Não se sabe muito sobre as origens da poderosa mulher de procedência que pode ser russa, ucraniana ou bielorrussa, mas que virou figura dominante no Império Otomano na segunda metade do século XVII. Seu nome original também é incerto, embora habitualmente identificado como Nadia, e seu nascimento ocorreu provavelmente em 1627. Sua vida passou a ser documentada após o ingresso no harém imperial de Topkapi, quando tinha 12 anos de idade. A jovem Nadia chegou ao harém de Ibrahim I depois de ser capturada em sua terra natal numa incursão de tártaros que faziam ataques em busca de escravos. Ela foi comprada pelo Khan da Crimeia e depois ofertada como presente ao sultão otomano. No harém ela passou pelo treinamento necessário para ser uma odalisca e como parte do processo de integração, recebeu um novo nome, passando a se chamar Turhan, sendo ainda convertida ao islamismo.
Sua beleza e habilidades chamaram a atenção de Ibrahim I, que resolveu fazer dela uma de suas concubinas favoritas. Eles tiveram um filho em 1642, o futuro sultão Mehmed IV, situação que elevou consideravelmente o status de Turhan como mãe do sucessor real. Ibrahim I era um homem instável e um governante ineficiente, sendo deposto e executado em 1648 após uma trama que levou Kösem Sultan, sua mãe, à condição de regente em nome do neto Mehmed IV.
A relação entre Turhan e a sogra era conturbada. Turhan tinha ambições de poder enquanto Kösem era uma personalidade influente de sólida presença na corte e nas instâncias do governo. Os interesses divergentes das duas se manifestaram através de intrigas, de disputas pelo controle sobre o jovem sultão. A experiente Kösem Sultan já tinha a solução para o problema, pois pretendia destituir Mehmed IV para designar em seu lugar um outro neto, filho de Ibrahim I com uma concubina que não tinha as mesmas motivações de Turhan. A trama foi descoberta e uma solução extrema foi adotada para impedir o risco. A poderosa Kösem acabou sendo sorrateiramente atacada e assassinada num ato conspiratório que eliminou a concorrente de Turhan, inevitavelmente associada ao crime que chocou o império.
Em 1651 ela finalmente assumiu a regência em nome do filho, apesar de sua reputação ter sido abalada pelas suspeitas. As dificuldades da inexperiente Valide Sultan (título honorífico atribuído à mãe do sultão) para lidar com um cenário de crises se arrastou até 1656, quando ela designou o nobre Köprülü Mehmed Pasha como grão-vizir, cargo de maior importância no império abaixo da autoridade do sultão. Com o passar do tempo ela teve sua aceitação ampliada, pois os resultados do governo foram favoráveis.
Quando seu filho assumiu plenamente o poder, Turhan retirou-se das atividades políticas, embora continuasse sendo uma pessoa altamente respeitada e influente na corte. A majestosa Mesquita Nova (Yeni Cami) de Istambul, construção iniciada por Kösem Sultan, foi concluída sob sua atuação e patrocínio, se transformando imediatamente num importante centro de atividades religiosas, sociais, econômicas e motivo de orgulho para os otomanos. Ela morreu em 1683, aos 56 anos.
Referências:


[…] 1656), o poder de lideranças marcantes como as “sultanas” Roxelana, Nurbanu, Kösem e Turhan foi destacado e decisivo, ressaltando a posição das principais figuras femininas da sociedade […]
[…] Turhan Sultan (c. 1627 – 1683) […]
[…] assumiu inicialmente a regência em nome do neto, mas logo a rivalidade com a mãe do menino, Turhan Sultan, se transformou numa séria luta pelo poder. Para neutralizar Turhan, Kösem tentou destituir o […]
[…] Turhan Sultan: Do harém para o centro do poder no Império Otomano […]