Um dos líderes mais conhecidos da Revolução Francesa foi Georges Danton (1759-1794). Nascido em Arcis-sur-Aube, na região de Champagne, nordeste da França, em uma família burguesa de condições moderadas. Quando criança sobreviveu a um ataque de um touro e à varíola, mas as dificuldades não impediram o jovem Danton de ser um estudante aplicado, passando por instituições educacionais respeitadas e desde cedo demonstrando uma notável capacidade retórica. Depois de formado em direito foi para Paris, onde trabalhou como escrivão e advogado.
Ele frequentava clubes políticos e o Café Procope, frequentado por ativistas e intelectuais, nestes ambientes acabou conhecendo personalidades como Camille Desmoulins, com quem constituiu uma forte amizade e parceria política, e ainda Jean-Paul Marat e Maximilien Robespierre. Nestes ambientes eram realizadas interações políticas e filosóficas intensas que acabaram viabilizando alianças e compondo um núcleo influente no processo revolucionário que estava por vir.
Homem de talento na comunicação e com eloquência invejável, ele se destacou quando a insurreição estourou, proferindo eletrizantes discursos para o público nas ruas e sociedades populares, inspirando e mobilizando as pessoas através de conclamações vívidas e instigantes. Como articulador, assumiu a liderança dos Clube dos Cordeliers, agremiação política republicana e esquerdista influente, trabalhando ao lado de Desmoullins, habilidoso jornalista e divulgador de ideias. Sua militância ajudou a firmar sua posição como agente revolucionário de reputação e popularidade reconhecidas e quando a república foi instituída com ascensão dos radicais ao poder, foi designado como membro do Comitê de Salvação Pública, órgão que assumiu o governo da França.
De setembro de 1793 a julho de 1794 imperou o chamado Reinado do Terror na condução política da França sob o comando do Comitê de Salvação Pública. O radicalismo desenfreado acabou virando a prática, impondo uma política extrema de perseguições, condenações e violência. Os abusos praticados acabaram matando milhares de pessoas na guilhotina, muitas delas acusadas de traição e julgadas sem direito a defesa.
Com Robespierre à frente do regime, as dissidências internas e discordâncias por parte de aliados contrários à radicalização eram tratadas como atos de traição à causa revolucionária, situação que levou vários revolucionários de primeira hora para as prisões e também para as covas, pois nem aliados de outrora eram poupados. Danton manifestou sua contrariedade em relação à prática abusiva da violência e a condução dos julgamentos e condenações sem o respeito às condições básicas dos direitos daqueles que eram vítimas da ação dos tribunais revolucionários.
Ele justificava que a revolução estava praticando atos tirânicos e que a conciliação seria necessária para ajustar o caminho do país. Sua liderança e popularidade chegavam a rivalizar com Robespierre, que chefiava o governo, e ele aproveitava esta posição para tentar exercer influência sobre a condução política da revolução, exigindo abertamente o fim do Terror. Em março de 1794, num discurso na condição de membro da cúpula governista, ele chegou a declarar por conta própria o fim do regime, mas a reação de seus oponentes revolucionários foi imediata. Ele foi acusado como conspirador e monarquista, sendo preso e julgado.
Danton foi executado na guilhotina no mês seguinte, em 5 de abril de 1794. Sua morte acabou alimentando ainda mais a oposição ao Terror, sendo evidência do grau de descontrole da escalada de violência que assustava a população, que queria a pacificação. O Terror acabou e o próprio Robespierre acabou na guilhotina três meses depois.
Referências:


[…] Danton: Voz da liberdade e vítima do Terror durante a Revolução Francesa […]
[…] seus mais colaborativos aliados e chegou a ocupar um cargo no Ministério da Justiça, chefiado por Goerges Danton. Quando as ações do governo revolucionário passaram a ser cada vez mais extremas, dando forma ao […]