A lenda da Rainha Semíramis

(representação visual gerada pela IA Midjourney)

Seu nome e seus feitos ecoam entre as lendas e a história. A inspiração para essa figura lendária foi Samuramate ou Sammu-Ramat, que reinou sobre os assírios entre 811 e 806 a.C., em nome de seu filho Adadenirari III. A rainha histórica desafiava as convenções da época, exercendo poderes tradicionalmente reservados aos homens. Ela se destacou como uma notável realizadora de obras públicas e construtora de templos, além de ter liderado as tropas assírias em importantes batalhas e conquistas. Sua figura inspirou diversas narrativas, que, com o tempo, misturaram fatos e mitos, dando origem à lenda de Semíramis, poderosa rainha guerreira e mágica.

Segundo a tradição, Semíramis teve uma origem extraordinária, sendo filha de um jovem mortal e da deusa aquática Atargatis, a mais antiga representação mitológica de uma sereia. Após o parto, a mãe abandonou a criança e pombas cuidaram dela até que que pastores a encontraram. Depois de crescida, a semideusa virou uma bela e sábia mulher por quem o poderoso general Onnes se apaixonou. Ela lutou ao lado do marido e revelou ser uma habilidosa guerreira e estrategista, o que impressionou o rei Ninus, que também se apaixonou por ela. Onnes não suportou as ameaças do rei, que o intimidou para tomar sua esposa, então resolveu se enforcar porque a disputa por Semíramis seria mais difícil do que qualquer uma das sangrentas batalhas que ele travou e uma eventual derrota seria uma situação que ele não poderia suportar. Sem rival, Ninus se casou com uma abalada Semíramis, que passou a ser sua rainha e acabou assumindo o trono quando o segundo marido morreu.

Governando a Assíria, Semíramis conduziu seu reino pessoalmente em campanhas militares vitoriosas no Egito, Etiópia e Índia, consolidando o poder do império. Ela idealizou e proporcionou obras para aprimorar a agricultura, edificou monumentos, fundou cidades e fortificou a Babilônia com muros intransponíveis e portões inabaláveis.

Sua importância foi destacada por variados povos, indo além das terras mesopotâmicas. A literatura persa dedica espaço para a rainha, principalmente através do registro de Ctesias de Cnido, autor que ressaltou a figura de Semíramis em diversas narrativas. Ela está presente na cultura greco-romana através dos textos de historiadores que ressaltaram seus feitos. Entre regiões que teriam sido dominadas por seu império, como a Armênia, sua lenda conta com episódios diferentes, a exemplo da revolta da rainha contra aquelas terras porque foi recusada pelo rei local Ara, o Belo.

Sua atribuída origem divina ajudou a estabelecer outras conexões com divindades populares como Ishtar e Astarte, patronas do amor, da guerra e da fertilidade. Seu fim não é menos sobre-humano, pois uma figura tão associada ao que é divino não poderia ter o mesmo e fatídico perecimento humano. Depois de mais de 40 anos reinando na Assíria, ela enfrentou problemas e traições, sendo a pior delas liderada pelo próprio filho Ninyas. Embora uns tenham dito que Semíramis foi covardemente assassinada, a versão que mais se adequa à sua figura lendária conta que a rainha se transformou em uma pomba quando percebeu que estava em sério perigo e, na forma do pássaro, ela voou para distâncias que não podem alcançadas pelos mortais.

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