Mais de 400 anos antes da grandiosa Hatshepsut e vários séculos antes da famosa Cleópatra VII, o trono egípcio foi ocupado por outra mulher. Seu nome, Sobekneferu (“Beleza de Sobek”), era homenagem ao deus crocodilo protetor do Nilo e dos faraós e ela regeu o Egito entre 1760-1756 aC, encerrando a 12ª dinastia.
Ela é a primeira mulher identificada com o status de faraó, mas além da possibilidade da existência de outras mulheres faraós antes dela, sabe-se da ocorrência de governantes femininas na condição de regentes provisórias em nome de filhos pequenos e mesmo na longínqua 1ª Dinastia há identificação da rainha-mãe Meritneith, que regeu durante a infância de seu filho e herdeiro legítimo do trono como faraó. Regentes não faziam jus ao título de faraó a ao seu aspecto religioso como próprio do ser divino que o ostentava por herança de nascimento.
Sobekneferu sequer havia sido devidamente reconhecida pelos egiptólogos até o final do século 19, apesar de seu nome constar em listas produzidas pelos egípcios contendo seus governantes. A primeira vez que os estudiosos se depararam com seu nome foi quando uma antiga relação de mais de 223 faraós foi encontrada, apesar do fato de que metade dos nomes listados esteja ilegível (alguns provavelmente de outras mulheres). Pelo que foi possível descobrir, ela era uma das filhas do faraó Amenemhat III, contudo sua ascensão ao trono ocorreu depois da morte de Amenemhat IV, que foi o sucesso direto de seu pai. Esta situação levanta dúvidas sobre a relação entre Sobekneferu e Amenemhat IV, pois poderiam ter sido marido e mulher e também irmãos. Mas a confusão não acaba aí, pois para que Sobekneferu fosse a primeira na linha sucessória (além do fato de ser filha de um faraó), Amenemhat IV não deveria ter descendentes para continuação da linhagem, porém os dois primeiros faraós da 13ª Dinastia, Sobekhotep I e Sonbef, são citados como seus filhos. Conclusão: Sobekneferu pode ter sido uma usurpadora real.
Outras faraós mulheres podem ter tido seus nomes apagados dos registros e essa prática de excluir identidades e resquícios de governantes anteriores é uma ação conhecida entre os egípcios, mas o nome de Sobekneferu consta na lista dos faraós reconhecidos e outros resquícios de sua existência também conseguiram chegar até os dias atuais, embora sejam muito poucos. Na Núbia há um registro escrito que indica a ocorrência de uma enchente durante o terceiro ano de reinado de Sobekneferu, há selo real constando seu nome e algumas estátuas sem cabeças com características e gestuais simbólicos próprios de faraós também foram identificadas como sendo dela a partir de inscrições presentes nas peças. Colunas com seu nome foram também descobertas em um templo e seu nome está presente em mais de uma relação de faraó. O registro dos faraós conhecido como Cânone de Turim indica que durante seu reinado ela realizou uma obra de ampliação do complexo funerário de seu pai e é notório que monumentos funerários geralmente são importantes indícios dos faraós, pois trazem bastante informações a respeito de seus ocupantes, porém apenas uma pirâmide incompleta que supostamente pode ser o de Sobekneferu não traz nada disso, apesar de um documento de um construtor contemporâneo registrasse que o túmulo de Sobekneferu estava sendo construído. Estas evidências obviamente asseguram que o nome da faraó não foi eliminado, porém os indícios não dizem muito sobre a vida e feitos da mulher que o destino consagrou como faraó – sua irmã mais velha, Neferuptah (que também tinha nome digno de faraó) seria a herdeira, mas morreu abrindo espaço na sucessão. Outras mulheres podem ter governado o Egito antes, mas por hora nenhuma na condição de faraó, título que Sobekneferu herdou por direito como filha de um faraó e que não foi contestado por nenhum apagador de história posterior.


[…] uma das poucas mulheres faraó, desafiando as convenções de gênero de seu tempo. Antes dela, Sobekneferu exerceu o papel de governante feminina incontestável e a poderosa Hatshepsut governou como faraó […]
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