Pesquisa nos EUA buscou saber como (ou se) a Revolução Americana é ensinada em outros países

washington-delaware

No blog Quartz, que traz geralmente postagens sobre política norte-americana, foi publicada uma interessante análise sobre como em outros países o processo de independência dos EUA é abordado didaticamente [clique aqui para conferir]

A curiosidade do redator do blog se deve ao fato de que entre eles, nos EUA, “a guerra da revolução é um fato histórico intensamente orgulhoso para a maioria dos americanos (talvez até orgulhoso demais)”, porém, em outros lugares no mundo o sentimento associado a tal evento não é o mesmo e as narrativas em torno do processo de independência norte-americana possuem outras perspectivas – o que seria evidente, claro.

O levantamento de informações foi feito através da verificação de impressões a respeito do tema através de serviços como Reddit e Quora (algo melhor que o nosso conhecido Yahoo Respostas), que relacionou alguns aspectos que não são desconhecidos aqui entre nós também e acabaram sendo listados como parâmetros relativos ao como se aborda a independência dos EUA em outros países. O que se buscou através de interlocutores de vários países foi basicamente saber como ou o que eles aprenderam sobre o Revolução Americana nas escolas.

Primeiramente percebeu-se que além dos EUA o foco analítico sobre o processo de emancipação das 13 Colônias não se concentra na ação militar (os norte-americanos estudam com mais detalhe os combates e os atos que qualificam como heroicos nos campos de enfrentamento bélico). Fora dos EUA a guerra fica em um plano secundário ou nem é realmente abordada, pois a ênfase se dá sobre o plano filosófico do processo, que é vinculado ao Iluminismo. Outro apontamento foi de que a Revolução Americana é abordada como “nota de rodapé da Revolução Francesa” (que ocorreu posteriormente), deixando de lado o caráter do processo estadunidense como catalisador da onda revolucionária de todo aquele contexto internacional. Sim, claro, foi percebido também que há lugares onde não dão a mínima para a independência dos EUA e o tema não é ensinado nas escolas.

Os britânicos, por exemplo, não aprendem praticamente nada sobre a Revolução Americana nas escolas. No máximo, eles associam o evento nos EUA ao próprio processo da Revolução Inglesa e das ideias e práticas derivadas dela (aí incluem as contribuições pensamento de John Locke como fator que influenciou os revolucionários da ex-colônia). Enfim, percebeu-se que história ensinada na Europa é basicamente a História da Europa. E mais: Atribuem por lá relativamente pouca importância para a Revolução Americana e um indício disso é até o fato de que o avanço do Império Britânico ocorreu justamente após a independência dos EUA – como se a separação entre colônia e metrópole não tivesse surtido nenhum efeito sobre o destino da Inglaterra e também não repercutindo sobre os rumos da Europa.

Na coleta de indícios sobre o ensino a respeito da Revolução Americana, o autor do levantamento também registrou o depoimento de alguém do Brasil, resposta que convém citar:

“Fui ensinado sobre o fato, mas superficialmente. Geralmente o fato é apontado como um passo importante para se compreender a Revolução Francesa de 1789, como demonstração de que o Iluminismo era mais do que apenas filosofia e que poderia gerar um sistema político real. No entanto, como muitos professores de história brasileiros possuem preconceitos antiamericanos acabam não dando a devida atenção para o tema nem em seus próprios estudos”.

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