Posts Tagged ‘história militar’

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Vestidos para morrer – Os uniformes de combate que matavam os soldados

março 3, 2017
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Reproduções de trajes de combate britânicos utilizados nas Guerras Napoleônicas

Uniformes militares não apenas identificam os combatentes como também devem ser aparatos práticos e funcionais para quem faz uso deles, mas alguns trajes utilizados em combate acabaram facilitando o trabalho dos adversários.

No século 18 os uniformes que colocavam os soldados em risco eram bem comuns, pois a identidade visual parecia ser mais útil do que a segurança daqueles que vestiam os trajes de combate. A rígida disciplina exigia dos soldados esmero quanto ao visual, disciplinando a aparência num extremo exercício de autoridade e controle. Os oficiais – geralmente nobres – pegavam no pé, cobravam detalhes e gostavam de usar as miudezas estéticas do alinho visual como motivos para demonstrar quem mandava. Soldados eram punidos porque os casacos não estavam perfeitamente cuidados, as botas não estavam lustradas ou qualquer acessório estava fora do lugar adequado e esse rigor visual acabou virando um obstáculo na hora do combate.

Entre os elementos do vestuário incômodos estavam uns colarinhos altos de couro que compunham fardamentos de tropas de diversos países, que atrapalhavam porque reduziam a agilidade e mobilidade no movimento do pescoço dos soldados, que também frequentemente prendiam os queixos nos inúteis colarinhos. Na prática um detalhe como esse poderia resultar em deficiência no campo de batalha.

O desconforto do traje também poderia ser péssimo e neste quesito o uniforme prussiano por ocasião da Guerra dos Sete Anos (1756-1763) era um perfeito exemplo, pois era exageradamente apertado por economia de material têxtil e ficava ainda pior quando molhado. O uso de roupas muito justas como a prussiana restringia o movimento, podia atrapalhar a circulação, gerar incômodos pelo desconforto e também era péssimo para proteção contra o resfriamento do clima, sobretudo porque – também por economia – o exército não forneceu capas ou agasalhos para os combatentes e como resultado muitos chegaram a morrer por congelamento.

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Combatente hessiano com seu esplendoroso (e perigoso) chapéu 

Por ocasião da Revolução Americana (1775-1783) os britânicos recorreram ao reforço de mercenários alemães, que compunham a tropa hessiana (nome derivado da origem do contingente, já que muitos dos combatentes eram da região de Hessen-Kassel). Além dos uniformes vistosos, os hessianos usavam um exuberante chapéu ricamente ornamentado e este detalhe de beleza era justamente o ponto vulnerável da composição visual dos soldados, pois além de atrapalhar o movimento da cabeça, esbarravam em galhos e faziam com que os emblemas brilhantes reluzissem na claridade virando visíveis alvos para os atiradores americanos, que facilmente realizavam tiros nas cabeças dos oponentes, que viravam também vítimas da estética.

Os uniformes britânicos traziam detalhe mortal para seus soldados: uma aparentemente inofensiva (e inútil) faixa branca que se destacava sobre o casaco vermelho e pendia geralmente do alto do ombro direito, passando sobre o centro do tórax do combatente. Por que esse adereço era um problema? Por facilitar a pontaria do atirador, pois graças à faixa o oponente poderia mirar com melhor referência no coração do britânico elegantemente vulnerável.

De início os casacos vermelhos dos britânicos até chegavam a ser importantes como armas de intimidação, pois muitos inimigos tremiam diante dos pelotões que realmente causavam impressão com o grau de uniformidade que a visão dos soldados gerava. Mas não tardou e essa vantagem se converteu num problema. Ainda durante a Revolução Americana os casacos vermelhos se destacavam diante da paisagem e os soldados viravam alvos fáceis em virtude do destaque da cor de seus uniformes (que também contavam com a incômoda gola alta). Só no século 19 os britânicos se convenceram de que o vermelho não era uma cor adequada para uso em combate.

Durante a Guerra Civil Americana (1861-1865) uniformes também geravam problemas e a falta deles era algo ainda pior. No caso das tropas sulistas a situação de escassez era grande e a precariedade muitas vezes precisou contar com a reciclagem de itens. Durante a Batalha de Shiloh (1862) a situação foi desastrosa porque significativa parte dos soldados confederados foram colocados em combate usando uniformes que haviam sido recolhidos de adversários capturados, ou seja, lutaram usando uniformes inimigos. Durante as confusões típicas em combate, vários sulistas foram alvos de “fogo amigo” porque eram confundidos com soldados da União.

Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) uniformes continuavam causando estragos. Muitos dos exércitos dos países em combate já haviam abandonado seus uniformes tradicionais e nada práticos, recorrendo a cores neutras e com detalhes de camuflagem indispensáveis numa fase em que armas com mais precisão eram utilizadas, mas também eram usuais determinados detalhes que atrapalhavam os soldados. Os soldados franceses, por exemplo, entraram em guerra usando belos chapéus e não capacetes de aço – só durante a guerra trocaram a elegância pela funcionalidade, coisa que os alemães perceberam desde o início ao adotarem os stahlhelme, que protegiam bem as cabeças de seus soldados. Por insistência do ministro da guerra a França também não iniciou a guerra usando as tradicionais calças vermelhas da infantaria dos tempos de Napoleão e antes do conflito essa determinação foi duramente criticada na imprensa por representar um ultraje ao bom gosto e orgulho pátrio, mas o ministro estava certo, afinal, outras tropas combatentes de outros países resolveram apostar na tradição e seus soldados viraram alvos visualmente destacados nos campos de combate. O caso dos soldados romenos foi bem exemplificativo, pois eles entraram na guerra usando uniformes cheios de detalhes e destaques visuais nada discretos, ou seja, estavam na condição de alvos ambulantes bastante óbvios. Muitos morreram elegantemente trajados numa guerra que exigia trajes discretos.

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Palmanova, a cidade estrelada do Renascimento italiano

fevereiro 4, 2017
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Palmanova na obra Civitates Orbis Terrarum

Os italianos conceberam os fortes em formato estrelado para inovar as estruturas de defesa medievais que já não atendiam a exigências de novas condições no século XV. Estes novos fortes italianos passaram a ser construídos de tijolos e não mais de pedras e um dos mais notáveis exemplos deles foi a Fortaleza de Palmanova, fundada em 1593 na República de Veneza. A imponente e renascentista estrela de nove lados foi um audacioso projeto de Vincenzo Scamozzi (1549-1616), sendo uma cidade fortificada simétrica com três acessos protegidos (as portas Udine, Aquileia e Cividale) e dezoito ruas que convergiam para uma área central onde originalmente foi construída uma torre, o Palácio de Provveditore. 

A concepção original de Palmanova propunha um ideal de organização social onde todos os moradores deveriam aderir a um modelo igualitário no qual todos ocupariam espaços de uma mesma dimensão e assumiriam responsabilidades coletivas, mas quase ninguém concordou com a proposta e poucos interessados apareceram dispostos a viver em Palmanova, o que preocupou o governo após custosos investimentos em construir a a cidade e proteger a região com a estrutura de defesa militar inovadora. Em 1622 a cidade passou a ser o destino de presos que eram libertados como forma de garantir a a ocupação.

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Palmanova atualmente

Napoleão Bonaparte conquistou a região veneziana e mandou aprimorar para seus interesses estratégicos a estrutura da cidade, construindo um segundo muro estrelado ao redor da cidade como obstáculo adicional para eventuais invasores.

Durante as duas Guerras Mundiais Palmanova foi utilizada como apoio na condição de instalação hospitalar, mas o forte estrelado teve ao longo de sua história relativamente pouco uso efetivamente militar, pois sofreu raros ataques, sendo sitiada apenas três vezes.

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O drama da Família Smith: Sete filhos na guerra, seis mortos em combate

abril 24, 2014
A partir da esquerda: Os irmão Errol, o condecorado Clarence, Aubrey, Herbert, Frederick e Alfred (fotomontagem)

A partir da esquerda: Os irmão Errol, o condecorado Clarence, Aubrey, Herbert, Frederick e Alfred (fotomontagem)

Quem assistiu o filme O Resgate do Soldado Ryan talvez considere que a circunstância do personagem que teve três irmãos mortos em combate é mesmo coisa de cinema, mas os fatos reais trazem diversas situações comparáveis – e até piores.

A humilde família Smith, da pequena vila rural de Yongala, no sul da Austrália, viveu um drama radical por ocasião da Primeira Guerra Mundial. Frederick e Maggie Smith tiveram sete filhos homens e todos eles resolveram se alistar para combater naquela que era reconhecida por muitos como “a guerra para acabar com todas as guerras”, mas a experiência da família foi trágica. Seis dos irmãos morreram em combate: Herbert William, Frederick Walter, Alfred Ernest, Clarence Leslie, Errol Victor e Aubrey Lyall (tendo os últimos se alistado irregularmente, pois apresentaram documentação falsa com idades adulteradas) e o único a escapar vivo da guerra foi o primogênito da família, Francis Hume Smith, que acabou morrendo pouco depois do conflito num acidente de bonde.

A situação dos Smiths é a mais extrema de uma longa lista de catástrofes do tipo em famílias australianas por ocasião da guerra, segundo pesquisas. Mais de 2.800 duplas de irmãos morreram entre 1915 a 1918 na Batalha de Gallipoli e em ação na Frente Ocidental. Mais de 150 famílias perderam três filhos e outras cinco perderam também cinco filhos.

 

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Profissão Perigo: Desarmadores de bombas antes dos recursos tecnológicos

abril 9, 2014

O desarme de bombas é uma atividade de altíssima periculosidade. Os riscos e danos são tão graves que hoje em dia a tecnologia é utilizada para executar esta tarefa, pois os robôs com dispositivos controlados a distância agora são empregados para o cumprimento dessas missões. Mas no passado as bombas eram desarmadas diretamente por destemidos operadores que não possuíam os mínimos recursos de segurança disponíveis. Militares e policiais se encarregavam de encarar os perigos nem sempre com sucesso. Aqui alguns registros desta atividade arriscada.

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Operação para retirada de detonador de bomba alemã na Inglaterra em 1940

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Uma bomba japonesa que conseguiu penetrar no chão sem explodir sendo retirada por militares ingleses na Nova Guiné em 1942

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Soldado britânico avalia uma bomba alemã que falhou utilizando nada menos que uma picareta (1940)

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Bicicletas de guerra

abril 8, 2014

Hoje os espaços para as bicicletas são reivindicados em grandes cidades, que necessitam garantir ciclovias e ciclofaixas para a circulação de pessoas em suas “bikes” como uma sustentável e saudável opção de transporte. Muitos brasileiros já utilizam as bicicletas no deslocamento diário para o trabalho também como opção ao precário e caro serviço de transporte coletivo ou como forma de evitar o caos do trânsito automotivo. Também é crescente o volume de ciclistas que aderiram ao uso das bicicletas como forma de garantir um exercício físico divertido e produtivo através de passeios coletivos noturnos e nos fins de semana. Muitos nem imaginam o uso das bicicletas (além de triciclos e quadriciclos) para finalidades militares, mas elas também tiveram utilidade em campos de batalha (apesar de imaginarmos que isso pareça estranho hoje em dia). Aqui estão alguns modelos curiosos e interessantes.

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Soldados finlandeses na Força de Paz da ONU no Chipre (1964)

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Bicicleta suíça para artilharia pesada

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Membros de tropa colonial do Congo Belga (1943)

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Bicicleta dobrável britânica utilizada por paraquedistas durante a II Guerra Mundial

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