorini era parte ativa e culturalmente avançada da civilização minóica – um exemplo desse avanço é o palácio de Cnossos em Creta. Marinatos levantou a hipótese de que a explosão da capital causou tamanha inundação nas costas cretenses que segmentos inteiros de seu litoral foram destruídos. Ele também concluiu que a quantidade e densidade de cinzas e pomes cuspidas pelo vulcão teriam enterrado a civilização minóica, inclusive o palácio de Cnossos, e expulsado seus habitantes.

O professor afirmou, em 1969, ser muito improvável que a erupção de Santorini tivesse deixado Creta intocada. “É impossível ignorar a potência catastrófica dos tsunamis (ondas fortes e destruidoras) que teriam atingido o litoral cretense”. Marinatos constatou ainda que, além de Creta, outros locais no Egeu oriental foram atingidos pelos tsunamis e sofreram grandes danos por volta de 1500 a.C.

Além de Santorini, expedições marinhas em Bimini, no Caribe, apontaram para uma civilização submergida. Outras evidências associadas à Atlântida também foram levantadas nas costas da Espanha e da Irlanda no Mar do Norte.

Provavelmente, as descobertas submarinas não passam de pistas, e a verdade nunca será revelada. Mas é certo que as investigações sobre o continente perdido de Platão fazem com que muitos continuem a sonhar com o paraíso de Atlântida. Talvez seja justamente isso que, após milhares de anos, mantém e renova Atlântida no imaginário humano: a permanente necessidade de crer em um mundo ideal, em um exemplo a ser seguido.

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Dilúvio – a destruição através das águas na mitologia

outubro 28, 2008

De um lado pesquisadores, do outro, religiosos – ambos empenhados em conseguir provas para demonstrar que a Bíblia não é apenas um apanhado de lendas. E foi com esse espírito que muita coisa do tempo de Jesus e da antiga Jerusalém conseguiu sair do papel e ser provada. Porém, quando as pesquisas se voltam a algum episódio do Antigo Testamento, parte da Bíblia que também remete à história dos judeus, o caminho das pedras torna-se um pouco mais difícil. Para os cientistas apenas provas materiais os convenceriam de que aquelas personagens bíblicas realmente existiram, mas para os historiadores os registros escritos já são pistas preciosas, suficientes para investigar o que aconteceu no passado remoto das civilizações antigas.

Entre as figuras bíblicas do Antigo Testamento que mais chamam a atenção dos pesquisadores históricos, duas se sobressaem: Abraão e Noé. E mesmo entre esses dois há muito mais chance de descobrirmos a verdade sobre o primeiro do que sobre o segundo. O que se sabe basicamente sobre Noé é que ele construiu uma arca e tornou-se o último dos patriarcas antes do famoso dilúvio. Mas, ao contrário do que costumamos imaginar, o dilúvio não é uma histórica tipicamente hebréia. Até hoje foram obtidas cerca de cem narrativas místicas consagradas ao evento cataclísmico, a versão do Gênesis (capítulos 6 a 9), portanto, é apenas mais uma.

De acordo com o livro Terras e Povos Desconhecidos, da Time-Life americana, as narrações do dilúvio bíblico não contêm nenhuma descrição completa. Nesse sentido, a passagem bíblica seria apenas um conto um tanto quanto confuso, complexo e heterogêneo, que traria a compilação de duas versões conhecidas, uma de origem javeísta (mais tradicional e mais antiga) e outra sacerdotal (mais acessível e recente). Para os estudiosos isso não seria de se espantar, já que os hebreus passaram um longo tempo como escravos na Babilônia. “É muito difícil você passar qualquer período de tempo em um lugar sem absorver, consciente ou inconscientemente, seus hábitos”, diz Armando Calvo Laslis, do Departamento de Estudos Históricos da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Se a linha de raciocínio de Laslis estiver correta, a tarefa de descobrir a primeira matriz histórica sobre esse tema torna-se mais árdua ainda, pois lendas sobre o dilúvio são encontradas na literatura e na tradição oral de povos do mundo inteiro.

Para se ter uma idéia, a catástrofe aquática tem registro entre os nativos de Gales, do Ira, da índia, da Austrália e até mesmo dos Mares do Sul. Isso sem falar das versões nórdica, lituana, inuíte, apache e indonésia – muitas origens para um mesmo      * assunto. Seria esse um indicador de que o dilúvio é muito mais do que uma lenda? Pouco se sabe sobre o mundo antes dessa catástrofe, mas o fascínio pela história encanta os arqueólogos  e  cientistas do mundo inteiro.

Noé

 Antes de seguirmos o rastro de todas essas lendas, vale relembrar a versão do dilúvio que é mais conhecida pelo mundo Ocidental, a de Noé. Pesquisadores, como o historiador Renée Noorberger, acreditam tanto  em sua veracidade que o  estabelecem como ponto de partida em busca do chamado mundo ante-diluviano (época anterior ao registro bíblico) que estaria misturado a relatos de   civilizações   perdidas, afogadas nas águas, como Atlântida e as terras de Mu e Lemúria.

A história bíblica conta que, após o estabelecimento dos patriarcas do período, o ser humano caiu em pecado. Deus então decidiu eliminar a raça humana e escolheu Noé para que salvasse não só a sua família, como também todos os animais da Terra. Então, Noé recebeu orientações para a construção de uma arca que os manteria em segurança e, assim que a embarcação ficou pronta e um casal de cada espécie animal subiu a bordo, as águas irromperam e dominaram a Terra por quarenta dias e quarenta noites. Quando finalmente a situação se acalmou, Noé conduziu sua arca para o monte Ararat e de lá recebeu novas instruções de Deus para construir uma sociedade mais justa que a anterior. Após um breve período de calmaria, os descendentes do patriarca se reuniram na Torre de Babel que depois de muito se desentenderem, espalharam-se pelos quatro cantos da Terra.

Livre adaptação

Uma prova de que o mito do dilúvio pode ter sido assimilado pelos hebreus de seus captores babilônicos é a antiga lenda de Gilgamesh. Trata-se de uma história que não deve nada aos poemas épicos de Homero e que é considerada um dos textos mais antigos já preservados. Nessa história há uma passagem que conta como um patriarca babilônico, de nome Utnapishtim, recebeu também o aviso de seus deuses sobre uma catástrofe iminente que destruiria toda a humanidade. Assim, ele construiu uma embarcação que salvou sua família, alguns animais e diversos artesãos. A tempestade durou aqui sete dias e, quando as coisas se acalmaram, o patriarca enviou três pássaros em busca de terra seca. Uma pomba, que voltou para ele; uma andorinha, que também retornou e um corvo, que não voltou, o que foi considerado um sinal de que já era seguro desembarcar.

Estudiosos britânicos e alemães, que se envolveram com escavações arqueológicas em terras turcas e nos arredores do que seria o Monte Ararat, mostraram-se intrigados com alguns restos de madeira encontrados no cume que seriam, segundo eles, da Arca de Noé. Porém as autoridades do local não cedem autorizações para estudos mais conclusivos, o que só faz aumentar a polêmica. E esses mesmos pesquisadores afirmam que a incidência em diversas culturas lenda sobre o dilúvio deve ser levada em alta consideração, pois não se trata mais de uma coincidência, já que as variações encontradas podem ter se originado de uma única fonte, ou seja, do episódio da Torre de Babel. Renée Noorbergen é um dos pesquisadores que mais defendem essa tese, principalmente depois que estudou a tradição chinesa e descobriu uma lenda que narrava os esforços de Nuwah, progenitor daquele povo que havia escapado de um dilúvio com sua mulher e filhos.

Outro acadêmico, o russo Immanuel Velikovsky, divulgou em 1955 registros de fósseis que comprovavam que a Terra já havia sofrido um cataclismo como o dilúvio, nos moldes do descrito nas lendas. Cardumes inteiros de peixes foram encontrados em amplas áreas com sinais de morte em estado de agonia. Mas, para o pesquisador, o cataclismo teria sido originado quando um cometa proveniente de Júpiter passou rente ao planeta, o que teria mexido com o eixo terrestre e provocado o transbordamento de rios, mares e oceanos, “assim não há como falar em intervenção divina”, explicou.

O mito nórdico

 Odin era filho de Bôer e da giganta Besta e neto de um homem chamado Buri, que era feito de um bloco de sal. Ele tinha dois irmãos, Vila e Vá, com os quais dava-se maravilhosamente bem e com os quais realizava as maiores aventuras possíveis. Um dia, cansados de tantas artimanhas em que estavam constantemente envolvidos, os três resolveram formar o globo terrestre e chegaram à conclusão de que tudo que necessitavam para criar o Inundo estava contido no corpo de um gigante.

Com esse objetivo, os filhos de Bôer e Besta mataram o gigante Ymer e com seu corpo formaram o globo terrestre assim: os ossos originaram as montanhas, os dentes os rochedos, o crânio a abóbada celeste. Mas ao morrer o gigante espalhou sobre a terra todo o seu sangue, que se tornou um imenso dilúvio e fez com que toda a raça dos gigantes morresse afogada, exceto Belgemer e sua mulher, que conseguiram se salvar agarrados a uma arca de pão.

Odin e seus irmãos resolveram então criar um casal humano com os troncos de um freixo e com uma faia do norte que crescia no mar Báltico, dessa forma, garantiram o repovoamento do planeta.

O mito védico

Manú, filho semi-humano dos deuses, considerado o pai da raça humana, era tão bom que o deus Vishnu o salvou do ‘dilúvio, uma catástrofe que feriu todos os semidivinos que se tornaram ruins. Manú, como agradecimento, ofereceu a Vishnu um bolo de leite coalhado, creme e manteiga depois de esse deus o haver salvo do dilúvio universal. Vishnu em retribuição fez surgir desse bolo uma mulher, bela e doce chamada Ida (ou lia). Os Acvins, elegantes cavaleiros, filhos do Sol e da Égua Saranyou, que as nuvens simbolizavam quando corriam ligeiras pelos céus, apaixonaram-se por ela e desejaram-na. Mas Ida repeliu-os violentamente exclamando: “Eu sou daquele que me criou”. Assim a criação da mulher está intimamente ligada ao dilúvio, e, o repovoamento do mundo, da união de Manú e Ida.

O mito mexicano

 Mesmo no Novo Mundo podem ser encontradas lendas que falam sobre um dilúvio, como a de Coxcox Tezpi. Tezpi era um homem muito justo e bom, temente a Deus e que via com olhos tristes a corrupção dos homens, seus irmãos. Estes puseram de lado os princípios com que tinham sido criados, que pertenciam a seus antepassados, e não queriam compartilhar os benefícios de Deus na Terra – desde as águas que refrescavam seus corpos até a companhia de seus irmãos. A ganância dos homens e a mesquinhez das mulheres eram características comuns, assim a humanidade caminhava para um fim pouco animador.

Tezpi começou a compreender que alguma coisa de anormal estava por acontecer e, temendo a justiça divina, começou a fazer uma embarcação para sua salvação. Aqui temos uma diferença: não há intervenção divina no sentido de que Tezpi tenha sido avisado da catástrofe nem que tenha tido qualquer intenção de salvar os animais. Mas escavações mexicanas recentes nos arredores da Cidade do México descobriram pinturas antigas que retratavam a cena surpreendente de uma arca flutuando sobre as águas com Tezpi, suas mulheres, filhos e alguns animais. Essas mesmas pinturas contam que, depois que as águas baixaram, Tezpi soltou um beija-flor para que fosse verificar se era seguro sair da embarcação. Assim, quando a ave retornou com um ramo verde de planta no bico, Tezpi e sua família acompanhado dos animais saíram da arca e começaram o processo de repovoamento do mundo.

O mito hindu

 Quando o deus Brama saiu de sua imobilidade para animar o universo, a princípio criou os Devas, os espíritos e os anjos que * iriam povoar o céu. Alguns deles, porém, ao chegarem lá em cima, viram lugares na Terra muito bonitos, cheios de frutos, flores, águas límpidas e lagoas. Começaram, então, a imaginar como seria viver em tais paisagens. Assim tornaram-se Rclasas, gênios malfeitores que se ocupam em perturbar os humanos. Essas entidades maldosas corromperam-se tanto que se dividiram em diversas e poderosas categorias de malfeitores. Tornaram o Mal o domínio absoluto sobre a humanidade corrompida. Brama, entretanto, era bom e ficou perturbado com o trabalho daqueles espíritos. Mas ele guardava em segredo um outro mundo, desconhecido dos demônios. O objetivo do deus era transportar os homens e os anjos do primeiro mundo para o segundo, mais perfeito. Porém não queria que o antigo mundo ficasse contaminado e assim aconteceu o dilúvio. Apenas um homem bom, chamado Waivaswata, foi prevenido da catástrofe iminente. Ele construiu um navio e juntou sua família e um casal de todos os animais disponíveis para, depois, repovoar o mundo.