Rômulo Augusto, o último imperador romano

(Representação visual gerada pela IA Midjourney)

A ascensão de Flávio Rômulo Augusto (Flavius Romulus Augustus) foi marcada pela instabilidade política no Império Romano do Ocidente. Em agosto de 475, o imperador Júlio Nepos foi forçado a fugir de Ravena para a costa da Dalmácia, temendo a revolta de Orestes, um de seus próprios homens e magister militum, uma posição de destaque nas forças militares romanas desde o governo de Constantino. Orestes, que havia servido sob Átila, o Huno, orquestrou uma conspiração para depor Júlio Nepos, que fugiu de Ravena sem resistir. Durante a rebelião e a captura da cidade, Orestes optou por não se tornar imperador, preferindo instalar seu filho de 15 anos no trono. Essa estratégia permitiu a Orestes manter o controle indireto, com Rômulo Augusto servindo apenas como uma figura simbólica, sem poder real ou autonomia, um mero governante fantoche.

O governo de Rômulo durou de 31 de outubro de 475 até 4 de setembro de 476. Durante esse período de pouco mais de 10 meses, ele foi infamemente apelidado de “Augústulo”, significando “pequeno Augusto”, uma referência pejorativa que denotava sua baixa estatura e influência insignificante. Esse apelido simbolizava sua impopularidade, a falta de expectativas de seu governo e a ineficácia de sua autoridade.

Além de sua inexpressividade e circunstâncias de ascensão, Júlio Nepos, ainda vivo e no exílio, reivindicava o título de imperador, afetando a legitimidade de Rômulo, que não era reconhecido por muitos como imperador. Isso, somado à falta de reconhecimento também pelo Império Romano do Oriente, leva alguns estudiosos a nem mesmo considerá-lo um imperador romano, atribuindo a Júlio Nepos o título de último governante romano ocidental.

Não houve grandes feitos durante o governo do Pequeno Augusto, e após nove meses, uma rebelião de soldados bárbaros estourou. O exército que Orestes usou para chegar ao poder era composto por tropas germânicas, como herulianos, rugianos e escirianos, que exigiam terras próprias. Orestes falhou em negociar com as tropas de que dependia para manter o poder. Sob o comando de Odoacro, os rebeldes derrotaram Orestes em Ticinum, e ele foi executado em Placência em agosto de 476. Odoacro então entrou em Ravena, depôs o jovem imperador e o exilou no castelo de Lucullanum, na Campânia. O destino final de Rômulo é incerto, mas sugere-se que ele tenha vivido como um cidadão comum, levando uma vida tranquila. Não há informações precisas sobre sua morte, mas é quase certo que ele já estava morto durante a invasão da Itália por Belisário na década de 530.

A queda de Rômulo Augusto não teve um grande impacto no contexto geral da crise do Império Romano do Ocidente. Sua abdicação forçada e subsequente exílio marcaram apenas o fim simbólico de Roma, mas o verdadeiro declínio e colapso do império já estavam em curso há muitos anos. O fim de seu breve governo serviu, séculos depois, para demarcar o início da Idade Média.

Ironia do destino, a grandiosa Civilização Romana, que teve início com a lenda de Rômulo como seu fundador, encerrou seu capítulo no Ocidente sob o governo de outro Rômulo. Este último Rômulo, ao contrário do herói mítico fundador, é eternizado na história como um governante fraco e insignificante. Seu reinado efêmero e desprovido de glória espelha o crepúsculo do império, marcando simbolicamente o fim de uma era que começou com a promessa de força e poder, mas que terminou na vulnerabilidade e declínio.