Usualmente a palavra “vândalo” é atualmente empregada para descrever alguém que ataca algum patrimônio de maneira agressiva e intencional com o objetivo de causar dano. O termo originalmente designava um povo germânico que ganhou notoriedade durante o período de decadência de Roman, ocasião em que as fronteiras do império deixaram de conter os fluxos migratórios e os ataques diretos dos chamados “bárbaros”.
Provenientes do sul da atual Polônia, os Vândalos conheceram logo o processo de migração, se estabelecendo em outras regiões europeias ao longo dos tempos como na Dácia (que corresponde a partes dos atuais territórios da Romênia, Moldávia e partes da Bulgária, Ucrânia, Hungria e Sérvia), tendo que lidar com conflitos com outros povos da região, como os Godos, e fazer acordos de paz para com o Império Romano do Oriente para assegurar a permanência local. Quando os Hunos avançaram sobre a região, eles empreenderam uma migração em massa para o Ocidente a partir de 406 d.C., atravessando e devastando a Gália até chegarem à Península Ibérica, onde se estabeleceram em 409.
Sob a liderança do rei Gaiserico, os Vândalos realizaram um processo de expansão de seus domínios, cruzando o Estreito de Gibraltar e chegando ao norte da África em 429, mas mantendo um domínio submetido à Roma. Dez anos depois, eles dominaram Cartago e romperam rom os romanos, firmando um reino independente.
Adquirindo um notável poder marítimo e constituindo uma marinha poderosa, os Vândalos conseguiram um feito notável: a invasão de Roma, em 455. O imperador romano Valentinianao III chegou a firmar um tratado com o rei vândalo Genserico em 422, acerto que envolvia o casamento entre seus herdeiros para garantir o entendimento. Valentiniano III foi assassinado e seu sucessor, Petronius Maximus, resolveu alterar o plano de paz impondo um novo casamento entre seu filho e Eudoxia, filha de Genserico. Diante da situação, o rei Vândalo decidiu que o acordo de paz havia sido desrespeitado, então partiu para o ataque. As forças vândalas invadiram a Itália e seguiram até a cidade de Roma. Eles deixaram um rastro de destruição por onde passaram e depois de um acordo com o líder católico, o Papa Leão I, resolveu que seria suficiente saquear a cidade. O episódio evidenciou a fraqueza do outrora imbatível Império Romano, dando um sinal positivo para outras investidas de hordas germânicas que ocorreram posteriormente.
Os vândalos obtiveram uma importante vitória e asseguraram seu poder por décadas até finalmente acabarem derrotados, em 534, pelo Império Bizantino, herdeiro de Roma no Oriente.
Os Vândalos eram descritos por cronistas da época como um povo constituído por indivíduos de alta estatura, organizados em uma estrutura tribal, como comum entre os germânicos. Eles eram cristãos arianos, que concebia a crença de que Jesus e o Deus Pai não constituíam uma unidade porque sendo criado por Deus, Jesus era inferior ao Pai. A doutrina seguida pelos Vândalos era divergente daquela instituída pelos romanos, que eram trinitários, concebiam a noção da Trindade Sagrada entre Pai, Filho e Espírito Santo. Os arianos eram vistos pelos católicos romanos como hereges.
Referências:


[…] Vândalos: De nômades a conquistadores […]