Constantino XI e Mehmed II na batalha final por Constantinopla

(Representações visuais geradas pela IA Midjourney)

A queda de Constantinopla, em 1453, é um marco adotado como evento delimitador do fim da Idade Média e início da Idade Moderna. A ocasião foi o desfecho do conflito entre o Império Otomano e o já combalido Império Bizantino. Com a derrota bizantina, o poder na região foi alterado e possibilitou a expansão dos domínios otomanos no leste da Europa, no Oriente Médio e norte da África, acabando com a conexão dos europeus com o Oriente, gerando um impacto significativo no comércio.

Às vésperas do confronto definitivo, o Império Bizantino já estava em situação crítica após um desgastante processo de degradação iniciado desde 1204, quando Constantinopla foi saqueada durante a Quarta Cruzada. Tanto o território quanto a população reduziram drasticamente ao longo dos anos, enquanto as dificuldades econômicas privaram os bizantinos até de condições de assegurar sua defesa.

O Império Otomano vivia uma fase oposta, com um agressivo processo de expansão que favorecia o cumprimento de uma antiga pretensão de conquistar Constantinopla, missão já tentada anteriormente sem sucesso. Alianças com os Estados Balcânicos, turcos da Anatólia, além dos serviços de muitos mercenários cristãos reforçavam o contingente que se lançou contra Constantinopla. E tratados com Veneza e Hungria garantiam que tais reinos não interferissem na campanha.

Os bizantinos estavam sob o comando de seu último imperador, Constantino XI Paleólogo, que subiu ao trono em 1449 diante da difícil situação de lidar com as ameaças otomanas. Ele herdou o que sobrou de um império, então reduzido à Constantinopla e algumas regiões ao redor. O monarca também estava isolado, pois os reinos europeus não atendiam aos seus apelos por ajuda. Era só questão de tempo até a resistência composta por apenas 7.000 soldados acabasse caindo diante dos cerca de 80.000 combatentes do lado oposto. Mesmo assim, Constantino XI escolheu lutar até o fim por trás das poderosas muralhas da cidade.

A situação otomana era muito favorável e o sultão Mehmed II, que tinha apenas 21 anos, estava determinado a tirar proveito de sua imensa vantagem. Além de um exército muito numeroso, ele contava com uma arma secreta contra a muralha de Constantinopla: enormes canhões de 9 metros que disparavam projéteis de 500 quilos e atingiam alvos a 1,5 km de distância. Estas arrasadoras peças de artilharia pesada foram projetadas por Orban, engenheiro húngaro que chegou a oferecer suas armas aos bizantinos, que não puderam oferecer o preço cobrado por elas. Mehmed II cercou a cidade fortificada por mar e terra e Constantinopla ainda foi capaz de resistir por 52 dias.

Apesar do repentino socorro de navios genoveses que trouxeram provisões, os bizantinos não tinham mais recursos para sustentar as ofensivas inimigas, que causavam danos à Muralha Teodosiana promoviam ataques que desgastavam a aguerrida defesa da cidade. O próprio Constantino XI morreu enquanto guerreava ao lado de seus homens na última batalha por Constantinopla. Ele tinha 49 anos de idade e seu corpo não foi identificado em meio aos demais cadáveres de soldados que tombaram na luta.

Mehmed II, o Conquistador, triunfou ao obter a estratégica Constantinopla. Após a captura, ele transformou a gloriosa catedral Hagia Sophia em uma mesquita, marcando a transição de Constantinopla para Istambul, a nova capital do Império Otomano.

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