Posts Tagged ‘Século XIX’

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A evolução do hábito de fotografar mortos no século 19

abril 21, 2014

A postagem “Fotografar mortos era coisa normal no século 19” atraiu bastante interesse por causa do aspecto peculiar do costume de realizar registros fotográficos devidamente preparados e bem produzidos de cadáveres.

É verdade que registrar a morte através de imagens não era nenhuma surpresa, pois isso era feito ao longo dos séculos através da pintura e a fotografia apenas popularizou (e barateou) esta prática.

Inicialmente eram feitas fotos dos defuntos em seus caixões, mas a ideia que posteriormente mais prosperou e chamou a atenção foi a tentativa de dar à cena fúnebre um aspecto de naturalidade, até sugerindo que os mortos estavam dormindo tranquilamente ou ou ainda as cenas eram constituídas como se os cadáveres estivessem vivos (neste caso, recorriam a maquiagens e aparatos para manter os corpos firmes e até de pé). Os vivos também podiam compor as cenas, posando juntamente com os mortos em posições orientadas pelos profissionais especializados em tais registros – em determinados casos a composição ficava tão bem elaborada que chega a ser complicado diferenciar os mortos dos vivos nas fotografias.

Também chamava a atenção a grande quantidade de fotografias de crianças mortas, pois nestas situações as imagens tomavam dimensão ainda mais melancólica. A quantidade de imagens de crianças mortas se explica a partir dos altos índices de mortalidade infantil, o que criava uma demanda para esse tipo de registro e gerava lucros para os fotógrafos e suas companhias especializadas.

O auge dos registros fotográficos elaborados de mortos ocorreu durante a Era Vitoriana, mas também não era incomum já nas duas primeiras décadas do século 20. Em alguns lugares da Europa Oriental a prática permanece.

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Fotografar mortos era coisa normal no século 19

março 30, 2014

No final do século XIX, quando a fotografia se tornava mais acessível e popular, o hábito de fotografar mortos tornou-se relativamente comum. Esse tipo de fotografia, vista hoje como algo proveniente de um filme de terror ou um hábito de mau gosto mórbido, tinha na época a função de facilitar o luto, de criar uma recordação palpável, fiel e permanente do familiar falecido. Alguns fotógrafos viraram especialistas em captar tais registros, preparando o cenário e cuidando da maquiagem dos cadáveres para que parecessem vivos.

Fotos de C. Allen, M.F. King, G.W. Bauder, R.J. Fittell, H.W. Reith, J.H. Bunting, William Green, H.P. Osborne, entre algumas não identificadas.

Confira também a seguinte postagem: A evolução do hábito de fotografar mortos no século 19

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Ideologias operárias no século XIX

outubro 2, 2008

 O contraste entre a miséria em que viviam os trabalhadores e a riqueza proporcionada pela produção industrial despertava revolta entre escritores, políticos e pensadores de origem burguesa. Indignados com o que viam, alguns deles propunham reformas que instaurassem a justiça social e abrissem caminho para a formação de uma sociedade mais humana e igualitária. As doutrinas e os princípios defendidos por esses reformadores constituíram uma ideologia que se tornou conhecida como socialismo. Seu ponto de partida era a crítica às desigualdades sociais criadas ou acentuadas pelo sistema capitalista. Entretanto, havia entre os socialistas muitas diferenças de opinião, o que originou vários grupos e diversas ideologias. Alguns socialistas argumentavam que só a luta político-eleitoral e parlamentar das classes trabalhadoras poderia conduzir a uma reforma da sociedade capitalista e à instauração do socialismo. Outra corrente de pensadores socialistas preocupava-se mais em idealizar um novo tipo de sociedade do que propor uma forma concreta para os trabalhadores conquistarem o poder.  Esses pensadores ficaram conhecidos depois como socialistas utópicos, expressão derivada de Utopia, título de um livro famoso que o inglês Thomas Morus escreveu no século XVI.

Charles Fourier defendia a criação dos Falantérios, comunidades autônomas que seriam também unidades produtoras administradas pelos próprios operários.

Charles Fourier defendia a criação dos Falantérios, comunidades autônomas que seriam também unidades produtoras administradas pelos próprios operários.

Claude Saint-Simon argumentava que as camadas sociais integradas pelos altos membros da burguesia eram parasitárias.

Claude Saint-Simon argumentava que as camadas sociais integradas pelos altos membros da burguesia eram parasitárias.

Os socialistas utópicos de maior destaque foram o inglês Robert Owen e os franceses Charles Fourier e Claude Saint-Simon. Owen, por exemplo, acreditava na “revolução pela razão”: para transformar o ser humano, melhorar seu destino e curar seus vícios, era necessário primeiro questionar os valores impostos pela sociedade nas áreas religiosa, econômica, moral, familiar etc. Num segundo momento, porém, defendia uma ação transformadora mais efetiva. Ele mesmo serviu de exemplo para comprovar sua teoria. Aprendiz de um fabricante de tecidos e diretor de indústria têxtil, aos 28 anos Owen comprou quatro fiações de algodão que ficavam na usina de New Lanark, perto de Glasgow Inglaterra. As fábricas empregavam 1800 operários, dos quais 450 eram crianças. O socialista, patrão esclarecido, pôs em. prática suas idéias: racionalizou a produção, aumentou os salários e a produtividade, ampliou os alojamentos dos trabalhadores e combateu, entre eles, o alcoolismo e o roubo, dedicando especial atenção à regeneração moral. Além disso, construiu escolas para os filhos dos operários e proibiu o trabalho das crianças de pouca idade nas fiações. Sua experiência foi uma das mais bem-sucedidas da época.  

Robert Owen - Filantropia e oferecimento de boas condições para operários.

Robert Owen - Filantropia e oferecimento de boas condições para operários.

As idéias socialistas, contudo, tomariam novo rumo com dois pensadores de origem germânica, que procederiam a uma crítica radical do capitalismo, procurando criar uma doutrina que fosse, ao mesmo tempo, científica e revolucionária. Esses pensadores eram Karl Marx e Friedrich Engels. Eles fundaram uma corrente de pensamento à qual deram o nome de socialismo científico ou comunismo. Em 1848, lançaram o Manifesto do Partido Comunista, que teve profundas e duradouras repercussões no movimento operário e socialista internacional. Para Marx e Engels, o capitalismo estava condenado à extinção, assim como haviam desaparecido também o feudalismo e o escravismo, e o agente dessa extinção seria o proletariado. classe oposta à burguesia. Para a vitória do proletariado, era necessário organizar os trabalhadores e promover uma insurreição armada que levasse o partido comunista ao poder e criasse um Estado que destruísse a principal estrutura da sociedade burguesa: a propriedade privada dos meios de produção. No seu lugar, seria instituída a propriedade coletiva de todos os meios de produção. Esse Estado dos trabalhadores seria o primeiro estágio sara a formação de uma sociedade sem classes e sem governo, a sociedade comunista.      

Friedrich Engels e Karl Marx - Referências do Socialismo Cientifico e autores do "Manifesto Comunista".

Friedrich Engels e Karl Marx - Referências do Socialismo Científico e autores do

anarquismo radical e ações violentas

Bakunin: anarquismo radical e ações violentas

Outra corrente ideológica importante entre os operários do século XIX foi o anarquismo, que lutava por um tipo de sociedade sem Estado e sem propriedade privada. Os mais importantes teóricos anarquistas foram os russos Mikhail Bakunin e Peter Kropotkin. Bakunin era partidário da violência revolucionária e aconselhava seus adeptos a recorrerem até aos atentados individuais contra a vida dos governantes, enquanto Kropotkin recomendava a utilização de métodos mais pacíficos. Tanto os anarquistas quanto os marxistas lutavam por uma sociedade sem classes e sem Estado. Mas havia profundas divergências entre eles. Os partidários de Marx sustentam que para se chegar ao comunismo era necessário criar primeiro um Estado que esmagasse as resistências burguesas instaurasse a igualdade entre as classes.

russo de origem nobre, era defensor do anarquismo e da classe operária

Kropotkin: russo de origem nobre, era defensor do anarquismo e da classe operária

A forma de governo desse Estado seria a ditadura do proletariado. Já os anarquistas, conhecidos também como libertários, opunham-se a todo tipo de governo, inclusive à ditadura do proletariado, preconizando a liberdade geral e a supressão imediata do Estado. Uma variante expressiva do anarquismo foi o anarco-sindicalismo, que defendia a união entre as idéias libertárias e o movimento sindical. Essa tendência foi particularmente forte na Espanha. No Brasil, o movimento operário do começo do século XX seria liderado majoritariamente por adeptos do anarco-sindicalismo.