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As estranhas epidemias de danças incontroláveis na Alemanha

junho 27, 2016
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“Dança em Molenbeek” de Pieter Brueghel, o Jovem (1564-1638) que retratou peregrinos que dançaram até a Igreja de Molenbeek. A obre foi inspirada numa gravura feita por Pieter Brueghel, o Velho (1525/1530-1569), seu pai.

Era o ano 1374 quando um estranho acontecimento espantou a população de Aix-la-Chapelle (Aachen), na Alemanha. Muitos moradores foram acometidos por um curioso surto de coreomania, que consiste numa compulsão incontrolável por movimento assemelhado a uma dança irregular e que levam os indivíduos a desmaiar de exaustão. Até hoje não se sabe ao certo o que levou grandes grupos a se contorcerem em movimentos irregulares mas o surto se espalhou pela Europa. O surto iniciado em Aix-la-Chapelle acabou recebendo o nome de Dança de São Vito, porque um grupo desses dançarinos fora de controle acabou derrubando uma ponte sobre o rio Meuse por causa da força das coreografias e movimentos bruscos que realizavam, o que levou alguns a morrerem afogados enquanto sobreviventes foram levados para a Igreja de São Vito, onde a calmaria retornou a seus corpos.

Há registros mais antigos daquilo desse tipo de manifestação que levava indivíduos ao descontrole sobre seus movimentos e a “dançar” de forma desordenada até que caíssem fatigados e a Igreja Católica especulou que tratava-se de uma forma de possessão maligna ou de uma maldição.

Posteriormente, em Estrasburgo, em 1518, nova incidência de dança compulsiva ocorreu após uma mulher chamada Frau Troffea começar a manifestar sua coreografia insana que “contagiou” mais de 400 outras pessoas que chegaram a morrer por complicações causadas pela movimentação incontrolável. Alguns acreditavam que uma forma de combater o surte seria dançar junto com as pessoas afetadas e músicos também se juntavam à manifestação. Assim como ocorreu na região de Aix-la-Chapelle no século XIV, quando a Peste Negra atormentava a população, por ocasião do surto de Estrasburgo miséria, fome e pragas atormentavam as pessoas e por isso há quem considere que as manifestações poderia ser resultantes de condições extremas de algum forma de estresse psicológico capaz de provocar um transe alucinado por meio de movimentos corporais e a dimensão do surto era efeito de histeria coletiva. Essa conclusão é contestada porque a diversidade de relatos sobre coreomania também ocorriam em regiões que não padeciam das mesmas condições de penúria.

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