
Em outubro de 2008, eu criei o HistóriaBlog – e o histórico de posts está ainda no layout como prova. Foram mais de 17 anos de curiosidade, leituras, busca de fontes e muitas horas transformando tudo isso em texto. Quase 1.000 posts depois, chegou a hora de encerrar essa atividade. O último post escrito antes deste que você lê agora saiu em dezembro de 2025 e desde então não tive mais vontade de produzir outro.
Não foi uma decisão repentina. Com a IA integrada às buscas, os acessos caíram drasticamente. As respostas aparecem agora direto na tela do Google, e a pessoa nem precisa mais clicar no site. O que eu pesquisei, apurei e escrevi com cuidado virou matéria-prima para respostas prontas, como se não tivesse existido alguém por trás, passando horas atrás de uma boa fonte.
E aí o prazer de escrever foi se perdendo. Começou a parecer esforço desnecessário, e escrever por obrigação nunca foi a minha ideia.
Curiosamente, boa parte dos cliques que o blog recebe hoje vem de links de IAs que citam meus posts como fonte. Não deixa de ser um “reconhecimento”, mas não é a mesma coisa que ser lido.
Não vou excluir e blog continua no ar, no endereço do WordPress, enquanto a plataforma o mantiver. Só não vou mais renovar o domínio próprio.
E a vontade de escrever? Ela só mudou de lugar. Tenho me dedicado a outra forma de expressão que tem me agradado muito: criar contos, principalmente de terror. Comecei a escrever histórias já impulsionado pela sensação de que não valia mais a pena escrever para o HistóriaBlog nesse contexto. Mas confesso que fico pensando: nem a literatura independente está livre do impacto das IAs. Afinal, quem garante que as histórias inventadas também não passarão a ser escritas artificialmente daqui para frente?
