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Os Guerreiros Águia – A “Tropa de Elite” asteca

julho 21, 2016

Portada-Guerreros-AguilaOs Cuauhtli eram os Guerreiros Águia que, ao lado dos Ocelotl (Guerreiros Jaguar), compunham a elite militar asteca. A águia tem um papel importante na mitologia asteca, tendo indicado aos antigos mexicas o local de suas “Terra Prometida” e sendo vinculada ao sol (por isso os guerreiros também eram chamados de Soldados do Sol) e por isso constituir um grupamento de guerreiros em alusão a esta ave sagrada tem importantes significados. Os Guerreiros Águia eram ornamentados com adereços e utensílios ao poderoso animal e para ingressar nessa força militar era exigido um rigoroso preparo de homens que necessariamente já eram guerreiros antes de merecerem o privilégio e a honra de se vestirem de águias.

Ainda quando meninos, futuros integrantes da elite guerreira asteca eram selecionados entre a nobreza ou mesmo entre a população comum se já demonstravam precoces aptidões excepcionais. Apesar do treinamento duro, ingressar oficialmente nas fileiras da Sociedade dos Guerreiros Águia exigia dos jovens aspirantes provas de habilidade e valor em combate e a captura de inimigos era um meio de atender a essa exigência. A quantidade de capturas por guerreiro como requisito varia de acordo com relatos, estando entre quatro a doze ou mais prisioneiros e essas capturas exigiam um mínimo de duas batalhas consecutivas. Os prisioneiros também deveriam atender a requisitos, sendo excluídos aqueles que fossem fisicamente frágeis ou debilitados, exigindo presas em pleno vigor físico. A captura deveria ocorrer sem utilização de armas letais (o que facilitaria a intimidação, reduzindo o efeito da habilidade sobre o resultado).

Uma vez aprovados, os guerreiros manobrariam armamentos como arcos, lanças, punhais, estilingues, propulsores de lanças, “macuahuitl” (arma de madeira incrustada com lâminas de obsidiana) e com utensílio de proteção como armadura de acolchoada de algodão, escudos e o característico capacete em forma de águia. Também passavam a gozar de privilégios e reconhecimento social, podendo ostentar publicamente sinais de distinção, dispor de concubinas, ter terra sem cobrança de impostos com direito de transmissão por herança e também podiam participar da vida política.

Mas ser um Guerreiro Águia não era o limite da ascensão social pela via militar, pois a cerreira exigiria outras demonstrações de valor e bravura com a possibilidade de novas promoções.

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Massacre da idade da pedra oferece evidência mais antiga da ocorrência guerras

janeiro 21, 2016

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Esqueleto de homem contendo diversas lesões cranianas

Em Nataruk, perto do Lago Turkana, no Quênia, foram encontradas evidências seguras e comprovadas da ocorrência de uma batalha entre caçadores-coletores nômades pré-históricos. O conflito ocorreu por volta de 10.000 anos atrás e atos brutais fizeram parte da luta, pois diversos crânios com fraturas graves, incluindo ferimentos faciais, além de ossos quebrados de mãos, joelhos, costelas e pontas de flechas ainda cravadas em ossos foram descobertos no cenário da guerra. Uma mulher nos últimos estágios de gravidez foi encontrada com antebraços e pernas cruzados (porque estavam provavelmente presos), tendo joelhos fraturados. Um esqueleto de homem foi descoberto contendo no crânio um fragmento de lâmina de obsidiana – um tipo de vidro vulcânico forte e cortante – e, além desse ferimento, com esmagamento facial provavelmente causado por uma clava de madeira.

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Esqueleto feminino com fraturas e indícios de que a vítima pode ter sido amarrada antes de morrer

Os restos mortais fossilizados foram preservados em uma antiga área pantanosa que secou há milhares de anos, indicando que por ocasião do conflito a região era fértil e com favoráveis meios e condições para sobrevivência. Por conta disso cientistas avaliam que o Massacre de Nataruk pode ter sido resultado de de disputas por recursos e territórios, além da possibilidade de uma ação de pilhagem de alimentos armazenados em potes.

Os pesquisadores da Universidade de Cambridge envolvidos nas escavações concluem que o Massacre de Nataruk é um indício de que a violência é mesmo uma prática comum entre os humanos desde tempos remotos.

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Baixa tecnologia também foi empregada na Segunda Guerra Mundial

junho 23, 2015

Não apenas por meio de bomba atômica, caças e tanques poderosos que a Segunda Guerra Mundial será lembrada. No conflito também foram empregados recursos nada avançados e que cumpriram suas finalidades. Aqui estão alguns exemplos.

  • Biplanos

Os velhos aviões usados na Primeira Guerra contrastaram com as aeronaves modernas com as quais dividiam os céus. A aviação avançou bastante entre as duas guerras, mas isso não descartou de vez o emprego dos aviões com tecnologia mais antiga.

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FIAT C.4.42 Falco

O FIAT C.4.42 Falco era um exemplo de modelo que persistia numa engenharia tida como obsoleta, mas o pequeno avião italiano entrou em combate mesmo assim – até maio de 1945 os velhos Falco eram empregados em ataques.

Biplano soviético largamente empregado em combate

Biplano soviético largamente empregado em combate

Também teve destaque o britânico Gloster Gladiator SS37, último modelo dessa categoria utilizado pela RAF, e o soviético Polikarpov PO-2, que os alemães pejorativamente chamavam de “máquina de costura”, mas que que lhes causaram grande estrago na Batalha de Stalingrado, sobretudo através de ataques noturnos conduzidos principalmente por mulheres pilotos russas que faziam os aviões planarem com os motores desligados sobre os inimigos em solo.

  • Cavalaria
Cavalaria polonesa na Batalha do Bzura, em 1939

Cavalaria polonesa na Batalha do Bzura, em 1939

Na Primeira Guerra as tropas montadas perderam o status de força de combate eficiente, mas isso não significou a completa extinção desse tipo de grupamento. Mesmo o poderoso exército nazista possuía quatro divisões montadas durante a Segunda Guerra e os soviéticos mantiveram treze – consta que mesmo os EUA estavam, em 1941, constituindo uma divisão com mais de 20.000 cavalos.

  • Transporte animal
Soldados alemães na Criméia

Soldados alemães na Criméia

A guerra não foi totalmente motorizada quando as operações de logística eram realizadas. Para fins estruturais também foram empregados animais de tração em diversos serviços e os alemães mantiveram por volta de 1,1 milhão da cavalos em operação para serviços logísticos.

  • Pombo correio
Forças aliadas acionando um pombo correio

Forças aliadas acionando um pombo correio

Essa prática introduzida pelos antigos persas não foi abandonada na Segunda Guerra Mundial, pois pombos treinados voavam transmitindo mensagens através de campos de batalha. Os britânicos chegaram a empregar mais de 250 mil aves durante a guerra e possuíam um departamento especializado nesse tipo de atividade em suas Forças Armadas. Os pombos reduziam a possibilidade de interceptação de comunicação – o que era comum no emprego de sinal de rádio – e diminuíam a dependência de recursos então tidos como de alta tecnologia.

  • Sinalização visual
Comandante de tanque russo após êxito em combate ao lado de um tanque alemão Tigre I vencido em combate

Comandante de tanque russo após êxito em combate ao lado de um tanque alemão Tigre I vencido em combate

Usualmente associada à comunicação marítima e também aérea, a sinalização visual também foi empregada nas divisões motorizadas soviéticas (o mais comum seria imaginar o emprego de rádio entre os tanques de guerra, como faziam os alemães e norte-americanos). Eram utilizados semáforos luminosos para sinalizar estratégias e comandos mesmo nos poderosos tanques T-34, que tanto atormentaram os alemães.

  • Trincheiras
Trincheira em Leningrado, 1942

Trincheira em Leningrado, 1942

Por séculos as trincheiras eram empregadas em combates e aparentemente perderiam sentido diante da ofensiva tecnológica e da infantaria motorizada, mas na Segunda Guerra Mundial as escavações eram também altamente empregadas. Na Batalha de Sebastopol, na Criméia, os soviéticos estruturaram um complexo de trincheiras para enfrentar a artilharia alemã, mas esse não é um exemplo isolado do emprego dos fossos fortificados, pois em vários campos de batalha o antigo método de defesa foi utilizado seja pelos Aliados quanto também pelos integrantes do Eixo.

  • Inundação
Inundação provocada por alemães na Holanda, 1944

Inundação provocada por alemães na Holanda, 1944

Também não era nenhuma novidade a manipulação de cursos e fluxos de água com finalidade bélica – o que ocorria por meio da destruição de diques e represas – e não faltaram apelos para essa tática. Os alemães deixaram um rastro de inundações provocadas ao destruírem estruturas de represamento quando recuavam de suas posições a partir de 1944, o que retardava o avanço de seus inimigos que pressionavam e cercavam as tropas nazistas.

  • Guerra biológica
Integrantes da temida Unidade 731, do Exército Imperial do Japão, especializada em guerra biológica

Integrantes da temida Unidade 731, do Exército Imperial do Japão, especializada em guerra biológica

Agentes infecciosos e veneno também eram empregados como armas. O apelo para a contaminação já era usado na Antiguidade e na Idade Média, mas não foi abandonado na Segunda Guerra Mundial. Disseminar toxinas ou patógenos foi prática no conflito e, por exemplo, japoneses contaminavam fontes de água potável em aldeias chinesas para disseminar cólera e tifo.

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Armas falsas e estratégias de enganação na Segunda Guerra Mundial

junho 21, 2015

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Durante a Segunda Guerra Mundial enganar o inimigo poderia ser tão decisivo quanto vencê-lo numa batalha. Para isso os contendedores usavam a criatividade para iludir seus oponentes e criar falsas impressões, tendo utilizado meios para enganar através de objetos e cenários falsos. A malandragem de guerra envolvia a elaboração de sofisticados artifícios como veículos infláveis, armas que não tinham efetividade destrutiva, soldados e até cidades “fake”. Os exemplos eram curiosíssimos.

Canhão inflável: A única explosão que poderia causar seria dele mesmo caso a borracha fosse rompida ou enchido demais.

Canhão inflável: A única explosão que poderia causar seria dele mesmo caso a borracha fosse rompida ou enchido demais.

Além de tanques e outros veículos de borracha que serviam para criar a ilusão de que os comboios militares eram maiores do que realmente costumavam ser (o gif acima demonstra criações do exército dos EUA), valiam outras armações como sistemas de som que reproduziam estrondos de explosões e ruídos de veículos terrestres e aviões inexistentes, que provocavam terror entre os inimigos que achavam que estavam diante de forças que não poderia enfrentar ou conter (clique e confira).

Até em ataques aéreos os Aliados empregavam paraquedistas falsos para influenciar uma perspectiva enganadora do volume da ofensiva através do emprego de bonecos (que os norte-americanos chamavam de Oscar e os britânicos chamavam de Rupert). E, claro, é conhecido o emprego em larga escala de navios falsos para despistar os nazistas por ocasião da execução estratégica do Dia D.

Outra curiosa aplicação da falsidade foi realizada para esconder as instalações da Boeing (que produzia significativa parte das aeronaves de guerra dos EUA), em Seattle. Com receio de um bombardeio alemão, uma cidade falsa de 25 hectares foi inteiramente foi montada sobre a fábrica

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Bicicletas de guerra

abril 8, 2014

Hoje os espaços para as bicicletas são reivindicados em grandes cidades, que necessitam garantir ciclovias e ciclofaixas para a circulação de pessoas em suas “bikes” como uma sustentável e saudável opção de transporte. Muitos brasileiros já utilizam as bicicletas no deslocamento diário para o trabalho também como opção ao precário e caro serviço de transporte coletivo ou como forma de evitar o caos do trânsito automotivo. Também é crescente o volume de ciclistas que aderiram ao uso das bicicletas como forma de garantir um exercício físico divertido e produtivo através de passeios coletivos noturnos e nos fins de semana. Muitos nem imaginam o uso das bicicletas (além de triciclos e quadriciclos) para finalidades militares, mas elas também tiveram utilidade em campos de batalha (apesar de imaginarmos que isso pareça estranho hoje em dia). Aqui estão alguns modelos curiosos e interessantes.

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Soldados finlandeses na Força de Paz da ONU no Chipre (1964)

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Bicicleta suíça para artilharia pesada

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Membros de tropa colonial do Congo Belga (1943)

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Bicicleta dobrável britânica utilizada por paraquedistas durante a II Guerra Mundial

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As 16 datas que mudaram o mundo: 9- A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

outubro 21, 2008
Pierre Miquel (1930-2007)

Por Pierre Miquel (1930-2007) - Historiador francês

O antes de Sarajevo, em junho de 1914: a Europa dos reis prossegue tranquilamente a conquista e a exploração do mundo, não sem batalhas entre as nações e não sem resistências populares e coloniais.

O depois de Sarajevo é o nascimento de um novo mundo: a Europa perdeu o primeiro round, causando e sofrendo a primeira grande carnificina da História. Dois Estados que deram dois milhões de homens para a coalizão aliada destacam-se, a Rússia revolucionada e os Estados Unidos vencedor, e impõem em Versalhes os princípios de um direito internacional ao qual todos os povos devem aderir: Wilson contra Lênin.

*****

O equilíbrio do mundo chancela em Sarajevo. No dia 28 de junho de 1914, o arquiduque herdeiro da Áustria-Hungria, Francisco Ferdinando, e sua esposa são assassinados por um terrorista sérvio, Gravilo Princip, na pequena cidade da Bósnia.

A Europa é um barril de pólvora. A paz é mantida somente pelo equilíbrio das alianças, a da França, Inglaterra e Rússia, contra a da Alemanha e Áustria-Hungria. Nessa Europa dos reis, duas repúblicas, a francesa e a pequena república portuguesa, e quatro impérios frágeis dominam as nacionalidades que querem tornar-se nações independentes.

O império mais doente é o austro-húngaro, ameaçado em sua coesão pelas populações servias reunidas na Bósnia anexada ao império. Essa minoria servia da Bósnia é apoiada, em seu desejo de se unir à vizinha Sérvia, pelos governos de Belgrado e de São Petersburgo.

A Rússia autocrática – dominando um terço da Polônia, os Estados Bálticos e os povos muçulmanos do sul – não está em melhor posição. Seu exército acaba de ser derrotado pelos japoneses e o regime czarista debelou com dificuldade, em 1905, uma tentativa de revolução.

O império otomano, que domina uma parte da Europa (a Trácia ocidental) e os povos árabes da Síria e os do Líbano, os cristãos da Armênia e do Oriente, está há algum tempo doente. Suas finanças estão nas mãos dos anglo-franceses, seu exército, nas mãos dos alemães. Ele acaba de passar pela revolução dos Jovens Turcos que querem impedir que o império desapareça, mesmo com o risco de uma guerra.

O II Reich alemão é o único império sólido e triunfante. Ele constituiu sua unificação por meio de três guerras, uma pela conquista dos ducados dinamarqueses, o Schleswig e o Holstein, outra, em 1866, para desencorajar a Áustria de liderar a unificação alemã na Europa, e a terceira contra a França, em 1870, para se apossar do Reichsland da Lorena e da Alsácia. O Reich domina também, como a Áustria e a Rússia, uma parte da Polônia.

Como conseqüência desses conflitos, esses impérios vão desaparecer e serão reduzidos à sua mais simples expressão. A Europa que sairá da sangria de 1914-1918 (9 a 10 milhões de mortos, sem contar os desaparecidos) será a Europa das pequenas nações do Tratado de Versalhes.

Jamais os contemporâneos foram tão conscientes de um antes e de um depois da História como no fim desse conflito. A guerra arruinou todos os beligerantes: mais de 65 milhões de homens mobilizados, milhares de dispensados, as reservas em ouro esgotadas.

Pela primeira vez na História, todos os povos europeus, mesmo os ingleses, devem mobilizar-se, faixa etária após faixa etária, para participar de uma guerra de extermínio, uma guerra de massas.

Pela primeira vez, uma guerra mobiliza todas as invenções tecnológicas para matar mais rápido. As vítimas dos submarinos, dos aviões e dos tanques, dos canhões e das metralhadoras, dos fuzis de tiro rápido e dos lançadores de granadas e também das armas químicas, do gás e do lança-chamas se contam em centenas de milhares.

Nos campos de batalha de Verdun e de Somme, em 1916, ingleses, alemães e franceses procuram provar que é possível destruir tudo o que é vivo num determinado espaço. A guerra de cansaço substitui a guerra de estratégia. Os estatísticos do Estado-Maior contam os homens que devem ser mortos mensalmente, como se fossem cavalos. Eles fazem parte das estatísticas.

Os civis não são poupados. Os ataques de zepelins sobre Londres fazem numerosas vítimas. Ypres, Arras, Verdun, Albert são cidades mártires arrasadas pelos canhões. Uma artilharia pesada alemã atira todos os dias sobre Dunquerque, outra sobre Nancy. A igreja de São Gervásio em Paris é bombardeada pela Grosse Bertha — os canhões Bertha: 80 mortos em uma sexta-feira santa. E o Lusitânia, um navio afundado pelos submarinos alemães, no qual numerosos passageiros civis americanos morreram. E o martírio da Bélgica: reféns e repressão, trabalho forçado e requisições. No Oriente, a eliminação da população armênia pelo turcos assemelha-se a um massacre organizado. Outras matanças ensangüentam a Ucrânia.

Pela primeira vez, os Estados Unidos da América esquecem a doutrina de Monroe e intervêm maciçamente na Europa, para definir uma ordem mundial baseada no direito e tornando uma guerra impossível. Eles pedem a liberdade dos povos e a liberdade dos mares. Eles combatem pelo direito e pelo dólar.

Sem o socorro dos dois milhões de soldados vindos do outro lado do Atlântico, mas sobretudo sem a ajuda financeira, econômica e industrial dos Estados Unidos, a Alemanha imperialista não poderia ser derrotada. Uma revolução obriga o Estado-Maior a agir. A intervenção do presidente dos Estados Unidos obriga Ludendorff a se demitir e o imperador Guilherme II a abdicar para dar lugar a uma república alemã dirigida primeiro pelo chanceler Max de Bade, e depois pelos social-democratas signatários do armistício de Rethondes de 11 de novembro de 1918.

Se os senadores americanos recusam-se a assinar em 1919 o Tratado de Versalhes, eles dão ao presidente Wilson o tempo para instalar a Liga das Nações em Genebra. Uma Liga da qual Woodrow Wilson, derrotado nas eleições presidenciais, participa tanto quanto Lênin, e que pretende garantir a paz no mundo.

Pela primeira vez, sai de uma guerra uma revolução de escala mundial, a revolução da Rússia czarista que se transforma em bolchevique e que instala, graças à assinatura da paz em separado com a Alemanha em Brest-Litovski, um regime comunista criador de uma Terceira Internacional que convoca os povos do mundo inteiro a unirem-se o mais rápido possível à revolução.

O depois da guerra é uma derrota trágica e lamentável. Os americanos que se transformaram em isolacionistas abandonam a Europa, que se entrega novamente a uma furiosa rivalidade entre as nações e a seguir a uma crise mundial que conduz ao fascismo. A atitude reservada dos americanos não os impede de investir maciçamente na Alemanha e de controlar, por meio de seus banqueiros Dawes e Young, o pagamento escalonado e constantemente reduzido da dívida alemã, exigindo, ao mesmo tempo, com insistência, o reembolso integral das dívidas aliadas. A sexta-feira negra americana repercute imediatamente na Alemanha onde os bancos desmoronam em 1929, impossibilitando o pagamento da dívida de guerra. O desemprego e a queda do nível de vida resultante encorajam poderosamente a ascensão do hitlerismo, que utiliza em seu favor os erros do Tratado de Versalhes, abandonando os territórios e as populações alemãs para as novas nações eslavas, como a Polônia ou a Tchecoslováquia.

A derrota da paz de Versalhes é também a derrota da democracia que não conseguiu se estabelecer nas nações liberadas. A democracia é inexistente tanto em Varsóvia quanto em Bucareste, tanto em Budapeste quanto em Belgrado, onde os deputados atiram uns nos outros com revólveres. O modelo inglês ou francês só conseguiu ser imitado, com sucesso, em Praga. Em todos os outros lugares, a nova Europa durante a década de 30 volta-se para o modelo fascista italiano e se entrega a novos senhores. Horthy na Hungria, Pilsudski, antes do coronel Beck, na Polônia. Os egoísmos nacionais não permitiram aos grandes países europeus e aos Estados Unidos da América dar à crise mundial de 1929 uma resposta eficaz, bloqueando tanto a evolução previsível em direção a regimes autoritários quanto o risco de uma nova guerra.

A derrota do comunismo como uma missão mundial não é menos evidente. A guerra civil, encorajada pelos aliados, toma conta da Rússia, onde Lênin, Trotsky e Stalin criam o exército vermelho que restabelece a ordem com um banho de sangue e aproveitam para eliminar as tendências rivais, os anarco-sindicalistas por exemplo. As tentativas revolucionárias na Europa fracassam em todos os lugares: a revolução é reprimida na Alemanha e na Hungria. As greves revolucionárias são vencidas na França. Na Itália o fascismo povoa prisões e ilhas com comunistas. A nova ideologia soviética só pode oferecer, como modelo para todos os partidos comunistas estrangeiros, a vitória do “comunismo em uma só nação”. Stalin está a caminho.

O depois da grande guerra é uma derrota, pois o sistema colonial subsiste com as tensões que ele envolve, especialmente na índia, na China e na Indochina, na África do Norte onde se constituem os primeiros movimentos de resistência. A política de mandatos, inaugurada pela Liga das Nações, culmina em acontecimentos sangrentos no Oriente, especialmente na Síria e no Líbano ocupados pelo exército francês. Todas as fraquezas do sistema colonial, todas as revoltas encontram em Moscou um interlocutor atento.

O depois da guerra é uma derrota, pois ele de forma alguma eliminou o militarismo. As esquadras de guerra anglo-saxônicas e japonesas entregam-se a uma insensata rivalidade armamentista. A França mantém o primeiro exército armado do continente, seguido de perto pelo exército vermelho que consagra somas enormes para a produção de material de guerra. A Alemanha recorreu a todos os expedientes para contornar as cláusulas de desarmamento contidas no Tratado de Versalhes e fabricar no estrangeiro os protótipos de tanques e de aviões de combate. A paz é uma paz armada, ameaçadora, pronta para engendrar, vinte anos mais tarde, uma nova guerra mundial.

O depois da guerra é finalmente uma derrota, pois os direitos do homem não foram reconhecidos no mundo e foram terrivelmente ultrajados não somente durante a guerra, mas durante a revolução russa. Sarajevo destruiu a Europa, mas também fragilizou o mundo, até tornar possível a dramática escalada dos totalitarismos decididos, para vencer, a negar os direitos mais elementares do homem: o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade com a qual sonharam, em 1776, os constituintes norte-americanos.

 

 

Pequena Cronologia

 

A Grande Guerra

  • 18 de outubro de 1912: Primeira guerra balcânica. A Turquia, vencida pela Bulgária aliada da Sérvia, de Montenegro e da Grécia, está praticamente eliminada da Europa. É uma bofetada para os Jovens Turcos.
  • Junho-julho de 1913: Segunda guerra balcânica. A criação da Albânia, exigida pela Áustria, desagrada a Sérvia e Montenegro. A Grécia e a Sérvia preparam a divisão da Macedônia, à custa da Bulgária, que, vencedora em 1912, encontra-se sozinha contra a coalizão dos sérvios, gregos, romenos e turcos. Os búlgaros, humilhados, vêem a Macedônia lhes escapar, dividida entre os vencedores. Eles entregam também a Dobroudja meridional aos romenos, e a cidade de Adrinopla aos turcos. A Bulgária, tão eslavófila e russófila, torna-se disponível para uma aliança com Viena e Berlim.
  • 28 de junho de 1914: Assassinato de Francisco Ferdinando de Habsbourg, arquiduque herdeiro da Áustria, em Sarajevo, na Bósnia. O processo do terrorista sérvio Princip dá lugar a um afrontamento diplomático entre Belgrado e Viena, que se agrava a ponto de colocar em jogo o sistema de alianças. 23 de julho de 1914: Ultimato austríaco à Sérvia.
  • 28 de julho: Declaração de guerra da Áustria à Sérvia. 30 de julho: Mobilização geral decretada na Rússia.
  • l? de agosto: Declaração de guerra da Alemanha à Rússia. 4 de agosto: Declaração de guerra da Alemanha à França. Violação imediata, pelo exército alemão, da neutralidade belga. O plano de guerra alemão de Von Schlieffen baseia-se na eliminação completa do exército francês em seis semanas. A invasão da Bélgica leva a Inglaterra a declarar guerra à Alemanha, seguida pelo Japão em 23 de agosto.
  • 29  de novembro: Entrada da Turquia no conflito ao lado da Alemanha.
  • Agosto e setembro de 1914: Derrotas francesas na Alsácia, em Lorena e em Charleroi. Vitória alemã contra os russos em Tannenberg e em Masures. 
  • De 6 a 10 de setembro de 1914: Vitória franco-britânica no Marne. Os exércitos alemães recuam cem quilômetros e se entrincheiram em mil quilómetros de front, de Ypres a Belfort. 
  • 1915: Derrota das ofensivas francesas e britânicas. Derrota em Dardanelos. Derrota dos russos que abandonam a Polônia e a Lituânia para os alemães. Derrocada da Sérvia depois da entrada, na guerra, da Bulgária ao lado de Viena e Berlim. A Itália entra em guerra, em maio, ao lado dos aliados.
  • 1 1916: Derrota alemã em Verdun e dos aliados em Somme. Apesar do sucesso em Broussilov, os exércitos russos recuam novamente. A Romênia é invadida.
  • Março de 1917: Queda do czarismo na Rússia.
  • Abril de 1917: Derrota da ofensiva Nivelle no Chemin dês Da-mes e começo dos grandes motins do exército francês (até julho).
  • 6 de abril de 1917: Declaração de guerra dos Estados Unidos à Alemanha por causa da guerra submarina.
  • 6 a 8 de novembro de 1917: Revolução bolchevique na Rússia. Lênin toma o poder.
  • Novembro de 1917 a março de 1918: Paz de Brest-Litovski. A Rússia retira-se da guerra.
  • Março-julho de 1918: Grandes ofensivas alemãs de Ludendorff na França barrada por Foch, que se torna generalíssimo dos exércitos aliados. Vitória aliada na segunda batalha do Marne em julho, de Franchet d’Esperey no front de Salônica e dos italianos em outubro em Vittorio Veneto.
  • 11 de novembro: Armistício no oeste.

O pós-guerra

  • 10 de setembro de 1917: Tratado de Saint-Germain.
  • 28 de junho de 1919: Assinatura do Tratado de Versalhes.
  • 27 de novembro de 1919: Tratado de Neuilly.
  • 4 de junho de 1920: Tratado de Trianon. Esses tratados complementares consagram a ruína dos impérios centrais, austríacos, turco, russo e alemão e seu desmantelamento em proveito das pequenas nações.
  • 10 de janeiro de 1920: Entrada em vigor do Tratado de Versalhes e a criação da Liga das Nações Unidas em Genebra. O Senado norte-americano recusa-se a ratificar o tratado, e os Estados Unidos estão ausentes da Liga das Nações Unidas.
  • 1926: Entrada da Alemanha na Liga das Nações Unidas, da Turquia em 1932, da URSS em 1934.
  • 1933: Retirada do Japão condenado por sua agressão na Mandchúria.
  • 1933: Retirada da Alemanha hitlerista. 1934: Rearmamento alemão. 1936: Remilitarização da Renânia.
  • 1937: Retirada da Itália fascista castigada com sanções por sua agressão. Anscbluss na Etiópia. 1938: A Áustria é anexada à Alemanha nazista. 1939: Desmembramento da Tchecoslováquia. 1939: Retirada da Hungria e da Espanha franquista. Dezembro de 1939: Exclusão da URSS em seguida de sua agressão contra a Finlândia. Abril de 1946: Dissolução oficial da Liga das Nações Unidas.
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    A Revolução Russa

    outubro 2, 2008

     

    O czar Nicolau II

    O czar Nicolau II

    A Rússia consolidou-se como Estado no final do século XVI, com Ivan IV, o Terrível, que adotou o título de czar. Com ele teve início o absolutismo e a expansão territorial do país. Essa expansão se prolongou até o final do século XIX, quando a Rússia se transformou em uma das maiores nações do planeta, com mais de 22 milhões de quilômetros quadrados. Por volta de 1914, sua população chegava a 174 milhões de pessoas. Apesar desses números, até o começo do século XX a economia russa continuava predominantemente rural. Enquanto a Inglaterra e outros países europeus contavam com sólidos parques industriais e encontravam-se em plena Segunda Revolução Industrial, a Rússia dispunha de poucos centros fabris. Ali, os operários trabalhavam em ambientes insalubres, com salários extremamente baixos e enfrentavam jornadas de até catorze horas diárias. No campo, a situação era ainda pior: 85% da população total do país era constituída por camponeses pobres. A maioria deles vivia sob o regime feudal de servidão. A abolição do regime servil, em 1861, não contribuiu para melhorar sua situação, pois eles continuaram a viver sob o jugo dos grandes proprietários rurais.

    Politicamente vigorava no país uma espécie de monarquia absolutista – o czarismo -, que reprimia qualquer manifestação contrária ao governo. Ai forças que davam sustentação política ao czar eram formadas pelos donos de terras (nobreza), pelos militares e pela Igreja ortodoxa. A repressão e o autoritarismo provocaram o surgimento de grupos clandestinos de oposição, defensores de mudanças econômicas, sociais e políticas. Entre esses grupos destacavam-se os anarquistas, os narodniks (populistas) e os socialistas. Tanto os anarquistas quanto um setor dos populistas preconizavam o emprego de ações terroristas contra membros do governo. Em uma dessas ações, foi morto o czar Alexandre II (1818-1881).

    Atrasada em relação à Europa ocidental, a Rússia só começou a se industrializar no final do século XIX. Dois fatores foram decisivos nesse processo: a ação do governo, que investiu sobretudo na construção de ferrovias; e a intervenção do capital estrangeiro, por meio de empréstimos e investimentos diretos. Além desses fatores, a produção industrial foi favorecida pelo baixo custo da mão-de-obra, formada por trabalhadores de origem rural, recém-chegados às grandes cidades. Outra característica da industrialização russa foi sua concentração em três pontos do território: Moscou, a capital São Petersburgo e a região do rio Don. Nesses lugares formaram-se grandes unidades industriais – como a usina siderúrgica Putilov, em São Petersburgo, por exemplo -, que reuniam milhares de operários. Assim, no começo do século XX a Rússia era um país camponês com algumas ilhas de alta concentração industrial.

    Lênin

    Lênin

    O crescimento industrial refletiu no desenvolvimento das cidades: entre a década de 1860 e 1914, a população urbana passou de 6 milhões para quase 19 milhões de pessoas. Pressionados pelas péssimas condições de vida e de trabalho, os operários russos começaram a se organizar em associações. Em 1898, intelectuais e ativistas da classe trabalhadora formaram o Partido Operário Social-Democrata Russo, POSDR, grupo clandestino de orientação marxista. Em 1903 o POSDR se dividiu em duas tendências. Uma delas era a dos bolcheviques. Liderada por Lenin (pseudônimo de Vladimir Ilitch Ulianov), essa facção propunha a formação de uma aliança operário-camponesa para lutar pelo poder, como primeiro passo para se chegar ao socialismo, o que, segundo Lenin, só seria possível por meio de uma revolução. A outra tendência era a dos mencheviques. Mais moderados do que os bolcheviques, eles argumentavam que era preciso apoiar a burguesia, pois esta deveria liderar a luta contra o czarismo em uma revolução democrática. Só então se poderia organizar a classe operária para a revolução socialista. 

    Trotsky

    Trotsky

    Em 1905 a Rússia foi derrotada na Guerra Russo-Japonesa (1904-1905) pela posse da Manchúria e da Coréia. A derrota contribuiu para aumentar a insatisfação que se tornava cada vez maior em todo o país. Em janeiro de 1905, ainda durante o conflito, cerca de 200 mil pessoas, lideradas pelo padre Georg Gapon, saíram às ruas de São Petersburgo, capital do país, em manifestação pacífica por uma Assembléia Constituinte e por melhores condições de vida e de salário. Forças do governo dispararam contra a multidão, matando cerca de mil pessoas. Conhecido como domingo sangrento, o massacre repercutiu em toda a Rússia, levando à radicalização dos protestos. Greves, saques e manifestações eclodiram por toda parte. No mar Negro, os marinheiros do encouraçado Potenkim se sublevaram. Em outubro, uma greve geral paralisou o país. Nas grandes cidades foram criados sovietes, conselhos formados por representantes dos trabalhadores para tomar decisões políticas na luta contra o czarismo. O soviete mais importante era o da capital São Petersburgo, presidido por Lev Davidovich Bronstein, conhecido como Leon Trotski. Encurralado pela revolução, o czar Nicolau II cedeu a algumas das exigências dos revolucionários. Assim, legalizou os partidos políticos e concedeu poderes legislativos à Duma, uma espécie de Parlamento. Ao mesmo tempo, no entanto, reprimiu duramente os sovietes e o movimento grevista. Trotski e outros líderes foram presos.

    Manifestação na cidade de Petrogrado

    Manifestação na cidade de Petrogrado

    O governo russo entrou na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) com um exército numeroso (mobilizou cerca de 15 milhões de soldados durante o conflito), mas despreparado: muitas vezes, seus combatentes iam para a frente de batalha desprovidos de botas e fuzis. Milhares de soldados morreram ou desertaram. A guerra desorganizou completamente a economia do país: houve fome, desemprego, inflação. No dia 27 de fevereiro de 1917 (12 de março no calendário ocidental) a população de São Petersburgo e de outras cidades se revoltou. O czar foi obrigado a abdicar e o poder passou para as mãos de um governo provisório eleito pela Duma e composto de liberais e mencheviques. Ao mesmo tempo, operários, camponeses, soldados e marinheiros organizaram sovietes por todo o país. Os novos governantes aboliram a censura à imprensa, legalizaram os partidos e libertaram os presos políticos. Os exilados puderam retornar, enquanto o czar e sua família eram presos. Mas o país continuou envolvido na guerra, e a principal reivindicação dos camponeses – a reforma agrária – não foi atendida.

    Em abril de 1917, depois de voltar da Suíça, onde se encontrava exilado, Lenin lançou violentos ataques contra o governo provisório, proclamando os lemas “Paz, pão e terra” e “Todo o poder aos sovietes!”. Enquanto isso, Trotski, que também havia retornado do exterior, era eleito presidente do soviete de Petrogrado (novo nome da capital, a antiga São Petersburgo), o mais importante da Rússia, e aderia ao Partido Bolchevique. Com sua política de “Paz, pão e terra”, os bolcheviques conquistaram rapidamente a liderança da maioria dos sovietes e, na noite de 24 para 25 de outubro de 1917 (6 para 7 de novembro no calendário ocidental), derrubaram o governo provisório por meio de uma insurreição organizada e dirigida por Trotski.

    Ato politico de rua durante a Revolução

    Ato político de rua durante a Revolução

    Com a Revolução de Outubro, a Presidência do pais foi entregue a Lenin, que proclamou a formação da República Soviética Russa. O novo governo estatizou fábricas, estradas de ferro e bancos e confiscou os bens da Igreja. As grandes propriedades foram expropriadas e distribuídas aos camponeses. No plano externo, russos e alemães assinaram um acordo de paz em separado, o Tratado de Brest-Litovsky (1918). Em seguida, porém, o país mergulhou em uma sangrenta guerra civil que colocou em confronto o Exército Vermelho, organizado e comandado por Trotski, e o Exército Branco, mobilizado pelas antigas classes dominantes (senhores de terras, grandes empresários, generais do exército czarista) e apoiado pelas potências ocidentais. Durante a guerra civil, que seria vencida pelo Exército Vermelho, Lenin adotou medidas de centralização do poder em torno do Partido Bolchevique, agora chamado de Partido Comunista. Assim, foi implantada uma rígida disciplina nas fábricas, cujos cargos principais foram ocupados por burocratas do governo; a imprensa passou a ser controlada, os partidos políticos foram postos na ilegalidade e a própria liberdade de discussão no interior do Partido Comunista foi restringida. Muitos opositores do novo regime foram presos. 

    Stalin

    Stalin

    O czar Nicolau II e sua família foram executados. Conforme o Partido Comunista, único autorizado a funcionar, passava a controlar todas as esferas da sociedade, os sovietes deixaram de ser um espaço para a discussão democrática e transformaram-se em meros executores das ordens do Partido. Em 1922 Lenin sofreu um ataque cardíaco e afastou-se pouco a pouco do poder, até morrer, em 1924. O secretário-geral do Partido Comunista, Josef Stalin, passou a disputar com Leon Trotski a liderança da União Soviética. Os dois tinham opiniões antagônicas a respeito dos caminhos da revolução. Para Trotski, a revolução socialista deveria ser difundida para outros países como forma de garantir a sobrevivência do socialismo na União Soviética. Já Stalin acreditava que a revolução deveria ser consolidada primeiro no próprio país (teoria do Socialismo em um só país). Trotski também criticava a burocratização do Estado, a extinção da vida democrática no interior dos sovietes e o excesso de poder concentrado nas mãos de Stalin. Stalin tinha a seu serviço a burocracia do Estado e do Partido.

    Vencedor da disputa com Trotski, passou a dominar o país com mão-de-ferro, levando ao extremo as tendências autoritárias já reveladas na época de Lenin. Seu governo deu grande impulso à industrialização por meio de planos quinqüenais. Ao mesmo tempo, estabeleceu um regime totalitário e passou a eliminar todos os seus adversários, que eram presos ou executados.

    Bandeira comunista soviética

    Trotski foi expulso da União Soviética em 1929 e obrigado a exilar-se no México, onde morreu assassinado a mando de Stalin em 1940. Todos os outros líderes da Revolução de Outubro, à exceção de Lenin e de Sverdlov, que morreram de morte natural, foram presos e executados em processos sumários. Sob o governo de Stalin, a União Soviética isolou-se do resto do mundo e se transformou em uma potência mundial. No entanto, o projeto da formação de uma sociedade igualitária, um dos ideais dos primeiros marxistas, foi abortado. Em lugar do socialismo, surgiu uma sociedade burocratizada, controlada por uma elite de funcionários privilegiados – a burocracia soviética -, enquanto a massa da população vivia em condições precárias e se via excluída dos órgãos de decisão. No topo dessa sociedade estava o Partido Comunista, que controlava integralmente todos os órgãos do Estado. O chefe desse partido, Stalin, era considerado infalível e seus opositores invariavelmente reprimidos.