O Império Romano vivia uma situação crítica na segunda metade do século IV. O império estava administrativamente dividido entre suas poções do Oriente e Ocidente. No lado ocidental, a administração dos assuntos econômicos era muito difícil, pois a inflação era elevada e os custos para manter a estrutura estatal pesavam demais sobre os recursos do império, também afetado por disputas políticas internas que fragilizaram o funcionamento do Estado. O desenvolvimento e influência do cristianismo era outro fator relevante, pois gerava tensões entre as facções dos religiosos, divididos principalmente entre nicenos e arianos. Além de todo esse cenário, as invasões bárbaras se intensificaram impondo sérias dificuldades para conter essa ameaça, a exemplo da derrota sofrida na Batalha de Adrianópolis (378 d.C.), quando o próprio imperador Valente morreu durante o confronto contra os visigodos.
A ascensão do imperador Teodósio I, o Grande, ocorreu neste contexto e seu governo procurou lidar com a complexa variedade de questões que abalam a integridade e o futuro do império. Flavius Theodosius Augustus nasceu em Cauca, na província da Hispânia, em 347, filho e herdeiro do prestigiado general Flávio Teodósio. Seguindo os passos do pai, ingressou no exército e iniciou ao seu lado sua experiência em campanhas na Britânia até obter experiência para assumir o comando de tropas. Seu pai caiu em desgraça e foi executado em 375 por causa das intrigas palacianas sob o governo do imperador Valentiniano, fato que afetou a posição Teodósio, que deixou a função de comandante na província de Mésia e voltou para sua terra natal, dedicando-se a cuidar das propriedades da família. Quando Graciano assumiu o governo do império ocidental, em 378, após a morte do imperador Valente, decidiu designar Teodósio como Augusto do Oriente no ano seguinte, escolha baseada em sua experiência, habilidade e prestígio diante das tropas. Em seu governo sobre o oriente, Teodósio assumiu a responsabilidade de organizar o exército, fortalecer a defesa e negociar apoios entre os bárbaros através de terras e participação na força militar federada, constituída por integrantes de diversas tribos estrangeiras.
Teodósio era adepto do cristianismo niceno, estabelecido a partir do Concílio de Niceia (325), que definia a consubstancialidade divina, afirmando que Jesus Cristo e o Deus Pai eram “da mesma substância”, diferente da perspectiva ariana, que separa Jesus Cristo do Deus Pai. O imperador emitiu o Édito de Tessalônica (380), que estabeleceu a vertente nicena como única expressão válida do cristianismo e reduziu o arianismo à condição de heresia. Esta posição foi reforçada pelo Primeiro Concílio de Constantinopla (381), que também consolidou importantes aspectos da ortodoxia cristã sobre a Trindade, exemplificou a força da influência do imperador sobre as questões da fé e precipitou um novo impulso contra outras religiões no território imperial (proibindo até celebrações pagãs como os Jogos Olímpicos), forçando a predominância do cristianismo como religião oficial dos romanos.
Enquanto Teodósio regia o império oriental, o Império Romano do Ocidente virou palco para uma trama liderada por Magnus Maximus. Em 383, o imperador Graciano foi assassinado por soldados ligados ao conspirador e o corregente Valentiniano II, adolescente de 12 anos, foi firmado como imperador de maneira submissa aos usurpadores, que assumiram efetivamente o controle, mas o jovem imperador conseguiu fugir em busca de proteção por parte do imperador do oriente em 387. A situação mobilizou o interesse de Teodósio, que resolveu impor sua intervenção sobre o lado ocidental. Com uma força militar organizada e bem servida, Teodósio marchou para a Itália e conseguiu vencer os oponentes, executando Maximus e restabelecendo a legitimidade de Valentiniano II como seu protegido. Os problemas não encerraram e Valentiniano II foi assassinado em 392, ocasião que levou o general Eugênio ao poder. Teodósio aproveitou esss circunstância para estabelecer uma nova interferência sobre o lado ocidental, voltando a promover uma grande mobilização militar que terminou triunfando na Batalha do Rio Frígido, no final de 394. Como efeito da vitória, Teodósio assumiu o poder sobre o lado derrotado, o que significou uma reunificação efetiva do Império Romano, mas esta restauração durou apenas até o ano seguinte, quando sua morte resultou em nova divisão entre o império ocidental e o oriental. Seus filhos Honório e Arcádio herdaram o comando, respectivamente, do Ocidente e do Oriente como impérios novamente separados.
A atuação do imperador cristão de Roma teve um impacto religioso profundo para a posteridade, pois impulsionou o cristianismo como fé dominante amparada pela estrutura estatal e fortaleceu o poder da ascendente Igreja Católica.
Referências:


[…] triunfo niceno obtido através do Édito de Tessalônica (380 d.C.), medida emitida pelo imperador Teodósio, que fazia desta tendência teológica a única expressão válida do cristianismo oficial e […]
[…] a reconhecer Maximus como Augustus e corregente e até a diplomacia do imperador do Oriente, Teodósio I, também admitiu o status conquistado pelo general, mas os acertos não duraram muito por causa da […]
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