A Religião Viking

A religiosidade viking envolvia uma rica composição mitológica com deuses e figuras sobrenaturais envolvidas em situações fantásticas, além de práticas marcantes que constituíram um importante aspecto da identidade e culturas dos povos nórdicos.

O universo mitológico viking era composto por nove mundos interligados através de Yggdrasill, a árvore cósmica. Em Asgard viviam os principais deuses, incluindo Odin, Thor, e Frigg, e este mundo era conectado à terra, mundo conhecido como Midgard, pela ponte arco-íris (Bifrost). Em Vanaheim vivia outra categoria de deuses associados à fertilidade, prosperidade e natureza. Em Alfheim estavam os elfos da luz, entidades e imortais que viviam em harmonia com a natureza de seu mundo. Jotunheim era o mundo selvagem dos gigantes (Jotnar) que frequentemente em conflito com os deuses de Asgard. Svartalfheim era o mundo dominado pelos dos anões, os mestres da metalurgia e da elaboração de objetos mágicos. Niflheim era o mundo de gelo, frio e escuridão, associado à morte e ao inverno. Muspelheim era mundo tórrido habitado pelos gigantes de fogo. O último mundo era Helheim, habitado pelos mortos e governado pela deusa Hel. Os habitantes destes mundos faziam parte de uma fabulosa mitologia registrada em obras épocas e religiosas como a Edda Poética e a Edda em Prosa, entre variadas fontes tradicionais.

Assim como as concepções cosmológicas e divinas, os rituais vivenciados pelos vikings eram igualmente complexos e repletos de significados.

Eram comuns as cerimônias com sacrifícios em nome dos deuses, eventos conhecidos como blót. Em lugares sagrados chamados de hof ou hǫrgar, sacerdotes realizaram os ritos de recolhimento de sangue dos animais utilizados como oferendas. As carnes dos animais eram servidas aos participantes da cerimônia em um banquete celebrativo depois do cumprimento dos atos ritualísticos. Em situações excepcionais, sacrifícios humanos também ocorriam em contextos específicos.

Sacerdotes como os Goder, que conduziam os atos de bênção e sacrifício, e as Völvas, profetisas e feiticeiras, eram figuras muito respeitadas pelas comunidades vikings. O seiðr era o conhecimento sobrenatural e misterioso da magia, manejado por uma völva em rituais que envolviam processos como cânticos, uso de runas, amuletos e outros objetos místicos, além do alcance de um estado de transe profundo para obter conexões com entidades capazes de fornecer ensinamentos e orientações sobre o futuro. Além da prática oracular, as sacerdotisas também realizavam atos de curandeirismo e lançavam feitiços solicitados pelos fiéis.

Os ritos fúnebres eram importantes na cultura e crença viking. Elas acreditavam que a morte iniciava uma outra jornada no além, em variados destinos para as almas. Eles recorriam a cremações e sepultamentos com seus devidos ritos. Alguns praticavam solenidades que envolviam o uso de bens funerários que podiam incluir armas, objetos cotidianos e até mesmo navios inteiros enterrados com os defuntos. Guerreiros podiam ser enterrados com seus cavalos e nobres chegavam a contar com a companhia de escravos ou outras pessoas sacrificadas com a finalidade de se juntar ao corpo da poderosa pessoa que estava sendo sepultada e seguir ao seu lado no destino após a morte.

A crescente cristianização dos escandinavos foi um importante evento para a modificação dos costumes e crenças. O processo foi longo e desgastante, pois muitos resistiram diante da imposição da conversão e defenderam suas tradições.

Um comentário

  1. […] A religião viking era rica em mitos e rituais que envolviam sacrifícios, deuses poderosos como Odin e Thor, e uma visão única do pós-vida. Os vikings acreditavam em nove mundos conectados por Yggdrasil, a árvore cósmica, e realizavam cerimônias em lugares sagrados com oferendas aos deuses. Sacerdotes e videntes tinham papéis fundamentais, e seus rituais fúnebres eram elaborados, refletindo sua crença em uma nova jornada após a morte. Explore o fascinante universo espiritual que guiava a vida viking. […]

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