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Baixa tecnologia também foi empregada na Segunda Guerra Mundial

junho 23, 2015

Não apenas por meio de bomba atômica, caças e tanques poderosos que a Segunda Guerra Mundial será lembrada. No conflito também foram empregados recursos nada avançados e que cumpriram suas finalidades. Aqui estão alguns exemplos.

  • Biplanos

Os velhos aviões usados na Primeira Guerra contrastaram com as aeronaves modernas com as quais dividiam os céus. A aviação avançou bastante entre as duas guerras, mas isso não descartou de vez o emprego dos aviões com tecnologia mais antiga.

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FIAT C.4.42 Falco

O FIAT C.4.42 Falco era um exemplo de modelo que persistia numa engenharia tida como obsoleta, mas o pequeno avião italiano entrou em combate mesmo assim – até maio de 1945 os velhos Falco eram empregados em ataques.

Biplano soviético largamente empregado em combate

Biplano soviético largamente empregado em combate

Também teve destaque o britânico Gloster Gladiator SS37, último modelo dessa categoria utilizado pela RAF, e o soviético Polikarpov PO-2, que os alemães pejorativamente chamavam de “máquina de costura”, mas que que lhes causaram grande estrago na Batalha de Stalingrado, sobretudo através de ataques noturnos conduzidos principalmente por mulheres pilotos russas que faziam os aviões planarem com os motores desligados sobre os inimigos em solo.

  • Cavalaria
Cavalaria polonesa na Batalha do Bzura, em 1939

Cavalaria polonesa na Batalha do Bzura, em 1939

Na Primeira Guerra as tropas montadas perderam o status de força de combate eficiente, mas isso não significou a completa extinção desse tipo de grupamento. Mesmo o poderoso exército nazista possuía quatro divisões montadas durante a Segunda Guerra e os soviéticos mantiveram treze – consta que mesmo os EUA estavam, em 1941, constituindo uma divisão com mais de 20.000 cavalos.

  • Transporte animal
Soldados alemães na Criméia

Soldados alemães na Criméia

A guerra não foi totalmente motorizada quando as operações de logística eram realizadas. Para fins estruturais também foram empregados animais de tração em diversos serviços e os alemães mantiveram por volta de 1,1 milhão da cavalos em operação para serviços logísticos.

  • Pombo correio
Forças aliadas acionando um pombo correio

Forças aliadas acionando um pombo correio

Essa prática introduzida pelos antigos persas não foi abandonada na Segunda Guerra Mundial, pois pombos treinados voavam transmitindo mensagens através de campos de batalha. Os britânicos chegaram a empregar mais de 250 mil aves durante a guerra e possuíam um departamento especializado nesse tipo de atividade em suas Forças Armadas. Os pombos reduziam a possibilidade de interceptação de comunicação – o que era comum no emprego de sinal de rádio – e diminuíam a dependência de recursos então tidos como de alta tecnologia.

  • Sinalização visual
Comandante de tanque russo após êxito em combate ao lado de um tanque alemão Tigre I vencido em combate

Comandante de tanque russo após êxito em combate ao lado de um tanque alemão Tigre I vencido em combate

Usualmente associada à comunicação marítima e também aérea, a sinalização visual também foi empregada nas divisões motorizadas soviéticas (o mais comum seria imaginar o emprego de rádio entre os tanques de guerra, como faziam os alemães e norte-americanos). Eram utilizados semáforos luminosos para sinalizar estratégias e comandos mesmo nos poderosos tanques T-34, que tanto atormentaram os alemães.

  • Trincheiras
Trincheira em Leningrado, 1942

Trincheira em Leningrado, 1942

Por séculos as trincheiras eram empregadas em combates e aparentemente perderiam sentido diante da ofensiva tecnológica e da infantaria motorizada, mas na Segunda Guerra Mundial as escavações eram também altamente empregadas. Na Batalha de Sebastopol, na Criméia, os soviéticos estruturaram um complexo de trincheiras para enfrentar a artilharia alemã, mas esse não é um exemplo isolado do emprego dos fossos fortificados, pois em vários campos de batalha o antigo método de defesa foi utilizado seja pelos Aliados quanto também pelos integrantes do Eixo.

  • Inundação
Inundação provocada por alemães na Holanda, 1944

Inundação provocada por alemães na Holanda, 1944

Também não era nenhuma novidade a manipulação de cursos e fluxos de água com finalidade bélica – o que ocorria por meio da destruição de diques e represas – e não faltaram apelos para essa tática. Os alemães deixaram um rastro de inundações provocadas ao destruírem estruturas de represamento quando recuavam de suas posições a partir de 1944, o que retardava o avanço de seus inimigos que pressionavam e cercavam as tropas nazistas.

  • Guerra biológica
Integrantes da temida Unidade 731, do Exército Imperial do Japão, especializada em guerra biológica

Integrantes da temida Unidade 731, do Exército Imperial do Japão, especializada em guerra biológica

Agentes infecciosos e veneno também eram empregados como armas. O apelo para a contaminação já era usado na Antiguidade e na Idade Média, mas não foi abandonado na Segunda Guerra Mundial. Disseminar toxinas ou patógenos foi prática no conflito e, por exemplo, japoneses contaminavam fontes de água potável em aldeias chinesas para disseminar cólera e tifo.

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Abandono do histórico Cosmódromo de Baikonur

junho 22, 2015

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A União Soviética foi pioneira em algumas das mais notáveis experiências espaciais desde os anos 1960, mas muito da infra-estrutura que ajudou a constituir uma potência científica está hoje entregue ao abandono. O fotógrafo russo Ralph Mirebs registrou o estado de deterioração que domina o outrora imponente Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, que tem importância histórica como a primeira base de lançamento de foguetes do mundo, além de ter sido de lá lançados o satélite Sputnik I, a missão orbital de Yuri Gagarin e projetos como Soyuz e o Programa Buran.

No que sobrou do cosmódromo duas naves repousam diante da degradação e em meio a detritos. Também estão por lá equipamentos que já foram sofisticados aparatos de navegação tripulada e não tripulada em missões espaciais soviéticas.

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Armas falsas e estratégias de enganação na Segunda Guerra Mundial

junho 21, 2015

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Durante a Segunda Guerra Mundial enganar o inimigo poderia ser tão decisivo quanto vencê-lo numa batalha. Para isso os contendedores usavam a criatividade para iludir seus oponentes e criar falsas impressões, tendo utilizado meios para enganar através de objetos e cenários falsos. A malandragem de guerra envolvia a elaboração de sofisticados artifícios como veículos infláveis, armas que não tinham efetividade destrutiva, soldados e até cidades “fake”. Os exemplos eram curiosíssimos.

Canhão inflável: A única explosão que poderia causar seria dele mesmo caso a borracha fosse rompida ou enchido demais.

Canhão inflável: A única explosão que poderia causar seria dele mesmo caso a borracha fosse rompida ou enchido demais.

Além de tanques e outros veículos de borracha que serviam para criar a ilusão de que os comboios militares eram maiores do que realmente costumavam ser (o gif acima demonstra criações do exército dos EUA), valiam outras armações como sistemas de som que reproduziam estrondos de explosões e ruídos de veículos terrestres e aviões inexistentes, que provocavam terror entre os inimigos que achavam que estavam diante de forças que não poderia enfrentar ou conter (clique e confira).

Até em ataques aéreos os Aliados empregavam paraquedistas falsos para influenciar uma perspectiva enganadora do volume da ofensiva através do emprego de bonecos (que os norte-americanos chamavam de Oscar e os britânicos chamavam de Rupert). E, claro, é conhecido o emprego em larga escala de navios falsos para despistar os nazistas por ocasião da execução estratégica do Dia D.

Outra curiosa aplicação da falsidade foi realizada para esconder as instalações da Boeing (que produzia significativa parte das aeronaves de guerra dos EUA), em Seattle. Com receio de um bombardeio alemão, uma cidade falsa de 25 hectares foi inteiramente foi montada sobre a fábrica

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As pirâmides do Sudão

junho 11, 2015

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Mais de 200 pirâmides ao longo do Nilo simplesmente não fazem parte do famoso e incrível legado egípcio, pois, na verdade, constituem acervo do Reino de Kush e que ocupava áreas do atual Sudão. Neste reino africano constituíram-se cidades e Méroe é uma das mais impressionantes. Em Méroe pequenas pirâmides estreitas e acentuadamente angulares foram construídas entre 2.700 e 2.300 anos atrás. Os elementos decorativos eram ecléticos, sofrendo influências estrangeiras oriundas do Egito, da Grécia e de Roma.

Clique nas imagens para ampliar.

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Huo Yuanjia – Artes marciais e nacionalismo

junho 6, 2015

Huo YuanjaA história de Hou Yuanjia é muito mais interessante do que narrativa de filme de artes marciais, embora envolva bastante artes marciais e também tenha sido registrada pelo cinema.

Huo Yuanjia foi um famoso mestre de Wushu, que, na verdade, consiste genericamente na própria concepção de arte marcial ou “arte da guerra”, expressa através de variados estilos. Nasceu em 18 de janeiro de 1868 numa família tradicionalmente vinculada à tradução do Wushu, porém não foi iniciado na arte prematuramente, pois tinha saúde frágil na infância, sendo em função disso até impedido por seu pai de realizar o aprendizado das técnicas e doutrinas associadas às lutas. O jovem Huo Yuanjia, contudo, não aceitava as restrições que foram impostas e observava treinamentos, reproduzia movimentos e assimilava as técnicas mesmo sem orientação.

Sua primeira demonstração pública de habilidade ocorreu durante um desafio, no qual acabou vencendo um oponente que acabara de derrotar seu irmão mais velho e o feito convenceu o pai, En De Huo, a, enfim, admitir o filho frágil como aprendiz e o progresso de Huo Yuanjia foi cada vez mais intenso a partir desse episódio.

A fama do lutador foi crescente com vitórias em competições, demonstrações de bravura e habilidade e até mesmo atos heroicos, como o enfrentamento a um conhecido bandido da região. Mas foi a partir de 1902 que ele passou a empregar mais uma motivação diante dos combates: Reafirmar os valores chineses. Encarou desafiantes ocidentais que lutavam boxe e luta livre, alguns dos quais se proclamavam como “homem mais forte do mundo” e venceu a cada um desses imitadores de Hércules. Os desafios mobilizavam mais do que montantes em apostas, mas interesses políticos também.

Um fator basicamente incômodo para Huo Yuanjia era o rótulo que ocidentais começavam a estabelecer sobre os chineses como “homens doentes da Ásia” e outras infâmias pejorativas, sendo seu objetivo transformar suas vitórias em elementos de ufanismo e orgulho nacional. Neste sentido chegou a fundar uma associação com o propósito de multiplicar o número de praticantes do Wushu e difundir os ideais de valorização nacional numa china dominada por interesses e agentes estrangeiros.

Seus posicionamentos nacionalistas geraram insatisfações, pois contagiaram uma multidão, gerando temores entre poderosos interessados na submissão chinesa. Huo Yuanjia acabou sendo envenenando por arsênico e as circunstâncias do envenenamento envolvem controvertidas hipóteses, havendo quem considere que colonos europeus estavam por trás do assassinato do mestre – outra possibilidade aponta a responsabilidade pelo extermínio de Huo Yuanjia para associações japonesas (nem mesmo a data da morte é consenso, pois há quem diga que ocorreu em 9 de agosto de 1910 e quem conteste, afirmando ter sido em 1 de dezembro do mesmo ano). O fato é que com sua morte uma voz atuante e popularmente acolhida pelas massas em torno da causa nacionalista chinesa foi silenciada.

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Enfim, o HistóriaBlog também foi parar no Facebook e tem domínio próprio

maio 29, 2015

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Demorou, mas o Facebook será utilizado como ferramenta de divulgação e atualização do blog, que também passou a figurar em domínio próprio, passando a ser http://www.historiablog.org

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Dica de leitura: História da escrita, do papel, da gravura e da imprensa

maio 19, 2015

2015-05-19 17 36 38Este livro traz uma nova abordagem sobre histórias cujos fragmentos se encontram dispersos através do tempo e em muitos lugares. O autor concebeu uma obra que integra as histórias da Escrita, do Papel, da Gravura e da Imprensa em uma mesma jornada evolutiva.

Narra a história e a jornada da escrita, a partir da Mesopotâmia, 3300 a.C., reproduzida no barro, em pele de animais e em papiro do Egito. Passa pela criação do papel na China, no ano de 105 da era cristã, utilizando redes de pesca de cânhamo velhas e usadas. Capturado pelos árabes chega a Bagdá no final do século VIII, onde é produzido e distribuído pelos comerciantes. Desembarca na Europa vindo pela Rota de Seda, que também trouxe a gravura criada na China pelos monges budistas no ano 670.

Reunidos escrita, gravura e papel, na pequena cidade de Mainz, na Alemanha, fundem-se na prensa de Gutenberg no formato de um livro. A partir dos livros, a disseminação do conhecimento e as grandes descobertas se aceleram. 4 historias fascinantes que juntas mudaram os destinos da humanidade.


Sobre o autor: Fabio Mestriner é designer gráfico, professor e escritor.Começou desenhando histórias em quadrinhos e, em paralelo, desenvolveu uma carreira profissional como artista gráfico, diagramador e editor de publicações. Em 1987, passou a atuar no design de embalagem, onde construiu uma sólida reputação como designer, professor e autor. Entre 2002 e 2006, foi presidente da ABRE – Associação Brasileira de Embalagem – e representante do Brasil na WPO World Packaging Organization. Durante sua gestão à frente da ABRE, idealizou a publicação do livro História da Embalagem no Brasil.

O livro pode ser adquirido através do site da M. Books – CLIQUE AQUI

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