A Vida da Filha de Cleópatra no Mundo Romano

(Representação visual gerada pela IA Leonardo)

Filha da famosa rainha Cleópatra VII do Egito e do general e triúnviro romano Marco Antônio, a princesa Cleópatra Selene nasceu em 40. a.C. em Alexandria. Por ocasião de seu nascimento, sua mãe regia o Egito como última governante da Dinastia Ptolomaica numa aliança política, estratégica e afetiva com o líder romano que rivalizava com Otaviano, herdeiro de Júlio César, e pelo poder sobre Roma. A princesa egípcia tinha dois irmãos, Alexandre Hélio (seu gêmeo) e Ptolomeu Filadelfo, e foram designados por Marco Antônio como reis de territórios que estavam sob o domínio romano, situação denunciada por Otaviano como uma traição aos interesses e poder de Roma. Conforme as “Doações de Alexandria”, os filhos de Cleópatra foram feitos reis de variadas regiões, incluindo Armênia, Síria, Lídia e Pártia, o que ainda proporcionou à rainha do Egito o título de “Mãe dos Reis”.   

Os pequenos irmãos acabaram envolvidos numa trama que precipitou a guerra declarada entre as forças de Otaviano, que acabaram derrotando os exércitos de Marco Antônio e Cleópatra. O conflito teve consequências definidoras para a História, resultando nas condições para o estabelecimento de uma importante mudança institucional na estrutura do poder romano e na consagração de Otaviano como seu primeiro imperador, adotando a identificação de Augusto.

Após sua vitória definitiva, Otaviano não conseguiu ter os seus inimigos como prisioneiros, pois Marco Antônio e Cleópatra se mataram antes disso, mas seus filhos, Cleópatra Selene, seus irmãos e outros parentes sobreviventes, acabaram servindo para exibição durante a cerimônia de triunfo, em 31 a. C., entrando acorrentados na cidade de Roma, representando a humilhação dos vencidos e glorificando a conquista do imperador.

Os três filhos de Cleópatra e Marco Antônio foram entregues aos cuidados de Otávia Menor, irmã do imperador e esposa abandonada por Marco Antônio. Alexandre Hélio e Ptolomeu Filadelfo desapareceram dos registros desde então, podendo ter levado uma vida na obscuridade ou, conforme especulações, foram eliminados para evitar ameaças à legitimidade de Augusto ou como trunfos políticos para os seus adversários.

Ao contrário dos irmãos, Cleópatra Selene teve um papel destacado. Ela foi mantida como uma espécie de refém privilegiada, cercada por cuidados e recebendo uma sofisticada educação apropriada para um romana da nobreza. Sua linhagem era um importante aspecto a ser explorado politicamente para a realização de alianças e Augusto resolveu tirar proveito desta vantagem quando foi articulado um casamento entre ela e Juba II, rei aliado da Mauritânia. Localizado no noroeste da África, o reino era importante por sua condição estratégica pela localização favorável para o comércio marítimo, defesa contra ameaças provenientes de povos africanos e fonte de riquezas como madeiras muito valorizadas em Roma.

Aos 15 anos de idade, Cleópatra Selene, assumiu sua função no arranjo político e foi conduzida para Cesareia, assumindo sua posição de rainha da Mauritânia. O casal realizou uma parceria produtiva, aproveitando recursos disponíveis para aprimorar a estrutura do reino. A rainha tinha particular interesse pelas artes e proporcionou uma mistura de influências, apoiando mestres que conceberam uma magnífica criação de influências mistas com elementos greco-romanos e egípcios. Sua marca ficou presente nas obras arquitetônicas que patrocinou e supervisionou, além do estabelecimento de uma biblioteca inspirada na de Alexandria, que atraiu estudiosos e artistas, o que evidenciava sua formação elevada e refinamento.

Apesar de não ter restaurado a posição de sua linhagem na Egito, ela foi responsável pela preservação da herança da dinastia através do filho, Ptolomeu da Mauritânia, que deu continuidade e sobrevida à tradição de uma nobre família real do mundo antigo.

A rainha morreu por volta dos 35 anos, em 5 a.C.


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