Pessoas truculentas no comando colonial na América Latina não eram incomuns, promovendo abusos sobre seus subordinados nas propriedades ruais e ambientes urbanos. Este tipo de comportamento era frequentemente desconsiderado pelas autoridades, que eram coniventes com o tratamento cruel e violento perpetrado por figuras senhoriais que agiam sem receio sofrer de qualquer represália. O sadismo da autoridade poderia ser apresentado por homens ou por mulheres em posição de poder sobre escravos, camponeses livres, lacaios e outros sob o âmbito de seu domínio e a senhora colonial chilena conhecida como La Quintrala exemplificava este tipo de conduta com sangrentos tons de agressividade.
Nascida em Santiago em 1604, Catalina de los Ríos y Lisperguer, recebeu o apelido por causa da flor da planta parasitária local identificada como quintral, que produz uma flor vermelha tal qual o ruivo de seus cabelos. Suas ascendências aristocráticas tinham origens espanholas e germânicas e acabou herdando os domínios pertencentes aos seus pais Gonzalo de los Ríos y Encio e Catalina Lisperguer y Flores quando ficou órfã e passou para os cuidados da avó Águeda Flores. Como prática comum para moças da elite proprietária, foi envolvida em um casamento arranjado com Alonso Campofrío de Carvajal y Riberos, homem mais velho e rico proprietário de terras.
O matrimônio movido por interesses não envolvia afeto e sendo uma bela e jovem mulher que era uma das pessoas mais ricas do Chile por causa de seu próprio patrimônio, Catalina vivia de maneira independente e mantinha seus relacionamentos extraconjugais, mas seu comportamento ia além da libertinagem que era comentada nos ambientes da alta sociedade. Entre a vítimas de sua índole agressiva estavam homens que ela levava para sua casa e que depois não eram mais vistos. Num caso notório ela esfaqueou um herdeiro de uma rica família de Santiago em seu quarto e acusou um escravo, que pagou pelo crime sendo executado injustamente. Ela matou também um amante chamado Enrique Enríquez de Guzmán porque o homem teria ferido seus sentimentos.
A violência sádica de La Quintrala ia além dos ambientes íntimos, pois seus subordinados livres e escravos sofriam duramente em suas mãos. Ela era impiedosa para ordenar e praticar castigos físicos, torturas extremas e encomendar assassinatos, embora ela mesma executasse muitos deles. Além de punhaladas, ela era adepta dos envenenamentos e uma de suas vítimas pode ter sido seu próprio pai, eliminado para favorecer seu controle sobre a fortuna da família.
Estima-se que a senhora sanguinária foi responsável direta e indireta por dezenas de assassinatos ao longo de seus 63 anos vividos. Embora não tenham restado registros fartos de sua vida pessoal, sabe-se que ela teve apenas um filho, que morreu antes de chegar à adolescência. Ela morreu em 1765 e em seus últimos anos distribuiu doações para a igreja, que também foi beneficiada em seu testamento.
Referências:


[…] La Quintrala, a aristocrata matadora chilena […]