A poderosa linhagem Hanan Cusco assumiu o poder diante dos incas por volta de 1350 e foi a última a prevalecer até a desintegração do império a parir da chegada dos espanhóis e a posterior morte de Túpac Amaru I, o último Sapa Inca, em 1572. Durante este período crítico, após a morte de Huayna Cápac, o poder foi dividido entre seus filhos mais velhos, Huascar e Atahualpa, mas uma guerra interna pelo controle afetou ainda mais a integridade do Império Inca, que já estava lidando com uma ameaçadora presença dos europeus que exploravam cada vez mais seus domínios. Os espanhóis perceberam a fragilidade da situação e resolveram interferir, capturando e executando Atahualpa em 1533. Para facilitar seus planos de dominação, os invasores apoiaram a reivindicação de Manco Inca Yupanqui, também filho de Huayna Cápac, celebrando uma aliança na expectativa de contar com a colaboração do novo Sapa Inca (título que significava “Único Inca” ou “Soberano Único”, atributo dos imperadores).
Manco Inca Yupanqui, também conhecido como Manco Cápac II, esperava que a aliança com os espanhóis servisse para que ele conseguisse reforços de guerra para poder encerrar de vez a guerra entre as facções incas, reunificando o império. Para Francisco Pizarro, “o conquistador do Peru”, a divisão dos incas tornava mais complexo o processo de domínio porque exigia maior dispersão das ações e por isso ele se dispôs a derrotar os seguidores de Atahualpa para reforçar a autoridade do aliado sobre seu próprio povo. A estratégia de Pizarro consistia em controlar o próprio imperador indígena para dominar todos os incas.
A relação inicial entre Manco Inca e Pizarro era de respeito, mas também de mútua desconfiança. A deterioração da aliança começou quando os espanhóis intensificaram as pressões sobre o povo, quando ficou nítida a intenção dos colonizadores. O próprio Sapa Inca passou a ser vigiado e mantido como um prisioneiro em seu palácio em Cusco enquanto os espanhóis praticavam abusos contra seus súditos. Depois de um grande saque dos exploradores sobre os templos sagrados, em 1536, Manco Inca decidiu romper a aliança e passou a tratar os espanhóis como inimigos, dando início a uma guerra sangrenta pela defesa do império e da própria existência de sua tradição.
O líder inca reuniu um exército de cerca de 100 mil guerreiros, que cercaram Cusco, que estava então sob o controle dos espanhóis. Os invasores estavam preparados para uma eventual reação e articularam novas alianças com outros povos nativos que rivalizavam com os incas, a exemplo dos yanaconas, que compuseram uma força auxiliar dos espanhóis. Como não conseguiu tomar Cusco, Manco Inca Yupanqui reagrupou suas forças Ollantaytambo, onde impôs uma derrota aos espanhóis em 1537 recorrendo a métodos engenhosos como o desvio de um rio para prejudicar os oponentes. Depois de recuar para Vilcabamba, foi adotada uma outra abordagem para evitar o confronto aberto e as forças indígenas passaram a empregar táticas guerrilheiras para emboscar os inimigos na selva.
Essa estratégia persistente prolongou a resistência, mas em 1544, um grupo de dissidentes espanhóis, os almagristas (seguidores de Diego de Almagro, rival dos Pizarros), recebeu abrigo de Manco Inca em Vilcabamba, mas baixar a guarda para os opositores de seu principal inimigo revelou-se um grande erro. O líder inca acabou assassinado traiçoeiramente pelos forasteiros que receberam sua confiança.
Manco Inca Yupanqui tinha três filhos e todos acabaram assumindo a liderança numa sequência iniciada pelo mais velho, Sayri Túpac, que era jovem e inexperiente para exercer a liderança e resolveu abdicar em 1558 após fazer um acordo com os espanhóis. Ele foi sucedido pelo irmão Titu Cusi Yupanqui, de postura muito mais aguerrida e que levou adianta a resistência até a sua morte em 1571. Por fim, o irmão mais novo, Túpac Amaru I, o último imperador inca, assumiu o comando em condições desfavoráveis, mas permaneceu oferecendo resistência até ser executado em 1572.
Referências:


[…] Manco Inca Yupanqui e a Resistência do Império Indígena […]
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