Durante a Crise do Século III, a segurança e estabilidade do Império Romano estavam seriamente comprometidas por disputas pelo poder, invasões bárbaras, dificuldades econômicas e sucessivos governos ineficazes. A administração da vastidão imperial diante destas circunstâncias era um desafio cada vez maior, então sob o governo de Diocleciano, uma medida ousada foi implementada para enfrentar a situação em 293 d.C. O império foi dividido em quatro regiões, sendo instituído o governo conhecido como a Tetrarquia, composto por dois “augusti” (imperadores seniores) e dois “caesares” (imperadores juniores), que administravam cada uma dessas divisões territoriais. A Região Oriental tinha como capital a cidade de Nicomédia (na atual Turquia) e ficou sob o domínio do próprio Diocleciano, o Augusto do Oriente. A capital da Região Ocidental era Mediolanum (atual Milão, na Itália) e seu governo coube a Maximiano, que assumiu o status de Augusto do Ocidente. A Região dos Bálcãs e Ilíria era subordinada ao governo do oriente, tendo a cidade de Sirmium (na atual Sérvia) como capital e governo confiado a Galério, césar ligado ao Augusto do Oriente. A Região da Gália e Britânia, com governo sediado em Augusta Treverorum (atual Trier, na Alemanha), era subordinada ao Augusto do Ocidente e foi confiada a Constâncio Cloro, que ostentava o status de César.
Uma das atribuições do novo regime imperial era favorecer o processo sucessório, pois os césares seriam os sucessores dos augustos e esperava-se que prévia definição reduzisse os conflitos pelo poder. Para colocar em prática este princípio, Diocleciano e Maximiano abdicaram de maneira combinada em 305 d.C., o que promoveu imediatamente seus respectivos césares. Constâncio Cloro, sucessor de Diocleciano, morreu no ano seguinte em campanha militar e o exército aclamou imediatamente seu filho Constantino (Flavius Valerius Constantinus) como Augusto. Apesar disso, os demais membros da tetrarquia não aceitaram sua ascensão e um conflito pelo poder foi estabelecido, iniciando uma desgastante guerra civil que contrariava o propósito da instituição da Tetrarquia. Somente após a derrota de Licínio, o Augusto do Oriente, em 324, Constantino impôs o fim da disputa, estabelecendo sua posição como imperador que voltou a centralizar o governo romano.
Durante a guerra, em 312 d.C., Constantino estava se preparando para um combate decisivo, a Batalha da Ponte Mílvia, quando relatos indicaram que ele teve uma enigmática visão do sinal conhecido como Chi-Rho, sobreposição das duas primeiras letras gregas da palavra “Cristo” (ΧΡΙΣΤΟΣ”), acompanhado da mensagem latina “In hoc signo vinces” (“Com este sinal, vencerás”). O imperador interpretou como um sinal divino e determinou que o símbolo fosse pintado nos escudos de seus soldados, que triunfaram na batalha. Este episódio também é importante para o desenvolvimento do cristianismo, pois significou uma nova postura do Império Romano, que efetivou no ano seguinte, pela proclamação do Édito de Milão, o fim das perseguições aos cristãos. Constantino patrocinou a construção de templos cristãos e convocou o Primeiro Concílio de Niceia (325 d.C.), um marco da história e desenvolvimento do cristianismo, pois possibilitou a definição de importantes princípios teológicos como o entendimento sobre a natureza de Jesus Cristo e formulação do Credo Niceno, base da ortodoxia cristã. Constantino chegou a influenciar a conversão da própria mãe, que posteriormente foi canonizada como Santa Helena, mas o primeiro imperador cristão de Roma só foi formalmente batizado quando estava prestes a morrer, em 337 d.C.
Além de sua atuação para centralizar o poder imperial e a dar um novo rumo religioso, Constantino também adotou ações para assegurar o bom funcionamento do Estado, redesenhando a divisão provincial e administração das regiões que compunham o império, combatendo a corrupção interna e proporcionando maior eficiência para a arrecadação de tributos. Uma nova moeda, o Solidus, foi introduzida como base de um sistema monetário que operava com os tradicionais Denário e Sestércio, além do Aureus para grandes transações. O exército foi reorganizado para garantir a defesa, instituindo os comitatenses, tropas móveis disponíveis para as mais variadas intervenções internas e externas, e os limitanei, forças estabelecidas nas fronteiras para proteger contra as ameaças de invasões.
Outra das grandes iniciativas de Constantino foi a fundação da cidade de Constantinopla, que se tornou um dos mais importantes centros urbanos de todos os tempos. O local abrigava a antiga Bizâncio, colônia grega do século VII a.C., posicionada numa região estratégica para o fluxo de rotas comerciais por mar e terra, além de ponto de defesa privilegiado pelas condições topográficas. Estes aspectos favoreceram a proposta de estabelecimento de uma nova capital para o império, que tinha em sua poção oriental uma atividade de muita intensidade produtiva e estava sujeita a ameaças poderosas. A região era ainda relevante do ponto de vista religioso, pois o cristianismo já estava bastante difundido por lá. A cidade recebeu muitas obras, principalmente em sua fortificação através de muralhas monumentais. Outras estruturas urbanas como palácios, prédios administrativos e recintos voltados para o bem-estar incrementavam a nova capital, inicialmente chamada de Nova Roma, mas logo batizada com o nome de seu fundador.
Constantino, o Grande, é frequentemente apontado como o último dos grandes imperadores romanos e foi ao menos aquele que assumiu pela última vez o pode em um império unificado, pois depois dele a fragmentação foi dominante e definitiva até o fim. Seu exitoso governo foi seguido por uma situação caótica. O imperador morreu em maio de 337 d.C., aos 65 anos de idade, e deixou sua sucessão definida através de uma nova divisão do império, que seria compartilhado por seus três filhos. Constantino II herdou o comando das províncias da Gália, Hispânia e Britânia, Constâncio II recebeu as províncias orientais, incluindo o Egito e a Ásia Menor e à Constante coube o domínio da a Itália, África e o restante dos Bálcãs. Os herdeiros não demoraram a luta por ampliação de seus poderes e domínios, iniciando uma outra fase da crise do Império.
Referências:


[…] organizada e hierarquizada. O Édito de Milão (313 d.C.), estabelecido pelo imperador Constantino, ajudou a impulsionar o cristianismo, que deixou de ser marginalizado pelo Império Romano, e o […]
[…] Constantino, o Último Grande Imperador Romano […]