É comum a referência à prostituição como “profissão mais antiga do mundo”, pois a atividade já estava presente nas distantes sociedades do passado. Os mesopotâmicos associavam prostituição aos ritos religiosos específicos com seus rituais de “prostituição sagrada” que celebravam a fertilidade. Os egípcios também adotavam esse tipo de prática através das “adoradoras de Hathor“, que podiam ser ou não prostitutas. Entre os gregos a prostituição era uma ocupação comum, exercidas pelas “pornai”, meretrizes de rua, pelas “hetairas”, sofisticadas cortesãs de elite, e também pelas “hierodulas”, prostitutas sagradas devotadas à Afrodite que eram especialmente atuantes em Corinto. Os romanos também lidavam cotidianamente com a prostituição, exercida abertamente em estabelecimentos próprios (“lupanar”), nas ruas e nos palácios. Os romanos registraram a prostituição na arte e tinham até uma moeda, a spintriae, que circulava nos ambientes dos bordéis. Na Índia, as “ganikas” eram mulheres dotadas de refinamento registradas nos antigos textos do “Kamasutra” e no Japão, as “oiran”, frequentemente confundidas com as gueixas, proporcionavam serviços sexuais.
Algumas mulheres que se dedicaram ao luxuriante serviço sexual acabaram bastante conhecidas seja pela beleza, sedução, inteligência, influência social – ou pela combinação de todas essas qualidades.
Rhodopis (Egito Antigo)
Apesar de sua vida e fama na corte egípcia no século VI a.C., ela era uma mulher trácio-grega que obteve notável fortuna e tinha presença influente na nobreza. Apesar de histórias mais lendárias do que efetivamente viáveis, a cortesã foi descrita por Heródoto como uma mulher de beleza notável e capaz de encantar os mais poderosos. Uma das narrativa conta que um falcão roubou uma de suas sandálias e levou o calçado até o faraó, que resolveu encontrar a dona para torá-la sua esposa. Outra história igualmente curiosa conta que ela tinha tanta riqueza que foi uma das financiadoras das obras de uma das pirâmides de Gizé.
Clodia Pulchra (Roma Antiga)
Também conhecida como Clodia Metelli, foi uma mulher de reputação complexa. Ela se envolveu com muitos homens poderosos, acusava de estar com eles movida por puro interesse e recompensas materiais. O poeta Catulo teria sido um desses homens que, inspirado na encantadora Clodia, escreveu muitos de seus mais consagrados textos. Ela aparece nos poemas como “Lesbia”, figura a quem o poeta expressa seu amor e decepção.
Leaena (Grécia Antiga)
A bela cortesã ateniense que viveu durante o século VI a.C. se envolveu com homens e participou de conspirações políticas. Entre seus homens estavam Harmódio e Aristógiton, que tramaram o assassinato do tirano Hiparco. Leaena foi presa e tortura para revelar os segredos das tramas políticas, mas manteve o silêncio até a morte. Sua reputação de prostituta à heroína rendeu homenagens como a construção de uma estátua de uma leoa sem língua em sua honra.
Laís de Hícara (Grécia Antiga)
A famosa hetera herdou da mãe os talentos da sedução e a vida de cortesã. Ela encantou muitos homens, inspirou poetas e filósofos, além chamar a atenção do poderoso Demóstenes, que ofereceu uma grande quantidade de dinheiro por uma noite em sua companhia e ela recusou o pagamento para prestar o serviço de graça e usar o episódio para incrementar sua publicidade pessoal. Apesar de todos os ganhos materiais que foi capaz de obter como prostituta de luxo, ela se apaixonou por um homem comum e foi embora com ele para a Tessália, mas acabou sendo assassinada por mulheres da comunidade movidas por inveja e ciúmes.
Artaynte (Pérsia)
A presença das cortesãs poderia causar transtornos nas famílias reais e a linda Artaynte associada ao rei Xerxes I é um exemplo disso. Ela é mencionada por Heródoto em seus “Histórias”, que conta que o envolvimento dela com o imperador foi embaraçoso e gerou uma crise quando Xerxes ofereceu a ela um manto que havia sido feito por sua esposa, o que levou a tensões e conflitos na corte persa.
Amrapali (Índia)
A ganika que viveu em Vaishali era famosa por sua beleza, inteligência, dotes artísticos e domínio sobre os homens, capazes de fazer aquilo que ela determinasse. A vida de cortesã mudou quando ela conheceu Buda e resolveu acompanhar o mestre, renunciando à sua vida de sedução e prazeres para adotar um caminho espiritual.
Phryne (Grécia Antiga)
Phryne (Friné) foi outra hetaira grega famosa, conhecida por sua beleza excepcional. Ela viveu no século IV a.C. e acumulou grande riqueza. Phryne é famosa por ter posado para artistas para representação da imagem da deusa Afrodite e por seu julgamento por impiedade, durante o qual ela supostamente desnudou-se diante do júri para provar sua inocência, argumentando que sua beleza era um presente dos deuses. Ela foi absolvida graças a essa ousada defesa.
Scylla (Roma Antiga)
Notória meretriz romana de reconhecimento infame em uma competição de resistência sexual promovida por Valéria Messalina, então esposa do imperador Cláudio. A promiscuidade e postura moralmente condenável da imperatriz motivou sua iniciativa de realizar uma perturbadora disputa com a prostituta para definir qual das duas era capaz de suportar mais relações sexuais consecutivas com variados parceiros. Os relatos chocantes da situação informaram que Messalina superou a profissional do sexo, mas a vitória prejudicou ainda mais a reputação da imperatriz, enquanto Scylla acabou no esquecimento depois disso.








