Zoroastro: o visionário profeta da luta entre o Bem e o Mal

(Representação visual geradas pelas IAs Midjourney + Leonardo)

O profeta Zaratustra nasceu e viveu na Pérsia, provavelmente na região que hoje é o nordeste do Irã ou o sudoeste do Afeganistão, em algum momento entre 1500 e 1200 a.C. Não se conhece muito sobre sua vida, mas seus ensinamentos acabaram dando início a uma enorme transformação nas tradições religiosas de seu tempo e adiante. Os gregos o chamaram de Zoroastro, adaptação fonética de seu nome no avéstico antigo, identificação que se tornou conhecida no mundo ocidental.

Desde jovem, Zoroastro foi uma pessoa questionadora e profundamente espiritual que preferia a rotina da contemplação estando isolado das demais pessoas. Segundo a tradição, ele teve uma série de visões e revelações divinas aos 30 anos de idade, culminando em sua missão de reformar a religião de sua época e introduzir novos conceitos teológicos, que se estabeleceram através do Zoroastrismo, uma das religiões mais antigas do mundo e possível expressão mais antiga de monoteísmo (esta primazia é disputada entre o curto culto egípcio ao deus Aton no Egito e outras expressões proto-monoteístas antigas que não foram suficientemente documentadas ao ponto de devidamente identificadas na atualidade).

Os ensinamentos de Zoroastro são principalmente registrados nos Gathas, uma série de hinos encontrados no Avesta, o texto sagrado do Zoroastrismo. Segundo a crença zoroastrista ou zarathustriana, Ahura Mazda é a divindade suprema, sendo o único e todo-poderoso criador do universo, personificando a verdade e a retidão – a religião também é conhecida por Mazdeísmo por causa da identificação de sua divindade. Embora Ahura Mazda seja onipotente, ele é oposto por Angra Mainyu (ou Ahriman), o espírito maligno, caracterizando o dualismo da religião, sendo esta dualidade refletida na luta moral e casa ser humano. Diante sesta luta entre o bem e o mal, despontam os princípios das boas ações, boas palavras e bons pensamentos, que são os três pilares da ética zoroastrista. Eles resumem o caminho que cada pessoa deve seguir para viver de acordo com a vontade de Ahura Mazda e combater as forças de Angra Mainyu.

A alma de cada pessoa seria julgada após a morte. Aquelas que levaram uma vida reta conforme os pilares se uniriam a Ahura Mazda, enquanto aquelas que se entregaram ao mal enfrentariam a separação divina. Zoroastro ensinou que, eventualmente, as forças do bem prevaleceriam. Isso culminaria em uma renovação do mundo, onde o mal seria erradicado e a justiça reinará.

A expansão do zoroastrismo está intrinsicamente ligada à ascensão e domínio dos grandes impérios persas da Antiguidade. A primeira grande expansão do zoroastrismo ocorreu sob os aquemênidas. Acredita-se que Ciro, o Grande, tenha sido influenciado pelo zoroastrismo (ou pelo menos por crenças similares), embora sua adesão à religião seja debatida. Seus sucessores, especialmente Dário, o Grande, e seu filho Xerxes, deixaram inscrições que louvam Ahura Mazda e exibem claramente influências zoroastrianas. Durante o apogeu do Império Aquemênida, o zoroastrismo provavelmente foi promovido ou favorecido, facilitando sua propagação por vastos territórios, desde o Egito até a Índia. Após a conquista de Alexandre, o Grande, e a subsequente formação do Império Selêucida, o zoroastrismo entrou em declínio. Os governantes gregos trouxeram consigo suas próprias tradições religiosas, e embora não tenham suprimido ativamente o zoroastrismo, a religião enfrentou uma concorrência significativa.

A ascensão dos sassânidas, uma dinastia persa que governou de 224 d.C. a 651 d.C., marcou um renascimento para o zoroastrismo. Os sassânidas adotaram o zoroastrismo como religião oficial, estabelecendo uma relação estreita entre a coroa e o clero zoroastrista. Durante este período, textos religiosos foram compilados e codificados, e o zoroastrismo foi consolidado e uniformizado. A conquista muçulmana da Pérsia em 651 d.C. marcou o início do declínio do zoroastrismo. Ao longo dos séculos, muitos zoroastristas se converteram ao Islã, seja por persuasão, pressão social ou imposições fiscais. Contudo, uma minoria permaneceu fiel à sua religião ancestral. Em face da crescente pressão e perseguição, alguns zoroastristas migraram para regiões mais seguras, especialmente para a Índia. Esses migrantes, conhecidos como Parsis, têm mantido sua fé viva até os dias atuais.

Os ensinamentos de Zoroastro não só moldaram o antigo império persa, mas também influenciaram outras tradições religiosas. Elementos do Zoroastrismo podem ser vistos no Judaísmo, Cristianismo e Islã. Por exemplo, conceitos como o Juízo Final e a luta entre o bem e o mal são temas presentes em muitas tradições monoteístas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *