Depois da Primeira Cruzada, os cristãos conseguiram conquistar Jerusalém em 1099 e, no ano seguinte, instituíram por lá um reino católico. Durante a Dinastia de Anjou (1153–1205), um dos monarcas em especial merece importante destaque, o rei Balduíno IV, que regeu Jerusalém de 1174 até sua morte aos 24 anos em 1185.
Ele foi coroado quando tinha apenas 13 anos e por isso contou com a regência de seu tio Raimundo III, o Conde de Trípoli, até completar 15. Mesmo depois disso o exercício pleno do poder real foi bastante comprometido pelo seu precário estado de saúde, pois o rei tinha lepra, doença que significava uma sentença de morte na Idade Média. Por causa disso não se esperava que seu reinado fosse duradouro e o próprio Balduíno IV planejava abdicar para que sua irmã, a princesa Sibila, assumisse o trono, articulando o casamento dela com o cavaleiro Guy de Lusignan vã na esperança de que esta aliança proporcionasse estabilidade. Diante das dificuldades, o rei precisou suportar os encargos do governo mesmo fisicamente debilitado e isolado pela condição da doença que se agravava a cada dia.
Além das questões internas de luta pelo poder, uma ameaça ainda maior se impunha ao reino cristão, pois o poderoso sultão Saladino estava disposto a tomar Jerusalém e acrescentar esta conquista ao seu já imenso domínio territorial. Balduíno já havia ordenado ataques contra posições de Saladino desde o início do reinado, mas o sultão não recuou. O rei encarou pessoalmente o comando de suas tropas na Batalha de Montgisard em novembro de 1177 e mesmo em desvantagem numérica saiu de lá consagrado com uma importante vitória, o que fortaleceu sua popularidade, posição e legitimidade diante dos eventuais usurpadores.
O episódio da vitória também foi importante para que o rei tomasse motivação para dar continuidade a seu governo sem a limitante condição de estar com uma doença incurável e mortal. Mesmo assim, ele sentia que precisava articular sua sucessão enquanto podia e tinha ainda tempo para isso e voltou a cogitar a abdicação, porém novamente teve que voltar atrás quando foi encerrada a trégua pactuada com Saladino, que voltou a atacar com força total em 1183. Durante o período de guerra e com a saúde seriamente abalada pelo agravamento da lepra, o rei chegou a nomear seu sobrinho, o menino de 6 anos Balduíno V, como co-rei e sucessor para garantir a coroa em sua família e impedir que Guy de Lusignan, padrasto da criança, usurpasse a coroa.
Balduíno IV sabia a essas alturas que lhe restava pouco tempo de vida e já articulou também a regência de seu sucessor, que seria auxiliado novamente pelo poderoso Conde de Trípoli. Guy de Lusignan reagiu e iniciou uma rebelião durante uma fase de guerra com o apoio da esposa e irmã de Balduíno IV, as relações entre o rei e seu poderoso vassalo estavam levando o reino a um risco de ser abalado por uma guerra civil, dividido entre os seus apoiadores e a facção que apoiava o cunhado.
Em suas últimas forças, Balduíno IV coroou o sobrinho como rei único cercado de apoiadores que juraram obediência ao sucessor. O pequeno Balduíno V não conseguiu dar continuidade aos planos de seu tio, pois morreu no ano seguinte, em 1186, de causas desconhecidas, sendo sucedido pela mãe, que investiu Guy de Lusignan como co-rei e foi durante o desastroso reinado deles que a cidade de Jerusalém caiu sob o domínio de Saladino, apesar da persistente decadência do restante do reino que sobreviveu perdendo territórios até 1291.
Balduíno IV ficou marcado como o mais relevantes entre os monarcas do reino instituído pelos cruzados mesmo sendo conhecido como “O Rei Leproso”, pois além de sua moléstia, seu reconhecimento considerou sua abnegação e habilidade como líder e estrategista.


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