Jean-Jacques Rousseau nasceu 1712, em Genebra, Suíça, em uma família de classe média. Seus primeiros anos foram marcados por tragédias familiares e dificuldades. Sua mãe faleceu poucos dias após o seu nascimento, e ele foi criado pelo pai, um relojoeiro, até os dez anos, quando este foi forçado a deixar Genebra por problemas legais, e foi então entregue aos cuidados de um tio.
Durante sua juventude, ele recebeu uma educação básica, mas se destacou pelo seu voraz apetite por leitura, sendo influenciado por obras literárias e filosóficas. Após um breve período como aprendiz, Rousseau partiu de Genebra aos 16 anos, iniciando uma série de viagens e variadas experiências de trabalho que ampliaram sua visão de mundo e moldaram seu pensamento crítico. Esses anos itinerantes foram fundamentais para o desenvolvimento de suas ideias sobre a natureza humana, sociedade e educação.
O contexto social e político do século XVIII desempenhou um papel crucial na formação das ideias de Rousseau. Vivendo em uma época de profundas transformações sociais e intelectuais marcada pelo Iluminismo, Rousseau testemunhou o crescimento da desigualdade social e as falhas das monarquias absolutistas na Europa. Essa realidade estimulou seu pensamento crítico sobre a natureza das relações sociais e políticas. Sua própria experiência de vida, marcada por dificuldades e deslocamentos, lhe proporcionou uma perspectiva única sobre as injustiças sociais e a opressão. Isso se manifesta em suas obras, onde ele frequentemente contrasta a corrupção e a artificialidade da vida urbana e cortesã com a pureza e a liberdade do estado natural. Rousseau também foi influenciado pela crescente discussão sobre os direitos humanos e a democracia. Suas teorias sobre o “contrato social” e a soberania popular refletem uma resposta direta às tensões e desafios de seu tempo, propondo uma organização social baseada na igualdade e na liberdade coletiva.
Suas obras principais abordam uma variedade de temas, promovendo sua profunda reflexão sobre a natureza humana, sociedade e política. Em “O Contrato Social”, ele explora a ideia de que a legitimidade política deriva da vontade geral do povo, estabelecendo uma base para a democracia moderna. “Emílio, ou Da Educação” oferece uma visão inovadora sobre a educação, defendendo um desenvolvimento natural e individualizado, em contraste com os métodos educacionais rigorosos da época. Em “Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens”, Rousseau analisa como a propriedade privada e a civilização contribuíram para a desigualdade e corrupção humanas. Suas “Confissões”, uma das primeiras grandes autobiografias, revela com franqueza e introspecção sua vida pessoal e suas lutas internas. Essas obras, marcadas por um estilo eloquente e persuasivo, contribuíram significativamente para o pensamento filosófico e político e continuam a influenciar debates contemporâneos.
A vida pessoal de Rousseau foi marcada por relações tumultuadas, saúde frágil e controvérsias constantes. Apesar de seu crescente reconhecimento como um intelectual influente, frequentemente se sentia perseguido e mal interpretado por seus contemporâneos. Seu relacionamento de longa data com Thérèse Levasseur, embora significativo, foi complexo e atípico para os padrões da época, notavelmente pela decisão extrema do casal de entregar seus cinco filhos à assistência pública. Além disso, Rousseau enfrentou conflitos com outros filósofos iluministas, como Voltaire, devido a diferenças ideológicas e pessoais. Sua saúde deteriorou-se progressivamente, agravada por uma vida de privações e instabilidade. Rousseau também viveu em exílio voluntário por vários períodos, buscando refúgio em locais mais isolados, como a Inglaterra e diferentes regiões da França. Esses anos foram de isolamento e produção literária, incluindo a escrita de suas “Confissões”. Rousseau morreu 1778, deixando um legado complexo como um dos pensadores mais influentes e controversos de seu tempo.
As ideias de Jean-Jacques Rousseau exerceram uma influência significativa no contexto ideológico da Revolução Francesa. Seu conceito de soberania popular, como articulado em “O Contrato Social”, ressoou fortemente com os ideais revolucionários de liberdade, igualdade e fraternidade. Rousseau argumentava que a legitimidade de um governo deriva do consentimento dos governados, uma noção que desafiava diretamente o absolutismo monárquico e a estrutura de privilégios da sociedade francesa pré-revolucionária. Além disso, sua crítica à desigualdade social e econômica e sua ênfase na vontade geral como a base da ordem política alimentaram o ímpeto por uma reorganização radical da sociedade. Os líderes e intelectuais da Revolução frequentemente citavam e se inspiravam em Rousseau, vendo suas ideias como um guia para a construção de uma sociedade mais justa e democrática. Embora Rousseau não tenha vivido para ver a Revolução, suas obras se tornaram textos essenciais para os revolucionários e ajudaram a moldar os princípios fundamentais e as políticas do novo regime francês.



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