A Dinastia Tang foi estabelecida na China em 618 d.C. por Li Yuan (que passou a ser conhecido como o Imperador Gaozu) depois de um longo predomínio da Dinastia Sui, desgastada por intensas rebeliões e guerras internas. Nesse contexto de insurgência, o líder regional Li Yuan foi fortalecido por uma forte aliança de insurgentes e contou com comandantes militares habilidosos e destemidos para consolidar sua tomada de poder. Entre seus aliados nos campos de batalha estava sua filha, Li Xiuning (posteriormente conhecida como a Princesa Pingyang), que desafiou de uma só vez os oponentes durante os combates e as expectativas a respeito das mulheres em uma sociedade tradicionalmente patriarcal.
Li Xiuning nasceu em 598, já durante o processo de decadência da Dinastia Sui através de um intenso estado de guerra, e cresceu habituada ao contexto de conflitos. Ela era a única mulher entre os sete filhos de Li Yuan e se casou ainda adolescente com o general Chai Shao. Seu pai iniciou sua própria rebelião contra os Sui em 617 d.C. e enquanto ele e o marido estavam distantes e atuando na guerra, Li Xiuning teve a iniciativa de constituir seu efetivo para reforçar as forças no combate. Por sua posição e capacidade de persuasão, ela foi capaz de formar o “Exército da Dama”, que reunia cerca de 70.000 soldados, recrutados entre as diversas camadas da sociedade.
Apesar de não ter formação militar, o que era inacessível para uma mulher, Li Xiuning tinha uma impressionante perspectiva tática, recorrendo ao combate de guerrilha para evitar batalhas prolongadas, avaliando posicionamentos estratégicos para lançar seus ataques e realizando abordagens desgastantes para os inimigos. Ela proibiu que seus comandados saqueassem as vilas e cidades durante os avanços, o que favoreceu a realização de novas alianças e a pacificação de regiões.
O Exército da Dama saiu-se vitorioso em variados confrontos, como na Batalha de Huoyi e na atuação com outros batalhões Tang na captura da cidade de Chang’an, a capital dos Sui, assumindo exitosamente as missões estratégicas de cortar o fluxo de suprimentos para as tropas inimigas e realizar ataques para atrapalhar as formações dos oponentes.
Depois da guerra, já como Princesa Pingyang, ela assumiu responsabilidades como uma influente figura da corte imperial, contudo, sua saúde ficou debilitada e ala morreu em 623 d.C. A princesa guerreira recebeu um funeral militar, algo incomum entre os chineses. Seu pai declarou que Pingyang não era apenas sua filha, mas também uma heroína que contribuiu para o sucesso dos Tang.
Referências:


[…] históricas marcantes destacam a presença de mulheres em ação bélica. Uma delas foi a princesa Pingyang (589-663), uma importante general e habilidosa guerreira da Dinastia Tang, e outro nome memorável […]
[…] Pingyang, A Princesa Guerreira da China […]