Mad Jack Mytton: Uma vida de excessos

(Representação visual gerada pela IA Leonardo)

Muito antes do exibicionismo e ostentação das celebridades nas redes sociais, certas pessoas ricas de hábitos incomuns já manifestavam publicamente comportamentos estravagantes em busca de destaque. Este era o caso do inglês John Mytton, mais conhecido como Mad Jack. Nascido em 1796. Ele era integrante de uma tradicional família nobre e tornou-se herdeiro de uma imensa fortuna quando tinha apenas dois anos. A herança proporcionou condições para crescer desfrutando de excelentes condições para posteriormente assumir a administração de seus bens e reservas, mas sua inclinação para os maus hábitos já foi manifestada cedo.

Mad Jack foi expulso de prestigiosas instituições escolares por indisciplina e seus tutores particulares também não escaparam das artimanhas do jovem magnata, que aprontou peças humilhantes para se divertir às custas dos professores e causar burburinho na sociedade. O fato de ser muito rico preservava Mytton de consequências e também proporcionava oportunidades sem o devido mérito e assim ele ingressou na Universidade de Cambridge. Sua vida acadêmica foi marcada pela falta de empenho nos estudos e uma evidência disso foi o fato de que em sua “bagagem” para a universidade ele levou mais de 2 mil garrafas de vinho. Como as aulas e os compromissos acadêmicos prejudicavam suas farras, ela acabou abandonando Cambridge e voltou para sua mansão para levar a vida que queria.

Depois de sair da universidade, Mytton considerou ingressar na carreira política. Fez campanha, comprou votos e acabou eleito como membro do Parlamento em 1819. Ele abandonou logo a vida política porque achou entediante a rotina e detestou os protocolos parlamentares. Resolveu tentar a carreira militar e chegou a ser enviado para a França após a derrota de Napoleão. Ele aproveitou a missão se meter com jogo e bebedeira até decidir que poderia fazer isso sem prestar satisfação a oficiais superiores, então também abandonou a exército.

Sem interesse pela ideia de seguir uma carreira ou exercer qualquer trabalho, Mytton passou a dilapidar sua herança indiscriminadamente. Ele negligenciou os cuidados com a administração de sua riqueza enquanto realizava gastos elevados para bancar um estilo de vida opulento e cheio de exageros. Ele era dono de um guarda-roupas com mais de 3 mil camisas e mil chapéus, fazia gastos consideráveis em apostas nas corridas de cavalos, promovia frequentes festas marcadas pela fartura e por seu comportamento desvairado, torrava fortunas em bebidas e causando danos em estabelecimentos como hotéis e clubes sociais que frequentava. Ele gostava muito de animais e mantinha uma criação de cavalos (o favorito deles circulava nos cômodos da mansão livremente), mais de 2 mil cães de raça e variados bichos selvagens e exóticos em sua principal propriedade em Whittington.

Sua desenfreada irresponsabilidade patrimonial e conduta irreverente chamavam a atenção. Ele era uma pessoa que sempre fazia parte dos assuntos nos altos círculos da sociedade. Sua reputação de gastador sem limites e libertino era altamente criticada como exemplo de futilidade aristocrática, mas a imprensa sensacionalista da época destacava suas façanhas extravagantes com humor.

Mytton chegou a se casas duas vezes. A primeira esposa, Harriet Emma Jones, era filha de um importante aristocrata, e morreu em 1820, pouco depois de ter a única filha do casal. Ele voltou a se casar no ano seguinte com outra representante da elite inglesa, Caroline Mallet Giffard, mas ela não aguentou a convivência com o marido e fugiu de casa levando consigo seus cinco filhos.

Os excessos de Mad Jack arrasaram seus recursos, então ele começou a contrair dívidas para continuar bancando seu estilo de vida. Ele começou a se desfazer ou perder imóveis, obras de arte e outros bens para poder pagar os débitos, mas como não faltavam credores irritados, ele resolveu ir embora para a França para fugir das cobranças.

Em 1833 ele foi preso por causa dos calotes que aplicou e ficou doente durante a prisão, morrendo no ano seguinte, aos 37 anos. Mais de 3 mil pessoas compareceram ao seu funeral, pois Mad Jack Mytton virou uma verdadeira lenda no condado de Shropshire. Em 1835, sua trajetória excêntrica foi contada no livro “The Life of John Mytton”, escrito por Charles James Apperley, obra que reunia vários episódios protagonizados pelo esbanjador nobre que acabou falindo.


Referências: