Posts Tagged ‘Holocausto’

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“Nunca vou perdoar os nazistas”, diz a sobrevivente do Holocausto Eva Schloss

janeiro 23, 2011

Uma mulher de 81 anos encontra disposição para fazer uma campanha permanente contra a intolerância: Eva Schloss foi capturada pela temida Gestapo, a polícia secreta do regime nazista, justamente no dia em que completava 15 anos. Austríaca, ela passou por vários esconderijos na Holanda. Viveu dois anos num sótão. Levada no Trem da Morte para o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, ela caiu nas mãos do Dr. Joseph Mengele, o médico que escolhia quem iria morrer e quem iria viver.

Eva estava viva quando os russos finalmente liberaram o campo, em 1945, mas perdeu o pai e um irmão. Depois de décadas de silêncio, ela resolveu contar suas experiências num livro chamado “A História de Eva”.

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Holocausto nunca mais

janeiro 18, 2011

Vídeo que apresenta o drama do holocausto, extermínio de judeus, foi ponto alto do anti-semitismo praticado pelo regime nazista.

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As bases do nazismo

novembro 10, 2008

Texto adaptado da revista Super Interessante de julho de 2005

Julius era um sujeito querido. Sua namorada o amava, seus amigos o consideravam boa-praça, seus colegas de trabalho admiravam sua competência. Aos 29 anos, eleja comandava uma equipe de 550 pessoas. Tinha uma voz boa e, no seu tempo livre, gostava de ir a festas, cantar e dançar.

O nome completo dele era Julius Wohlauf, o comandante da 1a Companhia do Batalhão 101, o mais sanguinário corpo de extermínio nazista. Seu trabalho, que ele fazia tão bem, era manter a ordem na Polônia ocupada, o que incluía mandar judeus para a morte certa e fuzilar poloneses. Em junho de 1942, ele se casou com Vera em Hamburgo e voltou com ela à Polônia para seguir com a matança. Durante a lua-de-mel, grávida de 4 meses, Vera assistia aos fuzilamentos de dia. À noite, o casal cantava e dançava nas festas do batalhão.

Como é que Julius conciliava ávida pacata em família com a rotina de assassinatos? E não foi só ele. Milhares de cidadãos participaram da matança – os ferroviários que levavam judeus à morte, as donas de casa que delatavam fugitivos, os médicos que faziam experimentos com prisioneiros, os funcionários das diversas indústrias públicas e privadas que compunham a máquina de matar de Hitler. Sem falar nos milhões que assistiram a tudo sem protestar, até com um sentimento de aprovação. Como uma coisa dessas pôde acontecer em pleno século 20, no coração do Ocidente democrático e “civilizado”?

A explicação está numa idéia: o nazismo. Julius, como quase toda a Alemanha, acreditava sincera e profundamente nela. Há mais de 60 anos, quando Hitler se suicidou, o nazismo foi dado também como morto. Por décadas, o mundo olhou para ele corno se não passasse de um surto de loucura – um desvario coletivo sem sentido ou explicação. Mas, agora, vários pesquisadores têm tido coragem de procurar alguma lógica nele, inclusive para evitar que se repita. E algumas conclusões estão surgindo.

Segundo elas, o nazismo não é uma idéia louca vinda do nada e sumida para sempre. Ele é conseqüência de 5 outras idéias – todas aparentemente inofensivas sozinhas, todas vivas até hoje. Esta reportagem procurará entender cada uma delas – para chegar perto de compreender o nazismo.

A 1ª idéia: o carimbo da ciência

O naturalista Charles Darwin

O naturalista Charles Darwin

Como uma pessoa comum pode conviver com sua consciência após assassinar inocentes? A resposta: fica mais fácil dormir à noite quando se acredita que seus atos trarão o bem à humanidade. Hitler convenceu os alemães – e muitos estrangeiros – de que, após o massacre, nasceria um mundo melhor. Isso pode soar absurdo hoje, mas era um fato aceito pela ciência da época. “O Holocausto não ocorreu no vácuo. Ele seguiu décadas de crescente aceitação científica à desigualdade entre os homens”, diz o alemão Henry Friedlander, historiador e autor de The Origins of Nazi Genocide (“As Origens do Genocídio Nazista”, sem versão brasileira). Friedlander se refere a um conceito nascido no século 19 nas melhores universidades: a eugenia.

A eugenia surgiu sob o impacto da publicação, em 1859, de um livro que mudaria para sempre o pensamento ocidental: A Origem das Espécies, de Charles Darwin. Darwin mostrou que as espécies não são imutáveis, mas evoluem gradualmente a partir de um antepassado comum à medida que os indivíduos mais aptos vivem mais e deixam mais descendentes. Pela primeira vez, o destino do mundo estava nas mãos da natureza, e não nas de Deus.

Darwin restringiu sua teoria ao mundo natural, mas outros pensadores a adaptaram – de um jeito meio torto – às sociedades humanas. O mais destacado entre eles foi o matemático inglês Francis Galton, primo de Darwin. Em 1865, ele postulou que a hereditariedade transmitia características mentais – o que faz sentido. Mas algumas idéias de Galton eram bem mais esquisitas. Por exemplo, ele dizia que, se os membros das melhores famílias se casassem com parceiros escolhidos, poderiam gerar uma raça de homens mais capazes. A partir das palavras gregas para “bem” e “nascer”, Galton criou o termo “eugenia” para batizar essa nova teoria.

Galton se inspirou nas obras então recém-descobertas de Gregor Mendel, um monge checo morto 12 anos antes que passaria à história como fundador da genética. Ao cruzar pés de ervilhas, Mendel havia identificado características que governavam a reprodução, chamando-as de dominantes e recessivas. Quando ervilhas de casca enrugada cruzam com as de casca lisa, o descendente tende a ter casca enrugada, pois esse gene é dominante.

Os eugenistas viram na genética o argumento para justificar seu racismo. Eles interpretaram as experiências de Mendel assim: casca enrugada é uma “degeneração” (hoje sabe-se que estavam errados – tratava-se apenas de uma variação genética, algo ótimo para a sobrevivência). Misturar genes bons com “degenerados”, para eles, estragaria a linhagem. Para evitar isso, só mantendo a raça “pura” – e aí eles não estavam mais falando de ervilhas. O eugenista Madison Grant, do Museu Americano de História Natural, advertia em 1916: “O cruzamento entre um branco e um índio faz um índio, entre um branco e um negro faz um negro, entre um branco e um hindu faz um hindu, entre qualquer raça européia e um judeu faz um judeu”.

As idéias eugenistas fizeram sucesso entre as elites intelectuais de boa parte do Ocidente, inclusive as brasileiras. Mas houve um país em que elas se desenvolveram primeiro, e não foi a Alemanha: foram os EUA. Não tardou até que os eugenistas de lá começassem a querer transformar suas teorias em políticas públicas. “Em suas mentes, as futuras gerações dos geneticamente incapazes deveriam ser eliminadas”, diz o jornalista americano Edwin Black, autor de A Guerra contra os Fracos. A miscigenação deveria ser proibida.

Programas de engenharia humana começaram a surgir, inspirados por técnicas advindas de estábulos e galinheiros. O zoólogo Charles Davenport, líder do movimento nos EUA, acreditava que os humanos poderiam ser criados e castrados como trutas e cavalos. Instituições de prestígio, como a Fundação Rockefeller e o Instituto Carnegie, doaram fundos para as pesquisas, universidades de primeira linha, como Stanford, ministraram cursos. Os eugenistas americanos ergueram escritórios de registros de “incapazes”, criaram testes de QI para justificar seu encarceramento e conseguiram que 29 estados fizessem leis para esterilizá-los.

As primeiras vítimas foram pobres da Virgínia, e depois negros, judeus, mexicanos, europeus do sul, epilépticos e alcoólatras. Segundo Black, 60 mil pessoas foram esterilizadas à força nos EUA. Em seguida, países como a Suécia e a Finlândia começaram programas parecidos.

Portanto, quando a Alemanha de Hitler começou a esterilizar deficientes físicos e mentais, em 1934, não estava inventando nada. Só que eles foram mais longe. “Hitler está nos vencendo em nosso próprio jogo”, indignou-se o médico americano Joseph DeJarnette, que castrava pobres. Em 1939, os alemães começaram a matar deficientes, num programa de “eutanásia forçada”. Médicos usaram o gás inseticida Zyklon B para eliminar 70 mil pessoas “indignas de viver”. O programa foi suspenso após protestos, mas serviu de ensaio para os campos de concentração, onde Zyklon B exterminaria qualquer um que ameaçasse o projeto da raça pura e a conseqüente “melhora da humanidade”.

“Hitler conseguiu recrutar mais seguidores entre alemães equilibrados ao afirmar que a ciência estava a seu lado”, diz Black. “Seu vice, Rudolf Hess, dizia que o nacional-socialismo não era nada além de biologia aplicada.” Com o carimbo da ciência, ainda que meio falsificado, ficou mais fácil para gente como Julius compactuar com o absurdo nazista.

A 2ª idéia: um ódio ancestral

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Mein Kampf (“Minha Luta”), a “bíblia” do nazismo

A eugenia forneceu a base teórica para o assassinato de ciganos, deficientes, homossexuais e outros “inferiores”. Mas por que só um povo foi marcado para o extermínio? Por que os judeus? Essa resposta é ainda mais antiga. “O primeiro anti-semitismo foi o dos romanos, que não toleravam costumes judaicos como oshabat (dia do descanso) e o culto ao Deus único”, escreveu o historiador francês Gerald Messadié em História Geral do Anti-Semitismo.

Quando o Império Romano adotou o cristianismo, no século IV, a perseguição cultural e política virou religiosa. “Esquecendo-se de que Jesus foi judeu, os partidários da Igreja iriam, em nome de Jesus, cobrir os judeus de acusações”, diz Messadié. A maior delas veio em 325, quando a Igreja culpou os judeus pela morte de Cristo, uma acusação só retirada em 1965. A cristandade medieval viu crescer os mitos de que judeus eram aliados do diabo, utilizavam sangue de crianças cristãs e tramavam o domínio do mundo. Muitos judeus se converteram ao cristianismo para não terminar nas fogueiras da Inquisição.

Ou seja, também nesse aspecto, o nazismo não foi novidade, como deixa claro o livro Christian Antisemitism, A History of Hate (“Anti-Semitismo Cristão, Uma História de Ódio”, sem versão no Brasil), de William Nicholls, estudioso da religião da Universidade de British Columbia, Canadá. Nicholls mostra que muitas medidas anti-semitas da lei canônica medieval são reencontradas quase palavra por palavra na jurisdição nazista dos anos 30. Tanto a obrigação do uso de uma insígnia nas roupas quanto as proibições aos cristãos de vender bens, casar ou fazer sexo com judeus já existiam em leis da Igreja do século XIII. Mas o século 19 trouxe uma novidade. Antes, os judeus tinham uma saída, a conversão. Agora, com a eugenia, o anti-semitismo deixou o caráter religioso e incorporou um novo conceito: a raça. A natureza dos judeus agora era imutável e nem se converter os salvaria.

Com a vitória dos nazistas e a fundação do 3º Reich, em 1933, o anti-semitismo pela primeira vez se tornou política de Estado, e a população, convencida pelos mitos medievais, não pareceu se incomodar. O historiador inglês Norman Cohn, da Universidade de Sussex, constatou isso ao ler interrogatórios de ex-membros das SS, as tropas de repressão nazistas. “O genocídio dos judeus foi motivado pela idéia de que eles eram conspiradores decididos a dominar a humanidade – uma versão secularizada da idéia de feiticeiros empregados por Satanás”, afirma Cohn no livro Conspiração Mundial dos Judeus: Mito ou Realidade?.

Daniel Goldhagen, professor de Estudos Sociais e Governamentais da Universidade Harvard, ampliou a pesquisa ao estudar pessoas como Julius, que participaram do assassinato de judeus. “Movidos pelo anti-semitismo, os perpetradores acreditavam que acabar com os judeus era justo, correio e necessário.” Segundo ele, nenhum homem de Julius nem de qualquer outro batalhão foi mono ou mandado a campo de concentração por se recusar a matar judeus. Ou seja, tal ato não era considerado errado naquele lugar e naquela época. No discurso de alguns ideólogos nazistas, era uma medida sanitária. Quase como exterminar ratos.

3ª idéia: o amor à pátria  

Estandarte de Hitler

Estandarte de Hitler

A eugenia emprestou a fachada científica e o anti-semitismo forneceu a motivação, mas os nazistas não teriam feito tanto barulho sem uma 3ª idéia: o nacionalismo. Hitler seguiu as pegadas do primeiro-ministro prussiano Otto von Bismarck, que ajudou a inventar a identidade germânica e, com isso, unificou o então fragmentado país, em 1871, e fundou o 2° Reích. Assim, Bismarck venceu os franceses na Guerra Franco-Prussiana. Tinham se passado 12 anos da publicação de A Origem das Espécies e a Alemanha estava vitoriosa e cheia de entusiasmo. Aí o país se lançou ao imperialismo baseado no “darwinismo social”, declarando sua superioridade sobre os africanos e asiáticos e justificando assim seu direito de dominá-los.

Mas, nos anos 30, o clima era outro: a Alemanha estava deprimida. Perdera a I Guerra e naufragava na desordem, na crise econômica e na desunião. Como Bismarck, Hitler fomentou o nacionalismo. “A utopia hitleriana se baseava em 3 erres: reich (império), raum (espaço) e rasse (raça)”, diz a alemã Marlis Steinert, historiadora do Instituto de Altos Estudos Internacionais de Genebra. Segundo ela, o sonho do reich remontava à lembrança mística de Frederico Barbarossa, senhor do Sacro Império Romano-Germânico, o 1° Reich, que começou por volta de 800 e durou 1000 anos.

Já as noções de espaço e raça vinham do século 19 e simbolizavam o vínculo entre a natureza, a terra e o homem, como cantavam os poetas do romantismo. Hitler queria expandir o território e dar à história alemã seu verdadeiro sentido, devolvendo ao povo seu espaço vital. Ele afirmava que traria de volta os tempos de grande potência e fundaria o 3° Reich. Não é à toa que a investida contra a União Soviética se chamou Operação Barbarossa.

A trilogia dos erres se encaixou na velha ideologia volkisch (“do povo”), arraigada na Alemanha antes da chegada do nazismo. Segundo ela, um povo só floresce se todas suas partes estão saudáveis. É aí que entra a interpretação nazista do socialismo. Afinal, você já deve ter se perguntado por que o partido de Hitler (o Nacional-Socialista) tinha socialismo no nome, se era absolutamente anticomunista. “Para Hitler, o socialismo era a ciência da prosperidade coletiva e nada tinha a ver com marxismo”, afirma Marlis. O “socialismo” dos nazistas tinha esse nome porque supostamente colocava o coletivo (social) acima do indivíduo.

E qual era a principal ameaça a esse ideal nacionalista de um corpo saudável? Os judeus, por não terem um lar nacional. Aos olhos nazistas, eles formavam uma nação internacional e eram portanto mais perigosos que qualquer país estrangeiro, por corroer a Alemanha de dentro, como uma infecção. Em seus discursos, Hitler os acusava de desnacionalizar o Estado e alterar a pureza do sangue ariano para destruir o povo. Ele os chamava ora de comunistas, ora de capitalistas, mas sempre materialistas, em oposição ao idealismo germânico. “Para o pensamento hitlerista, ser socialista é também ser anti-semita porque o socialismo se opõe ao materialismo e protege a nação”, diz Marlis.

Mais uma vez, gente como Julius tinha uma justificativa para matar. Na sua cabeça, era em nome da nação, do coletivo. E, para alguns, fica mais fácil tolerar a injustiça contra indivíduos quando se acredita que o objetivo final é o bem comum.

4ª idéia: a fria modernidade

O Führer

O Führer

“O Holocausto foi executado na sociedade moderna e racional, em nosso alto estágio de civilização e no auge do desenvolvimento cultural humano. Por isso, é um problema da nossa civilização e da nossa sociedade”, diz o sociólogo polonês Zygmunt Baumann, autor de Modernidade e Holocausto. Por isso é tão difícil falar abertamente sobre o assunto. O nazismo diz respeito a nós. Auschwitz é tão ocidental e moderno quanto a calça jeans. O Holocausto foi feito ao modo moderno: racional, planejado, “cientificamente” fundamentado, especializado, burocrático, eficiente.

Os genocidas obedeciam a rotinas de organização. Julius e seus homens fumavam entre os fuzilamentos, como um funcionário de escritório. Relaxavam, batiam papo e voltavam a disparar. Foi com uma solução moderna, os cartões perfurados das máquinas Hollerith da IBM, que os nazistas localizaram suas vítimas. A IBM não só forneceu máquinas, mas idealizou o sistema e prestou assessoria técnica para que tudo funcionasse nos conformes.

Quando os nazistas perceberam que tiros não seriam suficientes para eliminar os 11 milhões de judeus da Europa, recorreram a outra solução moderna, as câmaras de gás, inspiradas nas mais avançadas tecnologias de dedetização. Auschwitz era uma fábrica de matar – tinha capacidade para queimar 4 756 corpos por dia em 5 crematórios. Uma grande “inovação”, se comparada aos métodos usados pelos turcos contra os armênios em 1915: fuzilamento, golpes de clavas e baionetas.

A tecnologia moderna libertou o homem de séculos de domínio da natureza. Graças a ela o homem pela primeira vez acreditou que não era apenas uma “criatura de Deus”, a mercê de Seus desígnios, mas um sujeito capaz de moldar o mundo. Foi justamente o que os nazistas quiseram fazer: mudar a Terra, construir sua utopia. E pretendiam fazer isso do jeito moderno: sem questionamentos morais, em nome do “progresso”.

Ainda assim, não faltaram contradições no casamento entre o nazismo e a modernidade. Hitler usou as técnicas, mas combatia as idéias modernas. Era contra os valores de igualdade, liberdade e democracia emanados pela Revolução Francesa. E, como você vai ver a seguir, quis reinstaurar a Antiguidade grega em pleno século XX.

5ª idéia: a ilusão da beleza

Crianças presas em Auschwitz, a "fábrica da morte"

Criança presas em Auschwitz

Este último componente do nazismo é talvez o mais chocante. Por trás da tragédia do Holocausto e da morte de 50 milhões de pessoas, estava o sonho de criar um mundo mais puro, mais harmonioso – enfim, mais belo. “O nazismo também era estética”, diz o sueco Peter Cohen, diretor do documentário Arquitetura da Destruição. “Pregava que uma nova Alemanha surgiria, mais forte e bonita, num sonho ao qual só os artistas podiam dar forma.”

O 5° elemento do nazismo aflorou da personalidade de seus lideres. Joseph Goebbels, ministro da Propaganda, escrevia romances e peças teatrais e vários outros líderes nazistas eram artistas e escritores. Hitler pintava aquarelas. Com o amigo de infância August Kubizek, ele escreveu uma ópera seguindo uma idéia do compositor Richard Wagner, expoente do romantismo alemão e da escola Volkisch. A trama se passa na Roma medieval e o protagonista é um tal Rienzi, um plebeu que tenta restabelecer a Antiguidade.

O führer parecia decidido a encarnar Rienzi na vida real. Seria ele o artista-príncipe que anunciaria a nova civilização clássica, inspirada na Grécia e em Roma. Tanto que o ditador era também diretor, cenógrafo e protagonista dos comícios nazistas. Ele mesmo desenhou as bandeiras, os estandartes, os uniformes e a temível insígnia da suástica. Quando a guerra começou, ele mandou artistas ao front para pintar as glórias do exército e ordenou a confecção de esculturas gigantescas inspiradas no ideal grego de beleza. Uma dessas esculturas era dele próprio e seria colocada no centro de Berlim, planejada para ser a cidade mais grandiosa do mundo, capital da futura civilização. Hitler tinha uma idéia peculiar sobre arte. Assim como os arianos eram a raça pura, os clássicos eram a arte pura. E a arte moderna seria a equivalente dos judeus (e das ervilhas enrugadas): degenerada. As fileiras nazistas estavam cheias de artistas, mas a classe profissional mais numerosa no partido era a dos médicos.

Tanto uns como outros tinham um sonho em comum: uma sociedade mais “harmônica” e, conseqüentemente, mais “saudável”.

Na vida real, Hitler só encenou o 1° ato de sua ópera. Projetou sua megalômana Berlim e desenhou os esboços de prédios monumentais para várias cidades alemãs. A morte de todos os judeus faria parte desse projeto estético de um mundo mais harmonioso. Felizmente, não deu tempo de terminar nem as obras nem o extermínio. Em 1941 ele percebeu que não venceria. Quanto mais perto da derrota, mais intensificava o genocídio – convencido de que o esforço valeria a pena se pudesse deixar para a posteridade um mundo sem judeus. Apesar da necessidade de logística na guerra, os trens davam prioridade ao transporte de prisioneiros para os campos. “Para Hitler a perda da guerra não significava o fim do nazismo, pois a queda do 3º Reich influenciaria as futuras gerações”, diz Cohen. “O país se reergueria das ruínas. Da derrota total, brotaria uma nova semente.”

Sobrou uma semente?

O sonho de Hitler, felizmente, não se realizou. O nazismo deixou de existir como alternativa política no momento em que a 2a Guerra Mundial acabou. Mas será que ele pode voltar?

“Embora a História se repita, nunca é da mesma maneira. Dificilmente veremos uma situação idêntica à da Alemanha nazista”, diz a escritora e ex-deputada espanhola Pilar Rahola. “Mas não estamos livres da estruturação do nazismo em partidos políticos, como os do austríaco Jorg Haider e do francês Jean-Marie Lê Pen, que camuflam sua ideologia com discursos ultracatólicos”. Cresce também o totalitarismo ideológico, incluindo o de base islâmica. “Não é à toa que terroristas islâmicos têm se conectado com grupos de extrema direita e o próprio Haider é admirador de Bin Laden”, diz Pilar.

Edwin Black diz que a eugenia também está viva e continua definindo o valor do indivíduo com base no seu valor genérico. A diferença é que os eugenistas de hoje não se guiam por bandeiras e sim por dinheiro. De posse de banco de dados com identidades de DNA, agências de emprego e companhias de seguro estão negando serviço a pessoas que têm doenças degenerativas. “Assistimos à aparição de uma subclasse discriminada por sua linhagem ancestral”, afirma. “O Parlamento inglês chamou esse fenômeno de gueto genético.”

Os genocídios tampouco deixaram de existir após o Holocausto. Nos últimos anos, assistimos à morte de 100 mil curdos no Iraque, 200 mil bósnios na ex-Iugoslávia e 800 mil tutsis em Ruanda. Para o escritor israelense Amos Oz, autor de Contra o Fanatismo, ideologias que pregam a superioridade de uns sobre os outros nunca fizeram tanto a cabeça dos jovens. “Quanto mais complicada a vida se torna, mais buscamos respostas simples. E essas respostas às vezes são fanáticas”, diz ele.

O nazismo pode até ter morrido. Mas os seus 5 pilares, as 5 idéias que deram origem a ele, sobreviveram à guerra e aos 60 anos depois dela. O carimbo de “aprovado pela ciência” continua sendo distribuído a esmo, e dando aval a projetos imorais. O racismo e a noção de que os homens são desiguais continuam a ser forças que movem multidões, e o nacionalismo exacerbado anda quase sempre ao lado deles. A ”busca do progresso” e a modernidade continuam sendo argumentos invencíveis, que quase sempre dispensam a ética em nome da eficácia (ou, cada vez mais, do lucro). E as utopias continuam convencendo o homem a desprezar o indivíduo em nome do “moderno”, do “belo” ou do “sonho”. Pelo menos já sabemos no que essa mistura pode dar. É melhor não esquecer.

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As 16 datas que mudaram o mundo: 11- O HOLOCAUSTO

outubro 21, 2008

 

 

Por Pierre Miquel (1930-2007) - Historiador francês

Por Pierre Miquel (1930-2007) - Historiador francês

O antes do Holocausto, o massacre de judeus e de ciganos, de 1941 a 1945, nos campos de extermínio, é a invasão da Europa pelos nazistas, é o estabelecimento da ordem negra diante da ordem vermelha, o que implica a perseguição dos opositores e particularmente dos judeus, vítimas da política racista de Hitler, mas ainda não a morte cínica e cientificamente programada.

 

O depois do Holocausto, o maior crime da história cometido deliberadamente contra a humanidade, é a inclinação dos povos do mundo inteiro na direção da busca, contra todas as agressões de uma proteção sem concessões, dos direitos elementares do homem e principalmente do direito de viver.

*****

Tudo que podemos dizer sobre Auschwitz e os quatro campos de extermínio situados em território polonês, Treblinka, Sobíbor, Chelmno, Belzec, está aquém da realidade; tanto o antes quanto o depois fazem desse sol negro um acontecimento absoluto.

Sabíamos que os nazistas eram capazes de tudo. A publicação de Mein Kampf, livro doutrinário de Adolfo Hitler em 1923-1924-1925, expunha os temas racistas e pregava literalmente o extermínio dos judeus. Em 1930, O Mito do Século XX, escrito por Rosenberg, teorizava o racismo.

A partir de 1933, foram impostas as primeiras medidas anti-semitas para a exclusão dos judeus da comunidade alemã. As leis de Nuremberg em 1935 faziam dos judeus simples subordinados do Reich e proibiam qualquer casamento entre alemães e judeus.

Em 1938, por ocasião da Noite dos Cristais, um vergonhoso pogrom preparado pelos nazistas em toda a Alemanha em represália ao assassinato, por um terrorista judeu, de um diplomata alemão em Paris, foi organizada uma caça aos judeus nas ruas, assim como a destruição de seus bens e o incêndio de sinagogas. As primeiras deportações de judeus começaram em direção aos campos de concentração de Dachau, Buchenwald e Sachenhausen. Em janeiro de 1939, Hitler afirmou em um discurso que uma nova guerra mundial levaria à destruição de todos os judeus da Europa.

Desde que os protestos de pastores e padres revelaram em 1940 a política sistemática de assassinatos, pelo gás, de crianças anormais, sabíamos que Hitler estava prestes a tudo para manter a doutrina racista. Dessa forma, o nacional-socialismo se outorgava o direito de matar.

Os restos das vítimas eram escondidos em urnas e enviados às famílias, e tais modalidades mencionadas nos jornais locais, chamando a atenção do público para o grande número de incinerações. Dessa forma foi possível surpreender os carrascos, confundi-los, denunciá-los, obrigá-los a recuar. Por pouco tempo. De 1940 a 1941, os judeus de todos os países conquistados no leste europeu foram separados da população, reagrupados em guetos insalubres, verdadeiros morredouros coletivos, e depois mandados para os campos de concentração.

Na Rússia, depois do sucesso do plano Barbarossa que conduzia o exército alemão até as portas de Moscou, unidades especiais da SS, as Einsatzgruppen, eliminavam os judeus detidos nas cidades e nos vilarejos soviéticos utilizando os caminhões equipados com gás localizados na retaguarda da Wehrmatcht.

Os judeus da Ucrânia, dos países bálticos, da Bielo-Rússia desapareciam então aos milhares. Era considerado mais rápido e mais econômico gasear as vítimas do que abatê-las nas gigantescas fossas, como em Minsk. A indústria química do Reich permitia a economia de balas e da mão-de-obra dos matadores.

Um decreto de dezembro de 1941, chamado Noite e Nevoeiro, previa a organização sistemática da eliminação dos judeus.

A decisão definitiva foi tomada na conferência de Wannsee em janeiro de 1942; a Shoah estava programada: seis milhões de mortos.

Os temíveis responsáveis reuniram-se em uma cidade próxima a Berlim em Wannsee. Quem são eles? O trio Goering-Himmler-Heydrich, aplicando a vontade de Hitler “campeão impávido de uma solução radical”, diz Goebbels. A solução radical é a eliminação física de uma população inteira na Europa, friamente programada.

Ela deve estar em concordância com a experiência dos Einsatz-gruppen na Rússia, científica, sistemática, apoiando-se no emprego de gases especiais produzidos pela indústria química (cyclon B) e na destruição dos corpos nos fornos crematórios. Tudo deve permanecer em segredo e acontecer no interior da Polónia, nas terras geladas e pontuadas por lagos de Auschwitz. Uma parte da população dos campos será utilizada em trabalhos forçados até a morte, ou em experiências médicas. Uma outra parte será imediatamente gaseada.

As câmaras de gás substituem os caminhões-assassinos de Minsk, de Kharkov, de Kiev, e expõem judeus e ciganos a uma morte programada, organizada em comboios bem ajustados pelo especialista, Eichmann, que ainda consegue deportar 400.000 judeus da Hungria no fim de 1944 e até mesmo judeus de Roma, os judeus do papa, para Birkenau.

Depois da guerra, nada devia transparecer dos horrores do extermínio. Os chefes nazistas deram ordens para limpar inteiramente os lugares dos massacres. Em 3 de novembro de 1944, enquanto os americanos mantinham a linha do Reno e os franceses lutavam em Vosges, Himmler ordenava, depois da execução dos judeus do último comboio, a destruição de todas as instalações. Loucura suprema, a imensa hecatombe deveria permanecer secreta e não deixar nenhum rastro. O depois de Auschwitz, para os chefes nazistas, deveria ser o silêncio da história.

Desde o fim de 1942, as revelações chegavam às autoridades americanas por meio de agentes residentes na Suíça. Elas mostravam-se tão desmesuradas que as autoridades não acreditavam. Tais revelações não tiveram nenhuma conseqüência prática. O Vaticano, muito bem informado sobre a situação na Polônia católica, continuava mudo e o papa Pio XII só considerava como prioridade a salvação dos padres poloneses vítimas dos campos de concentração.

Alertadas, as comunidades judaicas dos Estados Unidos publicavam informações em seus jornais. Os grandes jornais americanos só relatavam a descoberta do Holocausto com grande reserva. Os dirigentes aliados pensavam que era inútil procurar intervir imediatamente, que era necessário acelerar a vitória, não desviar nenhum recurso militar para acabar logo com esse horror.

O horror. Quem poderia olhá-lo de frente? A própria liberação dos campos de extermínio pelos soviéticos era encarada com dúvidas. O público americano não queria realmente acreditar, apesar das revelações mais precisas e espetaculares dos jornais. A descoberta verdadeira da realidade dos campos de extermínio aconteceu com a abertura, para as câmeras americanas das Atualidades cinematográficas, do campo de Dachau visitado pelo general Eisenhower. Não era um campo de extermínio. Mas o amontoado de corpos falava por si só.

Então o mundo inteiro, e principalmente os alemães, foi colocado diante dos estandes da morte do sol de Auschwitz. Agora era impossível negar, duvidar, calar-se.

Então o lugar do martírio torna-se, para todos os homens, o centro de uma reflexão que faz do pós-Auschwitz o pólo mais forte da mudança moral do pós-guerra.

Uma reflexão sobre o homem e sobre o campo de suas possibilidades, sobre os limites da tecnologia que lhe permite transformar o mundo. Se o acúmulo de conhecimento tecnológico pode servir para a destruição dos homens sobre a terra, para que serve a tecnologia? A serviço de uma ideologia da morte, ela se torna o maior dos perigos. O desenvolvimento científico implica um domínio moral planetário das conseqüências das descobertas. Só que o futuro da humanidade está subordinado à produção de armas químicas, mais tarde atômicas. Não há mais nada a fazer para impedir os massacres: impotência dramática do presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt. Esta é a primeira lição de Auschwitz: o poder político a serviço dos direitos da pessoa humana tem como primeiro dever o de dominar a tecnologia e impedi-la de servir ao crime com toda a sua força.

A segunda lição é que se deve evitar a todo custo o desenvolvimento de um regime que atente contra os direitos naturais do homem de existir e de ser livre. A criação da ONU por Roosevelt respondia a esse objetivo; da mesma forma que a nova definição dos direitos do homem. A condenação, por um tribunal internacional, dos crimes de guerra começa, com algum atraso, em Nuremberg. Pela primeira vez na história, os responsáveis pelos crimes de guerra são publicamente julgados e castigados.

Existe às portas do terceiro milênio uma opinião mundial que deve se mobilizar em permanência contra o crime. Pois nós sabemos, a partir de Auschwitz, que um regime pode ser deliberada-mente criminoso, mesmo sob a aparência da legalidade. O exemplo dos massacres da Bósnia pode nos convencer. Eles tiveram como conseqüência a criação de uma corte internacional de justiça que deveria se aplicar em castigar todo atentado contra os direitos do homem no mundo.

Pela primeira vez a comunidade internacional admitiu a idéia de que o crime não devia ficar impune e que pertencia a ela a organização de julgamentos e de sanções, mesmo correndo o risco de uma intervenção cuidadosamente controlada pela forças internacionais da ONU no território das nações culpadas.

Essa intervenção supunha a existência de uma força internacional incontestável, cujo emprego fosse estritamente limitado às decisões do Conselho Executivo das Nações Unidas. A Liga das Nações, entre as duas guerras, não dispunha de um aparelho de sanções morais e econômicas. A ONU tinha o poder e o dever de convocar as forças armadas para zelar pela execução de suas arbitragens. A justiça internacional dispunha, assim, de uma força de execução, de um exército de voluntários permanente cujos contingentes eram recrutados em todas as nações.

O terceiro ensinamento do pós-Auschwitz é que o anti-racismo faz parte do corpus de leis de cada Estado ligado aos valores democráticos e que ele deve ser respeitado a qualquer preço, à custa de uma constante vigilância dos cidadãos e dos poderes públicos.

O anti-racismo, ou seja, a fraternidade, deve ser um dos valores das sociedades humanas a ser inscrito no frontispício dos imóveis públicos e, certamente, no texto das constituições.

Mas ele deve, antes de tudo, expressar-se nos corações dos homens. O amor ao outro, contra a morte do outro.

 

Pequena Cronologia

 

  • 1923-24-25: Redação e publicação do Mein Kampf, obra doutrinária de Adolf Hitler. O futuro ditador, que nasceu em Braunau, no ano de 1889, filho de um aduaneiro austríaco, que se mudou para Viena em 1905 a fim de estudar belas-artes, sendo rejeitado no exame de admissão, torna-se anti-semita e antiparlamentarista. Ex-combatente da Primeira Guerra Mundial, ele passa, em 1919, a “oficial político” encarregado, no exército, de despistar e de denunciar os comunistas. Como militante de extrema direita em Munique, ele cria o Partido Alemão dos Trabalhadores (NSDAP), ao qual o estudante Rosenberg se une. Em 1921, cria a formação paramilitar dos (SÁ) e tenta um putsch em Munique no dia 8 de novembro de 1923 contra o governo bávaro de von Kahr. Preso na fortaleza de Landsberg por cinco anos, Hitler dita Mein Kampf para Rudolf Hess, seu secretário.
  • 1930: Publicação do Mito do século XX, de Alfredo Rosenberg. O engenheiro arquiteto de origem báltica, apresentado a Hitler, em Munique, pelo teórico racista Dietrich Eckart, torna-se propagandista dos Protocolos dos Sábios de Sion, bíblia dos anti-semitas alemães que apresenta a decadência da Europa e do Ocidente como resultado de um complô judeu-maçônico. Foi nomeado ministro em 1941 para os territórios ocupados do Leste, e condenado à morte e enforcado em 1946. 
  • 1933: Depois da chegada legal dos nazistas ao poder, são tomadas as primeiras medidas anti-semitas, como boicote das lojas, exclusão das profissões liberais e artísticas, anulação das natu-ralizações de judeus estrangeiros.
  • 1934: Os campos de concentração de Dachau e Sachsenhausen passam para o controle dos SS.
  • 1935: Leis de Nuremberg. Definição do judeu por ascendência: três avós judeus. Proibição dos casamentos mistos entre arianos e judeus. Uso da estrela amarela.
  • 1936: Heinrich Himmler torna-se o chefe supremo da polícia alemã. O organizador dos SS, chefe da Gestapo, que havia sido criada em 10 de abril de 1934, prestou um serviço a Hitler quando massacrou seu rival Rohm, chefe dos SÁ, em 30 de junho de 1934 durante a “noite das facas longas”. Ele trabalha no desenvolvimento dos campos de concentração. 
  • Julho de 1937: Abertura do campo de concentração de Buchenwald.
  • 1938: Abertura do campo de Mauthausen perto de Linz. Novembro de 1938: Noite dos Cristais. Multa de um bilhão de marcos é imposta à população judaica, 300 sinagogas são queimadas ou saqueadas. Prisão de 30.000 judeus nos campos de concentração.
  • 1939: Abertura dos campos de Neuengamme perto de Hambourg e de Flossenburg no Palatinado bávaro. Para as mulheres é aberto o campo de Ravensbríick. Em abril de 1939, a população dos campos atinge quase 300.000 pessoas. 
  • 1940: O caso da execução por gasagem dos anormais é revelado ao publico pelas autoridades religiosas. 
  • 1940-1942: Criação dos campos de concentração de Lublin, Auschwitz, Theresiensqtadt, Dora, do Struthof na Alsácia. 
  • 1941: Criação dos Einsatzgruppen SS nos territórios ocupados do Leste e execução das populações por gasagem em caminhões especiais.
  • Janeiro de 1942: Conferência em Wannsee, próximo a Berlim, na qual é decidida a eliminação completa dos judeus da Europa. 
  • A partir de 1942: Estabelecimento dos campos de extermínio com câmaras de gás em Belsec, Chelmno, Sobibor, Treblinka e Auschwitz.
  • 20 de novembro 1945 a l7 de outubro de 1946: Processo de Nuremberg. Um tribunal militar com representantes das quatro maiores potências aliadas julga vinte e quatro responsáveis nazistas por “crimes contra a paz”, por “crimes de guerra” e por “crimes contra a humanidade”.
  • Três dos acusados não comparecem. O industrial Gustav Krupp é declarado doente. Martin Bormann desapareceu. Robert Ley se suicidou.
  • São condenados à morte por enforcamento Goering (que se suicida), Ribbentrop, Keitel, Kaltenbrunner, Rosenberg, Hans Frank, Frick, Streicher, Sauckel, o general Jodl, Seyss-Inquart, Baumann.
  • Rudolf Hess, que é condenado à prisão perpétua, morre em 1987 na prisão de Spandau, em Berlim.