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A crise de 1929

dezembro 12, 2010

Do livro “Nova História Crítica”, de Mario Schmidt (Ed. Nova Geração)

John Smith estava tranqüilo. Naquela quinta-feira, 24 de outubro de 1929, levantou cedo, comeu ovos mexidos e cereais, tomou um café forte. Depois, pegou o carro e estacionou no centro da cidade, perto da Quinta Avenida. Leu a manchete dos jornais que anunciavam a vitória seu time de beisebol, os Dodgers de Chicago. Olhou para as vitrines e se conteve para não comprar alguma coisa logo de manhã. Deu um sorriso e começou a assobiar. Não havia nada melhor do que viver naquele país e naquela cidade. Nova York era o centro do mundo. Do mundo que fazia dinheiro. E nada melhor do que ganhar dinheiro na Bolsa de Valores. John tinha muitas ações. Elas valiam cada vez mais.

Talvez o limite fosse o céu. John estava muito contente. Mas naquele dia algo aconteceu. De repente, a cotação (o valor) das ações começou a despencar. Assustados, os especuladores tentaram vender suas partes. Todos queriam vender e ninguém queria comprar. As ações caíram e caíram. Pessoas perderiam milhões de dólares e só lhes restariam uns pedaços de papel. Era a crise. A mais terrível que já tinha acontecido.

Meses depois, o ex-contente John Smith estava na fila dos desempregados. Ele ganhava alguns trocados como camelo, vendendo maçãs a cinco cents nas calçadas de Nova York. Seria o fim do sonho?

A euforia dos anos 1920

Terminada a Primeira Guerra, os EUA tinham se convertido na maior potência econômica do mundo. Apesar de uma pequena crise econômica em 1920-1921, chamada crise de reconversão, causada pela diminuição das exportações para a Europa – que se recuperava e voltava a produzir -, a economia continuava a crescer.

Os anos 1920 foram de euforia econômica. A agricultura norte-americana era a mais mecanizada do planeta, e as indústrias produziam bens em quantidades astronômicas. Parecia que todo mundo, do milionário ao humilde operário,  se tornaria um consumidor voraz. A claasse média, felicíssima por poder comprar tanta coisa, também investia suas economias na Bolsa de Valores. Todo mundo achava que iria ficar cada vez mais rico. Foi quando chegou a crise. Porque existia o outro lado da realidade, que não tinha a cor do ouro, mas da lama e do sangue.

Por trás dessa abundância de mercadorias havia o trabalho de milhões de assalariados que as produziam.A industrialização dos EUA tinha sido tão brutal quanto a européia. Em 1910, por exemplo, havia 2 milhões de crianças trabalhando nas fábricas. A abundante produção agrícola fazia os alimentos ficarem baratos no mercado, permitindo que os patrões pagassem salários baixíssimos. A distribuição de renda era péssima: os ricos ficavam cada vez mais ricos e os pobres mais pobres.As famílias mais ricas, juntas, recebiam mais do que 60% do povo norte-americano. Os subúrbios operários das grandes cidades eram entulhados de cortiços, isto é, apartamentos aos pedaços, sujos, sem iluminação, infestados de ratos, escadas sebentas, janelas quebradas, banheiro único no final do corredor, duas ou três famílias amontoadas num quarto-e-sala. Também havia favelas horrorosas, com criancinhas nuas pegando vermes nos esgotos. Em suma, dezenas de milhões de pessoas estavam muito distantes dos sonhos de consumo. Elas eram operárias e produziam aquelas maravilhosas mercadorias, mas não tinham dinheiro para comprar muita coisa. Apenas sobreviviam.

Nos anos 1920, os empresários norte-americanos introduziram duas novas técnicas científicas que permitiam aumentar espetacularmente a produtividade do trabalho: o taylorismo e o fordismo.

O fordismo foi criado por Henry Ford em sua fábrica de automóveis. Cada operário passava a fazer um único tipo de tarefa dentro de uma seqüência na linha de montagem. A esteira rolante trazia o objeto sobre o qual ele iria trabalhar. Por exemplo, ele encaixava uma peça. Em seguida, a esteira deslizava e trazia outra peça igual. A tarefa era repetida milhares de vezes por dia. A esteira prosseguia e o operário seguinte fazia a sua parte, repetida monotonamente. Outra idéia de Ford era o pagamento de pequenos prêmios para os operários que produzissem além do limite.

O taylorismo era o estudo dos movimentos no trabalho As máquinas passaram a ser projetadas para evitar gestos “supérfluos” e aproveitar ao máximo a energia do corpo de operário. Equipadas com contadores, elas mediam a produtividade do operário.

As duas técnicas possibilitaram aumentar a produção sem precisar aumentar demais o salários. Muitos lucros para o patrão, enquanto os operários se tornavam apêndices da máquina. Afirmava-se a sociedade do trabalho: em viva trabalhar, trabalhar, trabalhar, para sobreviver, pan ganhar um pouco mais e consumir, e então estava pronto para trabalhar, trabalhar, trabalhar, incessantemente.

É claro que, desde o início, os trabalhadores foram à lua por seus direitos. A formação dos sindicatos e as greves eram reprimidas com violência pela polícia. Em Chicago, em maio de 1886, a polícia fuzilou uma multidão em passeata. Por incrível que pareça, os operários que lideravam o movimento foram considerados culpados. Morreram enforcados. A  partir daí, o Primeiro de Maio passou a ser lembrado como o Dia Internacional de Luta da Classe Operária.

Os grandes jornais apoiavam linchamentos de grevistas. O Congresso aprovou a Lei Sherman (1890), proibia associações que perturbassem o livre mercado. Em princípio essa lei serviria para combater os cartéis formados por grandes monopólios. Na prática, era utilizada contra os-sindicatos! O livre mercado não poderia ser perturbado meia dúzia de milhões de trabalhadores que se recusavam morrer de fome…

Anarquistas, socialistas e comunistas faziam agitação i meio operário e sindical, o que preocupava as autoridades. Em 1927, dois operários anarquistas, Sacco e Vanzetti. injustamente acusados de assassinato. O julgamento revelou uma aberração jurídica e provocou protestos mundiais. No final, o governo norte-americano, queria intimidar o movimento operário, executou os dois revolucionários na cadeira elétrica.

O processo de crise

A crise começou em 1929 e foi piorando nos anos seguintes. Por isso se fala dos anos seguidos da Grande Depressão (econômica). Nunca o mundo capitalista tinha sofrido uma crise assim. Mais de cem mil empresas faliram nos EUA. Um milhão de fazendeiros tiveram que vender seus bens. A produção industrial caiu em 50%. Quem mais sofreu com a foram os trabalhadores. Em 1933, um terço dos americanos não tinha emprego fero. Como a economia já vivia um nível alto de globalização, a crise começou nos EUA e se espalhou por todo o mundo.

O crack (quebradeira) da Bolsa de Nova York não foi a causa da crise, mas a conseqüência imediata. Nos anos 1920, a euforia econômica tinha feito subir o valor das ações na Bolsa de Valores. Ações são pedaços da propriedade da empresa. Se você tem 20% das ações de uma empresa, então você é dono de um quinto desta empresa e portanto tem direito a um quinto do lucro (ou dos prejuízos). Se uma empresa começa a dar muitos lucros, sobe o valor das ações dela. É óbvio: se você quiser ser sócio de uma empresa muito bem-sucedida, então vai ter que desembolsar mais para adquirir as ações dela. Nos anos 1920, o valor das ações subiu mais ainda porque as pessoas especulavam que haveria maiores lucros ainda em breve futuro. Portanto, as negociações eram baseadas em apostas, em avaliações exageradas, em vagos indícios. As especulações fizeram o valor das ações ultrapassar a realidade terrestre. E quando o sonho acabou, veio o pesadelo real. Quando veio a notícia que havia algumas empresas em dificuldades, porque não conseguiam vender o que esperavam, porque não tinham o lucro correspondente ao investimento, começou a intranqüilidade. Tinha chegado a hora de vender as ações (o ideal é comprar na baixa e vender na alta dos preços). Veio o alarme. Todos queriam vender, ninguém queria comprar. Os valores das ações despencaram.

O resultado foi a onda de falências de empresas e de bancos, os suicídios de ex-milionários, o desemprego em massa, o desespero. Ninguém entendia direito o que acontecia. O desespero tomava conta de todos.

Estranha crise. Havia as empresas instaladas e havia as pessoas dispostas a trabalhar. Mas as empresas continuavam paradas e as pessoas, desempregadas. O que tinha acontecido? Nas sociedades pré-capitalistas, as crises econômicas são causadas pela escassez. De repente, a sociedade não é capaz de produzir alimentos para todos e daí vem a fome generalizada. No capitalismo, que liberou forças produtivas fantásticas, as crises acontecem por causa do excesso, a abundância é que gera a miséria. Havia milhões de pessoas pobres e outro tanto que recebia apenas o suficiente para repor as energias e continuar trabalhando na linha de montagem. Em certo momento, explodiu a superprodução de mercadorias.

Acompanhemos a lógica do sistema. Os empresários precisam lucrar para não ir à falência. Na selva da competição capitalista, é preciso aumentar a produção sem parar e, se possível, abaixar os salários. O mercado é incontrolável, e cada um age por si, para maximizar seus lucros. Assim, a economia crescia mas a capacidade de consumo da sociedade não se desenvolvia com a mesma velocidade. A renda se concentrara nas mãos de parte da classe média alta e dos ricos, e os trabalhadores pobres não tinham dinheiro para comprar o que eles mesmos produziam. Até que estourou a superprodução: o país tinha produzido muito mais do que o mercado consumidor podia adquirir. Atenção: superprodução não significa que todo mundo já tem tudo. mas que as mercadorias encalham por falta de capacidade de consumo da sociedade. Como ninguém compra, é preciso diminuir ou parar a produção Diminuindo a produção, é necessário mandar gente embora. Vem o aumento do desemprego. Desempregados têm menos poder de compra. O que significa mais crise ainda. Um círculo infernal. A contradição beirava o absurdo: havia fome porque havia comida demais, havia pessoas esfarrapadas porque havia roupas demais, havia desemprego porque havia empresas demais.

Uma busca de saída: o New Deal

Franklin Delano Roosevelt

Franklin Delano Roosevelt

Em 1932, um novo presidente, Franklin D. Roosevelt, assumiu o poder. Ele botou em prática o plano econômico de recuperação chamado New Deal. A principal característica era o fim do liberalismo econômico. O Estado passou a intervir diretamente na economia para evitar as crises. Essas práticas seriam justificadas pelas idéias do economista inglês John M. Keynes (1883-1946) e por isso mesmo chamadas de keynesianas.

John Maynard Keynes

John Maynard Keynes

O Estado passou a lazer obras públicas como hidrelétricas, estradas, reflorestamento, aeroportos. Isso gerava novos empregos e encomendas para a indústria particular, e ao mesmo tempo não estimulava a superprodução (você já ouviu falar de superprodução de praças ou de pontes?) O governo contraiu uma dívida alta para poder financiar o programa de obras públicas. Esperava-se que a economia iria se recuperar e então o volume de dinheiro arrecadado com os impostos cresceria e seria o suficiente para pagar as dívidas do governo.

Além disso, o governo passou a fiscalizar a Bolsa de Valores e os bancos, para tentar diminuir a especulação financeira. O remédio mais amargo contra a superprodução foi aplicado quando o governo dos EUA passou a comprar toneladas de alimentos para incendiá-los. Os agricultores eram pagos para não produzir! Toneladas de leite foram jogadas nos rios. Enquanto isso, milhões de desempregados faziam marchas de fome, engrossavam as filas para receber a caneca de sopa rala doada pelas associações de caridade. E por que não davam comida para os pobres? Porque isso teria reduzido mais ainda o mercado consumidor, e não há capitalismo que resista a uma crise no mercado.

Exatamente para tentar ampliar o mercado consumidor, o governo de Roosevelt adotou medidas de proteção social como a construção de casas populares e a aprovação,pelo Congresso, de leis de proteção social (salário mínimo, seguro-desemprego, previdência, etc.). Para que você tenha uma idéia,a aposentadoria dos idosos existia na Alemanha desde 1891, mas nos EUA a primeira lei a respeito só foi aprovada em 1935! Apesar disso, os empresários e políticos conservadores não queriam as leis sociais. Diziam que elas atrapalhariam a livre empresa, a base da liberdade americana. Chegaram a acusar Roosevelt de ser aliado dos comunistas, quando na verdade Roosevelt se esforçava para tirar o capitalismo do fundo do buraco!

De qualquer modo, o New Deal conseguiu evitar que a crise fosse mais violenta ainda. As receitas econômicas keynesianas (intervenção do Estado para evitar especulação, obras públicas e até criação de empresas estatais, aumento da dívida pública e dos impostos, leis de proteção social) foram seguidas por todos os países do mundo, com exceção da URSS (veja o quadro abaixo), e até hoje são a base da política econômica de muitas nações. No Brasil, especialmente a partir da Ditadura do Estado Novo (1937-1945) de Getulio Vargas, o Estado se tornou motor do desenvolvimento da economia e da indústria.

Entretanto, o que realmente acabou com a crise que começou em 1929 foi um fenômeno especial. Uma indústria única, numa circunstância bem particular que gera uma demanda (procura) quase inesgotável. Que indústria era essa? A de armas. Qual a circunstância? A guerra. A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) pode ter matado muita gente e destruído muita coisa, mas foi maravilhosa para a economia capitalista. A destruição acabou com a superprodução, os milhões de mortes acabaram com o desemprego de maneira direta. Em termos humanos, a guerra seria desastrosa, em números frios da contabilidade das empresas, excelente negócio. A humanidade é que deve decidir miai dos valores é o mais importante.

Leia também: Pior que 1929?

Confira o vídeo:

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O tempo, a História e a publicidade

outubro 3, 2008

O tempo é a dimensão da História e mediador ou limite para quase tudo. Esta propaganda trata de forma brilhante sobre o tempo.

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Exemplo de como um discurso pode mascarar os fatos

outubro 3, 2008

O vídeo abaixo é de um inteligente e premiado comercial de TV. Além da criatividade da idéia, um fato merece atenção: o vídeo mostra como um discurso pode ter efeito e pode transformar ou manipular as concepções sobre as coisas, os fatos e as pessoas. Vale a pena assistir.

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AS “CAVEIRAS E OSSOS” DA POLÍTICA DOS ESTADOS UNIDOS

outubro 2, 2008

Por Paulo Alexandre Filho
Texto originalmente publicado no site Duplipensar em 2005. 

 

O CÓDIGO E A ACADEMIA DO PODER

Sede da ordem Skull and Bones

Sede da ordem Skull and Bones

Em New Haven, cidade estadunidense localizada no estado de Connecticut, funciona um dos mais respeitáveis centros universitários do mundo, a famosa Yale University. Instituições de ensino como Yale tradicionalmente respondem pela formação universitária da elite dos EUA e não há de ser estranho para ninguém a evidência de que muitos dos egressos da universidade acabem constituindo-se como notáveis figurões das ciências, da política ou também das artes de fazer dinheiro, afinal, além da altíssima e qualificada formação obtida, um diploma emitido por Yale confere status, respeitabilidade e até poder ao seu felizardo contemplado. Além de suas qualidades acadêmicas, em Yale ronda um mistério em torno de uma enigmática instituição estudantil. A irmandade acadêmica Skull and Bones é mais que um grupo de afiliação estudantil, trata-se de uma verdadeira ordem secreta cuja atuação suscita especulações das mais diversas e alimenta uma mística que vai muito além do campus, atingindo patamares tão amplos quanto insólitos a exemplo das maquinações pela ação do governo dos EUA sobre o Golfo Pérsico. O fato é que os integrantes efetivos e afetivos da Skull & Bones, os bonesmen, atuam de maneira a alimentar a mística e a preocupar os especuladores e propagadores das teorias de conspiração.

Impresso contendo lista dos membros da Ordem, incluindo o nome de Prescott Bush, pai e avô de dois presidentes dos EUA.

Impresso contendo lista dos membros da Ordem, incluindo o nome de Prescott Bush, pai e avô de dois presidentes dos EUA.

A Skull & Bones é um bastião da elite estadunidense, reduto da tradição cultural e política da fração protestante branca e anglo-saxã (a velha identificação conhecida formalmente nos EUA como WASP – White Anglo Saxon Protestant). Sua reputação é muito mais significativa que das demais agremiações secretas que funcionam em Yale (Scroll & Key, Book & Snake, Wolf’s Head, Eliahu e Berzelius), todas, contudo, seletas ordens elitistas que recrutam para os seus quadros os indivíduos mais promissores da universidade. Em termos competitivos, provavelmente, a única entidade de Yale capaz de impor uma concorrência à Skull & Bones é a Scroll & Key, e, em termos atuais, ambas possuem, respectivamente, identificações predominantes ao Partido Republicano e ao Partido Democrata, reproduzindo a polarização entre conservadores e liberais. Harvard e Princeton, que formam juntamente com Yale o grupo de elite das instituições superiores dos EUA, também possuem suas influentes ordens secretas, contudo, nenhuma delas possui tamanha atuação efetiva pelos subterrâneos e superfície da política estadunidense. 

Desde sua fundação, em função da alta seletividade da Skull & Bones, que recruta anualmente apenas 15 membros, cerca de 2.500 bonesmen tiveram o privilégio de ostentar tal identificação e hoje em dia há em torno de 600 deles vivos, mas em geral ocupando importantes posições. Tradicionalmente não eram admitidos na ordem membros que não preenchessem os requisitos elementares prescritos pela composição daquilo que se compreende como critérios para a identificação da classificação social elitista da facção WASP da sociedade estadunidense, mas os ventos liberais e a política da inclusão forçaram a admissão de judeus, negros e também de descendentes de estrangeiros bárbaros, afinal, já há bonesmen de ascendência chinesa. Este é um sinal de modernidade que é enriquecido pela mais recente iniciativa de admitir a afiliação de homossexuais. Mas, apesar destas concessões liberais, a Skull & Bones mantém critérios seletivos quanto ao universo de candidatos a prováveis irmãos de ordem. Um requisito inicial é a própria educação secundária, pois há preferência por candidatos egressos de tradicionais e prestigiosas High Schools que atendem exatamente a jovens abastados. Além do mais, a seleção leva em consideração a vivência aventureira do candidato. Pretendentes que já ousaram a enfrentar selvas africanas, intempéries sul-americanas, desertos e riscos eminentes no Oriente conquistam valiosos pontos nesta fase de pretensão à filiação. Os candidatos são criteriosa e severamente avaliados pelos membros sênior da ordem e submetidos a testes e entrevistas que buscam aferir as potencialidades e capacidade integrativa dos candidatos ao corolário e ideário da Skull & Bones. 

Especula-se que a Skull & Bones inspira-se na tradição maçônica européia (altamente influente no Brasil do Século XIX). Sua cerimônia de iniciação é marcada por uma simbologia mórbida, mas curiosa. Os iniciantes, despidos, deitam-se num caixão que é carregada pelo salão da sede da irmandade. Eles reverenciam a insígnia da ordem (um crânio sobre dois ossos cruzados acima da inscrição “322”, alusiva ao ano de 322 a.C., ano em que a deusa Eulogia apareceu no céu após a morte de um orador grego. A crença diz que ela retornaria em 1832) e depois saem do ataúde mortuário como sinal de que estão marcando seu renascimento para um novo mundo iluminado, guardando, cada um, em um local específico, um osso entalhado com o nome dos novos iniciados. O ato cerimonial de iniciação é cercado por gestos e atos simbólicos que inspiram controvérsias e polêmicas – dizem que o velho Prescot Bush, pai do ex-presidente George Bush e avô do atual presidente dos EUA, George W. Bush, todos eles bonesmen, usurpou o túmulo do legendário herói indígena Jerônimo para roubar seus ossos, que teriam servido para um dos rituais da ordem secreta. Dizem mais que as controvertidas histórias sobre os rituais da ordem são também alimentadas pelos próprios integrantes do grupo para manter o mistério a respeito das atividades ritualísticas desenvolvidas na cripta da Skull & Bones no campus de Yale. 

Rituais à parte, o fato é que os bonesmen assumem o compromisso de seguir determinados princípios como a dedicação ao engrandecimento da nação conforme o receituário prescrito pelo treinamento ideológico prestado pela ordem. Mas eles lançam mão de certos artifícios retórico-discursivos nos quais são instruídos e hábeis para exercer suas atribuições segundo os ideais da Skull & Bones. É este o caso do emprego deliberado da discrição quase enigmática quanto a exposição de seus intentos e a ambigüidade normalmente presente nas peças retóricas expressas pelos irmãos de Yale. Mas engana-se quem imaginar que estas características retóricas são defeitos no processo de construção e apresentação dos pensamentos e atos elaborados por estes hábeis praticantes, pois os bonesmen são habituados a praticar seus métodos de discrição e ambigüidade como instrumentos de exercício do controle e domínio (fundamento que chamam de “wielding”). Aquilo que um bonesmen fala é marcado por noções subliminares que normalmente não ficam claras para um interlocutor desavisado.

O processo didático da construção de um bonesmen é sutil e decisivo. Nos tempos de academia, um bom integrante da Skull & Bones precisa exercer atividades desportivas com finalidades relativas ao exercício das habilidades de liderança, pois um bonesmen é, antes de tudo, um líder. Não há de se estranhar que dois dos esportes populares nos EUA, o baseball e a sua versão de futebol inspirada no rugby inglês são experimentos desportivos engendrados por bonesmen. Em esportes coletivos o processo de aprendizagem das competências dos irmãos de Yale é bastante exercido. O bonesmen Gorge Bush pai, embora não tenha sido um habilidoso jogador de baseball, foi capitão da equipe universitária de Yale. Guiar equipes e comandar vitórias é uma habilidade comum aos esportes coletivos, mas também é uma capacidade fundamental em uma espécie mais drástica de competição: a guerra. Nos ensinamentos difundidos no processo de formação da Skull & Bones admite-se que embora as idéias tenham a capacidade de transformar verdadeiramente a história, quase sempre a guerra acaba sendo empregada para realizar este fim. 

Jovens membros da ordem

Jovens membros da ordem

A Skull & Bones difunde um código de postura, conduta e filosofia que bem representam o senso puramente WASP do segmento elitista dos EUA. Mas este código não é universal, ao contrário, é segmentado exatamente porque é elitista. Quando comparamos códigos, o que vemos na Skull & Bones é bem distinto daquilo que se percebe, por exemplo, nas normas de conduta do código samurai do Bushido japonês, que valoriza a honra entre os guerreiros contendedores e preconizou uma visão eminentemente ética e moral do mundo. O código Skull & Bones preconiza a noção de que aquilo que não representa é algo simplesmente inferior, isto é, a própria relação à excludente identificação do segmento da elite que representa (uma elite dentro da identificação WASP) por si já determina a diferença entre os dois códigos.

A visão Skull & Bones na política estadunidense é de notável influência, já que muitos de seus integrantes tomaram parte da vida pública do país desde os idos dos fins do século XIX. Esta visão típica dos bonesmen sobre a condução dos EUA não é assunto que deixe de merecer ser notado, sobretudo, quando mais um de seus pares ocupa a presidência do país, após uma reeleição disputada contra um adversário que também ostenta a condição de irmão da ordem de Yale (assim como Goerge W. Bush, o democrata John Kerry também foi forjado nas fileiras da Skull & Bones). 
 

O MESTRE

O mestre Stimson

O mestre Stimson

George W. Bush é membro da Skull & Bones assim como seu pai, que também governou os EUA e meteu o país numa onerosa guerra no Golfo Pérsico. Bonesmen são tradicionais na família Bush, pois seu avô e um outro tio paterno também passaram pelo ritual de renascimento celebrado em Yale, logo, há de se perceber que a lógica que norteia as ações de Bush tem influências que partem de seu berço de constituição de valores – a própria família. O jovem George Walker Bush, portanto, já possuía um promissor retrospecto para integrar a entidade em cujas fileiras já militaram outros de seus entes relativos, isso além de ser um autêntico representante da ordem encarnada na noção de WASP. 

A tradição da ordem Skull & Bones na Casa Branca não é recente. A ação política dos bonesmen manifestou-se de maneira a influir na adoção de caminhos que se coadunavam com o espírito e o código da Skull & Bones. O presidente William McKinley sofrera pressões da ordem em função de sua tímida postura de política externa. Sob pressão dos iluminados homens de Yale, seu governo decidiu adotar uma postura mais ofensiva frente às nações “inferiores” e, em 1898, agiu sobre Cuba, inaugurando uma já tradicional relação de amor e ódio entre as duas nações. Estava marcada assim uma fase expansionista sobre nações estrangeiras. Com a guerra contra os latino-americanos hispânicos a relação da Skull & Bones com o Partido Republicano teve também seu início. Na convenção republicana de 1900, os bonesmen ascenderam ao controle do partido e impuseram a McKinley a aceitação de Theodore Roosevelt como seu vice-presidente no pleito nacional que se aproximava. Em 1901 McKinley foi assassinado durante uma viagem pelo estado de Nova York e Teddy Roosevelt foi então conduzido ao governo dos EUA como primeiro bonesman a governar o país. Seu sucessor, William Howard Taft, também era seu irmão da Skull & Bones.

Uma grande referência política dentre os bonesmen foi o ideólogo e conselheiro Henry Lewis Stimson, cuja atuação e influência lhe valeram o título de “mestre bonesman”. Dizem que durante o processo de tomada de decisão pela invasão ao Iraque, em 1991, Bush I dedicou-se, na tranqüilidade do Camp David, a reler uma biografia de seu ídolo bonesman e enquanto seu conselho de analistas deliberava sobre a forma de ação contra o Iraque por ocasião da crise do golfo, quando o Kwait foi invadido por ordem de Saddan Hussein, o presidente já possuía uma posição formada e favorável ao ataque. Os ensinamentos de Stimson foram valiosos para esta decisão. 

Stimson ingressou na Skull & Bones em 1888 e prestou seus serviços a sete dos ocupantes da Casa Branca: Theodore Roosevelt, William Howard Taft, Woodrow Wilson, Calvin Coolidge, Herbert Hoover, Franklin Delano Roosevelt e Harry Truman, cumprindo uma sólida carreira de articulador, consultor e integrante do staff governamental estadunidense. Em seu legado de atuação está a supervisão do Projeto Manhattan, cujo resultado foi o desenvolvimento tecnológico e estratégico das bombas atômicas que foram lançadas sobre Hiroshima e Nagazaki no final da Segunda Guerra Mundial. Anos antes, quando ocupava a Secretaria de Estado no governo Hoover (1929-1933), atuou nas articulações que impuseram a redução das forças ofensivas da Marinha Imperial Japonesa durante a Conferência Naval de Londres. Foi um dos arquitetos dos provocativos planos de restrições ao Japão que acabaram por influenciar o ataque que as tropas nipônicas fizeram contra a base estadunidense em Pearl Harbor, situação que provocou o ingresso dos EUA na guerra. Contanto pontos em seu currículo de serviços prestados, constam sua decisiva participação no desenvolvimento da idéia da criação dos campos de aprisionamento de japoneses e nisseis em território estadunidense durante o governo de Franklin Roosevelt, além de ter desenvolvido um plano, felizmente não executado, de bombardeio a Kyoto, um dos principais e tradicionais centros urbanos japoneses, como ultimato ao Japão pela rendição. Uma cartada de mestre atribuída a Stimson foi a decisão de preservar o trono do império japonês sob Hiroito, que não fora deposto por uma decisão estratégica que viabilizaria maiores condições de influência dos EUA nos planos de reconstrução e realinhamento do Japão no pós-guerra. Além de arquitetar o projeto de trilha a ser seguida pelo Japão derrotado, Stimson também teve forte atuação nos bastidores do plano de ocupação, reestruturação e ordenamento da Alemanha. A notável experiência de Stimson e sua visão utilitária do emprego da influência política e poderio militar dos EUA serviram como inspiração para Bush I, que decidiu levar a lição de seu mestre como ensinamento prático para sua decisão pela guerra contra o Iraque.

Diferentemente de seu discípulo presidencial, Stimson não provinha de um clã de bonesmen, ele ascendeu à ordem por “merecimento” e pelo reconhecimento de suas habilidades naturais e talento indiscutível pela atuação política pela grandiosidade dos EUA. Ele costumava creditar à Skull & Bones uma grande importância em sua formação e conforme seu biógrafo Geoffrey Hodgson, os tempos de vivência e aprendizado na entidade corresponderam “a experiência educacional a mais importante em sua vida”. Stimson foi admitido como bonesman mesmo sem ter origem rica, embora seus antepassados tenham sido alguns dos pioneiros puritanos na colonização dos EUA, ainda assim ele era um autêntico WASP. Em Yale seu espírito competitivo era uma de suas marcas a tal ponto que afirmava que “a idéia de um esforço para prêmios, foi sempre um dos elementos fundamentais de minha mente e eu mal posso conceber o que seria de meus sentimentos se eu fosse posto sempre em uma posição ou em uma situação na vida onde não houvesse nenhum prêmio pelo qual me esforçar”. Este espírito competitivo foi praticado também no extremo: já em uma idade amadurecida, aos 44 anos, Stimson aderiu ao Exército e tornou-se combatente na Primeira Guerra Mundial mesmo que já tenha acumulado experiência em sua vida na advocacia e no mundo da política em Washington e ganhou sua fama com o apelido sugestivo de “O Coronel”. O político e arquiteto de guerras experimentou a vida de combatente nas forças expedicionárias estadunidenses na Europa. 

No período que antecedeu a Segunda Guerra Stimson comandava um batalhão próprio de bonesmen em Washington em seu Departamento de Guerra. O grupo chamado de “Jardim da Infância de Stimson” era composto pelo alto staff dos arquitetos da participação dos EUA na guerra O grupo era formado por personalidades como John McKoy, secretário-assistente de Estado e posteriormente comissário dos EUA na Alemanha pós-guerra, Robert Lovett era o assistente imediato de Stimson, com quem aprendeu a atuar nos bastidores da política até tornar-se um dos principais e influentes assessores de John Kennedy, Harvey Bundy, outro de seus assessores de primeira linha, era um bonesman fiel ao seu líder e juntara ao grupo dois de seus filhos, McGeorge e William Bundy, também bonesmen, à equipe de assessores e coordenadores de guerra sob o comando de Stimson. O “Jardim de Infância” também era integrado por Dean Acheson, também um de seus preferenciais assistente e futuro conselheiro e Secretário de Estado no governo Truman (Acheson não era bonesman, mas era membro de outra fraternidade secreta de Yale – Skroll & Key) e contava ainda o grupo com a participação do general George Marshall, chefe de comando do Exército durante a Segunda Guerra e também futuro Secretário de Estado de Truman. Este grupo de ideólogos da atuação estadunidense na guerra teve seu núcleo conhecido como “Círculo Stimson-Marshall- Achelson” e seus integrantes eram figuras-chave do staff político durante a guerra e também no processo de implementação dos planos de reconstrução e alinhamento do pós-guerra como iniciadores das estratégias de isolamento do bloco soviético, sendo então pioneiros na estratégia de implantação da Guerra Fria, incluindo o processo fomentador da intromissão militar estadunidense na Coréia.

Stimson morreu em 1950, contudo, sem conseguir levar adiante a influência de seu grupo sobre a condução política da Casa Branca e seus discípulos do “Jardim de Infância” foram aos poucos tendo sua influência declinada. Já em 1947, com a Lei de Segurança Nacional, o Departamento de Guerra fora reestruturado como Departamento de Defesa, constituído por uma burocracia civil que viria posteriormente a abrigar muitos membros da Skull & Bones e Robert Lovett, por exemplo, viria a assumir o comando do Departamento em 1950. A lei de 1947 também criou a CIA (Central Intelligence Agency) como organismo que sucederia o núcleo de estratégia (OSS – Office os Strategic Service) que vigorava durante o período da guerra e posteriormente as atribuições do grupo de coordenação política que também funcionava sob o comando de Stimson passaram a ser exercidas pela CIA. A Agência de Segurança Nacional (NSA) também foi criada neste período subordinada também ao Departamento de Defesa, ampliando o espectro da rede de controle e investigação do Estado. Estas agências tornaram-se redutos de atuação de bonesmen ao ponto em que a imagem da CIA e da Skull & Bones passaram a ser freqüentemente associadas uma a outra.

A forte influência dos bonesmen na estrutura da CIA é apontada como um dos legados de Henry Stimson, pois o OSS, organismo antecessor da CIA, fora inicialmente constituído por quadros técnicos e funcionais forjado na Skull & Bones e esta relação entre os “iluminados” de Yale e o serviço secreto institucional permaneceu ativa. 

 

PRESIDENTES DA ORDEM

Durante a presidência de John Fitzgerald Kennedy (a quem o historiador britânico Eric Hobsbawm qualifica como “o presidente mais superestimado dos EUA”), os irmãos de Yale desfrutavam de grande prestígio e influência. Diversos e experimentados bonesmen que integravam os mais próximos escalões da administração JFK constituíam também um grupo que adotou uma obcecada vontade de investir militarmente sobre o longínquo Vietnã. Era uma postura que contava com o desacordo da profética advertência do general Douglas MacArthur, conselheiro militar de JFK, que repetia a quem quisesse ouvir que era um erro o envolvimento dos EUA em uma guerra na Ásia. As conversas reservadas com MacArthur fizeram com que Kennedy tivesse sérias dúvidas a respeito de uma ação militar nas selvas chuvosas do país de Ho Chi Min, fato que o levou a protelar qualquer decisão a esse respeito. Sua morte, contudo, abriu caminho para que os intentos pela guerra fossem por fim executados por Lindon Johnson que fora o sucessor de JFK e, como muitos dos presidentes dos EUA, também teve nos arredores do Salão Oval uma forte participação de assessores da Skull & Bones. 

De uma maneira geral, contudo, os bonesmen andavam divididos em relação à guerra. Dentre os descontentes estava McGeorge Bundy, que deixara o governo Johnson, passando a apoiar e financiar o movimento anti-guerra através dos fundos da Fundação Ford, entidade que então passou a presidir. Bundy, que integrou o “Jardim de Infância” de Henry Stimson, acabou tomando parte de uma ala de bonesmen a posicionar-se critica e combativamente contra a guerra do Vietnã, enquanto um outro segmento da irmandade mantinha-se aliado à noção de que a guerra deveria ser travada até o fim – embora o “fim” da guerra não tenha sido aquele que idealizavam. O tempo da geração de bonesmen formada ao redor de Stimson havia chegado ao fim quando Richard Nixon ascendeu ao poder e consagrou a eminência-parda encarnada na figura de Henry Kissinger em cuja atuação manteve uma barreira à influência da Skull & Bones dentro da Casa Branca. Ainda assim, há quem impute aos bonesmen, sempre atuantes nas instâncias da CIA, uma grande participação no processo de derrubada do Nixon através do escândalo de Watergate. 

Gerald Ford assumiu a presidência após a derrocada de Nixon em 1974 e os bonesmen passaram a ensaiar o seu retorno. Kissinger e seus aliados começaram a perder espaço. James Schlesinger foi substituído por Donald Rumsfeld como Secretário de Defesa e William Colby, diretor da CIA, perdeu seu cargo para George Bush. Os bonesmen estavam mesmo tentando recompor suas tradicionais posições na Casa Branca, mas a eleição de Jimmy Carter, em 1976, impôs uma frustrante interrupção em seus planos. O retorno teve que esperar e ser procedido de forma lenta e gradual. Bush retornou às raias do governo como suplente presidencial do canastrão Ronald Reagan entre 1980 e 1984 e então articulou sua própria ascensão ao cargo de maior importância política do mundo. Juntamente com ele, a Skull & Bones retornou à Casa Branca de maneira tão confortável quanto nos tempos de Stimson. 

Durante o governo de Bush I a velha Skull & Bones recompôs suas posições e executou um de seus principais passatempos – a guerra. Especula-se que a tática empregada na motivação da invasão ao Iraque em 1990 teve relação de semelhança ao que se dera na entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial quando o Japão, segundo os analistas-especuladores, foi praticamente colocado na posição de ter que atacar os americanos em Pearl Harbor. O estratagema empregado foi lançar uma isca a ser fisgada pela presa. No caso da Guerra do Golfo a isca teria sido o Kwait, mas o propósito da guerra teria sido muito mais abrangente do que a simples defesa do país atacado pelo Iraque. Levou-se em consideração o domínio da região produtora de petróleo no Golfo Pérsico e também o controle dos preços desta preciosidade subterrânea no mercado internacional. 

Nem tudo estava tão perfeito assim para os belicosos bonesmen de Bush I, afinal, democrata Bill Clinton sobrepujou o então candidato à re-eleição e impôs um novo intervalo na relação da Skull & Bones com a Casa Branca. O governo Clinton caiu em desgraça por razões não-políticas. Clinton, sua incansável libido e apreço por sexo com estagiárias escandalosas acabaram contribuindo para que os bonesmen encontrassem mais uma oportunidade de retornar ao poder. Os democratas tentaram manter-se no governo indicando o sem-graça Al Gore para suceder Clinton, mas o clã Bush e os republicanos ofereceram como opção um trapalhão George W. Bush, herdeiro político de Bush I. A eleição foi cômica e Bush II venceu sem ter vencido. Os bonesmen retornaram ao poder. 

Bush II teve a oportunidade de lançar-se numa outra guerra e mais uma vez tomando um acontecimento dramático como estopim – o famigerado 11 de setembro – a desencadear toda a ação bélica capitaneada pelos mesmos intentos predatórios que consagraram a Skull & Bones. A guerra contra o terror, além da balela de encontrar as sempre inexistentes “armas de destruição em massa” sob o controle de Saddan Hussein – outrora aliado dos bonesmen da Casa Branca – foi empregada como justificativa ao ataque contra o Iraque numa repetição grosseira da guerra que já foi desenhada pelos arquitetos da primeira Guerra do Golfo. 

Os democratas tentaram combater Bush usando “fogo contra fogo”, indicando o senador ex-combatente John Kerry, um bonesman das fileiras anti-Bush, para disputa do processo sucessório pela Casa Branca. Tentou-se, talvez, instaurar um ambiente de divisionismo entre os bonesmen em torno do tema central da eleição – a guerra. A divisão entre os irmãos de Yale já havia sido evidenciada por ocasião da Guerra do Vietnã, quando os bonesmen anti-guerra posaram de heróis pacifistas, mas desta vez a eleição de Bush II, apesar da torcida contrária de boa parte da opinião pública internacional que se preze, acabou sendo mesmo inquestionável. 

Bush II segue seu mandato rodeado por seus falcões e seus irmãos da Skull & Bones e fazem um governo, no mínimo, complicado.