Rodrigo de Borja (ou Borgia) nasceu no dia de ano novo de 1431 em Xàtiva, no então Reino de Aragão, atual Espanha. Ele era filho de Jofré Llançol i Escrivà e sua mãe, Isabel de Borja y Cavanilles, era da poderosa família Borja, o que ajudou a abrir seus caminhos nos ambientes do poder dentro e fora do clero. Seu tio, Alonso de Borja, que posteriormente se tornou o Papa Calixto III, foi um importante apoiador que promoveu a continuidade da influência da família através de Rodrigo, enviado sob sua recomendação para a Universidade de Bolonha para estudar direito.
Em 1456, aos 25 anos de idade, Rodrigo foi nomeado cardeal e, no ano seguinte, assumiu uma função no comando da Igreja Católica, designado como vice-chanceler. O nepotismo promovido pelo tio ajudou em sua ascensão, mas as habilidades de Rodrigo asseguraram sua continuidade no poder e crescente influência no decorrer de cinco pontificados.
Os interesses do cardeal Rodrigo Borgia iam além dos assuntos espirituais e religiosos, pois ele se envolveu em atividades que garantiram o acúmulo de uma imensa fortuna. Em seu cargo na estrutura da Igreja Católica, ele se ocupava das finanças da instituição, mas também se aproveitou para obter vantagens pessoais, adquirir propriedades e realizar negócios comerciais e bancários. Ele constituiu vínculos com pessoas poderosas e se estabeleceu como importante uma figura do mundo político.
Apesar do celibato imposto aos clérigos pelo Primeiro Concílio de Latrão desde 1123, Rodrigo levava uma vida pessoal notoriamente alheia à exigência. Teve diversas amantes e sua mais conhecida companheira foi Vannozza dei Cattanei, mãe de quatro de seus sete filhos publicamente reconhecidos. Rodrigo e Vannozza viveram como um casal ilegítimo durante anos. Apesar da irregularidade, seus filhos foram muito favorecidos pela descarada prática de nepotismo promovida por Rodrigo, especialmente após sua designação para exercer o pontificado.
Depois de vários anos exercendo influência, acumulando riqueza e manobrando o poder através da chancelaria da Igreja Católica, em 1492, aos 61 anos, ele finalmente foi eleito Papa, adotando o nome Alexandre VI. Sua eleição foi marcada por denúncias de suborno e favorecimento financeiro até em favor de antigos adversários em troca de apoio. Seu pontificado foi marcado por casos de corrupção, vendas de cargos e abusos de autoridade.
A posição de pontífice favoreceu ainda mais seus interesses, designando seus filhos para funções importantes, concedendo privilégios para outros parentes e utilizando sua filha, Lucrezia Borgia, para celebrar aliança política através de casamento. A violência política foi amplamente empregada através da atuação de seu filho Cesare, nomeado cardeal aos 18 anos e depois designando para a condução das forças militares da Igreja que se envolveram em conflitos constantes que fortaleciam as pretensões da família. Cesare empregava a eliminação dos desafetos e opositores, inclusive sendo suspeito de envolvimento no assassinato do próprio irmão, Juan, para não ter concorrentes sequer entre os familiares. Outro exemplo da truculência contra adversários foi execução de Girolamo Savonarola, clérigo que denunciava abertamente as práticas e conduta moral do papa e de sua família.
Alexandre VI envolveu o papado em conflitos políticos com a França e favoreceu sua terra natal, a Espanha, concedendo ao casal real Fernando e Isabel o título de “Reis Católicos” e beneficiando o reino espanhol a respeito do domínio sobre as terras recém-descobertas do Novo Mundo. O papa também interferiu na tumultuada política italiana, envolvendo-se diretamente nas violentas disputas entre as famílias Orsini, Sforza e Colonna.
Uma série de reformas legais foram estabelecidas para reforçar a autoridade papal, que também passou a atuar em situação como o controle da criminalidade e aplicação da justiça. Ele resolveu utilizar a força para combater a criminalidade em Roma, aplicando com severidade medidas penais que resultaram em muitas condenações à morte de bandidos comuns. Por outro lado, foi um notório incentivador das artes e patrono de artistas que atuaram em obras para o embelezamento de Roma.
As conspirações contra o papa e sua família eram constantes. Em 1502, em Senigallia, Cesare pessoalmente conduziu execuções de diversos adversários envolvidos num complô que incluía antigos aliados, o que sinalizava o desgaste do poderio familiar Borgia entre a própria elite italiana. No ano seguinte, Alexandre VI e Cesare foram vítimas de um envenenamento. Somente o papa morreu imediatamente após o incidente, enquanto Cesare sobreviveu para promover terror contra seus os inimigos e acusados de envolvimento no atentado.
Os ritos fúnebres de Alexandre VI foram simbólicos a respeito da reputação do pontífice morto. Seu corpo desfigurado e inchado se decompôs rapidamente diante dos presentes no velório, gerando murmúrios a respeito de que tal fato tinha relação com a degradação representada por seu pontificado.
O conclave seguinte elegeu o cardeal Francesco Todeschini Piccolomini como o Papa Pio III, porém seu pontificado durou poucos meses até a ascensão do cardeal Giuliano della Rovere, antigo crítico de papa Alexandre VI, que passou a ser Julio II e se emprenhou em reduzir a influência da família Borgia.
Referências:


[…] Nascido Roderic de Borja, o Papa Alexandre VI cresceu na pequena cidade de Xàtiva, que agora faz parte da Espanha. Quando seu tio materno se tornou o Papa Calisto III, Roderic adotou o nome Rodrigo Borja. […]
[…] 1492 o controle de Roma estava sob o domínio do poderoso Rodrigo Borgia, o Papa Alexandre VI, que manifestou a iniciativa incorporar as terras de Forlì e Imola aos Estado Papais. O Papa […]
[…] nascimento não é definido com exatidão, podendo ser 1475 ou 1476. Ele era filho ilegítimo de Rodrigo Borgia, o papa Alexandre VI, e de sua amante (ou esposa não oficial) Vannozza dei Cattanei. Ele foi preparado desde cedo para […]
[…] Rodrigo Borgia, que se tornou Papa Alexandre VI, é lembrado por seu nepotismo, escândalos e uso do poder papal para interesses pessoais. De amante a filhos reconhecidos, ele comandou com mão de ferro, nomeando Cesare Borgia para liderar exércitos e usando alianças políticas, enquanto acumulava riqueza e favores. Sob seu papado, a corrupção floresceu, mas ele também deixou um legado cultural em Roma. Conheça a história de um dos papas mais controversos da Igreja! […]
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