A germânica Anna Margaretha Schönleben (posteriormente conhecida como Anna Zwanziger) nasceu em Nuremberg em 1760. Sua origem pobre impôs privações e a necessidade de trabalhar muito cedo enquanto tumultos familiares geraram perturbações pessoais que foram influentes durante toda sua vida. Aos 20 anos ela se casou com um certo Zwanziger em busca de estabilidade, mas foram dez anos de um relacionamento infeliz com um homem abusador alcoólatra.
Após a morte do marido, Anna ficou sozinha e sem sustento, o que a levou a aceitar um emprego como governanta na casa da família Glaser na cidade de Kasendorf. Ela logo conquistou a confiança do casal de patrões e chegou a ajudar numa reconciliação entre o senhor e a senhora quando o casamento entre eles estava em crise. Sua postura conciliadora escondeu uma intenção perversa, pois a patroa foi sua primeira vítima. Ela ministrou uma dose de veneno que não matou de maneira imediata, mas causou um adoecimento repentino e irreversível na mulher. Enquanto a senhora Glaser sofria, Anna prestava um atencioso cuidado aparentando estar muito comovida e envolvida na tentativa de confortar a moribunda.
Em 1808, a suposta dedicação da Anna valeu uma recomendação para um novo serviço, desta vez sob as ordens do senhor Grohmann. O patrão vivia uma fase de crescente prestígio como magistrado, planejava seu casamento e constituição de sua família. Anna não aceitava os planos de Grohmann e, embora não houvesse evidências sobre um eventual interesse romântico de sua parte, ele resolveu interferir através de sua abordagem extrema. O homem ficou seriamente doente e por trás do súbito acometimento do juiz estava a atuação de sua governanta matadora, que mais uma vez envenenou com o objetivo de exercer um controle sobre a fragilizada pessoa contaminada, que estava condicionado a depender de seus cuidados.
Novamente contando com a recomendação iludida da família da vítima, Anna foi trabalhar para o senhor Gebhard e sua esposa, que estava grávida. O impulso assassino da governanta continuou ativo, e ela seguiu manipulando pequenas doses de veneno para as pessoas na residência, provocando estranhas ocorrências de mal-estar repentino até entre visitantes. No caso da dona da casa, começaram a ocorrer continuadas situações sintomáticas enquanto ela estava no final da gravidez e, finalmente, Frau Gebhard morreu assim que deu à luz. O bebê não sobreviveu além de pouco tempo depois disso, sendo também envenenado.
Anna Zwanziger adicionava diminutas quantidades de arsênico na alimentação que era servida às vítimas. Através deste método, ela controlava a evolução do comprometimento físico das pessoas, podendo prolongar ou reduzir o tempo de vida delas dependendo de sua vontade.
As últimas mortes e o comportamento da governanta despertaram as desconfianças de Gebhard, que acionou uma investigação para a apurar indícios de substância tóxica em sua casa. Alimentos foram analisados e confirmaram a suspeita de utilização de arsênico.
Anna foi presa e confessou friamente seus crimes. Durante o julgamento ela chocou ainda mais as autoridades, declarando que mataria ainda mais pessoas se tivesse oportunidade. Sem manifestar arrependimento, ela justificou seus atos como iniciativas que ajudariam a garantir seu próprio bem-estar e sustento, pois enquanto cuidava de suas vítimas durante os últimos momentos de vida ela acreditava que conquistaria reconhecimento e gratificação por seus esforços e serviços. A assassina não escondeu o desprezo pelas vidas que arrasou e alegou que sua única amizade era com o próprio veneno.
Anna foi condenada à morte e executada por decapitação em 1811.
A repercussão de seu caso chocou a sociedade e revelou que mesmo as pessoas aparentemente inofensivas eram capazes de realizar ações monstruosas.
Referências:


[…] Anna Margaretha Zwanziger (1760-1811) […]