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A História das Olimpíadas através de seus cartazes (desde 1896)

abril 13, 2014

Além de grandes espetáculos desportivos e de todas as simbologias e significados dos Jogos Olímpicos, esta grande celebração também tem sua história narrada através dos cartazes alusivos a cada uma das edições. Aqui estão eles:

1896 - Atenas (Grécia) sediou a primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna

1896 – Atenas (Grécia) sediou a primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna

1900 - Paris (França)

1900 – Em Paris (França) os jogos ocorreram ao mesmo tempo da Exposição Mundial e ficaram em segundo plano.

1904 - Em St. Louis (EUA), os jogos também foram paralelos à Exposição Mundial e também ficaram numa condição secundária. Além disso, a adesão internacional às Olimpíadas foi mínima: 580 dos 620 atletas participantes eram norte-americanos.

1904 – Em St. Louis (EUA), os jogos também foram paralelos à Exposição Mundial e também ficaram numa condição secundária. Além disso, a adesão internacional às Olimpíadas foi mínima: 580 dos 620 atletas participantes eram norte-americanos.

1906 - Atenas voltou a sediar os jogos, que ainda não tinham uma periodicidade definida, já que esta edição ocorreu apenas dois anos após a anterior.

1906 – Atenas voltou a sediar os jogos, que ainda não tinham uma periodicidade definida, já que esta edição ocorreu apenas dois anos após a anterior.

1908 - Londres sediou os jogos durante uma edição da Exibição Franco-Britânica, que ressaltou a assinatura da Entente Cordiale (1904)

1908 – Londres sediou os jogos durante uma edição da Exibição Franco-Britânica, que ressaltou a assinatura da Entente Cordiale (1904)

Mais um cartaz dos jogos de 1908 em Londres

Mais um cartaz dos jogos de 1908 em Londres

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O dia em que o Ocidente nasceu

dezembro 21, 2010
Revista Época | 29 de novembro de 2010

 

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Em 31 de outubro, enquanto milhões de brasileiros votavam no segundo turno das eleições, 12.500 atletas corriam os 42.195 metros que separam a planície de Maratona da capital da Grécia, Atenas. A participação recorde da 28a Maratona de Atenas teve uma razão: festejar os 2.500 anos do feito de Filípedes (também conhecido como Fidípides ou Feidípides). Sua corrida inspirou a criação da prova mais tradicional do atletismo, a maratona, disputada pela primeira vez em 1896, em Atenas, na primeira Olimpíada da era moderna.

A festa dos 2.500 anos da batalha de Maratona foi adiantada: a data correta é 11 de agosto de 2011. Em 490 a.C., após cerca de três horas de batalha, 10 mil atenienses armados com longas lanças e grandes escudos de bronze derrotaram de 20 mila 30 mil invasores do até então imbatível império persa. O centro do império era a Pérsia (o atual Ira) e se estendia a oeste até o Egito e a leste até o Paquistão. Quando os persas conquistaram a Ásia Menor (a Turquia), o passo seguinte foi invadir a Europa para tomar a Grécia. A maioria das cidades-Estado do norte da península grega se submeteu sem resistência. Atenas, bem no centro da península, decidiu resistir. Daí o envio de uma força anfíbia pelos persas, que desembarcou em Maratona.

Finda a batalha, o comandante Miltíades enviou Filípedes a Atenas para anunciar a vitória. Chegando a Acrópole, Filípedes só teve fôlego para dizer “Niki!” (“Vencemos!”), e caiu morto de exaustão. Em suas Histórias, Heródoto (c. 484 a.C.-c. 425 a.C.) conta que 6.400 persas e 192 atenienses morreram. Os gregos foram enterrados num túmulo coletivo que existe até hoje.

Há bem mais a celebrar que os 42 quilômetros de Filípedes. Não se sabe se de fato ele morreu ao transmitir sua mensagem. Heródoto não cita o caso. “A lenda surgiu seis séculos após a batalha, no Império Romano, no início da Era Cristã”, diz o historiador americano Richard Billows, da Universidade Colúmbia, em Nova York, autor de Maratona – Como uma batalha mudou a civilização ocidental, recém-lançado nos Estados Unidos.

O que Heródoto cita é outra façanha do mensageiro Filípedes. Quando os atenienses souberam que milhares de persas desembarcavam em Maratona, despacharam Filípedes para pedir ajuda a Esparta, a outra poderosa cidade-Estado grega, rival de Atenas. Filípedes correu 220 quilômetros até Esparta em três dias, avisou da invasão persa, pernoitou e voltou em três dias com a resposta dos espartanos. Eles levariam uma semana para vir socorrer os atenienses. Seria tarde demais.Uma vez em Atenas, Filípedes soube que o exército havia deixado a cidade para enfrentar os persas em Maratona. Ele correu então os 42 quilômetros até o local da batalha. Chegou na manhã do sétimo dia, ainda a tempo de combater.

Em Maratona, os exércitos estavam num impasse. Os atenienses tinham a vantagem do terreno. Ocupavam a parte alta da planície, de costas para a montanha e de frente para o mar. Mas estavam em desvantagem numérica de 3 para l. Com escudos e armadura de bronze, a infantaria grega era mais bem armada que os persas e seus escudos de couro. O temor era a cavalaria persa. Por mais armados que estivessem, os gregos não conseguiriam detê-la. Aos persas, em superioridade numérica, bastava aguardar o avanço grego. Após seis dias de impasse, o general persa embarcou à noite sua cavalaria com a missão de tomar a indefesa Atenas. A travessia por mar levaria 12 horas.

Era madrugada quando Miltíades soube do plano persa. Esperou a cavalaria partir para atacar. O plano era audacioso: derrotar os persas de manhã e correr para defender Atenas, num trajeto de seis horas. Se tudo desse certo, chegariam à cidade antes da frota persa.

Miltíades reforçou os flancos da frente de batalha grega, de l quilômetros de extensão, tirando homens do centro. Este teria de resistir ao ataque persa, permitindo aos flancos reforçados destruir os flancos persas e envelopar o inimigo. Deu certo. Na luta corpo a corpo, o armamento de bronze fez a diferença. Finda a batalha, Filípedes correu a Atenas e anunciou a vitória. No total, correu 540 quilômetros em sete dias. O resto das tropas o seguiu, chegando quando as velas persas surgiam no horizonte. Ao avistar os gregos na praia, os persas fugiram.

A batalha de Maratona mudou o curso da civilização. Segundo Billows, uma derrota grega significaria o fim de Atenas e a deportação dos habitantes ao Golfo Pérsico – o castigo imposto em 494 a.C. aos revoltosos de Mileto, o lar de Tales, o mais antigo filósofo grego.

Uma vitória persa abortaria no nascedouro a democracia ateniense. Ela ficaria para a história como uma experiência interessante e malsucedida. Sem democracia, diz Billows, não haveria o Século de Ouro de Atenas, o espantoso florescimento cultural na cidade no século V a.C. Tome o exemplo do dramaturgo Esquilo, que lutou em Maratona. Em caso de derrota, ele teria morrido antes de compor suas tragédias. Com o exílio dos atenienses, se tivessem nascido, Sófocles, Eurípides e Aristófanes teriam criado o teatro grego? Haveria a filosofia de Platão, Sócrates e Aristóteles? Péricles jamais teria encomendado a Fídias a construção do Parthenon, uma das sete maravilhas do mundo antigo, nem a cultura grega formaria a base do Império Romano e, por tabela, do Ocidente. Assim, os artistas do Renascimento não contariam com o referencial estético grego. Do mesmo modo, teria Shakespeare escrito suas tragédias sem beber da fonte grega? E quanto à filosofia ocidental, sobre a qual já se disse não passar de notas de rodapé sobre a obra de Platão e Aristóteles?

A divisão entre Ocidente e Oriente foi estabelecida há 25 séculos em Maratona, diz Billows. Pode-se argumentar que a derrota em Maratona levou os persas, em 480 a.C., a invadir a Grécia com 100 mil homens. Ainda assim, foram barrados por Leônidas e 300 espartanos em Termópilas, derrotados no mar em Salamina e em terra em Platéia. Sem a confiança da vitória em Maratona, os gregos teriam resistido?

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Os jogos Olímpicos na Grécia Antiga II – Trapaças, fraudes e política

setembro 20, 2009

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Há menos diferenças entre os Jogos Olímpicos atuais as competições organizadas pelos gregos na Antiguidade do que se imagina. Tudo que aparenta ter sido criado no esporte no século XX  já era conhecido pelos filhos de Olímpia: treinamento intensivo, alimentação controlada, transferências, profissionalismo etc. E o dinheiro já ocupava um lugar central. Desde a organização dos primeiros Jogos os atletas foram remunerados. Quando tais competições se transformaram em disputas entre as cidades-estado, valendo o prestígio nacional ou local, elas assumiram o papel de verdadeiras patrocinadoras. Mantinham colégios de atletas e, quando não selecionavam um campeão, tratavam de comprá-lo no estrangeiro. Em Atenas, em 580 a.C., Sólon promulgou uma lei dispondo que cada vencedor olímpico .recebesse 500 dracmas. Levando em conta que um carneiro valia cerca de 1 dracma, a soma era considerável. À parte isso, os campeões adquiriam status e privilégios particulares como a dispensa de pagarem impostos.

A ambição das cidades passou a impelir os atletas à vitória. Eles contavam com a possibilidade de treinar continuamente e de se especializar a fim de multiplicar as chances de sucesso. E adotavam dietas especiais. Os lutadores sujeitavam-se a uma superalimentação perigosa. Muitos, como Mílon de Crotona, faziam uma dieta à base de carne. O corredor Astilo de Crotona preconizava, pelo contrário, alimentação leve. Treinadores célebres como Iço de Tarento (século IV) recomendavam tratamentos científicos e médicos.

Seguindo o exemplo de Atenas, as demais cidades começaram a oferecer aos seus campeões a soma considerável de 5 talentos (um talento valia 6 mil dracmas). O atleta laureado era sustentado vitaliciamente pela cidade. Na primeira metade do século IV a.C, o vencedor da corrida do estádio recebia 50 ânforas de azeite (que valiam aproximadamente R$ 12.500,00); o vencedor no pugilato (ancestral do boxe) ou no pancrácio (prova que combinava a luta com o pugilato) ganhava 30 ânforas (R$ 7.500,00); o vencedor no pentatlo (200 metros, 1.500 metros, salto em distância, lançamento de disco e de dardo), 40 ânforas (R$ 10 mil); e o vencedor da corrida de carros de dois cavalos, 140 ânforas (R$ 35 mil). Um campeão olímpico podia receber da cidade renda mensal de 200 dracmas.

QUATRO LENDAS SOBRE AS ORIGENS DOS JOGOS
Existem várias lendas sobre o nascimento dos Jogos Olímpicos. Contava-se que Zeus os criara quando de sua vitória sobre os titãs. Também se dizia que, no século IX a.C., a peste devastara o Peloponeso e Ifitos, rei de Elida, havia estabelecido os Jogos para apaziguar os deuses. Outros historiadores pretendiam que os Jogos tinham chegado de Creta pelas mãos do sacerdote Héracles, no século XV a.C. Héracles teria disputado a primeira corrida com seus três irmãos. Outros, enfim, consideravam Pélops o verdadeiro criador. Apaixonado por Hipodâmia, a filha do rei de Pisa, ele precisava escapar à desconfiança do rei, que matava todos os pretendentes da filha. Tendo subornado o cocheiro que sabotou o carro do rei, matando-o, instituiu os Jogos Atléticos em Olímpia para comemorar seu casamento.

SUBORNO

A importância das recompensas transformou o espírito dos Jogos. A introdução das corridas de carros nas provas olímpicas e o sustento dos cavalos, particularmente oneroso, implicavam a criação de estrebarias de propriedade dos cidadãos ricos. Os próprios atletas se vendiam a quem pagasse mais. O cretense Sotades, que venceu a corrida de daulichos (4.700 metros) nos XCIX Jogos Olímpicos (384 a.C), aceitou correr por Éfeso quatro anos depois. Os cretenses o puniram, exilando-o. Astilo, de Crotona, cidade habituada a conquistar a maior parte dos prêmios olímpicos, ganhou, em 488 a.C., a corrida de 600 pés e o diaulo (corrida de 400 metros) e se apresentou nos Jogos seguintes como cidadão de Siracusa.

Com o desenvolvimento do profissionalismo, as escolas de esporte e os ginásios multiplicaram-se. Os pedótribas (professores de educação física) descobriam as qualidades dos futuros campeões a partir dos 12 anos de idade. Esses treinadores particulares, às vezes ex-atletas, í eram cada vez mais bem remunerados. Assim, Hippomachos cobrava l 100 dracmas pelo curso. Os atletas i eram criteriosamente selecionados, e todos cobiçavam o título de periodônico, de vencedor dos Jogos Olímpicos. E por ele se dispunham a tudo. Em 388 a.C., na XCVIII Olimpíada, constatou-se o primeiro caso de corrupção: o pugilista Eupolos comprou três adversários, dentre os quais o portador do título. O senado de Olímpia impôs uma multa aos quatro homens e, com o dinheiro obtido, mandou erguer seis estátuas de bronze de Zeus, as chamadas zanes, que foram dispostas no bosque de Altis. Na base da primeira, inscreveu-se: “Não é com dinheiro, e sim com pernas rápidas e um corpo robusto que se alcança a vitória de Olímpia”. Em 332 a.C., Calipo, atleta ateniense, subornou seus adversários. Como eles se recusaram a pagar a multa, todos os atenienses foram excluídos dos Jogos.

Milênios antes de se tomar um espetáculo televisivo, a inauguração dos Jogos Olímpicos já era objeto de suntuoso cerimonial. Os atletas admitidos em Olímpia caminhavam dois dias de Elis a Olímpia, guiados pelos helanódices (juízes).

O cortejo se detinha diante do altar de Zeus, o mais venerado dos deuses. Os sacerdotes lhe ofereciam uma hecatombe (o sacrifício de 100 bois). Depois os gregos cantavam e dançavam em torno ao altar. Nos arredores, os mercadores anunciavam seus produtos à multidão; os turistas acampavam em barracas ou ao ar livre; as personalidades se mostravam. Faziam-se as apostas enquanto os atletas prestavam juramento, erguendo a mão sobre o altar, comprometendo-se a combater com dignidade e respeito às leis. Na cercania do estádio, instalavam-se os vendedores de suvenires e bebidas, as mulheres encarregadas da administração e as prostitutas.

No começo, o festival durava apenas um dia. A festa foi crescendo e, em 520 a.C., o programa dos Jogos Olímpicos estava constituído. O primeiro dia dedicado às cerimônias; o segundo, às provas eliminatórias de corrida a pé. Quarenta mil espectadores se acomodavam nas arquibancadas. O terceiro dia dedicava-se ao pentatlo; o quarto, à luta, ao pugilato, e ao pancrácio; o quinto, às finais das corridas a pé; o sexto, às corridas de cavalos. Nos séculos V e iy o vencedor não era mais o cocheiro, e sim o proprietário dos cavalos. No sétimo dia, realizavam-se as cerimônias de encerramento, com um cortejo formado pelos juízes, os vencedores, as autoridades de Elis e de Olímpia, seguido pelas estátuas dos deuses carregadas ao som das flautas e dos cânticos. O arauto anunciava o nome, a pátria e as façanhas dos vencedores perante a estátua de Zeus esculpida por Fídias. Os juízes cingiam-lhes a cabeça com uma coroa de oliveira silvestre trançada com ramos da árvore. Um banquete reunia os membros do senado, os vencedores e as personalidades. Os olímpicos (participantes dos jogos) ofereciam sacrifícios.

JOGOS E PAZ
Durante as Olimpíadas, cessavam os combates entre os gregos. Uma vez proclamada a trégua, os spondophores (mensageiros) iam anunciar os Jogos no norte da Grécia, nas ilhas, na Ásia Menor, no Egito e na Sicília. Nenhum exército podia pisar o solo de Olímpia. Era igualmente proibido impedir os atletas de participarem das provas. De forma pacífica, os Jogos se transformavam no símbolo da luta entre as cidades.

COMPETIÇÕES

Dentre as provas das Olimpíadas, o pancrácio era a mais mortífera. Era uma luta na qual tudo se permitia, com exceção de golpes nos olhos. Os atletas combatiam na lama, e os perdedores erguiam a mão para interromper o combate.

Os Jogos Olímpicos incluíam a corrida de hoplitas (guerreiros gregos), na qual os participantes nus portavam capacete e escudo. Segundo o filósofo Filóstrato, essa prova simbólica que encerrava os Jogos indicava que “a trégua imposta aos gregos tinha chegado ao fim e cumpria retomar as armas”.

Durante sete dias, de oito a dez juízes presidiam os Jogos. Assumindo a função dez meses antes do evento, estabeleciam a escolha dos competidores, inspecionavam o estádio e o hipódromo e, se necessário, revisavam o regulamento. Excluíam todos os retardatários e todos os que haviam matado os adversários.

Ordenavam aos policiais que viam jogar do alto do monte Typée as mulheres que porventura pisassem o solo olímpico durante os jogos masculinos, já que seus próprios jogos, chamados Héréns, ocorriam no mês de setembro.

Entre as primeiras competições de 2500-2000 a.C. e as de 776 a. C., a história dos Jogos Olímpicos não passou, segundo o geógrafo Pausânias, de uma sequência ininterrupta de desaparecimentos e renovações. A partir de 776, sua periodicidade foi respeitada e mantida até 394 da era cristã. O intervalo de quatro anos passou a se chamar olimpíada. A partir dessa data, os gregos passaram a contar o tempo não por anos solares, mas sim por olimpíadas.

Nas primeiras 15 olimpíadas, todos os vencedores eram originários do Peloponeso. De 768 a.C. a 736 a.C., os messanenses, vindos da Sicília venceram regularmente, depois desapareceram da competição quando dominados pelos espartanos. A história dos Jogos era, pois, indissociável dos fatos políticos. De 720 a 576 a.C., Esparta participou ativamente deles. De 716 a 604 a.C., 29 espartanos venceram a corrida do estádio. Essa superioridade de Esparta coincidiu com sua hegemonia no Peloponeso. É verdade que a totalidade da educação espartana se centrava no desenvolvimento da capacidade física. O fim desse período arcaico ficou marcado pela superioridade dos atletas de Crotona, a começar pelo campeão Glaucos, e consagrou o início das vitórias das colônias. Os Jogos Olímpicos passaram a ser considerados uma festa nacional. Os atletas eram exaltados pelos poetas. Mílon de Crotona, cujas façanhas se estendem de 540 a 512 a.C., tornou-se uma celebridade – e uma lenda.

A Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.) teve graves repercussões nos Jogos Olímpicos, diminuindo-lhes o prestígio. Em 420 a.C., Esparta, acusada de violar a trégua sagrada, foi excluída dos Jogos. Os espartanos invadiram Elis e lhe tomaram a metade do território. Restou Olímpia aos eleenses, que estavam fadados a se submeter a Esparta até a batalha de Leuctra (371 a.C.), na qual os te-banos venceram os espartanos.
As cerimônias já não tinham o esplendor do século V. Os atletas já não eram considerados heróis. O período helenístico (300-80 a.C.) representou uma verdadeira decadência para os Jogos. Após as conquistas de Alexandre, o Grande, eles tiveram um novo ímpeto; ao mesmo tempo, desenvolveu-se o gosto pelo espetacular, anunciando os jogos romanos do circo. O pugilato, o pancrácio, as corridas de carros ficaram cada vez mais brutais e, pouco a pouco, foram substituindo os combates atléticos.

Em 313 a.C., Telésforo, general do príncipe Antígono, invadiu Elis e pilhou o tesouro do templo de Olímpia para recrutar mercenários. Em 210 a. C, Olímpia foi novamente saqueada. Naquela época, os romanos participavam dos Jogos. Sila chegou a pensar em transferi-los para Roma. Por fim, Augusto confiou Olímpia a governadores provinciais e mandou um funcionário vigiar magistrados e sacerdotes. Tibério e Nero chegaram a participar dos Jogos. Nero acrescentou concursos de música e de poesia.

O último vencedor conhecido dos Jogos da Antiguidade foi um príncipe armênio de origem persa, Varazdates (373 ou 369). Por influência de santo Ambrósio, bispo de Milão, o imperador Teodósio, o Grande, proibiu todas às comemorações pagãs. A estátua de Zeus foi levada a Constantinopla, onde desapareceu num incêndio. Em 395, Alarico e os godos devastaram Olímpia. Em 426, Teodósio II mandou incendiar os templos e, por volta de 550, um terremoto destruiu a cidade.

A partir de 400, o esporte deixou de participar da educação ou do lazer do aluno grego. Em torno 390, são Gregório de Nizianzo denunciou a vaidade dos atletas que perdiam tempo e dinheiro no esporte-espetáculo.

Era o fim dos Jogos Olímpicos da Antiguidade, mas as competições esportivas parecidas com as Olimpíadas não chegaram a desaparecer totalmente. Na Gália havia competições parecidas: o bispo Sidônio Apolinário (430-489) explicou que os “hérulos triunfavam na corrida; os hunos, no arremesso; os francos, na natação”. Na Irlanda e na Escócia, sobreviveu um atletismo parecido com o dos antigos. No século XIV os escoceses criaram os Jogos de Ceres com lançamento de martelo, de pedra, de dardo e de tronco de lárix. Várias regiões tentaram restaurar as provas olímpicas com base no modelo antigo. Sem sucesso, até aparecer o barão de Coubertin, que em 1896 foi bem-sucedido ao criar, em Atenas, na mesma Grécia, os Jogos Olímpicos da Era Moderna.

CRONOLOGIA

  • 2500/2000 a. C. – Primeiras competições olímpicas
  • 580 a.C. – Sólon promulga uma lei em Atenas, dispondo que cada vencedor olímpico recebesse 500 dracmas
  • 520 a. C. – O programa dos Jogos Olímpicos se estabiliza, com sete dias de duração
  • 420 a. C. – Exclusão de Esparta dos Jogos Olímpicos
  • 388 a. C. – Na XCVIII Olimpíada, o primeiro caso de alteração de resultado: o pugilista Eupolos compra três adversários para ganhar o título
  • 313 a. C. e 210 a.C. – Saques contra a cidade de Olímpia
  • 395 – Os godos destroem Olímpia
  • 1896 – O barão de Coubertain recria em Atenas as Olimpíadas

Leia também: Os Jogos Olímpicos na Grécia Antiga – Parte 1

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Os jogos Olímpicos na Grécia Antiga

julho 16, 2009

Em 776 a.C., após deixar para trás seis adversários, o grego Corobeu venceu a única prova daquela que ficaria conhecida como a primeira edição dos Jogos Olímpicos. Diferentemente do que se imagina, não foi uma corrida de longa distância: o cidadão da cidade de Elis percorreu apenas os 192 metros de extensão do estádio de Olímpia, na península do Peloponeso. A ideia de que a maratona foi o primeiro esporte olímpico, portanto, não passa de um mito.

Segundo esse mito, em 490 a.C., durante o período de guerras entre gregos e persas, um corredor chamado Fidípides teria atravessado quase 100 quilômetros entre Atenas e Esparta para buscar ajuda. Outra versão conta que um homem chamado Eucles percorreu a distância entre Atenas e acidade de Maratona para participar da batalha. Com a vitória dos gregos, ele retornou a Atenas para dar a notícia, um esforço de 40 quilômetros entre ida e volta que teria custado sua vida.

Nigel Spivey, professor de Artes Clássicas e Arqueologia na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e autor de The Ancient Ofympics (“As Olimpíadas antigas”, inédito em português), afirma que o equívoco pode ser esclarecido ao se analisar a formação social da Grécia antiga. “Isso que chamamos de corrida de longa distância nunca tinha sido considerado esporte, tendo em vista que o trabalho de levar mensagens entre as cidades era função de servos e escravos.”

Na democracia grega, apenas homens livres eram considerados cidadãos. Entre seus direitos estavam as decisões políticas e a participação no exército. Essa natureza bélica, enraizada na própria mitologia, também se relaciona com a atenção dada ao corpo. A prática constante de atividades físicas era a responsável por mantê-los preparados para as guerras – e acabou dando origem às Olimpíadas. As cidades-estados só alcançavam esse status se oferecessem para a população um local para a prática de esportes – o estádio. A partir do século 8 a.C., a Grécia estabeleceu um calendário de competições para motivar seus “atletas”.

A primazia de Olímpia sobre as demais cidades gregas na organização dos jogos está fundamentada na mitologia. Filho de Zeus, o herói Hércules teria inaugurado os Jogos Olímpicos como forma de comemorar o sucesso de um de seus 12 trabalhos: a limpeza dos estábulos de Audias, rei de Elis. Concretamente, sabe-se que essa lenda foi representada em Olímpia pelo escultor Fídias, que, em 440 a.C., foi o responsável pela construção do mais importante templo em homenagem a Zeus, que se transformou numa das Sete Maravilhas do mundo antigo. A estátua fez com que a cidade se tornasse o principal ponto de encontro dos festivais religiosos. E a proximidade do estádio fez com que Olímpia se destacasse como palco dos esportes.

Por mais de 40 anos, a participação foi restrita a atletas da região. Mas, entre 732 a.C. e 696 a.C., a lista de vitoriosos passou a incluir cidadãos de Atenas e Esparta. E, a partir do século 6 a.C., os jogos passaram a receber inscrições de qualquer homem que falasse grego, fosse ele da Itália, do Egito ou da Ásia. “Participar de torneios como aqueles não era, de fato, apenas competir”, afirma Nigel Spivey. “Os atletas dirigiam-se para as Olimpíadas antigas com o interesse de ganhar e ser reconhecidos como os melhores.”

Ao longo dos anos, diversas cidades-estados passaram a realizar suas próprias disputas, que também carregavam uni forte viés religioso. Como forma de homenagear a deusa Atena. os chamados Jogos Panatenáicos foram instituídos em Atenas em 566 a.C., mas acabaram ofuscados por outros torneios. Esse novo circuito de competições, conhecido como Jogos Sagrados, era sediado em Olímpia e Delfos – a cada quatro anos – e em Corinto e Nemea – a cada dois anos.

BIGAS E SANGUE

Embora a primeira Olimpíada tenha acolhido apenas uma disputa, novas categorias foram incluídas ao longo dos mais de mil anos do evento como forma de disputa política e militar. As corridas de biga, inicialmente com quatro cavalos, inauguraram um novo espaço de competições, o hipódromo, em 680 a.C., data da 25a edição dos jogos. Diversos personagens históricos protagonizaram embates nessa modalidade. O político Alcibíades, amigo e entusiasta de Sócrates, participou da corrida de 416 a.C. com nada menos que sete bigas. Segundo o historiador Tucídides, conquistou o primeiro, o segundo e o quarto lugares. Em 67 d.C., já sob o domínio romano, os gregos assistiram ao imperador Nero ser coroado vencedor mesmo sem ter cruzado a linha de chegada com sua biga puxada por dez cavalos. Embates corporais também fizeram

parte do calendário olímpico da Antiguidade. Uma das modalidades, conhecida hoje como luta greco-romana, já fazia parte do treinamento físico dos jovens da Grécia desde o século 10 a.C. Os primeiros vestígios da inclusão dessa luta numa Olimpíada datam de 400 anos depois: foram encontrados em fragmentos de uma placa de bronze. Para vencer a luta, não havia contagem de tempo. As categorias eram divididas por idade. Era preciso jogar o oponente ao chão pelo menos três vezes — sem quebrar os dedos do adversário.

O boxe também foi disputado. Um busto representando um lutador de 330 a.C. dá conta da violência da modalidade – há inúmeras cicatrizes na imagem de bronze. Não havia luvas, rounds ou regras claras para aliviar o sofrimento dos competidores. O orador João Crisóstomo registrou em dois discursos que um tal Melancomas, morador de Caria (localizada na costa da Ásia Menor), teria sido o maior pugilista do primeiro século da era cristã.

Aspecto da luta olímpica grega

Aspecto da luta olímpica grega

A luta mais cruel da competição, porém, foi introduzida no calendário cerca de 100 anos depois da primeira Olimpíada. Para que se tenha ideia, os combatentes do chamado pancrácio eram punidos pelos juízes só em caso de mordidas ou quando um deles arrancasse o olho do adversário. O vencedor acabava venerado pela platéia mesmo quando provocava a morte do oponente.

Conjunto de cinco categorias, o pentatlo era disputado em provas de corrida, salto, luta, arremesso de disco e arremesso de dardo. Respectivamente, corridas e lutas abriam e encerravam o conjunto de provas – com algumas regras próprias, ambas categorias também eram disputadas fora do pentatlo. Na corrida, a distância mais curta envolvia um trajeto de cerca de 200 metros, equivalente ao comprimento dos estádios.

Na mais longa, os atletas disputavam a liderança em 24 voltas pelo perímetro do local ou 5 mil metros.

Os jogos da Antiguidade eram violentos. Muitas vezes, serviram para simular batalhas militares. A morte de atletas chegou a ser registrada. A despeito das condições climáticas e mesmo de higiene, sabe-se que os atletas competiam nus. Historiadores antigos registram que essa tradição teria começado em 720 a.C., quando um sujeito chamado Orsipos, de Megara, venceu uma prova de corrida ao notar que sua performance seria melhor se ele abandonasse suas roupas pelo trajeto. A própria palavra “ginástica” tem o termo “nudismo” em seu radical grego gymnos – o que explicaria a proibição de mulheres, fosse como atletas, fosse como espectadoras.

Por mais sangue que tenha sido derramado, os atletas jamais abriram mão de alguma ambição pela vitória. Nem mesmo durante as guerras, ou quando a Grécia esteve sob domínio dos macedônios e dos romanos, as competições esportivas deixaram de ser realizadas. Os jogos, contudo, entraram em declínio na segunda metade do século 4.

Durante o domínio do imperador Teodósio, em 380 o cristianismo foi anunciado como religião oficial do Império Romano, fazendo com que, 13 anos depois, todos os centros esportivos e religiosos que abrigavam festas pagãs fossem fechados. Era o fim dos Jogos Olímpicos da Antiguidade, que só viriam a ganhar uma versão moderna cerca de l 500 anos mais tarde.

Leia também: Os Jogos Olímpicos na Grécia Antiga – Parte 2