Robespierre, o Incorruptível

(Representação visual gerada pela IA Midjourney)

Maximilien François Marie Isidore de Robespierre nasceu em 6 de maio de 1758, em Arras, no norte da França. Era o filho mais velho de François de Robespierre, um advogado, e de Jacqueline Marguerite Carrault. A família Robespierre era de origem modesta, mas relativamente confortável. No entanto, a vida de Maximilien mudou drasticamente quando sua mãe morreu, em 1764, quando ele tinha apenas seis anos de idade. Seu pai abandonou a família pouco depois, deixando Maximilien e seus irmãos aos cuidados de seus avós maternos. A despeito desses desafios iniciais, Robespierre se destacou academicamente, ganhando uma bolsa para estudar no prestigioso Lycée Louis-le-Grand em Paris, onde se formou em direito.

Quando Robespierre se formou em direito, no final da década de 1770, a França estava passando por um período de intensa agitação social e política. A sociedade era dividida em três ordens ou estados: o clero, a nobreza e o terceiro estado, que compreendia a vasta maioria da população, incluindo burgueses, camponeses e trabalhadores urbanos. O terceiro estado carregava o fardo mais pesado de impostos e não tinha representação política significativa, o que gerava descontentamento generalizado. Além disso, o país enfrentava sérios problemas financeiros, exacerbados pelos custos das guerras coloniais, incluindo a Guerra de Independência Americana. Nesse contexto, ideias iluministas que defendiam a igualdade, a liberdade e a democracia começaram a ganhar terreno, alimentando o desejo de mudança e preparando o cenário para a Revolução Francesa, que começaria em 1789.

Antes do início da revolução, Robespierre estabeleceu-se em sua cidade natal como advogado. Durante esse período, ele ficou conhecido por sua defesa dos pobres e desfavorecidos, frequentemente trabalhando gratuitamente em ações judiciais. Ele também começou a se envolver em política, ingressando na Academia de Arras, onde participava de discussões sobre questões sociais e políticas. Foi nesse contexto que Robespierre começou a desenvolver suas ideias políticas, influenciado pelos ideais iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade. Em 1789, com o início da Revolução Francesa, Robespierre foi eleito como representante do Terceiro Estado para os Estados Gerais, marcando o início de seu envolvimento direto nos eventos revolucionários que transformariam a França nos anos subsequentes.

A Robespierre dentro do processo revolucionário foi marcada por sua habilidade retórica, seu compromisso com os ideais republicanos e sua integridade pessoal, que lhe valeu o apelido de “o Incorruptível”. Após ser eleito para os Estados Gerais em 1789, Robespierre rapidamente se destacou como um defensor dos direitos do povo. Ele se opôs à monarquia e à dominação da nobreza e do clero, defendendo uma república baseada na vontade do povo. Em 1791, Robespierre foi eleito para a Assembleia, onde continuou a advogar por reformas sociais e políticas. Em 1793, após a queda da monarquia e a execução do rei Luís XVI, Robespierre foi eleito para o Comitê de Salvação Pública, o órgão executivo da Convenção Nacional que detinha o poder durante a Revolução. Sua influência cresceu rapidamente, e ele se tornou uma das figuras centrais do governo revolucionário, desempenhando um papel crucial na implementação de políticas que visavam consolidar a República e erradicar os inimigos da Revolução.

Quando Robespierre chegou ao comando do processo revolucionário, a França estava em um estado de caos, com ameaças internas e externas. O país estava em guerra com várias monarquias europeias, e havia divisões profundas dentro do próprio movimento revolucionário. Robespierre e seus aliados, conhecidos como jacobinos, implementaram uma série de medidas drásticas para lidar com essas crises, inaugurando o período conhecido como o “Terror”. Sob a liderança de Robespierre, o Comitê de Salvação Pública tomou medidas para centralizar o poder e reprimir os inimigos da Revolução. Leis foram promulgadas para silenciar os críticos e eliminar os opositores, resultando na execução de milhares de pessoas na guilhotina, incluindo figuras proeminentes como Maria Antoineta e muitos ex-aliados de Robespierre.

Ao mesmo tempo, Robespierre procurou implementar uma série de reformas sociais e econômicas para abordar as desigualdades que haviam ajudado a alimentar a Revolução em primeiro lugar. Ele promulgou leis que estabeleciam preços máximos para bens essenciais e tomou medidas para melhorar as condições de vida dos trabalhadores urbanos e camponeses. Além disso, Robespierre foi um defensor da abolição da escravidão nas colônias francesas. No entanto, sua visão de uma República baseada na virtude e na moralidade também o levou a implementar políticas como o Culto ao Ser Supremo, uma tentativa de substituir o cristianismo por uma forma de deísmo estatal. Essas medidas, juntamente com o clima de medo e repressão criado pelo Terror, eventualmente minaram o apoio a Robespierre, levando a sua queda em julho de 1794.

O número exato de mortes causadas pelo regime do Terror durante a Revolução Francesa é difícil de determinar com precisão, mas estima-se que cerca de 17.000 pessoas foram executadas na “Madame Guilhotina” em todo o país, com outras milhares morrendo em prisões ou por outras formas de violência política. Paris foi o local de muitas das execuções, mas o Terror também se espalhou para outras partes do país, onde ocorreram repressões violentas contra os rebeldes, como na Vendéia. Além disso, o número de mortes não inclui as vítimas das guerras e conflitos que ocorreram durante a Revolução. Portanto, o saldo total de mortes causado pelo regime do Terror é significativo, refletindo a extrema violência e instabilidade do período.

Robespierre foi destituído quando membros da Convenção Nacional, alarmados com o poder que ele havia acumulado e com a violência incessante do Terror se voltaram contra o líder do governo. Ela e vários de seus aliados foram presos após uma luta intensa no próprio parlamento. No dia seguinte, após uma rápida tentativa de julgamento, acabou guilhotinado na Place de la Révolution em Paris, junto com seu irmão Augustin, Louis Antoine de Saint-Just e outros aliados próximos. Sua execução marcou o fim do Terror e inaugurou um novo período na Revolução Francesa, conhecido como a Reação de Termidor, caracterizado por uma redução na violência política e uma reação contra as políticas mais radicais do período jacobino.

11 comentários

  1. […] Membro de uma tradicional família de carrascos, experimentou uma época particularmente produtiva para sua carreira, pois era executor durante a fase do “Terror” da Revolução Francesa. Sanson via seu trabalho como um espetáculo e gostava de estar diante do público matando os condenados. Era um tradicionalista que gostava da forca, mas durante revolução acabou aderindo à lâmina como instrumento de execução. Chegou a executar mais de 300 pessoas em num sequência e sua longa lista de execuções supera 3 mil vítimas. Foi ele quem operou a guilhotina nas decapitações da rainha Maria Antonieta e do rei Luís XVI, além de lideranças revolucionárias como Georges Danton, Camille Desmoulins, Saint-Just e Robespierre. […]

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