Os romanos estavam em expansão após a vitória sobre Cartago na Primeira Guerra Púnica (264-241 a.C.) e os reinos estabelecidos no percurso das ambições romanas figuravam na condição de alvos imediatos ou potenciais no futuro. Roma ampliou sua presença no Mar Mediterrâneo e, consequentemente, passou a exercer cada vez mais influência política, militar e comercial sobre regiões costeiras, a exemplo da Ilíria e Grécia. Outro efeito deste crescimento foi a intensificação de tensões e conflitos de interesses, levando aos enfrentamentos através de guerras.
Situada na costa ocidental da Península Balcânica, a Ilíria era uma importante região que abrangia os atuais territórios de Montenegro, Albânia e partes da Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina. Vários povos estavam estabelecidos por lá, a exemplo dos Ardiaei, Dalmatae, Autariatae, e Liburnos. A navegação era uma atividade muito importante para os ilírios, que exploravam o Mediterrâneo, o Mar Adriático e ainda o Mar Jônico. A pirataria era uma prática especialmente destacada, geralmente apoiada pelos governos locais. Os piratas geravam riqueza para as tribos da região, pois os saques obtidos dos ataques eram destinados à economia. O tráfico humano era outra atuação dos piratas, pois o mercado escravista era altamente lucrativo e a demanda era favorável para os negócios. Os recursos proporcionados pela pirataria era uma das mais importantes fontes de riqueza da Ilíria e ajudava a bancar os gastos com exércitos, realização de obras e diversas necessidades. Os piratas não eram vistos como criminosos, pois sua atuação era tratada como o desempenho de uma relevante atividade e fazia parte de uma longínqua tradição, então as iniciativas externas de combate à pirataria era tratada como uma ameaça.
O Reino dos Ardiaei era um dos mais importantes da Ilíria e durante o governo da rainha Teuta, que regeu no período entre 231 a.C. e 227 a.C, que assumiu o poder após a morte de seu marido, Agron, a situação de conflito com os interesses romanos foi intensa, sobretudo por causa da atuação da pirataria que afetava as transações comerciais de Roma. Além de incentivar e proteger os piratas, a rainha mantinha uma política expansionista que objetivava estabelecer o controla sobre novas regiões. As iniciativas romanas de lidar com a situação através da diplomacia foram esgotadas diante da persistente recusa de Teuta de conter os ataques às embarcações, portos e cidades que faziam parte da estrutura econômica romana. A desafiadora “Rainha dos Mares” ordenou bloqueios para impedir o fluxo de embarcações mercantis romanas e incentivou as abordagem e pilhagens dos piratas, justificando que este era um costume de seu povo que não poderia ser impedido.
O clima de divergências culminou com a deflagração da Primeira Guerra Ilíria (229–228 a.C.), após o assassinato de um emissário romano que tentava negociar mais uma saída diplomática. Os romanos mobilizaram uma marinha poderosa para enfrentar a resistência dos piratas e da força de defesa marítima do reino. Sob a liderança dos generais Gnaeus Fulvius Centumalus e Lucius Postumius Albinus, cerca de 20.000 soldados romanos chegaram a desembarcar nos domínios de Teuta, pressionando o recuo da 21:52 22/08/2024rainha. A nova diplomacia romana diante do Reino Ardiaei foi exercida sob a pressão militar com as tropas ocupando parte do território, então Teuta foi obrigada a ceder parte significativa das terras para os inimigos, além da obrigação de pagar tributos à Roma. Apesar de sua reputação de firmeza e obstinação, a rainha não aceitou governar sob a sombra romana, então abdicou do trono ao assinar a rendição em 227 a.C.
Além da superioridade militar de Roma, a traição de aliados foi um fator decisivo para a derrota de Teuta e seu antigo comandante, Demétrio de Faros, resolveu passar para o lado dos invasores e assumiu o governo em nome de Pinnes, enteado e legítimo sucessor do trono e que era muito jovem para assumir o poder em seu próprio nome. O mesmo Demétrio voltou-se contra os romanos em 219 a.C., ocasião da Segunda Guerra Ilíria, travada durante o contexto da Terceira Guerra Macedônica (171-168 a.C.), evento que marcou a conquista e anexação romana de toda a região da Ilíria e outros domínios nos Bálcãs.
Sobre Teuta, os romanos teceram péssimas impressões como parte de sua propaganda contra os adversários e justificativa para as intervenções em domínios estrangeiros e motivações imperialistas. Ela foi descrita como uma figura arrogante e ambiciosa que subestimou o poder de Roma e foi traiçoeira ao atacar os agentes romanos que pretendiam evitar uma guerra. Autores romanos culparam a rainha diretamente como provocadora da guerra e por prejuízos ao comércio.
O paradeiro de Teuta é incerto desde sua abdicação e saída da vida pública. Uma versão sobre seu destino indica que ela se suicidou, saltando de um precipício como sinal de recusa à condição de submissão aos romanos.
Referências:


[…] Teuta, a Rainha da Ilíria que Recusou a Autoridade de Roma […]
[…] Teuta, a Rainha da Ilíria que Recusou a Autoridade de Roma […]